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Direito Processo Civil

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compareça ou, comparecendo, se recuse a depor. 
 
 A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados. Todavia, a parte 
não é obrigada a depor de fatos: 
 
 I - criminosos ou torpes, que lhe forem imputados; 
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo. Esta 
disposição não se aplica às ações de filiação, de desquite e de anulação de 
casamento. 
 
 
 Diferença entre interrogatório judicial e depoimento pessoal 
 
 São diferenças entre o interrogatório judicial e o depoimento pessoal: o 
depoimento pessoal é requerido pela parte enquanto que o interrogatório é determinado 
de ofício; o depoimento pessoal é meio de prova sendo que o interrogatório é meio de 
convencimento; no depoimento há pena de confesso, tal pena inexiste no interrogatório 
judicial; e finalmente o depoimento pessoal é feito uma única vez na audiência de 
instrução, enquanto que o interrogatório pode ser realizado a qualquer tempo, no curso 
do processo. 
 
 
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b) Confissão (arts. 348 a 354) 
 
 A confissão no Direito Processual Civil é considerada a rainha das provas. 
 
 A confissão pode ser conceituada como o ato pelo qual a parte admite a 
verdade de um fato contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. 
 
 A confissão pode ser judicial ou extrajudicial: será judicial a feita no processo, 
podendo ser provocada ou espontânea; e será extrajudicial quando formulada fora do 
processo, por forma escrita ou oral, perante a parte contrária ou terceiros. 
 
 A confissão é indivisível, não podendo a parte beneficiada aceitá-la no tópico 
que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável. 
 
 A eventual retratação não invalida a confissão anteriormente firmada, porém 
ambas serão avaliadas e valoradas em sentença pelo juiz. 
 
c) Exibição de documento ou coisa (art. 355 a 363) 
 
 Conforme o art. 355 do CPC o juiz pode ordenar que a parte exiba documento 
ou coisa que se ache em seu poder. 
 
d) Prova documental (arts. 364 a 399) 
 
 É qualquer coisa capaz de demonstrar a existência de um fato. Ultrapassa o 
conceito de documento de prova escrita, sua forma mais comum de apresentação. É 
 
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considerada a prova mais forte do processo civil, apesar do princípio da persuasão racional 
facultar ao juiz o seu afastamento pelos demais meios (testemunhal e pericial) produzido nos 
autos. 
 
 
e) Prova testemunhal (art. 400 ao 419, CPC) 
 
 Testemunha é o terceiro, estranho ou isento com relação às partes, que vem a 
Juízo trazer os seus conhecimentos a respeito de determinado fato. 
 
 A prova testemunhal é uma espécie do gênero prova oral. 
 
 Admissibilidade e do valor da prova testemunhal 
 
 A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo diverso. 
O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos: 
 
 I - já provados por documento ou confissão da parte; 
II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados. 
 
 Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, 
impedidas ou suspeitas. 
 
 A testemunha não é obrigada a depor de fatos: 
 
 
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I - que lhe acarretem grave dano, bem como ao seu cônjuge e aos seus 
parentes consangüíneos ou afins, em linha reta, ou na colateral em segundo 
grau; 
 II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo. 
 
 A produção da prova testemunhal 
 
 O momento para o requerimento da produção da prova testemunhal é o da 
petição inicial, para o autor, e o da contestação, para o réu. 
 
 Porém, é importante frisar que no processo sumário as testemunhas já devem 
ser arroladas quando da prática destes atos, enquanto que no rito ordinário o rol pode ser 
juntado até 5 dias antes da audiência de instrução. 
 
 É lícito a cada parte oferecer, no máximo, 10 testemunhas; mas quando 
qualquer das partes oferecer mais do que 3 testemunhas para a prova de cada fato, o juiz 
poderá dispensar as restantes. 
 
 Primeiramente serão ouvidas as testemunhas do autor, depois as comum, se 
houverem, e, finalmente, as do réu. Sempre que houver a participação do MP, na qualidade de 
fiscal da lei, a ele é concedido o direito de perguntar, após as partes. 
 
 Depois de apresentado o rol de testemunhas, a parte só pode substituir a 
testemunha: 
 
 I - que falecer; 
 
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 II - que, por enfermidade, não estiver em condições de depor; 
 III - que, tendo mudado de residência, não for encontrada pelo oficial de 
justiça. 
 
 São inquiridos em sua residência, ou onde exercem a sua função: 
 
 I - o Presidente e o Vice-Presidente da República; 
 II - o presidente do Senado e o da Câmara dos Deputados; 
 III - os ministros de Estado; 
 IV - os ministros do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Federal e 
Recursos, do Superior Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral, do 
Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de Contas da União; 
 V - o procurador-geral da República; 
VI - os senadores e deputados federais; 
VII - os governadores dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal; 
 VIII - os deputados estaduais; 
 IX - os desembargadores dos Tribunais de Justiça, os juízes dos Tribunais 
de Alçada, os juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais 
Regionais Eleitorais e os conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e do 
Distrito Federal; 
X - o embaixador de país que, por lei ou tratado, concede idêntica 
prerrogativa ao agente diplomático do Brasil. 
 
 Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de dizer a 
verdade do que souber e lhe for perguntado. O juiz advertirá à testemunha que incorre em 
sanção penal quem faz a afirmação falsa, cala ou oculta a verdade. 
 
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f) Prova pericial (art. 420 a 443, CPC) 
 
 Introdução 
 
 A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. A avaliação visa a 
atribuir um valor monetário a alguma coisa ou obrigação. A vistoria destina-se a analisar o 
estado de um bem imóvel. O exame visa a análise do estado em que se encontra um bem 
móvel, semovente ou pessoas. 
 
 O juiz indeferirá a perícia quando: 
 
I - a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; 
 II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; 
 III - a verificação for impraticável. 
 
 Perito 
 
 Perito é a pessoa dotada de conhecimentos técnicos sobre uma determinada 
área das ciências naturais ou humanas, cuja função é auxiliar o juiz sobre determinado 
fato. 
 
 A nomeação do perito independe de qualquer compromisso formal de fiel 
cumprimento das atribuições a ele destinadas, pois sua responsabilidade decorre pura e 
simplesmente da lei. 
 
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 Por exercer função pública o perito também se submete às recusas 
decorrentes de impedimento ou suspeição, além de sujeitar-se aos delitos próprios dos 
funcionários públicos. 
 
 A lei permite também a presença de assistentes técnicos da confiança das 
partes para acompanhar a perícia e realizar pareceres, se entender necessários. Vale 
ressaltar que os assistentes não estão sujeitos às recusas acima vistas, já que não são 
considerados funcionários públicos. 
 
 
 g) Inspeção judicial (art. 440 a 443, CPC) 
 
 A inspeção judicial, muito mais que um meio de prova, é elemento de 
convicção unilateral do juiz, através de exame pessoal sobre fato relevante para o 
sentenciamento do processo. 
 
 Pode ser ela de ofício ou a requerimento da parte,