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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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mas ou satisfaz 
apenas alguns elementos próprios da obrigação, ou deixa de observar, na 
execução, as regras legais ou contratuais correspondentes. No terceiro, apenas 
deixa de observar o prazo existente para o cumprimento, ou seja, não respeita o 
lapso temporal estipulado para a satisfação da prestação, cumprindo verificar-se, 
 
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depois, se possível ou não, ou se desejável ou não, a execução, diante do 
interesse do credor, pois, na negativa, tem-se presente o inadimplemento total. 
O inadimplemento caracteriza-se, objetivamente, pela constatação da 
não realização da prestação, ou da não observância do modo, do tempo, ou das 
condições ajustadas, nos graus citados; e, subjetivamente, pela participação 
volitiva do agente na causação, consciente (dolo) ou decorrente de negligência, 
imprudência, ou inércia (culpa). A integração do fato material ao fato pessoal é, 
pois, que evidencia o inadimplemento, para efeito de obter-se a responsabilização 
do agente, salvo explícitas exceções legais ou contratuais. 
Tem-se, assim, que é por dolo, ou por culpa, que o agente sofre as 
conseqüências do ilícito; vale dizer, quando quer o resultado lesivo ou aceita o 
risco de sua realização, ou quando, por desídia, por descaso, por inabilidade, 
contribui para a superveniência do fato lesivo. Excetuam-se situações em que a 
responsabilidade é objetiva dentro da teoria das atividades perigosas. 
Para a responsabilização, há que existir ainda uma relação de 
causalidade entre a ação do agente e o resultado danoso: é o nexo causal. Deve o 
resultado provir da atuação do agente. Esse vínculo é que completa os 
pressupostos da responsabilidade civil, gerando-se, então, para o agente, a 
obrigação de indenizar os danos suportados pelo lesado. 
Assim, descumprida a obrigação e havendo prejuízo para o credor, tem-
se, como regra, a submissão do patrimônio do devedor ao ressarcimento devido, 
tanto por culpa, como por dolo, não se detendo, outrossim, o Código na 
diferenciação de graus. 
Ante a inexistência de distinção quanto aos graus do inadimplemento, 
que apenas ante os casos em que se exige diligência maior é que o Código 
 
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separa os efeitos: assim, nos contratos unilaterais responde por simples culpa o 
contraente, a quem o contrato aproveita, e só por dolo aquele a quem não 
favoreça; e nos contratos bilaterais cada um responde por culpa (art. 392). 
A conseqüência imediata do inadimplemento é a responsabilização do 
agente por perdas e danos, em qualquer dos graus referidos (CC, arts. 389 e 
segs), respeitadas as proporções quanto ao alcance respectivo do dano. 
Prescreve a nossa lei que, não cumprindo a obrigação ou deixando de 
cumpri-la pelo modo e no tempo devidos, responde o devedor por perdas e danos 
(art. 389). Convola-se, pois, em obrigação de indenizar a obrigação original, 
ficando o devedor com o ônus do ressarcimento dos prejuízos havidos. 
Ante o exposto, verifica-se que principalmente do animus do agente é 
que lhe defluem os efeitos do descumprimento, cabendo-lhe responder pelos 
danos de ordem moral ou patrimonial que o lesado tenha sofrido, a par de 
sanções outras cabíveis. Acrescem-se ao da indenização, apurável conforme 
critérios identificáveis em cada situação concreta, outros valores definidos em leis 
e nos contratos, como a correção monetária, os juros e os honorários 
advocatícios. 
 ―Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor 
por perdas e danos, mais juros e atualização monetária 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e 
honorários de advogado.‖ 
―Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por 
inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se 
devia abster.‖ 
 
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―Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem 
todos os bens do devedor.‖ 
―Art. 392. Nos contratos benéficos, responde por simples 
culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo 
aquele a quem não favoreça. Nos contratos onerosos, 
responde cada uma das partes por culpa, salvo as exceções 
previstas em lei.‖ 
―Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos 
resultantes de caso fortuito ou força maior, se 
expressamente não se houver por eles responsabilizado. 
Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se 
no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou 
impedir.‖ 
 
8.1 Mora 
A caracterização da mora depende de dois fatores básicos: um objetivo, 
o atraso em si; outro subjetivo: o animus. 
Presa à idéia básica de atraso ou retardamento, a mora compreende, 
em nosso regime, a inexecução no modo e na forma convencionados. Dessa 
maneira, considera-se constitutiva de mora tanto a infringência ao tempo, como a 
do lugar e a do modo previstos. 
De outro lado, cumpre haver a integração volitiva do agente ao fato da 
mora, em qualquer das circunstâncias expostas, ou seja, mister se faz que, 
conscientemente (dolo), ou por culpa simples, tenha ele participado no evento. A 
 
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prova em concreto é de preceito, salvo quando a lei a presuma, como, por 
exemplo, nas obrigações com data certa ou nas por delito (mora ex re). 
A mora decorre do desrespeito a elementos explícitos, em especial o 
prazo para pagamento, considerando-se caracterizada pelo simples desrespeito, 
mas, à inexistência de termo certo, somente mediante prévia constituição nesse 
estado é que se configura (CC, art. 397, caput e parágrafo único). 
―Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, 
no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. 
 Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui 
mediante interpelação judicial ou extrajudicial.‖ 
 
Consoante o sistema codificado, nas obrigações decorrentes de delito, a 
mora existe desde a perpetração do ilícito (CC, art. 398) e, nas de fazer, 
desde a execução da ação que não devia ser efetivada (art. 390). 
 
―Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, 
considera-se o devedor em mora, desde que o praticou.‖ 
―Art. 390. Nas obrigações negativas o devedor é havido por 
inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se 
devia abster.‖ 
Mas, não havendo fato ou omissão imputável ao devedor, não existe 
mora (art. 396), eximindo-se, pois, este de seus efeitos. 
―Art. 396. Não havendo fato ou omissão imputável ao 
devedor, não incorre este em mora.‖ 
 
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Para que se configure a mora do devedor (mora solvendi), exigem-se 
os seguintes pressupostos: existência de dívida positiva e líquida; vencimento da 
dívida; inobservância culposa do tempo, da forma ou do modo definidos para o 
cumprimento. 
Configurada a mora, compete ao credor tomar as providências 
necessárias para a satisfação de seus interesses, inclusive em juízo, pelas ações 
cabíveis, em razão da natureza das obrigações e dos objetivos visados, cabendo 
anotar-se que as ações de cobrança, ou de execução, são as mais comuns na 
matéria. 
A caracterização da mora do credor (mora accipiendi) depende, por sua 
vez, dos seguintes elementos: existência de dívida positiva e líquida; ação do 
devedor para o cumprimento; recusa do credor à prestação. 
Devem estar reunidos, quanto à dívida, os mesmos pressupostos 
necessários para a existência da mora solvendi, requerendo-se, quanto à postura 
das partes, o desenvolvimento,