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Apostila Direito das Obrigações - UGF[1]

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Civil se preocupa ao iniciar o Título I 
do Livro das Obrigações com as modalidades das obrigações. 
Classificar uma obrigação numa ou noutra categoria é importante na 
prática, porque de acordo com a classificação decorrerão efeitos próprios, afetos 
tão-só a determinadas relações jurídicas. 
O direito romano tomou por base o objeto da obrigação para a 
classificação, que é a prestação. 
A obrigação de dar (dare) indica o dever de transferir ao credor alguma 
coisa ou alguma quantia, como no caso da compra e venda. 
A obrigação de fazer (facere) é aquela na qual o devedor deve praticar 
ou não determinado ato em favor do credor. Abrange, portanto, também, o não 
fazer (non facere). 
A obrigação de praestare deu margem a sérias divergências. Para 
Correia e Sciascia (1953, v. 1:229), praestare é termo geral que abrange qualquer 
objeto da obrigação, de dar ou fazer. Daí vem o termo prestação. Mas, em 
princípio, praestare importa num conceito de garantia e em sentido estrito indica 
 
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uma prestação acessória e derivada. Para outros autores, a obrigação de prestar 
se referia às situações que não se amoldavam ao dare, nem ao facere. 
 
 Nosso Código Civil se ateve a esta classificação romana, tendo 
distribuído as obrigações igualmente em três categorias: obrigações de dar (coisa 
certa ou coisa incerta), obrigações de fazer e obrigações de não fazer. 
 
As obrigações de dar e fazer são denominadas obrigações positivas. As 
obrigações de não fazer, que implicam em abstenção por parte do devedor, são as 
obrigações negativas. 
Quanto ao objeto, as obrigações poderão ser simples e conjuntas. 
Serão simples quando a prestação importar em um único ato ou numa só coisa 
(singular ou coletiva, arts. 89 e 90 do Código Civil). 
―Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se 
consideram de per si, independentemente dos demais. 
―Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de 
bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham 
destinação unitária. 
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade 
podem ser objeto de relações jurídicas próprias.‖ 
As obrigações conjuntas serão aquelas cuja prestação comporta mais 
de um ato ou mais de uma coisa, devendo todos ser cumpridos. 
 
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Há obrigações que se exaurem num só ato. São as obrigações 
instantâneas. Há, no entanto, obrigações, que por questão de lógica, por sua 
própria natureza, só podem ser cumpridas dentro de espaço de tempo mais ou 
menos longo: são obrigações periódicas. 
Quanto ao sujeito, devemos fixar que podem coexistir vários credores 
ou vários devedores tendo em vista um só credor, um só devedor, ou mais de um 
credor e mais de um devedor. Havendo um só credor e um só devedor, a 
obrigação é única. Será múltipla se houver mais de um credor ou mais de um 
devedor. 
De acordo com as várias hipóteses, as obrigações múltiplas ou plúrimas 
podem ser conjuntas e solidárias. 
São conjuntas aquelas “em que cada titular só responde, ou só tem 
direito à respectiva quota-parte na prestação” (Monteiro, 1979, v. 4:52). Já nas 
obrigações solidárias, cada credor pode exigir a dívida por inteiro, enquanto cada 
devedor pode ser obrigado a efetuar o pagamento por inteiro. 
Ao lado das obrigações solidárias, serão também estudadas as 
obrigações divisíveis e indivisíveis. A divisibilidade ou indivisibilidade aqui é 
observada sob o ponto de vista do objeto da prestação: se o objeto permite o 
parcelamento, a obrigação é divisível. As obrigações indivisíveis são aquelas cujo 
objeto não permite divisão: na solidariedade, existe sempre indivisibilidade, quer o 
objeto seja, quer não seja divisível, uma vez que, como veremos, a solidariedade 
decorre da vontade das partes ou da vontade da lei. 
Quanto ao modo de execução, as obrigações podem ser simples, 
conjuntivas, alternativas e facultativas. São simples quando aparecem sem 
 
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qualquer cláusula restritiva. São conjuntivas quando ligadas pelo vocábulo e. São 
alternativas as obrigações quando ligadas pela partícula ou. 
As obrigações facultativas são aquelas em que o objeto da prestação é 
um só. Mas, faculta-se ao devedor cumprir a obrigação substituindo o objeto. 
 
5.1 Obrigações de meio e de resultado 
Esta distinção tem muito a ver com a aferição do descumprimento das 
obrigações. Para algumas obrigações, basta ao credor provar que houve 
inexecução da obrigação, sem ter que se provar culpa do devedor. Para outras 
obrigações, no entanto, cumpre ao credor provar que o devedor não se comportou 
bem no cumprimento da obrigação, não se houve como um bom pai de família. No 
primeiro tipo, obrigações de resultado, o que importa é a aferição se o resultado 
colimado foi alcançado. Só assim a obrigação ter-se-á como cumprida. No 
segundo caso, obrigações de meio, deve ser aferido se o devedor empregou boa 
diligência no cumprimento da obrigação. 
Nas obrigações de resultado, a inexecução implica em falta contratual, 
dizendo-se que existe, em linhas gerais, presunção de culpa, ou melhor, a culpa é 
irrelevante na presença do descumprimento contratual. Nas obrigações de meio, 
por outro lado, o descumprimento deve ser examinado na conduta do devedor, de 
modo que a culpa não pode ser presumida, incumbindo ao credor prová-la 
cabalmente. 
 
 
 
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5.2 Obrigações de garantia 
O conteúdo desta modalidade “é eliminar um risco que pesa sobre o 
credor” (Comparato, 19, v. 55:429). A simples assunção do risco pelo devedor da 
garantia representa, por si só, o adimplemento da prestação. A compreensão da 
obrigação de garantia deve partir da noção de obrigação de meio, podendo ser 
considerada subespécie desta, em muitas ocasiões. 
Há obrigações tipicamente de garantia, como a dos contratos de seguro 
e de fiança e outras obrigações de garantia. 
Neste tipo de obrigações, mormente nas obrigações de garantia pura, 
nem mesmo a ocorrência de caso fortuito ou de força maior isenta o devedor de 
sua prestação, uma vez que a finalidade precípua da obrigação é a eliminação de 
um risco, o que traz em si a noção do fortuito. 
Não se deve confundir, contudo, o dever de segurança que é ínsito a 
algumas obrigações de resultado. O contrato de transporte é exemplo típico. O 
dever de segurança é elementar ao contrato, não devendo a espécie ser 
confundida com as obrigações de segurança típica e aquelas derivadas de 
obrigações de meio. 
 
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5.3 Modalidades 
5.3.1 Obrigação de dar 
5.3.1.1 Obrigação de dar coisa certa 
 
Consiste na entrega de bem individualizado e visado pelo credor. Nessa 
modalidade, compete ao devedor, nas condições convencionadas, fornecer ao 
credor o bem especificado, que pode ser coisa móvel ou imóvel. A essência da 
obrigação reside na qualificação da res, diante do interesse do credor, realizando-
se, pois, a prestação apenas com a sua entrega. 
Sua existência confere ao credor o direito de exigir o seu cumprimento, 
mesmo se negado pelo devedor (CPC, arts. 625 e segs.): transmuda-se em 
perdas e danos, no entanto, quando impossível à execução ou isso envolver 
constrangimento físico do devedor. 
A tradição da coisa pode transferir o domínio ao credor ou outro direito 
e isso sempre em função da natureza da avença. 
Com respeito à obrigação de dar coisa certa,