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Teoria do Jornalismo   Aula 4

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Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
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Teorias do Jornalismo 
 
 
 
 
 
 
Aula 4 
 
 
 
 
 
Prof. Roberto Nicolato 
 
 
Pró-reitoria de EaD e CCDD 
 
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Conversa Inicial 
 Olá! Aos poucos, vamos avançando nos estudos das teorias do 
jornalismo, esse campo específico do conhecimento que busca alicerçar o seu 
arcabouço teórico, tendo como principal matéria-prima a sua própria atividade 
nas redações dos meios impressos, eletrônicos e digitais. Atividade que está 
sujeita à dinâmica social, econômica e política de uma determinada sociedade, 
inserida num determinado momento histórico. Aqui, estamos falando da década 
de 70, época de importantes transformações sociais e grandes avanços na área 
do conhecimento e, para o que mais nos interessa, das pesquisas relacionadas 
às teorias do jornalismo: as da Ação Política, dos Definidores Primários, da 
Espiral do Silêncio e dos Construcionistas. 
 No fundo, a gente pode dizer que os anos 70 foram um marco na história, 
um divisor de águas, nos estudos do jornalismo, nos Estados Unidos e na 
Europa. Os acontecimentos em diferentes continentes, tanto na categoria 
política como econômica e social, repercutiram tanto nas temáticas quanto nas 
preocupações e perspectivas dos estudiosos. 
 Portanto, seja bem-vindo à década de 70! 
 Você pode até pensar que foi uma época de muita diversão e deslumbre, 
das discotecas, do nostálgico filme Os embalos de sábado à noite, protagonizado 
por John Travolta, do hedonismo e das liberdades individuais. Claro que teve 
tudo isso porque era um momento de afirmação das lutas que foram travadas a 
partir dos anos 60: as causas feministas, dos gays, dos negros e ambientais. 
Muitos queriam não apenas conquistar, mas viver essa liberdade. Mas foi o 
tempo de democracia (nos Estados e parte da Europa) e de ditaduras na América 
Latina, incluindo o Brasil, e países europeus, como Portugal, Espanha e Grécia. 
 Crises não faltaram. Os Estados Unidos perderam a Guerra do Vietnã, o 
presidente norte-americano Richard Nixon renunciou com o famoso caso 
 
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Watergate e, no Brasil, a censura, a falta de liberdade de expressão e a tortura 
de presos políticos deram o tom de como o cidadão deveria se comportar durante 
o período de ditadura militar. Mas, voltando à diversão e falando de notícia e 
informação, não podemos nos esquecer de que a televisão foi a grande vedete 
dos anos 70, com a sua imagem capaz de fixar os acontecimentos nas mentes 
e nos corações da então chamada “sociedade do espetáculo”, como definiu 
Debord. 
Contextualizando 
 Mas vamos, agora, chegar mais perto do nosso foco de pesquisa: saber 
a partir de quais perspectivas a atividade jornalística foi analisada na conturbada 
e fantasiosa década de 70. Para Nelson Traquina, as novas preocupações dos 
pesquisadores se resumiam em compreender o jornalismo sob o ponto de vista 
das ideologias (Hall, 1977), apoiada nas formulações marxistas, da semiótica 
francesa de Barthes e da escola culturalista britânica (Hall et al, 1978) (2005, p. 
161). 
 Melhor trocar em miúdos. As teorias do jornalismo nos anos 70 estavam 
relacionadas, então, às questões ideológicas, marcadas profundamente pela 
Guerra Fria e utilização da mídia, tanto para confrontar o regime capitalista 
quanto para manter o status quo desse mesmo sistema. Então, estamos falando 
da Teoria da Ação Política, em que os jornalistas podem assumir um papel ativo 
ou a função de propagador ou reprodutor da ideologia capitalista, dependendo 
de que olhar a sua atividade é vista, seja da esquerda, seja da direita. 
 Ou, então, como diz Traquina, de outra maneira as teorias do jornalismo 
também passaram a ter uma concepção não tanto determinista, centrada na 
ação política, a partir do alargamento das preocupações, com Tuchman, que já 
colocava na roda a observação do indivíduo, a organização (veículo onde o 
jornalista trabalha) e a comunidade profissional, nas chamadas Teorias 
 
