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anatomia vegetal

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primário da raiz - a epiderme; 
 o meristema fundamental dá origem à região cortical, geralmente, formada 
apenas pelo parênquima e 
 o procâmbio forma o cilindro vascular onde de encontra os tecidos vasculares 
primários. 
 
Figura 2 - Esquema do ápice da raiz . 
http://www.ualr.edu/botany/rootanatomy.html 
Figura 3 - Meristema apical de 
raiz de Triticum sp. Foto - Clayton, 
M. 
http://botit.botany.wis.edu/images 
Figura 4 - Esquema de um corte 
transversal da raiz em estrutura 
primária. 
A organização interna da raiz é bastante variada mas é mais simples e, 
filogenéticamente, mais primitiva do que a do caule. Um corte transversal da raiz em 
estrutura primária, geralmente, mostra uma nítida separação entre os três sistemas de 
tecidos: a epiderme (sistema dérmico), o córtex (sistema fundamental) e os tecidos 
vasculares (sistema vascular) (Fig.2 e 3). Na raiz os tecidos vasculares formam um 
cilindro sólido, ou um cilindro ôco preenchido pela medula. 
3.1 Coifa 
A coifa, presente em um grande número de espécies, é uma estrutura que reveste 
o ápice radicular, como um dedal, protegendo o meristema apical (Fig. 2 e 3). A 
coifa tem origem no caliptrogênio, que é parte do meristema apical da raiz e é 
formada de células parenquimáticas, vivas, que secretam mucilagens que auxiliam 
na proteção do ápice radicular e na penetração da raiz através do solo. À medida 
que a raiz cresce e penetra no solo, as células da periferia da coifa vão sendo 
eliminadas e novas células vão sendo, continuadamente, produzidas As espécies 
aquáticas, geralmente, apresentam coifas bem desenvolvidas, para proteger o 
meristema apical do ataque de microorganismos, abundantes do meio aquático. 
O direcionamento do crescimento geotrópico da raiz se dá em resposta à 
gravidade. Se uma plântula for colocada horizontalmente, a distribuição de auxina 
na raiz ocorre de tal forma, que a sua concentração será maior na região inferior, 
se comparada com a região superior. Como as células da raiz são mais sensíveis 
à auxina, este aumento da sua concentração no lado inferior inibe a expansão 
celular, resultando numa curvatura para baixo, à medida que as células no lado 
superior da raiz expandem-se mais rapidamente que as do lado de baixo. A 
percepção da gravidade está relacionada com a sedimentação dos estatólitos 
(amiloplastos diminutos), localizados na base das células da coifa. 
3.2 Epiderme 
A epiderme da raiz, diferenciada a partir da protoderme do meristema apical, é 
formada de células vivas, de paredes primárias e cutícula delgadas. Nas espécies 
onde a epiderme persiste por mais tempo, nas regiões mais velhas, as paredes de 
suas células podem apresentar maior cutinização ou até mesmo podem sofrer 
suberinização. 
Nas raízes jovens, a epiderme especializa-se para a função de absorção e para 
isto, desenvolve numerosos pêlos radiciais ou absorventes, que são expansões 
tubulares das células epidérmicas (Fig. 2 e 4). Os pêlos radiciais têm origem como 
pequenas papilas, que se formam em células especiais da protoderme, 
denominadas tricoblastos. A zona pilífera, geralmente, está restrista a uma faixa de 
poucos milímetros, não muito próxima do ápice da raiz e nas regiões mais velhas 
esses pêlos vão morrendo e sendo eliminados, enquanto novos pêlos radiciais 
vão sendo produzidos nas regiões mais jovens, mantendo assim a mesma 
extensão de zona pilífira. 
A epiderme da raiz geralmente é unisseriada. No entanto, as raízes aéreas de 
certas orquidáceas e aráceas epífitas desenvolvem uma epiderme multisseriada. 
Quando completamente diferenciada, essa epiderme plurisseriada é constituída 
de células mortas de paredes espessadas e suberinizadas, recebem o nome de 
velame (Fig. 5). Durante os períodos de seca, as células do velame ficam cheias de 
ar e nas épocas de chuva, cheias de água. O velame tem sido interpretado como 
um tecido de absorção, e por isso, receberam também o nome de raízes 
absorventes. No entanto, testes com o uso de corantes vitais, têm demostrado 
que o velame funciona apenas como uma barreira mecânica, reduzindo a perda de 
água através do córtex e não, exatamente na absorção da água. 
 
