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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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pelo devedor, de ação tendente ao cumprimento e, 
de outro lado, a rejeição da prestação pelo credor. 
Incidindo em mora o credor, cabe ao devedor tomar as providências 
necessárias para a sua liberação, inclusive em juízo, mediante ações próprias, em 
razão da natureza da obrigação e de seus objetivos, cumprindo assinalar-se que a 
consignação é a medida específica para o caso. 
 
 
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8.2 Perdas e danos 
O sancionamento próprio à inexecução das obrigações é a satisfação 
de perdas e danos, cabendo ao agente suportar o ônus correspondente, ante ao 
ilícito praticado, em todas as situações características. Isso significa que, por força 
do inadimplemento voluntário da obrigação, fica adstrito o agente à reparação dos 
prejuízos havidos, operando-se, a substituição da obrigação pela de indenizar. 
Não cumprindo a obrigação, ou deixando de cumpri-la pelo modo e no 
tempo devidos, responde o devedor por perdas e danos (art. 389). 
Dano é a diminuição patrimonial, ou moral, sofrida pelo lesado face ao 
descumprimento, ou a mora. Sua recomposição opera-se exatamente com a 
indenização imposta ao devedor, que procura restabelecer o equilíbrio na posição 
do lesado ante ao evento faltoso. Destina-se a indenização a repor, no patrimônio 
do lesado, a perda havida. 
Com isso, a indenização cumpre a função primordial de recomposição 
do patrimônio ofendido, fundando-se na noção de equivalência, ou seja, de 
atribuição de valor correspondente à perda determinada pelo descumprimento. 
Assim, no restabelecimento do equilíbrio patrimonial, compreende o dano 
emergente e o lucro cessante, isto é, aquilo que a pessoa efetivamente perdeu e 
aquilo que deixou razoavelmente de ganhar (art. 393, parágrafo único). 
Como pressuposto da responsabilidade, deve, pois, o dano ser alegado 
e provado em juízo, para a determinação da indenização cabível. Mas existem 
situações em que a lei dispensa a alegação, ou a prova do dano, ou prefixa o 
montante, como nas hipóteses de mora em obrigações pecuniárias (arts. 397, 
caput e parágrafo único e 404, caput); de exigência de cláusula penal (art. 416, 
 
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caput); na demanda por dívida já paga (art. 940) e em outras situações definidas 
quanto a figuras especiais de contrato. 
―Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento 
em dinheiro, serão pagas com atualização monetária 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, 
abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem 
prejuízo da pena convencional.‖ 
―Art. 416. Para exigir a pena convencional, não é necessário 
que o credor alegue prejuízo.‖ 
―Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo 
ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir 
mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, 
no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no 
segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver 
prescrição.‖ 
Salvo as exceções legais, cabe ao lesado comprovar os prejuízos 
sofridos, em toda a sua extensão, devendo ser registrado que a perda de 
oportunidades, ou de negócios, objetivamente integráveis ao fato do 
descumprimento, é abrangida na noção de lucro cessante. 
Estabelecidos os critérios gerais para a determinação do montante da 
indenização, segue-se à respectiva liquidação, sempre que o valor não resulte da 
convenção entre as partes ou da lei. Liquidação é, portanto, a operação de fixação 
do quantum indenizatório. 
 
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Aplica-se a dívidas ilíquidas, objetivando dar-lhe certeza e 
determinação (corpo certo, quantidade fixa, ou soma definida), obediente a certas 
normas, previstas suas codificações civil e de processo civil. 
A liquidação pode processar-se por força de norma legal; por 
convenção das partes, através de estipulação de cláusula penal; por sentença 
judicial. 
Não podendo a obrigação ser cumprida em espécie, substitui-se por 
moeda a prestação (art. 947); no valor da indenização, sempre se incluem os juros 
de mora; a determinação do quantum, não havendo previsão, apura-se por 
arbitramento (art. 952, parágrafo único), cabendo à perícia papel de relevo, nesse 
caso; existindo cláusula penal, deve-se verificar se estipulada para a hipótese de 
descumprimento total ou parcial, funcionando, na primeira, como alternativa para o 
devedor (art. 400) e, na segunda, tornando possível a exigibilidade da prestação e 
da pena (art. 411); na fixação dos juros de mora (art. 406); e, por fim, existindo 
arras, deve-se atentar para o seu caráter penitencial (arts. 420). 
―Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na 
espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em moeda 
corrente.‖ 
―Art. 952. Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da 
restituição da coisa, a indenização consistirá em pagar o 
valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros 
cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu 
equivalente ao prejudicado.‖ 
―Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não 
exista a própria coisa, estimar-se-á ela pelo seu preço 
 
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ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se 
avantaje àquele.‖ 
―Art. 400. A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo 
à responsabilidade pela conservação da coisa, obriga o 
credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, 
e sujeita-o a recebê-la pela estimação mais favorável ao 
devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para 
o pagamento e o da sua efetivação.‖ 
―Art. 411. Quando se estipular a cláusula penal para o caso 
de mora, ou em segurança especial de outra cláusula 
determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da 
pena cominada, juntamente com o desempenho da 
obrigação principal.‖ 
―Art. 406. Quando os juros moratórios não forem 
convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando 
provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a 
taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de 
impostos devidos à Fazenda Nacional.‖ 
―Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de 
arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal 
terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as 
deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as 
recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os 
casos não haverá direito a indenização suplementar.‖ 
 
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9. TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES 
 
A transferência das obrigações no nosso código atual trata, entre 
outras, de uma de suas modalidades, ou seja, da cessão de crédito, nos artigos 
286 a 298. A cessão de crédito enfoca a substituição, por ato entre vivos, da figura 
do credor. O código não disciplina a substituição do devedor, a assunção de 
dívida, nem a cessão de posição contratual. 
A transmissão de direitos e obrigações pode se verificar tanto por causa 
de morte, quanto por ato entre vivos. A transmissão causa mortis deve ser 
estudada e disciplinada pelo direito das sucessões. 
 
9.1 Cessão de crédito 
O crédito, como integrante de um patrimônio, tem um valor de 
comércio. Trata-se, sem dúvida, de uma alienação. Quando, no direito, a 
alienação tem por fim bens imateriais, toma o nome de cessão. 
Na cessão de crédito, o cedente é aquele que aliena o direito; o 
cessionário, o que adquire. O cedido é o devedor, a quem incumbe cumprir