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Aprendizagem segundo Skinner

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são 
considerados opostos no que se refere às idéias que desenvolveram sobre o tema 
da aprendizagem, principalmente , pelo fato dos teóricos pertencerem a abordagens 
diferentes da psicologia. O primeiro ficou mais conhecido por sua ênfase nas 
questões cognitivas e do desenvolvimento humano, já o segundo focou seu trabalho 
para o estudo do comportamento. 
 
Contudo, ao analisar mais detalhadamente os escritos de cada um sobre o tema, é 
possível perceber inúmeras semelhanças das suas formas de pensamento. Desse 
modo, o objetivo geral desse estudo é discutir a relação entre as teorias de 
aprendizagem de Skinner e Vygotsky e suas contribuições para o processo ensino-
aprendizagem. Para isso, faz-se necessário descrever o conceito de aprendizagem 
de Skinner e Vygotsky, apontando as suas implicações pedagógicas e em seguida, 
faz-se uma comparação dos principais conceitos propostos por ambos. Para atender 
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aos objetivos, este trabalho teve como delineamento de estudo a pesquisa 
exploratória do tipo bibliográfica. 
 
A necessidade da elaboração desse estudo teórico-comparativo foi sentida ao se 
perceber a existência de equívocos difundidos na Faculdade de Educação sobre os 
estudos de Skinner que, muitas vezes, são infundados ou repletos de 
desconhecimento sobre o autor. Confunde-se o que foi desenvolvido por ele com os 
escritos de seus antecedentes dentro da filosofia behaviorista. na prática docente 
sobre o estudo do conceito de aprendizagem, para os alunos do curso de 
pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. 
 
A formação no curso de Psicologia permitiu que a autora do presente trabalho 
possuísse um conhecimento mais aprofundado da teoria behaviorista, sentindo-se 
responsável por contribuir para uma melhor compreensão da análise do 
comportamento e da sua filosofia, o behaviorismo radical. Para tanto, buscou-se 
desmitificar alguns conceitos ao compará-los à obra de Vygotsky, já que esta possui 
uma grande aceitação na área de Educação. Tentou-se, assim, mostrar que a teoria 
de Skinner não ocupa um lugar de oposição em relação a alguns pensamentos 
elaborados por Vygotsky. 
 
Gioia (2004) afirma que a propagação de idéias imprecisas ou insuficientes do 
behaviorismo radical conduz a um desconhecimento das contribuições que a análise 
do comportamento poderia oferecer sobre a relação do indivíduo com o ambiente. A 
autora destaca ainda que, dentre os contextos de interação, o ambiente escolar é o 
que poderia receber maiores benefícios em função do papel da educação na 
sociedade e da importância dada por Skinner a esse aspecto. 
 
Assim, as informações imprecisas sobre o behaviorismo impedem que os futuros 
professores se apropriem das idéias dessa abordagem, o que dificulta a sua 
utilização em contextos adequados. Apesar disso, Gioia (2004) afirma que esses 
dados errôneos trazem conseqüências ainda piores quando formam opiniões 
preconceituosas, pois são propagadas sempre da mesma forma no ambiente 
acadêmico e escolar. 
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Reafirmando essa idéia, Cunha (1998) expõe que “o que se observa no dia-a-dia 
das salas de aula é que os professores possuem uma capacidade insuperável para 
transformar os pressupostos de qualquer ciência da educação e adequá-los às suas 
características e possibilidades pessoais”. 
 
A grande aceitação da teoria de Vygotsky se deve ao fato dessa ser considerada a 
mais adequada para os moldes de educação que se pensa nos dias atuais. 
Utilizando-se da boa aceitação da teoria vygotskyana no ambiente dos cursos de 
educação, procurou-se estabelecer a relação desta com a teoria de Skinner, 
tentando, assim, aproximar os educadores da leitura da obra deste último. 
 
