A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
357 pág.
Direito Processo Civil

Pré-visualização | Página 31 de 50

em qualquer fase do 
processo, consistindo em inspeção de pessoas ou coisas (CPC, art. 440). 
 
 
19.8 Da audiência (arts. 444 ao 457, CPC) 
 
 Introdução 
 
 
155 
 
 A audiência é ato processual complexo, público, solene e formal em que o juiz 
irá fazer a coleta da prova oral, ouvir os debates das partes e, por fim, proferir sua 
sentença. 
 
 De acordo com o art. 446, CPC, os advogados não podem intervir enquanto as 
partes, o perito ou as testemunhas estiverem depondo. 
 
 Atos preparatórios 
 
 Na fase de saneamento do processo será marcada a audiência de instrução 
com o seu dia e hora determinados. 
 
 Se possível a conciliação, determinará de ofício o comparecimento das partes. 
 
 As testemunhas deverão ter sido intimadas para o comparecimento, desde 
que arroladas no prazo legal de 10 dias antes da audiência, podendo o juiz designar prazo 
adverso ao legal, conforme preceitua o art. 407 do CPC, sendo que as partes só serão 
compelidas ao depoimento pessoal se intimadas pessoalmente, sob pena de confesso. 
 
 Na data prevista, o juiz declarará aberta a audiência, mandando apregoar as 
partes e seus advogados. 
 
 Segundo o art. 453, CPC, a audiência poderá ser adiada se: a) por convenção 
das partes, caso em que só será admissível uma vez; b) não puderem comparecer, por 
motivo justificado, o perito, as partes, as testemunhas ou os advogados. 
 
 
156 
 
 A conciliação (arts. 447 ao 449, CPC) 
 
 Antes de iniciar a instrução, o juiz tentará conciliar as partes. Chegando a 
acordo, o juiz mandará tomá-lo por termo, que, assinado pelas partes e homologado pelo 
juiz, terá valor de sentença. 
 
 A conciliação pode ser conceituada como a composição amigável do litígio 
mediante proposta formulada de ofício pelo juiz ou por sugestão de uma das partes. 
 
 A tentativa de conciliação, que pode ser feita a qualquer tempo, CPC, art. 125, 
IV, é dever indeclinável do magistrado, sob pena de nulidade, nos litígios relativos a 
direitos patrimoniais de caráter privado, nas causas pertinentes ao Direito de Família, nos 
casos e para os fins em que a lei admite transação. 
 
 O juiz deve convocar as partes a comparecer pessoalmente na audiência ou 
mediante procurador com poder específico de transigir. Tal convocação será feita no 
despacho saneador, CPC, art. 331, podendo o magistrado suprir, posteriormente, eventual 
omissão neste sentido. Havendo litisconsortes, todos deverão comparecer à audiência de 
conciliação, valendo o mesmo para o oponente e os opostos. 
 
 Não comparecendo uma das partes ou ambas, e a falta for justificada, a 
audiência será adiada. Todavia, em caso de nova falta, a audiência retomará sua normal 
tramitação. 
 
 Quando o litígio versar sobre direitos patrimoniais de caráter privado, o juiz, de 
ofício, determinará o comparecimento das partes ao início da audiência de instrução e 
julgamento. 
 
157 
 
 
 Em causas relativas à família, terá lugar igualmente a conciliação, nos casos e 
para os fins em que a lei consente a transação. 
 
 A instrução e o julgamento 
 
 Se infrutífera a conciliação, deverá o juiz iniciar a instrução do processo. 
Contudo, anteriormente, o juiz deverá fixar os pontos controversos sobre os quais recairão 
as provas. Sendo que estas serão produzidas de acordo com a ordem prevista no art. 452, 
CPC, ou seja: 
 
 1º) o perito e os assistentes técnicos responderão aos quesitos de esclarecimentos; 
2º) posteriormente o juiz tomará os depoimentos pessoais, primeiro do autor e depois do 
réu; 
3º) finalmente, serão inquiridas as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu. 
 
 Encerada a instrução, a palavra será dada pelo juiz ao autor, ao réu e depois ao 
MP, pelo prazo sucessivo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10 a critério do juiz. Caso 
exista litisconsortes o prazo será de 30 minutos, divididos por igual entre os integrantes do 
grupo, se eles não dispuserem de modo contrário. 
 
 Encerrados os debates, proferirá oralmente o juiz a sentença desde logo ou 
chamará os autos à conclusão, para proferir a sentença por escrito no prazo de 10 dias. 
 
 
158 
 
19.9 Da sentença 
 
 Introdução 
 
 A sentença é a decisão feita por juiz competente e segundo as normas 
processuais vigentes, sobre pedido oferecido pelo autor e contraposto à resposta do réu, 
quando houver. 
 
 A sentença é ato processual que põe termo, julgando ou não o mérito, ao 
processo de conhecimento de primeira instância. No primeiro caso, ou seja, se a sentença 
julgar o mérito da questão, esta será denominada de definitiva (V. art. 269, CPC). Já 
quando a sentença não julgar o mérito, será denominada de terminativa (V. art. 267, CPC). 
 
 A sentença propriamente dita não se confunde com a mera decisão 
interlocutória, que é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão 
incidente. 
 
 Uma vez proferida e publicada a sentença, o juiz encerra a sua atividade 
jurisdicional no processo. 
 
19.9.1 Requisitos formais (arts. 458 ao 466, CPC) 
 
 São requisitos essenciais da sentença: 
 
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da 
resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no 
andamento do processo; 
 
159 
 
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de 
direito; 
 lhe submeterem. É, pois, no dispositivo, que o juiz irá decidir a lide. 
 
 O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o 
pedido formulado pelo autor. Nos casos de extinção do processo sem julgamento do 
mérito, o juiz decidirá em forma concisa. Quando o autor tiver formulado pedido certo, é 
vedado ao juiz proferir sentença ilíquida. 
 
 É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da 
pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que 
lhe foi demandado. A sentença deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica 
condicional. 
 
 Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não 
fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedido, 
determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do 
adimplemento. 
 
 No caso acima, o juiz poderá impor, na sentença, multa diária ao réu 
("astreinte"), independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com 
a obrigação, fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito. 
 
 Para a efetivação da tutela específica ou para a obtenção do resultado prático 
equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas 
necessárias, tais como a busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de 
obras, impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial. 
 
 
160 
 
 Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou 
extintivo do direito influir no julgamento da lide, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, 
de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a sentença. 
 
19.9.2 Vícios da sentença 
 
 Os vícios da sentença estão ligados geralmente ao pedido formulado pelo 
autor. Ou melhor, não pode ser concedido à parte mais do que foi pedido, se tal fato 
ocorrer, restará caracterizado um vício na sentença. 
 
 Pode-se classificar os vícios em: 
 
a) extra petita - neste vício o pedido do autor permanece sem resposta jurisdicional, já que 
o provimento reconhece ou afasta pretensão jamais formulada nos autos. O