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Leitura I Aula 2

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pergunta: “O nenê machucou a bundinha?”. Ocorrendo um problema mais grave, ao levá-la ao médico, os pais provavelmente diriam que o problema é nas nádegas. E o médico? Bem, ele poderia anotar que a dor é na região glútea..
Veja que todas essas expressões são de nosso conhecimento e sabemos, quase intuitivamente, qual é o momento mais adequado para empregar uma ou outra.
A variação de maior prestígio: A norma padrão
Falamos genericamente sobre variações da linguagem, mas seria conveniente destacar ao menos três delas: a linguagem coloquial, a norma culta e a linguagem literária.
Linguagem coloquial ou norma popular
É a linguagem que empregamos em nosso cotidiano, em situações sem formalidade, com interlocutores que consideramos “iguais” a nós no que diz respeito ao domínio da língua.
Na linguagem coloquial, não há preocupação no tocante a um falar “certo” ou “errado”, uma vez que não nos sentimos pressionados pela necessidade de usar regras e damos prioridade à expressividade, à transmissão da informação por si.
“Os princípios da norma popular compõem uma verdadeira gramática popular e implicam uma simplificação considerável da gramática culta, num uso muito grande de elementos afetivos, numa pronúncia menos cuidada, num abundante vocabulário gírio e outros elementos afetivos da língua e, em geral, revelam uma menor dose de reflexão na escolha das formas lingüísticas pelo usuário”.
Dino Preti
Norma culta ou norma padrão
Se há tantas variações de uma língua, qual delas é a ensinada na escola? Por que essa e na as demais? “Quem” faz essa escolha?
	Essas perguntas apenas refletem um fato: de todas as variações, uma tem mais prestígio que as demais e acaba por ser escolhida como padrão a todos os falantes.
“Dialeto padrão: também chamado norma padrão culta, ou, simplesmente norma culta, é o dialeto a que se atribui, em determinado contexto social, maior prestígio; é considerado o modelo – daí a designação de padrão, de norma – segundo o qual se avaliam os demais dialetos. É o dialeto falado pelas classes sociais privilegiadas, particularmente em situações de maior formalidade, usado nos meios de comunicação de massa (jornais, revistas, noticiários de televisão, etc.), ensinado na escola, e codificado nas gramáticas escolares (por isso, é corrente a falsa idéia de que só o dialeto padrão pode ter uma gramática, quando qualquer variedade linguística pode ter a sua). É ainda, fundamentalmente, o dialeto usado quando se escreve (há naturalmente, diferenças formais, que decorrem das condições específicas de produção da língua escrita, por exemplo, de sua descontextualização. Excetuadas diferenças de pronúncia e pequenas diferenças de vocabulário, o dialeto padrão sobrepõe-se aos dialetos regionais, e é o mesmo, em toda a extensão do país”
Magda Soares
Regionalismos
	O Brasil é um país de dimensões continentais e mesmo assim ainda possui uma língua única. Além de contribuir para uma grande diversidade nos hábitos culturais, religiosos, políticos e artísticos, a influência de várias culturas deixou na língua portuguesa marcas que acentuam a riqueza de vocabulário e de pronúncia.
	É importante destacar que as diferenças na nossa língua não constituem erro, mas são conseqüências das marcas deixadas por outros idiomas que entraram na formação do português brasileiro. Entre esses idiomas estão os indígenas e africanos, além dos europeus, como o francês e o italiano.
	A influência desses elementos, presentes com maior ou menor intensidade em cada região do país, aliada ao desenvolvimento histórico peculiar de cada lugar, fez com que surgissem regionalismos, isto é, expressões típicas de determinada região. Essa variedade lingüística pode se manifestar na construção sintática – por exemplo, em algumas regiões se diz sei, não, em outras não sei -, mas a grande maioria dos regionalismos ocorre no vocabulário.
	Assim, um mesmo objeto pode ser nomeado por palavras, diversas, conforme a região. Por exemplo: no Rio Grande do Sul, a pipa ou papagaio se chama pandorga; o semáforo pode ser designado por farol em São Paulo, e sinal ou sinaleiro no Rio de Janeiro.
	Na culinária também há variados exemplos: a) Nordeste: macaxeira, Sul: aipim, Norte: uaipi ou maniva, Sudeste: mandioca; B) Sudeste: abóbora ou moranga, Nordeste: gerimum ou quibebe; C) Sudeste: mexerica ou tangerina, Sul: bergamota.
	