Figura 5 - Pêlos radiciais - 
Singonanthus cipoensis 
Foto de Castro, N. M. 
Figura 6 - Epidendron sp 
- Detalhe do velame. 
Microscopia Eletrônica 
de Interferência. Foto 
de Castro, N. M. 
Figura 7 - Corte transversal da raiz 
primária de Mandevilla velutina. Ep = 
epiderme; Pr = pêlos radicular; Ex = 
exoderme; Pc = parênquima 
cortical; En = endoderme; P = 
periciclo; Xp = xilema primária; Fp = 
floema primário. Foto de Apezzato-
da-Glória, B. - (Anatomia Vegetal, 
2003). 
 
3.3 Córtex 
O córtex da raiz é a região entre a epiderme e o cilindro vascular, e tem origem a 
partir do meristema fundamental. Esta região é formada por células 
parenquimáticas, isodiamétricas de paredes delgadas, com numerosos espaços 
intercelulares. Nas plantas aquáticas ou naquelas que crescem em solos 
pantanosos pode haver a formação de um aerênquima na região cortical (Fig. 5), 
para facilitar a aeração interna do órgão. O parênquima cortical da raiz é 
aclorofilado, exceto em raízes aéreas e em algumas espécies aquáticas. 
Frequentemente, as células do parênquima cortical apresentam amido como 
substância de reserva. 
A camada interna do córtex, diferencia-se em uma endoderme e, freqüentemente, 
as raízes desenvolvem uma ou mais camadas de células diferenciadas, na 
periferia do córtex, que se forma logo abaixo da epiderme denominada de 
exoderme (Fig. 6 e 7). 
3.3.1. Endoderme 
Na região de absorção da raiz primária, as paredes das células da endoderme 
apresentam um espessamento de suberina, em forma de fita, completamente 
impermeável, que se estende ao redor das paredes radiais e transversais dessas 
células, denominada estria ou faixa de Caspary (Fig. 8). Esta faixa suberimizada é 
formada durante a diferenciação da célula endodérmica e faz parte da parede 
primária das células. A deposição da suberina, nestas estrias, é contínua desde a 
lamela média, e nesta região a membrana plasmática também encontra-se 
fortemente ligada a essas estrias, formando assim, uma região de forte adesão 
entre o protoplasma das células endodérmicas e suas paredes, bem como, entre as 
paredes de células endodérmicas vizinhas. 
Como as células da endoderme estão perfeitamente justapostas, se deixar 
espaços espaços entre si, e ainda se encontram fortemente ligadas umas às 
outras, pelas estrias de Caspary, fica assegurado que somente as substâncias 
que passam pela seletividade da membrana plasmática, cheguem ao xilema, e daí 
sejam conduzidas para o restante do corpo da planta. 
Nas espécies, que apresentam crescimento secundário (dicotiledôneas e 
gimnospermas lenhosas), as células endodérmicas não desenvolvem nenhum 
outro tipo de espessamento além das estrias de Caspary e, eventualmente, são 
eliminadas junto com o córtex durante o crescimento secundário (Fig. 14C). No 
entanto, nas raízes que não apresentam crescimento secundário, especialmente 
entre as monocotiledôneas, a endoderme permanece e apresenta modificações de 
parede. Nas regiões mais velhas destas raízes, acima da região de absorção, as 
paredes das células endodérmicas vão sendo recobertas por uma lamela de 
suberina ou endodermina e num terceiro estágio, são recobertas uma espessa 
camada de celulose lignificada. Esse espessamento secundário pode se dar de 
modo uniforme em todas as paredes da célula (Fig. 10) ou ser irregular, mais fino, 
ou mesmo ausente, nas paredes tangenciais externas, o que leva as células 
endodérmicas a adquirirem o aspecto de U, quando vistas em cortes tranversal 
(Fig.9). 
Nestas raízes, as células da endoderme em frente aos elementos do protoxilema, 
não desenvolvem esses espessamentos secundários, continuando apenas com as 
estrias de