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Artigo Delinquencia Juvenil

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juvenil na visão do legislador é considerado uma pessoa em desenvolvimento, que tem sua fundamentação na Proteção Integral, sendo que esta rege o ECA.
Após a pratica do ato infracional ser verificada, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: 
Advertência – consiste na repressão verbal e assinatura de um termo (art. 115, ECA);
Obrigação de reparar o dano – caso o adolescente tenha condições financeiras (art. 116, ECA);
Prestação de Serviços à Comunidade – tarefas gratuitas de interesse geral, junto a entidades, hospitais, escolas etc... Pelo tempo máximo de 06 (seis) meses e até 08 (oito) horas por semana (art. 117, ECA);
Liberdade assistida – acompanhamento do infrator por um orientador, por no mínimo 06 (seis) meses, para supervisionar a promoção social do adolescente e de sua família; sua matrícula, frequência e aproveitamento escolares; e sua profissionalização e inserção no mercado de trabalho (arts. 118 e 119, ECA);
Regime de semiliberdade – sem prazo fixo, mas libertação compulsória aos 21 (vinte e um) anos, o regime permite a realização de tarefas externas, sem precisar da autorização judicial; são obrigatórias a escolarização e a profissionalização; pode ser usado também como fase de transição entre a medida de internação (regime fechado) e a liberdade completa (art. 120, ECA).
* Com relação à internação em nenhuma hipótese o período deverá ultrapassar os 03 (três) anos.
E por fim, para auxiliar na aplicação das medidas socioeducativas devem funcionar entidades que desenvolvem programas de abrigo, sendo que estes deverão nortear suas atividades dentro dos princípios da preservação dos vínculos familiares, integração com a família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem, atendimento personalizado e em pequenos grupos, desenvolvimento de atividades em regime de coeducação, não desmembramento de grupos de irmãos, evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados, participação na vida da comunidade local, preparação gradativa para o desligamento, participação de pessoas da comunidade no processo educativo.
4. Maioridade Penal
Atualmente este é um tema de grande discussão em nosso país. Verificam-se muitos casos em que os menores infratores estão associados aos crimes, seja por tráfico de drogas, assassinatos, como tantos outros.
	A preocupação com a violência na sociedade é uma questão já instalada em nosso meio social. Criminalistas, políticos, juízes discutem diariamente meios para alcançar a diminuição da violência social em que convivemos. Porém, nem todas as pessoas são a favor da redução da maioridade penal.
	A maioridade penal no Brasil é de 18 anos, de acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 288:
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.
	Objetivo
A maioridade penal busca definir o indivíduo como sendo uma pessoa capaz de responder por seus próprios atos, ou seja, capaz de responsabilizar-se por processos criminais, mesmo não tendo completado 18 anos de idade. Esta pessoa será reconhecida como adulta e seus atos terão consequências legais.
Maioridade Penal no Mundo
Em muitos países, nota-se que existe um relaxamento nos indivíduos que estão abaixo da maioridade penal, sendo estes punidos de uma forma mais leve, como por exemplo: advertências, acompanhamento social, trabalhos voluntários, dentre tantos outros.
A maioridade penal é diferente em vários países, alguns têm o limite de 18 anos e outros têm idade menor, como se observa a seguir:
“Esse mesmo limite de idade para a imputabilidade penal é consagrado na maioria dos países (Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Colômbia, México, Peru, Uruguai, Equador, Tailândia, Noruega, Holanda, Cuba, Venezuela, etc.). Entretanto, em alguns países podem ser considerados imputáveis jovens menores, como: 17 anos (Grécia, Nova Zelândia, Federação Malásia); 16 anos (Argentina, Birmânia, Filipinas, Espanha, Bélgica, Israel); 15 anos (Índia, Honduras, Egito, Síria, Paraguai, Iraque, Guatemala, Líbano); 14 anos (Alemanha, Haiti); 10 anos (Inglaterra). Algumas nações, porém, ampliam o limite até 21 anos (Suécia, Chile, Ilhas Salomão, etc.). Entretanto, há países em que funcionam tribunas especiais (correcionais), aplicando-se sanções diversas das utilizadas em caso de adultos.” Mirabete (2008, p. 214).
Portanto, em muitos países, inclusive o Brasil a idade mínima para a responsabilização criminal é 18 anos, e ainda, existem países que a idade chega a ser de 10 anos, como no caso da Inglaterra. Seria difícil acreditar que uma criança com esta idade poderá ser condenada/presa por atos que talvez nem conheça que não é permitido.
Redução da Maioridade Penal
Tramitam atualmente no Senado Federal, algumas PECs (Propostas de Emenda à Constituição), onde propõem a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos de idade ou até menos.
O senador Acir Gurgacz defende na PEC 74/2011 que quem tem 15 anos também deve ser responsabilizado penalmente na prática de homicídio doloso e roubo seguido de morte, tentados ou consumados.
A PEC 83/2011 apresentada pelo senador Clésio Andrade é mais ampla, pois estabelece o limite de 16 anos para qualquer tipo de crime cometido. A nova redação para o artigo 228 é: “A maioridade é atingida aos 16 anos, momento a partir do qual a pessoa é penalmente imputável e capaz de exercer todos os atos da vida civil”.
E ainda, a PEC 33/2012, do senador Aloysio Nunes Ferreira, restringe a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes de alta gravidade, como tortura, terrorismo, tráfico de drogas, homicídio por grupo de extermínio, homicídio qualificado e estupro.
O argumento usado para aprovação da PEC é: "a sociedade não pode mais ficar refém de menores que, sob a proteção da lei, praticam os mais repugnantes crimes".
A Favor da Redução da Maioridade Penal
Quem é a favor dessa medida, pensa que os menores são plenamente conscientes de seus atos. A lei atual protege os menores infratores da consequência de seus atos.
(...) o que é comumente utilizado a favor da redução da maioridade penal é o fato de que o adolescente com 16 anos de idade pode votar, o que poderia, então, justificar uma prisão com a mesma idade. (Saraiva, 2002, p.)
Se o menor infrator tem idade para tirar a vida de alguém, também tem idade para ser preso.
Contra a Redução da Maioridade Penal
Há também quem seja contrário a redução de maioridade penal, com o fundamento que não é simplesmente trocando a idade da responsabilização penal que estes menores deixarão de praticar atos ilícitos.
"A redução da maioridade até seria interessante, só que não resolveria o problema. O fato de baixar de 18 para 16 vai fazer com que esses menores passem a ingressar no sistema carcerário, e o sistema não consegue atender nem a demanda que já existe, afirma o juiz. Cristian Bataglia de Medeiros, que atua no Distrito Federal’’ (Entrevista à revista Veja)
O que estrutura o problema da criminalidade na sociedade está nas condições sociais que o Brasil proporciona ao adolescente. Como por exemplo: A educação, saúde, estruturas básicas, saúde, que hoje estão praticamente abandonadas no país.
Considerações Finais
O presente artigo procurou esclarecer alguns pontos da delinquência juvenil e suas normas gerais.
A discussão dos argumentos a favor e contra a redução da maioridade penal está em alta no Brasil. Percebe-se que o comportamento do menor infrator está ligado ao desenvolvimento do comportamento dele na sociedade.
Apresentamos a comparação entre a gravidade dos delitos cometidos por adolescentes em conflito com a Legislação atual, ou seja, a violência social está um passo a frente das normas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRASIL. Lei 8.069 de 1990 e suas alterações.
FABRINI, R. N.; MIRABETE, J. F. Manual de Direito Penal: Parte Geral – arts. 1º a 120 do Código Penal. 24 ed. rev.