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Direito Processo Civil

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é ato unilateral do autor, de modo que, desistindo, pode ele 
voltar a juízo com a mesma demanda. A desistência é da ação em sentido processual. Daí 
porque não é dado pensar que, com a desistência, tenha o autor renunciado ao direito de ação 
(sentido material) em relação ao objeto do processo. 
 
 Situação bem diferentemente, todavia, e que com a desistência não se 
confunde, é a renúncia (CPC, art. 269, V), que tem por objeto o direito material, ou seja, o 
próprio direito subjetivo afirmado na inicial. Aqui a extinção do processo é com julgamento de 
mérito, porquanto a própria pretensão, com a renúncia, deixa de existir. 
 
 Importante referir que, depois de decorrido o prazo para a resposta, a 
desistência só produzirá efeitos se com ela consentir o réu (art. 267, § 4º, CPC). Sendo o réu 
revel, não há necessidade de colher-se sua anuência para que o autor possa desistir da ação. 
 
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Por intransmissibilidade do direito material 
 
 A causa de extinção, neste caso, não é da ação, mas do direito posto em juízo, 
porquanto intransmissível. O exemplo clássico é o da ação de divórcio em que o réu venha a 
falecer. Como o direito, no caso, é personalíssimo, o processo será extinto em qualquer fase. 
 
Quando ocorrer a confusão entre o autor e o réu 
 
 A hipótese está regulada no inciso X do artigo 267 do CPC. Cuida-se de 
aplicação da regra prevista no artigo 381 do novo Código Civil, que assim reza: 
 
Art. 381. Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam 
as qualidades de credor e devedor. 
 
 A confusão, como dispõe o diploma substantivo (art. 382) pode ser total ou 
parcial. Se não abranger toda a dívida, o processo prossegue quanto à parte não atingida. 
 
Outros casos de extinção do processo sem julgamento de mérito 
 
 Afora as hipóteses enunciadas no art. 267, a lei processual indica outras tantas 
de extinção do processo sem julgamento de mérito. 
 
Os exemplos citados por Egas Moniz de Aragão são os seguintes: 
 
 
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a) art. 13, I - a extinção resulta do fato de o autor não haver suprido, no 
prazo assinalado pelo juiz, sua falta de capacidade ou a irregularidade da 
representação processual; 
 
b) art. 47, parágrafo único - a extinção decorre de o autor não haver 
promovido, no prazo assinalado pelo juiz, a citação inicial de litisconsortes, 
cuja presença fora reputada indispensável à eficácia da sentença; 
 
 
c) art. 265, § 2º- a extinção tem como causa o fato de o autor não haver 
nomeado, no prazo legal, novo advogado, em vista do falecimento 
daquele que o representava. 
 
 Trata-se, como complementa o autor, “de pressupostos processuais subjetivos, 
ligados à parte, cuja ausência impede que o processo tenha desenvolvimento válido”. 
 
 Apreciação de ofício das matérias indicadas nos inciso IV, V, e VI 
 
 O art. 267, § 3º, do CPC autoriza o juiz “conhecer de oficio em qualquer tempo 
e qualquer grau de jurisdição, enquanto não proferida sentença de mérito, da matéria 
constante dos nºs. IV, V, VI”. Os mencionados incisos tratam dos pressupostos de constituição 
e de desenvolvimento válido e regular do processo, da perempção, da litispendência, da coisa 
julgada e das condições da ação. 
 
Repropositura da ação 
 
 O art. 268 do CPC assegura ao autor o direito de intentar novamente a ação, 
nos casos em que o processo tenha sido extinto sem julgamento de mérito. O preceito 
 
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ressalva, porém, as hipóteses em que a extinção tenha se dado em decorrência da perempção, 
da litispendência e da coisa julgada. 
 
