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sebenta Morfologia-e-Citologia-da-célula-bacteriana3

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e da análise do seu genoma, tem 
actualmente 29 espécies distintas (ex. Enterococcus faecalis, Enterococcus faecium, Enterococcus 
gallinarum, Enterococcus casseliflavus). 
 
Características 
Estas bactérias são cocos gram-positivos, podendo se apresentar em cadeias curtas 
ou aos pares. São anaeróbios facultativos, com uma temperatura de crescimento entre 10° 
e 45°C (temperatura óptima de 35°C) e são nutricionalmente exigentes: requerem 
vitaminas B, bases de ácidos nucleicos e uma fonte de carbono como a glucose. 
Os Enterococcus toleram a exposição a um ambiente duro (conseguem crescer a 
[bílis]=40% e [NaCl]=6,5%). A sua hemólise é variável e são catalase negativos. 
Estas são bactérias comensais do aparelho digestivo e genitourinário. A sua 
transmissão é feita por via endógena, sendo que representam 10% das infecções 
nosocomiais (hospitalares). 
Tem como factores de virulência as proteínas de adesão (que lhe permite aderir às 
células do intestino e da vagina), as citolisinas (proteínas secretadas extracelularmente 
 
24
 Via endógena - passagem de local onde não é ofensiva para outro local onde se torna patogénica. 
 
 
 
21 
com actividade hemolítica), as feromonas25, a gelatinase26 e os plasmídeos e genes 
cromossómicos de resistência a antibióticos. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Infecção urinária; 
 Infecção pélvica ou intra-abdominal; 
 Infecção de feridas; 
 Bacteriémia; 
 Endocardite. 
 
Diagnóstico 
Estas bactérias podem ser cultivadas em meios enriquecidas e identificadas pelo 
estudo de propriedades bioquímicas: resistência à optoquina e pesquisa da enzima PYR. 
 
Prevenção e Terapêutica 
As infecções com origem nestas bactérias podem ser prevenidas com medidas de 
controlo de infecções hospitalares. Se houver infecção, usa-se aminoglicosídeos27 em 
conjunto com vancomicina/ampicilina28. 
 
 
25
 Feromonas – atraem neutrófilos. 
26
 Gelatinase – fazem a ruptura da célula hospedeira. 
27
 Aminoglicosídeos – inibem a síntese de proteínas. 
28
 Vancomicina/ampicilina – inibem a síntese da parede celular. 
 
 
 
22 
Bacilos Gram-Positivo 
 
Género Bacillus 
 Os bacilos deste género são da família Bacillaceae e estão dispostos em cadeias. Eles 
podem ser aeróbios ou anaeróbios facultativos; em aerobiose eles são formadores de esporos. 
Estes organismos são saprófitas29 ubiquitários30. 
 
Bacillus anthracis 
O bacillus anthracis é um organismo largo que em especímenes clínicos se apresenta em 
forma de bastonete único, em pares ou como um longa cadeia serpenteante. Forma esporos, mas 
estes não são observados em especímenes clínicos; os esporos podem sobreviver no solo por 
vários anos. Não é móvel e é um anaeróbio facultativo. 
Esta bactéria raramente é isolada em países desenvolvidos mas é prevalente em locais 
onde a vacinação animal não se faz. Os indivíduos em risco são aqueles que contactam com 
animais ou solos infectados. O maior risco desta bactéria em países industrializados é o seu uso 
como arma biológica. 
Os factores de virulência são três toxinas proteicas (antigénio protector, factor edema e 
factor letal) produzidas por um plasmídeo. Individualmente estas não são tóxicas, mas sim em 
conjunto (toxina trivalente), pois formam a toxina edema (EdTx) e a toxina letal (LeTx). Em estirpes 
virulentas há a presença de cápsula. 
 
