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anatomia vegetal

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(Fig. 6b) e sob 
a forma de filamentos, no citoplasma residual dessa célula (Fig.6c-d). 
2.1.3 Células Crivadas e Elementos de Tubo Crivado 
Os dois tipos de elementos crivados diferem entre si, pelo grau de especialização das 
áreas crivadas e pela distribuição das mesmas nas paredes de suas células. 
a. As células crivadas, consideradas mais primitivas, presentes no floema das 
pteridófitas e das gimnospermas são células alongadas e apresentam áreas crivadas, 
com poros pouco desenvolvidos, nas suas paredes laterais e terminais. 
b. Os elementos de tubo crivado presentes no floema das angiospermas, são células 
mais curtas. Os elementos de tubo crivado mostram um maior grau de especialização 
do que o observado nas células crivadas.Essas células apresentam áreas crivadas com 
poros menores nas suas paredes laterais, enquanto que, nas paredes terminais e, 
ocasionalmente, nas paredes laterais também, ocorrem áreas crivadas mais 
especializadas, com poros de diâmetro maior, de até 14 µm, formando as placas 
crivadas (Fig. 1-5), que podem sem simples ou compostas. Os elementos de tubo 
crivado dispõem-se em longas séries longitudinais, unidos pelas placas crivadas, 
formando assim os tubos crivados do floema. 
 
Figura 5 - Elementos de tubo crivado em 
secção transversal e longitudinal, formando 
os tubos crivados do floema. 
http://www.uic.edu/classes/bios 
Os elementos de tubo crivados primitivos são longos, dotados de paredes terminais 
muito inclinadas e, geralmente, apresentam placas crivadas compostas, ou seja, placas 
crivadas com várias áreas crivadas, cujos poros são relativamente estreitos. Durante a 
evolução houve uma redução da inclinação de suas paredes terminais, as placas 
crivadas passaram de compostas para simples e o diâmetro dos poros dos crivos da 
placa crivada aumentou, levando a uma distinção entre as áreas crivadas das paredes 
laterais e das placas crivadas nas paredes terminais (Fig. 1). 
Células Parenquimáticas 
2.2.1.Células Albuminosas e Células Companheiras 
O movimento de materiais orgânicos através do floema depende da interação fisiológica 
entre os elementos crivados e células parenquimáticas altamente especializadas, que 
aparecem ao lado desses elementos de condução. 
Os elementos de tubo crivado estão associados às células companheiras (Fig. 1, 3, 4 
e 5), que são células parenquimáticas altamente especializadas, intimamente ligadas à 
estes elementos de condução, através de inúmeros plasmodesmas. As células 
companheiras são células nucleadas com numerosas mitocôndrias, plastídios 
(freqüentemente cloroplastídios) e ribossomos. A célula companheira é 
ontogeneticamente ligada ao elemento de tubo crivados (Fig. 6). Durante a 
diferenciação do elemento de tubo crivado a célula meristemática que formará o 
elemento de tubo crivado sofre uma divisão longitudinal desigual (Fig. 6a), formando 
uma célula menor, a célula companheira e uma célula maior, o elemento de tubo 
criivado (Fig. 6b). A célula menor - célula companheira - pode sofrer novas divisões 
transversais, dando origem a outras células companheiras. 
 
Figura 6 - Esquema mostrando a diferenciação 
de um elemento de tubo crivado. Raven, et al. 
Biologia Vegetal, 2001. 
As células crivadas das gimnospermas também estão associadas à células 
parenquimáticas especializadas, denominadas células albuminosas, ligadas a elas por 
numerosos plasmodesmas. No entanto, essas células albuminosas não estão 
relacionadas ontogeneticamente às células companheiras, isto é, não tem origem a 
partir da mesma célula meristemática. Quando o elemento crivado morre suas células 
companheiras ou albuminosas também morrem. 
2.2 Outras células 
Outras células parenquimáticas menos especializadas também fazem parte do floema e, 
geralmente, estão relacionadas com a reserva de substâncias ergásticas, tais como: 
amido, cristais (Fig. 7), substâncias fenólicas, etc. 
 
