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Direito Processo Civil

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para as contra-razões) 
 
- Requisitos: satisfação das condições (cabimento, legitimidade e interesse) e dos 
pressupostos recursais (tempestividade, preparo e regularidade formal). 
 
- Petição de interposição dirigida ao juízo a quo. 
 
 
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-Razões: fundamentos que embasam o recurso e o pedido de reforma (error in judiciando) 
ou invalidação (error in procedendo) da sentença atacada. 
- Efeitos: em regra, suspensivo e devolutivo. 
 
 Procedimento 
 
- Em 1° Grau: juízo de admissibilidade / declaração dos efeitos do recurso / intimação do 
recorrido para apresentar contra-razões / encaminhamento ao 2° Grau. 
 
- Em 2° Grau: registrado o recurso, distribui-se a um Relator, sendo os dois subseqüentes o 
Revisor e o terceiro juiz. Na sessão de julgamento, após a leitura do relatório e antes dos 
votos, será dada oportunidade para sustentação oral dos advogados. 
 
O novo § 1◦ do artigo 518 do CPC 
 
 A lei 11.276/06 inseriu o novo § 1◦ ao artigo 518 do CPC, que agora assevera: 
“o juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade 
com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal”. 
 
 Tal dispositivo cria, na prática, um novo requisito específico de admissibilidade 
para o recurso apelatório. Assim, a apelação, para subir ao tribunal, além de externar 
todos os requisitos genéricos já expostos na teoria geral, deverá também não estar em 
confronto com súmula do STJ ou STF. 
 
 Efeitos 
 
 
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 O efeito devolutivo permite ao órgão ad quem, como regra geral, a 
reapreciação da matéria objeto de impugnação, nos termos do caput do art. 515 do 
Código de Processo Civil, consagrando a máxima tantum devolutum quantum appellatum. 
 
 De acordo com os parágrafos 1º e 2º, devolve-se ao tribunal de todas as 
questões discutidas nos autos do processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por 
inteiro (§ 1º), como, v. g., a hipótese de o juiz negar um primeiro pedido e deixar de 
examinar o pedido seguinte, ou quando o pedido ou a defesa tiver mais de um 
fundamento e o juiz acolher apenas um (§ 2º), como, v. g., no caso de pedido de rescisão 
contratual, onde se discute o defeito da coisa bem como a falta de manutenção na mesma. 
 
 A Lei nº 10.352, de 26/12/01, acrescentou ao art. 515 o parágrafo 3º, com a 
seguinte redação: "Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), 
o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de 
direito e estiver em condições de imediato julgamento". Há, ainda, a novidade do § 4◦ do 
mesmo dispositivo, que reza poder o Relator, em caso de irregularidades processuais, 
determinar que sejam realizadas diligências com o objetivo de sanar a nulidade, 
retornando os autos para a conclusão do julgamento do recurso. 
 
 A lei 11.276/06, por sua vez, acrescentou o parágrafo 4◦ ao mesmo dispositivo, 
vertido nos seguintes termos: “constatando a ocorrência de nulidade sanável, o tribunal 
poderá determinar a realização ou renovação do ato processual, intimadas as partes; 
cumprida a diligência, sempre que possível prosseguirá o julgamento da apelação”. 
 
 Já o art. 516 do CPC preconiza que as questões anteriores à sentença e ainda 
não decididas, da mesma forma, são devolvidas (efeito translativo) ao tribunal, pois são 
omissões de natureza processual (questões preliminares, como, v. g., os pressupostos 
processuais e as condições da ação). 
 
 
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 Já o efeito suspensivo impede a execução da sentença (que só pode ser a 
provisória), como regra geral na apelação. As exceções a essa regra encontram-se descritas 
no artigo 520 do CPC. 
 
II. Agravo 
 
 O Recurso de Agravo é cabível contra decisões interlocutórias proferidas no 
processo, tanto no de conhecimento como no de execução e cautelar, de jurisdição 
contenciosa ou voluntária. Trata-se de recurso cuja sistemática foi profundamente 
alterada por lei recente (lei 11.187/05) e que, por isso, merece atenção por parte dos 
estudantes e profissionais do Direito. 
 
