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TEORIAS DA APRENDIZAGEM Educação inclusiva

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por seu pai em suas reflexões sobre a prática pedagógica.
Teorias da Aprendizagem
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Poderíamos afirmar que, para Madalena Freire, o educador (artista) é 
o grande responsável por colocar em prática o processo educacional de forma 
prazerosa. Do mesmo modo, o professor também é o cientista que se apóia nos 
métodos de investigação científica na estruturação de suas práticas pedagógicas, 
sendo também o político que deve se responsabilizar por colocar sua prática 
pedagógica em prol de uma determinada classe social.
O legado de Paulo Freire
De acordo com entrevista concedida por Madalena Freire ao Jornal do 
Comércio no ano de 2000, Paulo Freire exerceu forte influência no trabalho dela. A 
maior influência, talvez, esteja na questão relativa à necessidade de reflexão sobre as 
práticas educativas e sobre a sistematização rigorosa da teoria que a fundamenta. 
Para Madalena Freire, o conhecimento sobre algo só se faz por meio de rigor 
e sistematização das atividades pedagógicas. Para tanto, se faz necessário que o 
professor assuma postura de cientista, investigador do processo educacional atuando 
com base em suas observações, registros (que não podem deixar de ser feitos por 
nenhum educador comprometido com sua atuação), planejamentos e comparações 
(não sobre a capacidade dos alunos, mas sobre si e sua própria atuação).
Da mesma forma, Madalena Freire comenta também que outra influência 
do seu pai diz respeito à consideração do aspecto afeto na relação que se constrói 
entre o ato de aprender e o ato de ensinar. Isso porque a aprendizagem possibilita, 
segundo ela, as experiências de prazer, de sofrimento, de dor, de alegria, de medo 
e de frustração.
A questão da cooperação
A questão da cooperação aparece na teoria de Madalena Freire como mais 
uma concepção fundamentada nas idéias de seu pai, compreendendo também que 
a aprendizagem só se faz nas trocas constantes que realizamos com o meio e, nele, 
necessariamente com os outros ao nosso redor. 
Para Madalena Freire, sozinhos conseguimos alcançar apenas o nível do estudo, 
mas para alcançarmos o nível da construção do conhecimento, é necessário que 
estejamos em grupo, em relação, que na escola tem como mediador o professor. 
Um outro ponto importante relacionado à questão da cooperação refere-se ao 
desenvolvimento da noção de regras com as crianças, incluindo-as em discussões 
nas quais percebam a autoridade do professor, mas em que também seja facultado 
a elas a possibilidade de serem ouvidas em suas questões.
O lugar do educador, nesse contexto, é o de, na relação com o grupo, mediar 
a relação de aprendizagem. O que acontece muitas vezes é a compreensão errada 
dos professores de que por terem mais conhecimento sobre determinado assunto 
que seus alunos, podem ser autoritários, colocando-se diante daqueles de maneira 
hierarquizada, exercitando o poder magistral que todos já conhecemos um dia.
Madalena Freire e a aprendizagem profissional
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Desse modo, o que Madalena Freire (2000) observa é que os professores 
“confundem autoridade com autoritarismo”. A dificuldade estaria então 
em conseguirmos exercitar uma educação democrática, dando espaço para 
a organização de espaços de fala e escuta, onde cada ator escolar pudesse 
experimentar sua autoridade sem atuar de forma centralizadora. 
A prática educativa segundo Madalena Freire 
Como pudemos perceber, os pensamentos de Paulo Freire exerceram grande 
influência na composição da teoria de Madalena Freire. Justamente por esse motivo, 
Madalena Freire trabalha também alguns conceitos próximos aos conceitos de seu 
pai, como por exemplo, a noção de educação como arte, os centros de interesse e 
os trabalhos em grupo.
A Educação como arte fala-nos sobre a arte de educar que está no processo 
educativo, na utilização, pelos professores, dos métodos, na maneira de ordenar, 
organizar e construir a disciplina bem como na maneira de escolher os pressupostos 
teóricos que devem ligar o processo educativo com a sociedade a política.
