A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
357 pág.
Direito Processo Civil

Pré-visualização | Página 12 de 50

Modernamente, formou-se corrente doutrinária, para qual, em vista da 
indispensabilidade da função do advogado no processo, a advocacia tem caráter público e as 
relações entre patrono e cliente são regulada por contrato de direito público. 
 
 Contudo, diante das regras multifárias das relações do advogado com o cliente e com o 
Estado jurisdicional, o mais correto parece conciliar as duas correntes doutrinárias, mormente 
em face do que prescreve o art. 2º do atual EOAB (lei 8.906/94: "No processo judicial, o 
advogado contribui, na postulação de decisão favorável ao seu constituinte, ao convencimento 
do julgador, e seus atos constituem múnus público", considerando-se a advocacia, ao mesmo 
tempo, como ministério privado de função pública e social. Assim é que o mandato judicial 
 
50 
 
constitui representação voluntária no tocante à sua outorga e escolha do advogado, mas 
representação legal no que diz respeito à sua necessidade e ao modo de exercê-la. 
 
 Mandato por procuração 
 
 Procuração ad judicia é o instrumento de mandato que habilita o advogado a praticar 
todos os atos judiciais, em qualquer justiça, foro, juízo ou instância, salvo os de receber 
citação, confessar, transigir, desistir, e dar quitação e firmar compromisso; e a procuração com 
a cláusula ad judicia et extra habilita o constituído à prática também de todos os atos 
extrajudiciais de representação e defesa, incluindo sustentações orais. 
 
 Ao renunciar ao mandato o advogado continuará a representar o outorgante pelos dez 
dias seguintes à intimação da renúncia, salvo se for substituído antes desse prazo. O processo 
não se suspende em virtude da renúncia. 
 
10. Do Ministério Público 
 
 Nos feitos cíveis, o Parquet ora atua como parte (CPC. Art. 81) agindo em 
nome próprio, mas na defesa de interesse que não lhe pertença (substituto processual), 
cabendo-lhe os mesmos direitos e ônus que às partes. 
 
 Ora atua como órgão interveniente (CPC. Art. 82), dês que existentes e 
presentes as situações preconizadas pela lei. Com efeito, o Código de Processo Civil, em seu 
artigo 82, bem como a legislação extravagante, estabelecem as hipóteses em que cabe ao 
órgão ministerial atuar no feito, na qualidade de órgão interveniente obrigatório. 
 
 
51 
 
 Da leitura de tal dispositivo, denota-se, a prima facie, que o Ministério Público 
tem o dever de intervir quando houver interesse público evidenciado pela natureza da lide ou 
pela qualidade da parte. 
 
 No que tange à atuação do Parquet tendo em vista a natureza da lide, eis que 
caberá, a esse órgão, analisar e apreciar o caso concreto posto, com total e absoluta 
independência, não se vinculando aos interesses de qualquer das partes, submetendo-se, 
exclusivamente, aos imperativos legais e a sua própria consciência. 
 
 Tal ocorre, porquanto sendo sua intervenção fundada, tão-só, pela natureza da 
lide, o Ministério Público terá a atribuição de velar pela correta aplicação da lei ao caso 
concreto, vale dizer, funcionando puramente como custos legis. 
 
 Por fim, a ausência de intervenção do MP em feito no qual sua presença é 
obrigatória gera a nulidade absoluta do processo, abrindo azo até mesmo para a ação 
rescisória (CPC, art. 487, III, a). 
 
10.1 Princípios institucionais e constitucionais do ministério público 
 
 a) unidade: é o conceito de que os promotores de um Estado integram um só 
órgão sob a direção de um só chefe. 
 
 b) indivisibilidade: significa que os membros do Ministério Público podem ser 
substituídos uns pelos outros, "não arbitrariamente, porém, sob pena de grande 
desordem, mas segundo a forma estabelecida na lei" TJSP, Rcrim 128.587-SP; RT 
494/269). 
 