 É incabível o Recurso de Agravo nos Juizados Especiais – exceção JEF, em que 
existe a possibilidade de agravo de instrumento contra decisão que defere/indefere tutela 
de urgência. 
 
 A nova lei do agravo 
 
 De acordo com a nova sistemática desse recurso, imposta pela lei 11.187/05, 
publicada no DOU de 19 de outubro de 2005, em regra, por expressa disposição legal, 
contra decisões interlocutórias caberá agravo na modalidade retida, no prazo de 10 dias. A 
exceção, agora, é o cabimento do agravo de instrumento, restrito às hipóteses em que a (i) 
decisão recorrida possa causar lesão grave ou de difícil reparação à parte, (ii) nos casos de 
não recebimento da apelação ou, por fim, (iii) quando a decisão refere-se aos efeitos em 
que a apelação é recebida. 
 
 
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 Trata-se de medida legislativa que visa restringir o cabimento do agravo de 
instrumento, com a clara intenção de diminuir o fluxo de agravos que chegam aos 
tribunais. 
 
 As principais alterações carreadas pela nova lei foram, em breve síntese: 
 
1 – A imposição, como regra geral, do manejo de agravo retido contra as interlocutórias. 
 
2 – A obrigatoriedade, sob pena de preclusão, da interposição oral do agravo retido, 
quando a decisão interlocutória recorrida for proferida na audiência de instrução e 
julgamento. 
 
3 – A vedação do manejo de agravo interno (regimental), contra as decisões monocráticas 
do relator tratadas nos incisos II e III do art. 527 do CPC. 
 
 Modalidades 
 
a) Agravo de Instrumento: é interposto perante o tribunal ad quem, com autuação própria 
para que dele conheça o tribunal enquanto prossegue o andamento do feito em primeiro 
grau. 
 
b) Agravo Retido: recurso interposto contra decisão de primeiro grau que, por opção do 
agravante ou por determinação legal, seu conhecimento e julgamento ficam deferidos 
para outra oportunidade: no julgamento da Apelação. 
 
c) Agravo “Simples” ou “Regimental” : interposto para ser apreciado imediatamente nos 
mesmos autos; é recurso interposto, por exemplo, contra decisão do relator que cause 
 
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prejuízo à parte, tendo seu processamento previsto nos regimentos dos tribunais e que 
dispensa a formação de instrumento. Notar que, nos casos dos incisos II e III do artigo 527, 
restou vedado o uso desse recurso, nos termos do parágrafo único do mesmo artigo, 
inserido pela lei 11.187/05. 
 
Interposição 
 
 O agravo retido deve ser interposto por petição escrita dirigida ao próprio juiz 
da causa. Esse recurso comporta também interposição oral, nos termos do §3◦ do artigo 
523 do CPC. 
 
 No caso de agravo de instrumento, sua interposição deverá ser feita no prazo 
de 10 dias, por petição escrita, diretamente no tribunal ad quem. A petição deverá conter 
a exposição dos fatos, do direito e o pedido de reforma da decisão, além do nome e 
endereço completo dos advogados, constantes do processo. Vale lembrar que após da 
interposição do recurso, terá o agravante 03 dias para juntar aos autos, em primeiro grau, 
cópia da petição de agravo, o comprovante de sua interposição e a relação dos 
documentos que formaram o instrumento. Trata-se de condição de regularidade formal do 
recurso, cujo não cumprimento levará à sua não-admissão. Protocolado o recurso, será ele 
imediatamente distribuído a um relator, que o indeferirá de plano, negando-lhe 
seguimento, nos casos dos arts. 527, I, e 557 do CPC). Poderá, ainda: converter o agravo de 
instrumento em agravo retido; atribuir efeito suspensivo ao recurso ou antecipar seus 
efeitos