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anatomia vegetal

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são bastante variados. Quanto a 
sua posição na epiderme, os estômatos podem se situar acima, abaixo ou 
no mesmo nível das demais células epidérmicas (Fig. 10), em criptas 
estomáticas ou mesmo em protuberâncias. A sua freqüência também é 
variável mas geralmente, são mais numerosos nas folhas. No entanto, este 
número também varia nas diferentes faces de uma mesma folha, bem 
como, em diferentes folhas de uma mesma planta ou nas diferentes 
regiões de uma mesma folha. 
 
Figura 9 - Vista frontal do estômato da 
folha de trigo. Foto de Peterson, L. 
(www.uoguelp.ca/boany/courses/BOT3410
) 
Figura 10 - Vista frontal de um estômato. 
Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV). 
Capturado da internet. 
A posição dos estômatos nas folhas, geralmente, está relacionada às 
condições ambientais. Nas folhas flutuantes das plantas aquáticas, os 
estômatos são encontrados apenas na face superior da folha, enquanto 
que, nas plantas de ambientes xéricos (secos), os estômatos aparecem na 
face inferior da folha ou ainda, escondidos em criptas, numa tentativa de 
reduzir a perda de água em vapor, quando os estômatos se abrem. 
Quanto à distribuição dos estômatos, as folhas podem ser classificadas 
em: anfiestomáticas, quando os estômatos estão presentes nas duas 
faces da folha; hipoestomáticas, com os estômatos apenas na face 
inferior da folha e epiestomáticas, com os estômatos presentes apenas na 
face superior. 
Características como: posição e número dos estômatos na epiderme são 
bastante variados e altamente influenciadas pelo ambiente em que a planta 
vive, apresentando assim, pouca aplicação taxonômica. No entanto, 
existem classificações baseadas na presença ou não, e na origem das 
células subsidiárias, que podem ter utilização taxonômica, como por 
exemplo a classificação proposta por Metcalf & Chalk (1950), para os 
estômatos das dicotiledôneas. 
5. TRICOMAS 
Além dos estômatos, inúmeras outras células especializadas ocorrem na 
epiderme, dentre estas, destacam-se os tricomas, apêndices epidérmicos 
altamente variados em estrutura e função e que podem ser classificados de 
diversas maneiras: 
5.1 Tectores: podem ser unicelulares, como por exemplo, as “fibras” de 
algodão que são tricomas da semente do algodoeiro, formados por uma 
única célula que se projeta para fora da epiderme e apresentam paredes 
secundárias celulósicas espessadas. Existem ainda, os tricomas 
multicelulares uni, bi ou multisseriados, ramificados (Fig. 11) ou não . Os 
tricomas tectores não produzem nenhum tipo de secreção e acredita-se 
que possam, entre outras funções, reduzir a perda de água, por 
transpiração, das plantas que vivem em ambientes xéricos (secos), auxiliar 
na defesa contra insetos predadores e diminuir a incidência luminosa. 
5.2 Secretores: esses tricomas possuem um pedúnculo e uma cabeça (uni 
ou pluricelular) e, uma célula basal inserida na epiderme (Fig. 12). A 
cabeça geralmente é a porção secretora do tricoma. Estes são cobertos 
por uma cutícula. A secreção pode ser acumulada entre a(s) célula(s) da 
cabeça e a cutícula e com o rompimento desta, a secreção é liberada ou a 
secreção pode ir sendo liberada gradativamente através de poros 
existentes na parede. Estes tricomas podem apresentar funções variadas 
dentre elas: produção de substâncias irritantes ou repelentes, para afastar 
os predadores; substâncias viscosas para prender os insetos (como nas 
plantas insetívoras), substâncias aromáticas para atrair polinizadores, etc. 
 