 
52 
 
 c) independência funcional: significa que cada um de seus membros age 
segundo sua própria consciência jurídica, com submissão exclusivamente ao direito, 
sem ingerência do Poder Executivo, nem dos juízes e nem mesmo dos órgãos 
superiores do próprio Ministério Público. Por outro lado, essa independência da 
Instituição como um todo identifica-se na sua competência para "propor ao Poder 
Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os por 
concursos público de provas e títulos" (art. 127, § 2º), e para elaborar "sua proposta 
orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias" (art. 
127, § 3º). 
 
10.2 O Ministério Público e o Poder Judiciário 
 
 O MP, conforme sua definição constitucional é "instituição permanente e 
essencial à função jurisdicional do Estado" e, por isso é ele tratado como órgão 
autônomo, que não integra o Poder Judiciário, embora desenvolva as suas funções 
essenciais, primordialmente, no processo e perante os juízos e tribunais. 
 
 Assim, a CF. apresenta o MP da União integrado pelo MPF (oficiando perante o 
STF, STJ e Justiça Federal, MP do Trabalho (Justiça do Trabalho), MP Militar (Justiça 
Militar da União) e MP do Distrito Federal e Territórios (Justiça do Distrito Federal e 
Territórios. 
 
10.3 Funções institucionais 
 
a) promoção privativa da ação penal pública; 
 
b) zelar pelo efetivo respeito aos Poderes Públicos e dos serviços de 
relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, 
promovendo as medidas necessárias à sua garantia; 
 
53 
 
 
c) promover o inquérito civil e a ação civil para proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses previstos nesta 
Constituição e outras elencadas nos vários incisos do art. 129 da CF. 
 
10.4 Garantias 
 
 Como garantias da Instituição como um todo destacam-se: 
a) a sua estruturação em carreira; 
b) a sua autonomia administrativa e orçamentária; 
c) limitação à liberdade do chefe do Executivo para a nomeação e destituição do 
Procurador-Geral; 
d) a exclusividade da ação penal pública e veto à nomeação de promotores ad hoc. 
 
 Aos membros individualmente são as seguintes as garantias: 
 
a) o tríplice predicado da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de 
vencimentos 
b) ingresso aos cargos mediante concurso de provas e títulos, observada, nas 
nomeações, a ordem de classificação; 
c) promoção voluntária, por antigüidade e merecimento, alternadamente, de uma 
para outra entrância ou categoria e da entrância mais elevada para o cargo de 
Procurador de Justiça; 
d) sujeição à competência originária do Tribunal de Justiça, "nos crimes comuns e nos 
de responsabilidade, ressalvadas exceções de ordem constitucionais. 
 
 
54 
 
10.5 Impedimentos 
 
a) a representação judicial e consultoria de entidades públicas e o exercício da 
advocacia; 
b) o recebimento de honorários, percentuais ou custas; 
c) a participação em sociedade comercial; 
d) o exercício de outra função pública, salvo uma de magistério; 
e) atividades político-partidárias. 
 
 10.6 Órgãos do MP da União 
 
 Procurador-Geral da República (chefe do Ministério Público da União) - 
nomeado pelo Presidente da República após aprovação pelo Senado Federal - 
mandato bienal - destituição antes do prazo depende de autorização pela maioria 
absoluta do Senado Federal. 
 
 10.7 Órgãos do MP Estadual 
 
 a) Administração Superior (PGJ, Colégio dos Procuradores; CSMP e CGMP); 
 b) Administração do MP (Procuradorias de Justiça e Promotorias de Justiça; 
 c) Órgãos de Execução (PGJ, Colégio, CSMP, Procuradores e Promotores); 
 d) Órgãos auxiliares ( Centros de Apoio operacional, Comissão de Concurso, 
Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Profissional, órgãos de apoio técnico e 
administrativo e estagiários). 
 
 
55 
 
11. Do Juiz