A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
14 pág.
raciocinio_logico_m05 A2

Pré-visualização | Página 1 de 5

1 
Módulo 5 - A Eficácia na comunicação 
e a falácia na comunicação 
 
A Eficácia na Comunicação 
 
Já parou para pensar como a comunicação é importante em nossas vidas? 
É possível passar um único dia sem trocarmos informações com alguém? 
Mas como se dá esse processo comunicacional? 
O que é preciso saber para realizá-lo bem? 
Estas e outras questões é o que vamos tentar responder aqui. Mãos à obra! 
 
Objetivos 
Esperamos que ao final dos estudos desse tópico, você seja capaz de dominar o 
conceito de processo comunicacional, compreender a importância da eficácia para a 
realização de um bom processo comunicacional e melhorar seu próprio desempenho 
comunicacional, a partir do domínio de tais conceitos. 
 
A eficácia na comunicação 
 
Por eficácia entende-se a capacidade de realizar o ato comunicacional de modo claro, 
conciso, lógico e, sobretudo, eficiente. Saber passar de modo eficiente a mensagem 
que se deseja é fundamental para ser bem-sucedido, tanto na vida acadêmica quanto 
na profissional. 
 
E quanto ao ato comunicacional, que bicho é esse? Calma, nada mais fácil. Ato 
comunicacional é, como o nome indica, a ação de estabelecer comunicação, 
transferência de informações entre dois ou mais interlocutores. Ao conversar com um 
colega, assistir a uma aula, acenar para um amigo que passa de carro, falar ao 
telefone, ler esta apostila, por exemplo, você está realizando atos comunicacionais. 
 
Mas como garantir que essa comunicação, esse ato comunicacional se dê de maneira 
realmente eficiente? Antes de tudo, vamos dar a palavra ao professor Othon M. Garcia, 
que afirma: APRENDER A ESCREVER É APRENDER A PENSAR 
 
 
Aprender a escrever é aprender a pensar 
 
Aprender a escrever é, em grande parte se não principalmente, aprender a 
pensar, aprender a encontrar ideias e a concatená-las, pois, assim como não é possível 
dar o que não se tem, não se pode transmitir o que a mente não criou ou não 
aprovisionou. (...) É que palavras não criam ideias; estas, se existem, é que, 
forçosamente, acabam corporificando-se naquelas, desde que se aprenda como associá-
las e concatená-las, fundindo-as em moldes frasais adequados. Quando o estudante tem 
algo a dizer, porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente 
satisfatória. 
 
Todos reconhecemos ser ilusão supor – como já dissemos – que se está apto a 
escrever quando se conhecem as regras gramaticais e suas exceções. Há evidentemente 
um mínimo de gramática indispensável (grafia, pontuação, um pouco de morfologia e um 
pouco de sintaxe), mínimo suficiente para permitir que o estudante adquira certos 
hábitos de estruturação de frases modestas mas claras, coerentes, objetivas. A 
experiência nos ensina que as falhas mais graves das redações dos nossos colegiais 
resultam menos das incorreções gramaticais do que da falta de ideias ou da sua má 
 
 
2 
concatenação. Escreve realmente mal o estudante que não tem o que dizer porque não 
aprendeu a pôr em ordem seu pensamento, e, porque não tem o que dizer, não lhe 
bastam as regrinhas gramaticais, nem mesmo o melhor vocabulário de que possa dispor. 
Portanto, é preciso fornecer-lhe os meios de disciplinar o raciocínio, de estimular-lhe o 
espírito de observação dos fatos e ensiná-lo a criar ou aprovisionar ideias: ensinar, enfim, 
a pensar. 
 
GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. Rio de Janeiro: Editora FGV, 
1988, p. 291. 
 
Portanto, para realizarmos atos comunicacionais com eficácia, precisamos, antes de 
tudo, pensar também de forma eficaz, com clareza e coerência, em torno das 
informações que podemos obter através dos mais variados meios: jornais, livros, 
revistas, televisão, internet. Nunca, em toda a sua história, a humanidade dispôs de 
tantos meios informativos de fácil acesso. Então, que tal aproveitar isso e procurar nos 
informar cada vez mais acerca do mundo que nos cerca? Afinal, quanto mais 
soubermos mais teremos a dizer. 
 