Figura 11 - Tricomas 
tectores (MEV). Foto de 
Barthlott, W. -Nultsh, W. 
Botânica geral. Editora 
ArtMed 2000. 
Figura 12 - Tricoma secretor 
(MEV). Foto de Peterson , L. 
(www.uoguelp.ca/botany/courses/ 
BOT 3410). 
 5.3 Escamas e/ou Tricomas peltados: esses tricomas apresentam um 
disco, formado por várias células, que repousa sobre um pedúnculo que se 
insere na epiderme (Fig. 13). Nas bromeliáceas os tricomas peltados estão 
relacionados com a absorção de água da atmosfera. 
 5.4 Vesículas aqüíferas: s ão células epidérmicas grandes, que servem 
para armazenar água. 
 5.5 Pêlos radiciais: são projeções das células epidérmicas que se 
formam inicialmente, como pequenas papilas na epiderme da zona de 
absorção de raízes jovens de muitas plantas. Estes são vacuolados e 
apresentam paredes delgadas, recobertas por uma cutícula delgada (Fig. 
14) e estão relacionados com absorção de água do solo. Estes tricomas 
também são conhecidos como pêlos absorventes. 
Apesar de se originarem sempre da protoderme, o desenvolvimento dos 
tricomas é bastante complexo e variado, dependendo de sua estrutura e 
função. 
 
Figura 12- Superfície da folha de 
Tilandsia sp (MEV), evidenciando 
tricomas peltados. Capturado da 
internet. 
Figura 13- 
Detalhe da 
periferia da raiz 
de Zea mays 
evidenciando os 
pêlos radiciais. 
Capturado da 
internet. 
OBS.: Não confundir tricomas com emergências. As emergências são 
estruturas complexas que podem apresentar em sua estrutura, além das 
células epidérmicas, células do sistema fundamental e até mesmo células 
de condução. 
XILEMA 
 
Profa. Dra. Neuza Maria de Castro 
 
Introdução 
A conquista do ambiente terrestre pelas plantas só foi possível devido às 
inúmeras adaptações que elas desenvolveram para se adaptarem ao novo 
ambiente. Para isso, desenvolveram um sistema de distribuição interna de água 
e nutrientes (tecidos vasculares), um sistema de absorção da água do solo 
(raízes) e de um sistema de revestimento para evitar a perda excessiva de água 
(epiderme cutinizada). 
A distribuição de água e nutrientes na planta é feita através do sistema vascular, 
que é constituído pelo xilema, responsável principalmente pela condução de 
água e sais minerais e pelo floema, responsável pela condução de material 
orgânico em solução. 
Os tecidos vasculares são classificados em primários e secundários. Os tecidos 
vasculares primários são formados a partir do procâmbio, durante o crescimento 
primário da planta, e os tecidos vasculares secundários são formados pelo 
câmbio vascular durante o crescimento secundário do corpo vegetal. 
A presença de paredes espessas e lignificadas na maioria das células do xilema, 
faz com que este tecido seja mais rígido que o floema, e também permitiram que 
esse tecido fosse preservado nos fósseis. 
O xilema primário e o secundário apresentam algumas diferenças histológicas, 
mas ambos são bastante complexos, formados por diferentes tipos de células: 
células de condução - elementos traqueais (Fig. 1 e 2); células de sustentação 
– fibras (Fig. 1); e células de parênquima (Fig. 1), essas últimas relacionadas 
com o armazenamento de diversas substâncias. 
 
 
Figura 1- Macerado de xilema de 
Aristolochia sp. Foto de Castro, N. M. 
Figura 2 - Esquemas: Elementos 
traqueais: traqueídes e Elementos 
de vaso. 
www.mhhe.com/.../histology/ 
html/cellwp&s.htm 
 
TIPOS DE CÉLULAS DO XILEMA 
O xilema é formado pelos elementos traqueais, as fibras e células de 
parênquima (Fig 1 e 2). 
2.1. Elementos traqueais 
Os elementos traqueais são as células mais especializadas do xilema, e são as 
células responsáveis pela condução da água e dos sais minerais. Essas células 
são alongadas de paredes secundárias espessadas e lignificadas, com 
pontoações variadas e são células mortas na maturidade. Existem dois tipos de 
elementos traqueais: as traqueídes e os elementos de vaso (Fig. 2B). 
a. As traqueídes são consideradas mais primitivas que os elementos de vaso e 
constituem o único tipo de elemento de condução na maioria das pteridófitas e 
das gimnospermas.As traqueídes são células de condução imperfuradas com 
numerosas pontoações entre suas paredes comuns, por onde a água passa de 
uma célula à outra (Fig. 2). Essas células combinam as funções de condução e 
de sustentação.