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Construcionistas. É importante lembrar que, nesse caso, as notícias eram 
tratadas como estórias, não ficcionais, fantasiosas, mas que construíam 
socialmente a realidade. 
 E, assim, repassamos abaixo os nossos cinco temas da nossa quarta rota 
da nossa disciplina Teorias do Jornalismo, intitulada "Era da sociedade do 
espetáculo": 
1. Teoria da Ação Política 
2. Teoria dos Definidores Primários e da Espiral do Silêncio 
3. Teorias Construcionistas 
4. Teorias Construcionistas/Estruturalistas 
5. Teorias Construcionistas/Interacionistas 
Antes de irmos para o nosso primeiro tema dessa rota, gostaria de 
levantar a seguinte questão: como se deu a atividade jornalística nos anos 70 no 
Brasil, num período marcado pela censura e falta de liberdade de expressão? 
Você sabia que nas redações dos jornais existia uma censura da Polícia Federal 
para dizer o que poderia ou não ser publicado? Se não pudesse convencer pela 
ideologia, valia a força para empastelar edições e proibi-las e aquartelar 
jornalistas "mais afoitos" na Lei de Segurança Nacional. Mas olha que também 
não faltou espaço para os meios de comunicação condescendentes com o 
regime autoritário do governo. Vamos aprender um pouco sobre a censura nos 
meios de comunicação no Brasil. 
Pesquise sobre o tema no especial do jornal Folha de S.Paulo sobre o 
processo de redemocratização: http://www1.folha.uol.com.br/especial/2015/30-
anos-de-redemocratizacao/. 
 
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Tema 1: Teoria da Ação Política 
 Vamos iniciar a aula sobre essa teoria abordando um tema que lhe é muito 
caro: a ideologia. Para entender melhor, vamos a Althusser, marxista de 
carteirinha, que analisou as estruturas de dominação do Estado, que tanto 
poderia se utilizar dos chamados aparelhos ideológicos quanto dos repressores. 
 Trocando em miúdos, os aparelhos ideológicos seriam representados 
pela dominação da Igreja, da mídia, do direito e das instituições políticas e 
educacionais, por meio dos seus sistemas de valores, para que os indivídios 
fossem convencidos a se portarem conforme os seus interesses, ou seja, os 
interesses de uma elite política, religiosa ou do próprio Estado. Um exemplo: 
quando Cabral descobriu o Brasil, ele aqui não se instalou de imediato, por não 
encontrar o que procurava: o ouro. Mas, para manter o objeto de conquista, 
fincou uma cruz na chamada Terra Santa e anos depois realizou uma missa para 
impingir nos dominados os ideais da ideologia cristã. 
 De outra forma, com a ocupação do território brasileiro, ao longo dos 
séculos, foi usada a violência para exterminar e cooptar os índios rebeldes e, 
assim, explorar as riquezas propiciadas pela colônia. Essa mesma forma de 
dominação ocorreu ainda durante o regime militar no Brasil, na década de 70, 
para reprimir aqueles que eram contra o governo, por meio de diferentes 
métodos de tortura. 
 Depois de entendermos como a questão ideológica e repressiva 
funcionava, vamos pensar que a Teoria da Ação Política, que também é 
chamada de Instrumentalista, compreende que a notícia estaria a serviço dos 
interesses políticos, tanto da esquerda quanto da direita, ou seja, para o bem ou 
para o mal. E aqui estamos falando da mídia e do que ela professa para manter 
ou não o funcionamento do sistema. Ou pensando um pouquinho mais longe: 
para os adeptos da esquerda, o noticiário tem como objetivo manter o status quo 
 
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do sistema capitalista, e para o pessoal da direita a função seria justamente o 
contrário: questionar esse mesmo sistema. 
 Na verdade, essa teoria está diretamente

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