Que tal agora exercitarmos nossa capacidade de raciocínio, de apreensão e síntese de 
conteúdos, a fim de tornar nossa capacidade comunicacional mais eficiente? Um dos 
caminhos é ler e discutir textos, como faremos a seguir. 
 
A partir da leitura eficiente do texto que se segue e da compreensão também eficiente 
das informações nele contidas, responda às perguntas que se seguem de modo claro, 
conciso e correto; em outras palavras, de modo igualmente eficiente. 
 
SERÁ MAIS UM BASTA 
André Petry 
 
O Brasil talvez seja o único país em que quase toda família tem para contar um caso 
de assalto, um acidente de trânsito e uma campanha de basta. Somos cheios de 
bastas. Não adianta nada, porque basta de brasileiro é como promessa de político: só 
vale no calor da hora. Qualquer cidadão já ouviu falar em campanha de basta de 
violência no trânsito. Não deve haver capital no país que não tenha feito a sua. Agora, 
com a matança nas estradas brasileiras no Natal, quando se deu a trágica confluência 
de aumento da frota, estradas esburacadas e motoristas amalucados, devem 
acontecer mais bastas. 
 
O ministro da Justiça, Tarso Genro, já anunciou o seu. Até o fim do mês vai 
lançar o remédio ao qual toda autoridade recorre na emergência: pacote. O tal pacote 
deve prever penas mais duras, talvez até com o polêmico confisco do carro do 
reincidente. Seria ótimo se funcionasse, mas o problema brasileiro no trânsito, como 
em tudo que se refere ao crime, está onde sempre esteve: na impunidade. No país 
onde é preciso repetir o óbvio, é óbvio que pena mais dura nunca resolveu nada. Fosse 
assim, pena de morte seria barbárie, mas eficaz, e não é. O que combate a impunidade 
é uma coisa singela: punição. Pode até ser pequena, mas tem de existir. 
 
Nos Estados Unidos, Paris Hilton passou 23 dias em cana por dirigir 
embriagada. Mel Gibson tomou pena de três anos sob liberdade assistida. Em 2005, 
quase 1,5 milhão de americanos foram autuados por dirigir bêbados. Para ser punido, 
não precisa ter causado um acidente. Basta ter bebido. E aqui? 
 
Em dezembro de 1995, Edmundo, o jogador de futebol, causou um acidente 
que matou três pessoas. Foi condenado a quatro anos e meio de prisão. Entrou com 
recurso para reduzir a pena. Não deu. Tentou de novo. Não deu. Tentou outra vez. 
 
 
3 
Também não deu. Tentou sete vezes. Perdeu todas. Mas, passados doze anos, até hoje 
não foi para a cadeia. Em 2004, numa cena inesquecível da antologia da impunidade 
nacional, Edmundo foi visto no desfile da Mocidade Independente. O enredo, 
patrocinado pelo Detran, era Não Corra, Não Mate, Não Morra. Como deboche, uma 
pérola. 
 
Num caso recente, alguém apostaria um vintém na prisão do promotor Wagner 
Juarez Grossi? Em outubro passado, o promotor atropelou e matou um casal e uma 
criança de 7 anos em Araçatuba, no interior paulista. Estava com "embriaguez 
moderada". Se pegar menos de quatro anos de prisão, Gross não irá para a cadeia. 
Será triplo homicídio punido com serviços à comunidade. 
 
O festival de impunidade resulta de uma sociedade mal-educada e permissiva, 
que aceita tudo depois do último basta. Campanhas educativas, portanto, são 
fundamentais, mas as autoridades torram dinheiro público com panfletos repetitivos, 
apelos insípidos, mensagens anódinas. Em Brasília, o jornal Correio Braziliense fez 
uma campanha agressiva, criativa e certeira há alguns anos. Resultado: os motoristas 
da capital até hoje respeitam a faixa de pedestre. Agora, a RBS, o maior grupo de 
comunicação do Sul, lançou uma campanha inovadora. Voltadas para jovens e 
homens, as peças publicitárias trazem belas atrizes globais ao lado da frase: "Se o 
cara é rapidinho no trânsito, deve ser rapidinho em tudo". O país todo ganhará se a 
campanha não virar apenas mais um basta. 
 
Publicado originalmente em: revista VEJA / Edição 2042 / 9 de janeiro de 2008 
Retirado do site http://veja.abril.uol.com.br/090108/andre_petry.shtml