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Dicionario Financeiro_Completo

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em conta-corrente em relação ao PIB. 
Crescimento da dívida - No Brasil, o déficit cresceu muito depois do Plano Real e já chegou a 5% do PIB no pós-crise da Ásia. Quando se chega a esse ponto, o Governo geralmente toma medidas para diminuir a sua vulnerabilidade, como renegociar a dívida externa e as metas com o Fundo Monetário Internacional. O déficit em conta corrente hoje é em torno de US$ 23 bilhões. Já chegou a ser de US$ 30 bilhões.
Equílibrio – De acordo com o professor do Ibmec, Carlos Thadeu de Freitas, a saída para os países que devem muito – e o Brasil está entre eles – é exportar mais. "Não dá para cortar muito as importações porque isso afeta o crescimento e os preços internos. É importante também começar a substituí-las. Isso já está acontecendo porque o dólar ficou muito caro", lembra ele. "Além disso, é preciso manter a taxa de câmbio flutuante, buscar o equilíbrio fiscal e adotar uma política monetária saudável com juros básicos nem muito altos e nem muito baixos"
Contas internas – De acordo com Carlos Thadeu, a solução é aumentar a poupança interna, ou seja fortalecer a economia e equilibrar as contas públicas, para ficar menos vulnerável e gerar o superávit primário. Com isso, é possível diminuir a dívida líquida, que é a soma da dívida interna mais a externa menos as reservas cambiais. 
Superávit Primário – O resultado das receitas do Governo menos as despesas sem contar as despesas com pagamento de juros, gera o superávit (se for positivo) ou o déficit (se for negativo) primário. Com algumas medidas como aprovação das reformas administrativa e da Previdência, a desvalorização da moeda e a criação de impostos como a CPMF, que geraram aumento da arrecadação, o Governo tem conseguido, a partir do fim do ano passado, obter superávit primário. 
Taxas de juros – A queda recente determinada pelo Banco Central para a taxa básica (Selic) também afeta as contas. Se por um lado, torna o Brasil menos atrativo para os investidores estrangeiros, por outro reduz essa necessidade de recursos externos para financiar o déficit porque diminui o custo do Governo com o pagamento de juros nas dívidas internas.
Fatores externos – Cumprir as metas acertadas com o FMI, diminuir o tamanho da dívida líquida e fortalecer a economia interna são fatores determinantes, mas que mesmo funcionando podem não ser suficientes para gerar crescimento e manter o cenário favorável. Uma crise econômica como a que aconteceu na Ásia e na Rússia afeta determinantemente a economia dos países dependentes do capital externo, como o Brasil.
Cupom Cambial
Para avaliar se um investimento em moeda estrangeira está pagando um juro mais interessante do que um similar em moeda nacional, o investidor precisa estar atento ao que o mercado chama de cupom cambial. Geralmente, os gestores de fundos cambiais já fazem esse trabalho, mas nada como ter certeza das possibilidades de ganhos reais de uma aplicação.
O cupom cambial é a diferença entre a taxa básica de juros internos (Selic) e a desvalorização da taxa de câmbio do país. “Ele serve como uma referência para se investir em moeda estrangeira, um benchmark”, 
Costa Rego explica que o resultado do cupom cambial é o rendimento real de um título em dólar. “Aí, o investidor compara o que está dando mais retorno, se o investimento em dólar ou em moeda nacional. E, com esses dados em mãos, orientar seus investimentos”.
Veja no exemplo abaixo como calcular a valorização do cupom:
Para uma taxa básica de juros projetada de 14% ao ano e uma variação cambial de 5% ao ano, o rendimento do cupom cambial é de 8,5% ao ano. Veja o cálculo:
Cupom cambial = Selic / variação cambial , ou seja, no nosso exemplo 1.14 / 1.05 = 8,5.
Portanto, a valorização do cupom cambial é de 8,5% ao ano.