Os centros de interesse, segundo Rodrigues e Pariz (2005, p. 92), referem-se à 
incorporação da idéia de Paulo Freire sobre os temas geradores na Educação Infantil, 
entendendo que educar é um ato de ensinar a ler a realidade. Consiste, assim, numa 
prática a partir da qual se busca atender às necessidades sociais, afetivas e cognitivas 
das crianças.
O trabalho em grupo é, assim como em Paulo Freire, um instrumento 
pedagógico para a efetivação de uma educação para a cidadania. 
O trabalho pedagógico assim organizado, segundo Madalena Freire, permite 
refletirmos sobre a prática pedagógica bem como acompanharmos de forma 
permanente o desenvolvimento do trabalho escolar.
Principais publicações de Madalena Freire
A paixão de conhecer o mundo: relatos de uma professora. São Paulo: Paz e 
Terra, 2003.
Observação, registro, reflexão: instrumentos metodológicos I. Madalena Freire, 
com contribuições de Fátima Camargo, Juliana Davini e Mirian Celeste Martins. 
São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996. 63 p.
Avaliação e planejamento: a prática educativa em questão. Instrumentos 
Metodológicos II. Madalena Freire, Juliana Davini, Fátima Camargo e Mirian 
Celeste Martins. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1997. 88 p.
Grupo – Indivíduo, saber e parceria: malhas do conhecimento. Madalena Freire, 
Juliana Davini, Fátima Camargo e Mirian Celeste Martins. São Paulo: Espaço 
Pedagógico, 1997. 63 p. 
Teorias da Aprendizagem
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Pensar, aprender, conhecer
(FREIRE, 2006)
Educador ensina, e enquanto ensina, aprende. Educador ensina a pensar, e enquanto ensina 
sistematiza e apropria-se do seu pensar. Pensar é o eixo da aprendizagem. 
Aprender a pensar envolve lidar constantemente com certo grau de ansiedade. Pois sem 
ansiedade não se aprende, mas com muita também não. Nesse processo, faz parte da aprendizagem 
aprender a lidar com a própria ansiedade e a dos outros.
 O desafio do educador é diagnosticar e dosar o nível de ansiedade que o educando é capaz de 
lidar no seu processo de aprendizagem. Para isso, antes de tudo, o educador necessita estar consciente 
de sua própria ansiedade (desejos e expectativas) em relação ao processo de aprendizagem de 
seus educandos, suas intervenções, devoluções e encaminhamentos terão como objetivo provocar, 
manter ou amenizar a ansiedade existente, favorecendo o aprender. Aprender a pensar é também 
um aprendizado de construir opções, pois equivale a abandonar o antigo referencial quebrando 
estereótipos, comportamentos cristalizados e perder a segurança do que antes parecia estabelecido 
e inquestionável, na busca da construção do novo, ainda não sabido. Novo que vem sempre revestido 
pelo medo, pelo perigoso e persecutório desconhecido.
Para pensar e aprender tem-se que admitir e aceitar, em certos momentos, que se está “perdido”. 
Ver-se numa avalanche de dúvidas, hipóteses e ignorâncias. Pensar envolve construir hipóteses 
inadequadas “erradas” e ter que refazer ou inventar outro percurso em busca da adequada “certa”.
Para pensar e aprender tem-se que perguntar. E para perguntar é necessário existir espaço 
de liberdade e abertura para o prazer e sofrimento inerentes a todo processo de construção do 
conhecimento.
A pergunta é um dos sintomas do saber. Só pergunta quem sabe e quer aprender. Ninguém 
pergunta no vazio. Pergunta porque constata que, do que sabe, algo não sabe e só a pergunta 
desvelará o caminho possível de ser seguido.
O que não se sabe, quem sabe é o outro. O outro que, de um outro lugar, aponta, retrata e 
alimenta o que nos falta. Toda pergunta revela o nível da hipótese em que se encontra o pensamento 
e a construção do novo conhecimento. Revela também a intensidade da chama do desejo, da 
curiosidade de vida.
Para perguntar, pesquisar, conhecer, é necessário aprender a conviver com: a curiosidade; o 
deparar-se com o inusitado; a capacidade