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Estado globalizado e cidadania - Módulo 4 Cidadania
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Aula 1 - Estado globalizado e cidadania
Objetivo do estudo
Compreender e analisar a importância entre estado globalizado e cidadania.
O termo globalização pode ser caracterizado como processo de aproximação entre os 
países e pessoas a partir da revolução técnico-científi ca e do avanço do sistema de 
transportes no globo terrestre. Movimento gerado a partir da necessidade imperiosa 
desenvolvida pelo sistema econômico neoliberal de aniquilar barreiras para a livre fl u-
tuação fi nanceira, intensifi cando o consumo de mercadorias e mão deobra, tornando 
possível a formação deuma aldeia global (apropriação do conceito criado por McLuhan 
para caracterizar os sistemas de informação em expansão). Este processo, em seu iní-
cio, criou duas possibilidades de autorrealização: globalização por interdependência 
– na qual a integração das sociedades ocorreria respeitando suas 
particularidades, tendo como objetivo a integração igualitária supe-
rando as desigualdades; e a globalização por competição – na qual 
a integração ocorreria a partir de um processo de “concorrência” 
entre as culturas objetivando a massifi cação do modelo melhor 
adaptado às necessidades sociais.
É possível identifi car diversas experiências de globalização com apli-
cabilidades distintas: ideológica - ataque às torres gêmeas , símbolo 
máximo do capitalismo global, inaugurando a fase do terrorismo 
global; midiática – programas como Conexões Urbanas e Central 
da Periferia possibilitam a criação de fóruns sociais de discussão 
sobre as condições de vida no planeta; ativismo - contestação realizada pelo coman-
dante Marcos, no México, cooptando apoio com auxílio da internet; política - denúncias 
de corrupção e as manifestações sociais nas eleições do Irã; denúncia - tentativa de 
controle da informação realizada pelo governo popular da China, na solicitação de blo-
queio à comunicabilidade de computadores, realizado junto às empresas fabricantes; 
informacional - denúncias de tortura realizadas pelos EUA na prisão de Guantanamo, 
contrariando todo seu discurso moralista de respeito aos direitos civis ... 
Inúmeros estudos sobre globalização tentam mapear este fenômeno 
social: alguns analistas negam seu ineditismo, remontando ao pe-
ríodo das grandes navegações (supremacia de Portugal e Espanha, 
durante a Idade Moderna); outros afi rmam setratar de um período 
único na história da civilização humana, devido à inexistência de 
outro modelo capaz de enfrentar ou mesmo sugerir um novo ca-
minho; num outro polo, analistas franceses, inicialmente, con-
testaram o termo globalização (anglo-saxão) preferindo a expressão 
mundialização para caracterizar o mesmo processo social; hoje, 
devido à sua liquidez, o termo globalização tornou-se hegemônico.
Independente da discussão sobre seu ineditismo ou da inexistência 
de outro modelo, a globalização alterou a vida no planeta. Segundo 
seus críticos, a globalização representa o braço sociocultural da 
política neoliberal, servindo assim para legitimar a nova ordem 
social. Para o economista Stiglitz a globalização não vem contribuin-
do para a equidade social e a redução dos confl itos, ao contrário, agravou problemas 
sociais devido à prática neoliberal. Seus defensores alegam que as críticas não devem 
recair sobre o processo de globalização, pois este intensifi cou as relações comerciais 
 
 
 