Extinção do processo com julgamento do mérito 
 
Por acolhimento ou rejeição do pedido do autor 
 
 Aqui, a pretensão do autor e a resistência do réu, depois de examinadas as 
alegações, a prova produzida e o direito das partes, encontram uma solução. Aprecia-se o 
pedido feito na ação, que não se confunde, como já tivemos oportunidade de destacar, com o 
exercício da pretensão pré-processual à tutela jurídica. Julga-se o mérito, pondo-se fim à lide. 
 Ao contrário da sentença prolatada nos casos do art. 267 do CPC, a proferida 
nas situações elencadas pela norma do art. 269 é de mérito, sendo atingida pela coisa julgada. 
 
 Pode acontecer, segundo bem observa Nelson Nery Júnior que o juiz profira 
ato judicial examinando uma das matérias enumeradas no artigo 269. Nesse caso, argumenta 
o autor, o ato só será sentença, dentro do sistema do CPC, se tiver aptidão para extinguir o 
processo. 
 
Quando o réu reconhecer a procedência do pedido formulado pelo autor 
 
 Necessário distinguir, neste tópico, a confissão e o reconhecimento da 
procedência do pedido. 
 
 O artigo 348 do CPC dispõe que “há confissão quando a parte admite a 
verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário”. Refere-se à 
 
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admissibilidade dos fatos narrados e não ao direito. Constitui meio de prova e pode ser feita 
tanto pelo autor quanto pelo réu. 
 
 O reconhecimento do pedido, ao contrário, é ato privativo do réu. Seu objeto, 
portanto, é o próprio direito. Consiste na admissão de que a pretensão do autor é fundada e, 
portanto, deve ser julgada procedente. 
 
 Quem reconhece a procedência do pedido, perde a causa, responsabilizando-
se, em conseqüência, pelo principal e despesas processuais (art. 26 do CPC). Quem confessa, 
no entanto, pode perfeitamente ganhar a ação, pois a confissão se relaciona unicamente a 
fatos e estes fatos, os narrados pelo autor, nem sempre conduzem à procedência da demanda. 
A confissão dos fatos não implica a confissão do direito. 
 
 Humberto Theodoro Júnior e Nelson Nery Júnior pensam que o 
reconhecimento do pedido acarreta a automática procedência do pedido, constituindo-se em 
circunstância limitadora do livre convencimento do juiz. 
 
Pela transação 
 
 O Código Civil conceitua a transação como sendo o meio pelo qual os 
interessados podem prevenir ou terminar litígios mediante concessões mútuas. 
 
 É forma de autocomposição da lide, tal como ocorre com o reconhecimento do 
pedido. As partes antecipam o fim do processo, compondo a lide elas próprias e dispensando o 
pronunciamento do órgão jurisdicional a respeito das suas pretensões. 
 
 
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 A transação pressupõe sacrifício recíproco, ou seja, cada parte renuncia à parte 
de sua pretensão. Se um dos litigantes for beneficiado sem ser também sacrificado, tem-se, 
em verdade, reconhecimento ou renúncia e não transação. Também a transação, uma vez 
homologada, é exeqüível, sem que preexista sentença apreciando o mérito. O magistrado 
apenas verifica a validade do ato. 
 
 Para que tenha cabimento a transação, as partes devem ser capazes (do 
contrário precisarão de consentimento alheio) e os direitos envolvidos devem ser disponíveis. 
 
Pela prescrição e decadência 
 
 A decadência e a prescrição, assinala Humberto Theodoro Júnior, são efeitos 
que o transcurso do tempo pode produzir sobre os direitos subjetivos, no tocante à sua 
eficácia e exigibilidade. 
 
 A decadência não depende de provocação da parte interessada; já a 
prescrição, que é renunciável, depende de invocação pela parte a que beneficia, sempre que o 
litígio verse sobre questões de natureza patrimonial. 
 
Renúncia ao direito 
 
 A renúncia difere da desistência, prevista no art. 267, VIII, do CPC, na medida 
em que está põe fim ao processo, sem que a solução da lide sofra qualquer conseqüência. Daí 
porque a desistência não impede a renovação da ação. 
 
 A renúncia, não depende de assentimento da outra parte, como