Gíria
	A gíria é uma das variedades que uma língua pode apresentar. Quase sempre é criada por um grupo social, como os dos fãs de rap, de funk, de heavy metal, o dos surfistas, dos skatistas, dos grafiteiros, dos bikers, etc. Quando restrita a uma profissão, a gíria é chamada de jargão. É o caso do jargão dos jornalistas, dos médicos, dos dentistas e outras profissões.
Leia os textos a seguir:
Texto 1: Leia este anúncio:
1. O anúncio tem a finalidade de promover um aparelho de som de determinada marca. Para isso, simula a situação de uma pessoa que faz um pedido a Papai Noel.
a. Que tipo de texto é enviado a Papai Noel?
b. Quem você imagina que seja o locutor desse texto? Por quê?
2. A linguagem pode indicar tanto o grupo social a que pertence o locutor quanto o grau de intimidade existente entre os interlocutores. Observe a linguagem empregada no texto:
a. O locutor do texto trata Papai Noel de modo formal ou informal? Justifique sua resposta com algumas expressões do texto.
B. Identifique palavras ou expressões que façam parte da gíria dos adolescentes.
c. Em certo trecho, o locutor trata o interlocutor de modo respeitoso, provavelmente por causa da idade do Papai Noel. Identifique a expressão que revela esse tratamento.
3. É comum, na linguagem oral, buscarmos formas simplificadas, mais curtas, que podem ser pronunciadas em menos tempo. Daí haver o fenômeno de certas palavras serem reduzidas, como, por exemplo, cê, usada em lugar de você; moto, em lugar de motocicleta. Identifique, no texto, três exemplos de formas reduzidas, típicas da linguagem oral.
4. Para convencer Papai Noel a lhe dar o aparelho de som, o locutor usa um argumento, isto é, uma justificativa ou explicação. Qual é esse argumento?
5. Pense agora na situação de produção do anúncio. Ele foi publicado às vésperas do Natal em uma revista de circulação nacional, lida geralmente por pessoas adultas, da classe média, com bom poder aquisitivo. Os textos dessa revista são predominantemente escritos na variedade padrão.
a. Na verdade, quem são os leitores que o anúncio tem em vista: os adolescentes ou os pais dos adolescentes?
b. Troque idéias com os colegas: Considerando-se a intencionalidade do anúncio, por que, então, o texto faz uso de uma variedade lingüística não padrão?
TEXTO 2
Assaltantes Regionais
ASSALTANTE BAIANO: 
Ô meu rei... (pausa) 
Isso é um assalto... (longa pausa) 
Levanta os braços, mas não se avexe não...(outra pausa) 
Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado.... 
Vai passando a grana, bem devagarinho (pausa pra pausa) 
Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito 
pesado. 
Não esquenta, meu irmãozinho,(pausa) 
Vou deixar teus documentos na encruzilhada. 
 
ASSALTANTE MINEIRO: 
Ô sô, prestenção 
Issé um assarto, uai. 
Levantus braço e fica ketin quié mió procê. 
Esse trem na minha mão tá chein de bala... 
Mió passá logo os trocados que eu num tô bão hoje. 
Vai andando, uai! Tá esperando o quê, sô?! 
 
ASSALTANTE CARIOCA: 
Aí, perdeu, merrrrrrrrrrmão 
Seguiiiinnte, bicho 
Tu te fu. Isso é um assalto... 
Passa a grana e levanta oxxxxxxxx braçoxxxxxxxxxxx rapá. 
Não fica de caô que eu te passo o cerol.... 
Vai andando e se olhar pra traxxxxxxxxxxxxxx vira presunto. 
 ASSALTANTE PAULISTA: 
Aê, mano. 
Isso é um assalto, truta. 
Levanta os braços, meu. 
Passa a grana logo, parcero. 
Mais rápido, meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pra 
comprar o ingresso do jogo do Corintia, véio.. 
Pô, se