Patologias 
Esta bactéria pode originar: 
 Carbúnculo Cutâneo: na face, mãos e antebraços (pústulas31 malignas); 
pode causar sépsis. Representa 95% das infecções com esta bactéria; 
 Carbúnculo Pulmonar: causada normalmente por manuseamento de lã, 
por inalação de esporos. Inicialmente sem sinais específicos, é seguida 
por um rápido aparecimento de sépsis com febre, edema e 
linfadenopatia. É também acompanhada por falha respiratória. A maioria 
dos pacientes que inalaram este bacilo morrerá a menos que o 
tratamento seja iniciado imediatamente; 
 Forma Gastrointestinal: rara no homem, mas frequente nos herbívoros. 
Forma úlceras no local da invasão. Tem uma mortalidade de 100% 
devido ao diagnóstico tardio e disseminação sistémica rápida. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico pode ser feito a partir de exame directo das amostras clínicas 
(exsudato das pústulas, gânglios linfáticos, sangue), por evidência da cápsula32 (técnica de 
Burri) ou por observação da morfologia colonial. O PCR também é utilizado. 
 
Prevenção, Controlo e Terapêutica 
Esta bactéria pode ser evitada com o uso de vestuário protector e com a vacinação 
 
29
 Saprófita – que vive e se desenvolve em matéria orgânica morta. 
30
 Ubiquitário – que vive ou pode viver em qualquer lugar 
31
 Pústula – pequeno tumor cutâneo que termina por supuração (lançar pus ou transformar-se em pus). 
32
 Esta cápsula só se forma no hospedeiro. 
 
 
 
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dos animais com que se lida. Também há vacina humana. 
Em caso de infecção, pode-se optar por penicilina, doxiciclina e ciprofloxacina 
(preferível). 
 
Bacillus cereus 
O Bacillus cereus é uma bactéria com distribuição ubiquitária, que forma esporos. É uma 
bactéria anaeróbia facultativa e não tem um crescimento fastidioso. Os esporos podem sobreviver 
no solo. 
Os factores de virulência são a toxina necrótica, a cereolisina e a fosfolipase C (enzimas 
citotóxicas, isto é, destroem tecidos). 
 
Patologias 
A patologia principal causada por esta bactéria é a intoxicação alimentar; como em 
todas as intoxicações alimentares, esta é uma doença auto-limitada. Esta pode apresentar-
se de duas formas: 
 Forma Emética: associada ao consumo de arroz contaminado. Com um 
período de incubação de 1 a 6 horas, a doença deve-se a uma 
enterotoxina termo-resistente. Causa vómitos, náuseas e cãibras 
abdominais; 
 Forma Diarreica: associada a alimentos vários. Com um período de 
incubação de 6 a 24 horas, a doença deve-se a uma enterotoxina 
termolábil33, que activa o sistema adenilciclase/AMPc nas células 
epiteliais, levando a uma diarreia aquosa. Para além disso, o paciente 
sofre náuseas e cãibras abdominais. 
Também se podem manifestar outras infecções a partir desta bactéria: 
 Infecções Oculares: destruição rápida do olho pelas toxinas; 
 Infecções induzidas por dispositivos intravasculares infectados: 
bacteriémia, meningite, pneumonites, endocardites. 
 
Diagnóstico 
O diagnóstico pode ser feito a partir de cultura dos alimentos suspeitos. 
 
Prevenção e Terapêutica 
 A refrigeração dos alimentos ajuda a prevenir este tipo de intoxicações alimentares. 
 As infecções gastrointestinais são tratadas sintomaticamente. No caso de infecções 
oculares ou outras utiliza-se vancomicina, ciprofloxacina, gentamicina ou clindamicina. 
 
 
Género Listeria 
 Os bacilos do género Listeria são aeróbios e não formam esporos. É um grupo heterogéneo 
de bactérias: algumas são patogénicas para o homem, outras são patogénicas para animais que 
podem causar doença em humanos e há algumas que são bactérias oportunistas, infectando 
pacientes hospitalizados ou imunologicamente comprometidos. A detecção destes organismos 
pode ser problemática. 
 
 
33
 Termolábil – diz-se da substância que perde as suas propriedades em determinada temperatura. 
 
 
 
24 
Listeria monocytogenes 
A Listeria monocytogenes é uma bactéria anaeróbia facultativa, catalase positiva e 
oxidase negativa. Tem uma temperatura óptima a 37 °C embora também cresça a temperaturas 
de refrigeração. É móvel – tem flagelos perítricos (1-5), tendo uma mobilidade característica aos 
22°C. É um parasita intracelular facultativo. 
Metabolicamente, produz ácido a partir