Outra relevância de relacionar as teorias consiste no fato de que, para a educação, 
não existe uma única teoria que responderá a todas as dúvidas e questões vividas 
no contexto de sala de aula. Coll (1997) aponta uma saída para essa situação ao 
expor que se deve fugir de uma junção impensada das teorias, ao mesmo tempo, 
não se apegar unicamente a contribuições de apenas uma abordagem. Deve-se 
perceber no contexto educacional qual a teoria traria melhores resultados e utilizar 
as contribuições pertinentes a essa prática educativa. 
 
Percebe-se, com isso, que o conhecimento sobre as múltiplas teorias da 
aprendizagem pode auxiliar o trabalho do professor, uma vez que, tendo 
propriedade sobre as contribuições que cada uma destas teorias pode oferecer é 
possível trabalhar com a integração das mesmas. Vale ressaltar que, para trabalhar 
com inúmeras abordagens, é necessário que o professor tenha um processo 
reflexivo sobre a sua prática. Integrar as teorias significa relacioná-las e não 
simplesmente juntar as suas idéias. 
 
O presente estudo é composto por três capítulos. O primeiro aborda o trabalho 
desenvolvido por Skinner, seus antecedentes históricos e teóricos, o conceito de 
aprendizagem e a importância do professor no processo. Buscou-se desenvolver as 
mesmas idéias no segundo capítulo sobre o pensamento de Vygotsky. Por fim, o 
terceiro capítulo faz a interrelação dos principais pontos discutidos sobre os dois 
autores. 
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2 APRENDIZAGEM SEGUNDO SKINNER 
 
 
2.1 ANTECEDENTES HISTÓRICOS 
 
 
Burrhus Frederic Skinner nasceu em 1904 na cidade de Susquehanna, no Estado da 
Pennsylvania, Estados Unidos. Concluiu o segundo grau em 1922, no mesmo ano 
entrou na universidade Hamilton College. Graduou-se em literatura inglesa e línguas 
românicas, em 1926, e, com essa formação, Skinner decidiu ser escritor. Essa idéia 
foi abandonada em 1928 quando resolveu fazer o curso de pós-graduação em 
Psicologia, se inscrevendo no programa de Psicologia Experimental, em Harvard 
University. Obteve os títulos de Mestrado e Doutorado, em 1930 e 1931, 
respectivamente. Após o doutoramento, permaneceu em Harvard, até 1936, com um 
apoio financeiro para fazer pesquisas. Após isso, mudou para Minneapolis para 
assumir as atividades de professor e de pesquisador na University of Minnesota. Foi 
lá que Skinner encontrou espaço livre para ensinar e pesquisar o behaviorismo. 
Tornou-se chefe de departamento de Psicologia da Indiana University, em 1945. 
Neste local, começou a escrever Verbal Behavior e Walden II, publicados em 1957 e 
1948, respectivamente. Em 1948, ele retornou a Harvard como convidado para 
pesquisar e ensinar naquela Universidade, na qual permaneceu até a sua 
aposentadoria, em 1974 (CUNHA; VERNEQUE, 2004). 
 
Skinner desenvolveu inúmeros estudos científicos sobre o comportamento, a maioria 
deles utilizando organismos infra-humanos como base comparativa do humano. 
Assim, desenvolveu instrumentos básicos e construiu uma sistematização para o 
estudo das relações comportamentais do organismo com seu meio ambiente. Nesse 
sentido, criou uma metodologia que denominou de Análise Experimental do 
Comportamento. Após essa organização, Skinner sentiu a necessidade de firmar a 
sua base filosófica, escrevendo Sobre o behaviorismo. Neste livro buscou elucidar 
as bases epistemológicas e filosóficas da sua ciência (CUNHA; VERNEQUE, 2004). 
 
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Skinner morreu em 1990, aos 86 anos, possuindo assim uma carreira científica de 
60 anos. Escreveu inúmeros artigos e livros sobre as pesquisas realizadas durante 
toda a sua vida acadêmica, deixando um grande legado para a Psicologia 
Contemporânea. 
 
Dentre as teorias que influenciaram o pensamento de Skinner, destacam-se 
principalmente dois autores: Ivan Petrovich Pavlov e Jonh B. Watson. Assim, para 
entender o pensamento skinneriano, faz-se necessário um retorno aos seus 
principais precedentes e influenciadores. 
 
Pavlov doutorou-se