Veja como fazer a análise comparativa entre uma aplicação em moeda nacional e estrangeira:
Comparando com um título interno, descontado a inflação, o rendimento do cupom cambial, neste exemplo, é mais interessante. Se considerarmos a valorização de um fundo DI em 2000, 13,5%, menos a inflação do período, 5,5%, o ganho foi de 8%. Enquanto que, com o nosso exemplo acima, o rendimento do título em moeda estrangeira é de 8,5% ao ano. 
Debêntures
O governo, quando precisa de dinheiro, recorre ao mercado emitindo títulos públicos pré e pós-fixados. A mesma coisa acontece com as empresas, quando emitem debêntures. Apesar de as ações servirem também para financiar as empresas, a diferença básica no caso da debênture é que o proprietário do papel não passa a ser sócio da empresa, apenas vira credor dela, que passa a ter um compromisso em um determinado prazo e a pagar juros periódicos (anuais, em geral) até o resgate, ou vencimento do título.
O sistema oferece vantagens para as empresas que emitem debêntures, pois não precisam se endividar com bancos a taxas de juros estabelecidas pelas instituições financeiras, e têm um custo muito mais baixo do que na emissão de ações. Mas é também vantajoso para o comprador, que ganha mais uma possibilidade para diversificar sua carteira a um baixo risco, recebendo de tempos em tempos e no vencimento juros pré ou pós-fixados, conforme determinar o emissor. 
Uma outra diferença essencial entre os dois tipos de ativos é que a ação é um investimento de renda variável, ou seja, é impossível prever qual será o seu rendimento daqui a alguns anos ou mesmo até o dia ou a hora seguinte. Quem investe em ações não está livre sequer de o papel perder valor de um dia para o outro e, nesse caso, não há nem rentabilidade, mas sim prejuízo. 
Já as debêntures são ativos de renda fixa, ou seja, papéis que têm um valor de face a ser recebido no seu vencimento, além dos juros estipulados na sua emissão, que podem ser pré-estabelecidos ou obedecerem algum índice (juros + IGP-M, TR, ou CDI por exemplo). 
Dependendo do estatuto da empresa emissora e do acordo feito com os credores, a debênture pode ainda ser conversível em ações da empresa dentro de determinado prazo, passando o seu titular então a receber dividendos (participação nos lucros) ou a poder participar das deliberações das assembléias gerais. Dessa forma, o debenturista passa a configurar como sócio da companhia, acionista, efetivamente. 
As regras de cada emissão de debêntures são específicas para cada série emitida. Ou seja, prazo de vencimento, remuneração, conversão, todos esses pontos são negociados entre empresa emissora e credor. 
D+0, D+1, D+2
No mercado de capitais, tanto no mercado à vista, como no futuro, no termo e opções, existem prazos definidos de liquidação das operações, ou seja, o dia que o vendedor receberá seu dinheiro e que o comprador receberá ações ou títulos. Esses prazos são chamados de D. Essa letra vem acompanhada pelo símbolo + seguida por um número. O número indica em quanto tempo a operação será liqüidada.
A regra da bolsa de valores exige que o dinheiro seja entregue ao investidor em D+3, ou seja, três dias após a venda das ações. Dessa forma, se a operação é fechada numa terça-feira, a liqüidação é feita na sexta-feira (três dias úteis depois). A operação continua sendo em D+3 mesmo quando é realizado day-trade (quando, num mesmo dia, o investidor compra e vende a mesma ação). Ele só receberá apenas três dias depois.
O vendedor, no entanto, tem que entregar os títulos na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) em até D+2, no máximo dois dias depois de fechada a operação, para que haja tempo de repassá-los ao comprador no terceiro dia.
“O esquema de liquidação funciona, comparativamente, a compensação do cheque no banco. O cliente tem que esperar para ter acesso ao dinheiro
Há apenas um detalhe nas operações a termo. A liqüidação também é em D+3, mas começa a ser contado no 27o dia, porque, nesse caso, já fica pré-determina o preço, a quantidade e a data da liquidação da operação. 
As liquidações das operações realizadas nas bolsas de valores são sempre feitas pela CBLC, uma empresa que garante as operações fechadas em todas as