Figura 7 - Corte do floema 
mostrando células do parênquima 
contendo cristais em seu interior. 
www.inea.uva.br/serviços/histologia/ 
2.3 Esclerênquima 
As fibras do floema estão presentes na parte externa do floema primário e no floema 
secundário. Essas fibras apresentam uma distribuição variada, intercalada entre as 
outras células do sistema axial. As fibras do floema podem ser septadas (Ex: Vitis) ou 
não e podem ainda, ser vivas ou mortas na maturidade. Muitas espécies possuem fibras 
do floema de valor econômico, como por exemplo, as fibras do linho (Linum 
usitatissimum), do cânhamo (Cannabis sativa) e do rami (Bohemeria nivea) usadas na 
confecção de tecidos. As esclereídes também são comuns no floema, e podem estar 
presentes tanto no sistema axial como no radial do floema secundário em várias 
espécies. 
Floema primário 
O floema primário tem origem a partir do procâmbio e é constituído pelo protofloema e 
pelo metafloema. 
a. O protofloema é o primeiro a se formar e, como completa a sua diferenciação em 
regiões que ainda estão em intenso crescimento os seus elementos crivados sofrem 
estiramento, tornando-se obliterados, esmagados e logo param de funcionar. Os 
elementos crivados do protofloema, geralmente são funcionais por apenas um ou dois 
dias. O protofloema é formado por elementos crivados estreitos, que podem ou não, 
estar associados à células companheiras. Quando o protofloema apresenta fibras, essas 
fibras começam a espessar as suas paredes apenas após a desativação dos elementos 
crivados. 
b. O metafloema diferencia-se posteriormente, ainda no corpo primário da planta, no 
entanto, a sua completa diferenciação acontece somente, após a fase de crescimento 
mais intenso da região onde está sendo formando. Nas plantas que não apresentam 
crescimento secundário, o metaxilema é o floema funcional nas partes adultas da planta. 
Seus elementos crivados são, em geral, mais largos e numerosos que os elementos 
crivados do protofloema. As células albuminosas e/ou companheiras estão sempre 
presentes mas, geralmente, o metafloema não forma fibras. 
RAIZ 
Profa. Dra. Neuza Maria de Castro 
1. Introdução 
A raiz é o órgão especializado para a fixação da planta no solo e para a absorção de 
água e sais minerais em solução, podendo ainda desempenhar as funções de 
reserva de substâncias e de aeração em plantas aquáticas, entre outras. A raiz é 
caracterizada como um órgão cilíndrico, aclorofilado que se distigue do caule por 
não se apresentar dividida em nós e internós e por não formar folhas ou gemas. 
No interior da semente, o embrião consiste de um eixo hipocótilo-radicular,com um 
ou mais cotilédones na sua parte superior (Fig. 1) e na sua porção inferior está a 
radícula, ou primórdio do sistema radicular, já se revestida pela coifa. Em muitas 
espécies a radícula não passa de um conjunto de células meristemáticas, 
enquanto que em outras, a radícula já apresenta mais diferenciada. 
 
Figura 1 - Embrião de 
Lepidium sp. Foto de 
Castro, N.M. 
Quando a semente germina a primeira estrutura a emergir é a radícula, que é 
responsável pela formação da primeira raiz da planta. Nas gimnospermas e 
dicotiledôneas esta raiz, geralmente, permanece toda a vida da planta e a partir 
dela se formam as raízes laterais. Nas monocotiledôneas, a raiz primária 
degenera-se precocemente e o sistema radicular que se desenvolve a seguir, é 
formado por numerosas raízes adventícias, que originam-se do hipocótilo, região 
caulinar acima da radícula. Em algumas monocotiledôneas, essas raízes 
adventícias iniciam o seu desenvolvimento ainda no próprio embrião. 
 
2. Estrutura Primária 
2.1. Origem e desenvolvimento 
A estrutura primária da raiz tem origem no meristema apical. Os meristemas 
primários, localizados pouco acima do promeristema, são os responsáveis pela 
diferenciação dos tecidos primários da raiz: 
 a protoderme origina o revestimento