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descentralizando a oferta de empregos. Os erros no sistema refl etem a permanência das 
atividades do Estado no que tange ao controle das taxas de juros e à incompetência, 
ou à falta de interesse, em realizar as reformas ligadas à tributação, comprometendo 
assim a efi cácia das propostas globalizantes.
Pós-modernidade
A defi nição de pós-modernidade só estará cristalizada quando deixar 
de ser o próprio tempo presente, ou seja, vivemos a pós-modernidade e 
devido à sua contemporaneidade as transformações ainda se encontram 
em curso. É possível identifi car algumas características deste período: 
1º os arcabouços que alicerçaram a modernidade passaram a ser ques-
tionados, do discurso moral ao científi co; 2º ocorre uma aceleração da 
vida cotidiana decorrente das novas tecnologias, oriundas da comuni-
cação e dos transportes; 3º existe um processo de desterritorialização 
(intensa mobilidade que possibilita a formação de hibridismos culturais 
e processos de desenraizamento dos indivíduos), redefi nindo o global e o 
local, originando o glocal; 4º há um discurso claramente metalinguístico e 
ideologizante que não busca explicações e recusa defi nições, tendo como 
prática o subterfúgio de neologismos para (re)nomear experiências já cristalizadas e 
assim apagar (deletar) construções históricas. 
Um rápido mapeamento das análises de diversos cientistas 
nos propicia o seguinte panorama: Jean-François Lyotard, 
pioneiro na utilização do termo, apresenta a pós-moder-
nidade como fi m dos sistemas explicativos grandiosos e 
generalistas; FredricJamesona identifi ca como braço cul-
tural da lógica neoliberal; Jürgen Habermas atribuiu em 
sua análise um caráter conservador à pós-modernidade, 
indicando o ataque direto desta aos ideais iluministas; Zyg-
muntBaumansubstituiu o uso da palavra pós-modernidade 
por modernidade líquida, sintetizando a idéia de fl uidez em relação à modernidade; 
seguindo a linha de substituição do termo pós-modernidade, Gilles Lipovetskycria a 
hipermodernidade objetivando demonstrar que determinadas características da mo-
dernidade passaram a serexacerbadas. 
Estado globalizado e cidadania
Ideias importam ou o poder (econômico ou político) é tudo?Ideias legitimam o poder, 
são sua essência, pois dão-lhe o caráter de justiça ou de inevitabilidade que permitem 
que seja exercido em atos rotineiros, com a assepsia da normalidade - Luiz Carlos 
Delorme Prado.
Neste longo período de implementação da agenda neoliberal no Brasil, a cidadania não 
se fi rmou seguindo os padrões estabelecidos por Marshall. Desenvolveram alternativas 
reativas aos problemas sociais que a população passou a atravessar, sendo possível 
estabelecer múltiplas cidadanias.
Todo discurso é ideologizante! O tão propalado ineditismo do mundo 
pós-moderno neoliberal globalizante se enquadra junto a uma série de 
discursos que estandartizam o presente, buscando resgatar velhas prá-
ticas e apagar outras. O mundo pós-moderno realizou um ataque direto 
sobre alguns pilares do mundo moderno, ainda que refl etissem ideologias 
conformizantes (edifi cada sob a construção socrática). Não existe nada de 
novo ou libertador. Ao contrario, o homem mais uma vez é posto como o 
senhor de seu destino, sob a égide da igualdade produzida pelo mercado, 
 
 
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livre para concorrer com outros, tendo como base as capacidades adquiridas ao lon-
go de sua vida, logo, aqueles que realizaram as opções corretas em sua formação se 
tornam potenciais vencedores. 
Família (laços afetivos de criação: casais heteros/homos, avós/avôs, tias/
tios e outras formas); escola (pública/particular, de excelência ou defi ci-
tária); religião (conhecedores e/ou praticantes de algum segmento,ateus 
ou desconhecedores de qualquer valor); Estado (presente ou ausente, na 
legitimação da ordem instaurada como agente da violência e negligente 
de políticas); e a infraestrutura econômica (resignifi candocada um e todos 
como pertencentes a classes sociais que proporcionam condições mínimas 
de educação, ou desde sempre, a subsunção (submissão) à lógica do capital 
presente na indústria da pobreza excludente) são fatores negligenciados da 
perspectiva histórica de formação do indivíduo, neste teatro social neolibe-
ral. Deixamos de ser homens formados por relações sociais que não seguem padrões 
binários da pseudo-ciência, para nos tornarmos homens-máquinas, convertidos 
e reduzidos a lógica inebriante e inerente do sistema mercadológico, reproduzindo a 
dominação