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PCA As implicações didático-pedagógicas

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situação mude Gardner (1994) nos alerta que o planejamento de uma escola 
ideal do futuro que todos desejam deve basear-se em duas suposições. A primeira é a de 
que nem todas as pessoas têm os mesmos interesses e habilidades, nem todos aprendem da 
mesma maneira. A segunda é a de que, atualmente, ninguém pode aprender tudo o que há 
para ser aprendido. Com base nos dados observados, uma educação centrada no indivíduo 
seria rica na avaliação das capacidades e tendências individuais deste, proporcionando o 
desenvolvimento de suas habilidades cognitivas, que por sua vez, procuraria adequar os 
indivíduos não apenas a áreas curriculares, mas também a maneiras particulares de ensinar 
esses assuntos de forma multidisciplinar possibilitando as várias maneiras de o estudante 
visualizar um determinado conhecimento. 
Ainda nesta perspectiva Gardner (1994) nos fala que o estudante estaria mais bem servido 
se as disciplinas pudessem ser apresentadas de diversos modos e a aprendizagem pudesse 
ser abordada através de meios variados, pois a exposição a estímulos iguais ou 
semelhantes, eventualmente resulta na perda de interesse. Em sua opinião, o propósito da 
escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as pessoas a atingirem 
objetivos, adequando ao seu espectro particular de inteligências. As pessoas que são 
ajudadas a fazer isso se sentem mais engajadas e competentes e, portanto, mais inclinadas a 
servirem à sociedade de uma maneira construtiva. 
Cada indivíduo nasce com um vasto potencial de talentos ainda não moldado pela cultura, 
mas infelizmente a educação costuma errar ao não levar em conta os vários potenciais de 
cada um. Além disso, é comum que essas aptidões sejam sufocadas pelo hábito nivelador 
de grande parte das escolas. Por isso Gardner entende que a escola deve reconhecer estas 
habilidades e estimulá-las proporcionando o desenvolvimento cognitivo do estudante 
através de metodologias adequadas, proporcionando o aproveitamento desta habilidade no 
processo de ensino, para que sua aprendizagem seja mais eficaz (GARDNER, 2006). 
No entanto, de acordo com Krasilchik (2000) a cada governo que sai e entra ocorre um 
surto reformista, principalmente no ensino básico prejudicando uma formação adequada do 
estudante. Todavia, a diversidade de estratégias e ferramentas utilizadas de forma 
adequada pode levar o estudante a deixar o seu papel passivo de informações para ser o 
que busca e cria novas invenções. Porém, é notória a ausência de investimento formativo 
 
ANAIS 
2o Simpósio em Educação em Ciências na Amazônia 
VII Seminário de Ensino de Ciências na Amazônia 
ISSN 2237-146X 
17 a 21 de setembro de 2012 
Manaus—AM 
para auxiliar o professor neste processor de ensino. Contudo, compreendendo que a teoria 
das inteligências múltiplas parte de um entendimento multifatorial da mente, no processo 
de aprendibilidade, entendemos que as inteligências múltiplas, mesmo assim, devem ser 
valorizadas e estimuladas na educação em ciências, afim, de que os estudantes construam 
relações mais permanentes com o saber científico. 
Ao se refletir sobre o papel da teoria das inteligências múltiplas na aprendizagem escolar, 
verifica-se que são muitos os fatores ligados à relação professor-estudante. O professor tem 
uma função muito importante e de grande relevância dentro do processo de aprendizagem 
do estudante, pois sua interação e metodologia utilizada refletem diretamente no 
desenvolvimento cognitivo deste. 
Logo, o professor em seu processo didático-pedagógico deve utilizar-se de metodologias 
estimuladoras, no processo de ensino-aprendizagem, de modo que o estudante desenvolva-
se cognitivamente, proporcionando o aproveitamento das habilidades que porventura 
possua, para a resolução dos problemas, pois é a partir do estímulo dessas habilidades que 
o estudante poderá se desenvolver intelectualmente com mais facilidade, construindo 
novos conhecimentos relevantes para a sua vida tanto escolar como cotidiana, como por 
exemplo: a alfabetização cartografia que é um dos estímulos importantes para se trabalhar 
com estudantes das séries iniciais do ensino fundamental proporcionando um maior 
desenvolvimento desta habilidade, de forma a localizar-se no seu contexto. 
A utilização de parques e bosques, por sua vez, é fundamental na educação em Ciências, 
pois nestes locais há uma interação entre a teoria de sala de aula e a prática com o 
ambiente, ocorrendo, assim, uma estimulação das habilidades cognitivas dos estudantes, 
proporcionando um processo de construção do conhecimento prazeroso. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A presente pesquisa teve como base a teoria das Inteligências Múltiplas, na busca da 
compreensão dos processos cognitivos da aprendizagem e a elaboração de metodologias 
facilitadoras para o processo de ensino-aprendizagem do estudante. Nesta perspectiva, 
entendemos que a relação entre o cérebro e a mente pode ser descrita como um conjunto de 
oito (ou até mais) sistemas cognitivos distintos de elaborações fundamentais. Um pode 
funcionar muito bem, enquanto outro pode apresentar rendimento mediano e um terceiro 
com rendimento mal, no entanto, é saliente ressaltar que todos possuem em algum grau as 
habilidades cognitivas apresentadas neste texto. 
Para defender esta tese, recorremos a Gardner como autor da teoria que cita pessoas com 
excepcional habilidade espacial e matemática (os jogadores de xadrez), porém são 
desfavorecidos no que tange à inteligência interpessoal, sendo incapazes de compreender 
os outros e manter relacionamentos. 
Não há uma inteligência superior uma da outra, mas o que ocorre é que as inteligências são 
distintas. E a relação dessas inteligências é explícita, como é o caso da inteligência lógico-
matemática com a cinestésica-corporal, pois nada mais matemático que a dança de um 
grande bailarino, e a relação com a inteligência musical, pois fazem parte de uma 
matemática sonora e ainda com a linguística através dos versos que sintetizem poemas. E o 
 
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professor neste processo é o agente facilitador da estimulação destas inteligências em cada 
estudante. 
Pretendeu-se nesta pesquisa abordar os vários conceitos de inteligência para facilitar a 
compreensão de como ocorre à aprendizagem das inteligências no ser humano para que o 
profissional do ensino das Ciências possa desenvolver metodologias facilitadoras para o 
processo de ensino-aprendizagem. 
O paradigma do ensino tradicional deve ser quebrado, ainda que o esforço de renovação 
esteja em processo, pois muitos dos professores dão mais ênfase a um ensino de 
simplesmente na transmissão dos conhecimentos, por meio de aulas expositivas do que a 
construção do conhecimento por parte tanto do professor como do estudante, mas para isso 
ocorrer é necessário a utilização de novas metodologias de ensino, de forma que os 
estudantes desenvolvam as suas inteligências e que não venham a serem inibidas no seu 
desenvolvimento cognitivo, sendo simples ouvintes passivos do conhecimento, mas 
críticos-reflexivos. 
Através do já exposto neste estudo, pode-se dizer que estamos ainda no começo, sendo este 
o início de um trabalho em busca da compreensão do processo individual cognitivo de 
aprendizagem do estudante, que necessita de novos estudos para o avanço e a 
sistematização deste tema na educação em Ciências. 
 
Referências 
ANTUNES, Celso. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 11ª ed. – Campinas, SP: 
Papirus, 2003. 
BRENNAND, Edna Gusmão de Góes e VASCONCELOS, Giuliana Cavalcanti. O 
conceito de potencial múltiplo