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É relevante a conceituação teórica Jungiana e a sua visão sobre a 
morte, a sincronicidade dos eventos que ocorrem nas visões de morte 
pode ser traduzida pelo ato criativo acionado pela fatalidade da morte; 
neste sentido o ser humano através da espontaneidade busca suportar a 
dor da morte que está próxima ou renascer para a vida. Estes 
acontecimentos sincrônicos vão buscar no inconsciente coletivo os 
arquétipos de natureza humana generalizados de irracionalidade e de 
espontaneidade2. 
A psicóide pode atuar trazendo uma noção de arquétipo da 
existência no inconsciente coletivo, sendo esquecido e desprovido de 
consciência após o retorno à vida. Não raro se menciona a percepção de 
uma voz, porém, o que resta é a lembrança de um nome e nenhuma 
palavra ou conversação; fica sempre a insistente referência a 
transparência e à indescritível claridade de luz nas visões de morte, 
expressando o eterno, 
 
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 Moreno, J. L. - Psicodrama. Editora Cultrix. São Paulo. SP: 1993. págs. 80 a 205 
A MORTE NA VISÃO DE C. G. JUNG, E A IMPORTÂNCIA DE SUA 
TEORIA PARA A LEITURA SIMBÓLICA DAS DOENÇAS 
PSICOSSOMÁTICAS 
 
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o encontro com a bondade e de ajuda. Tempo e espaço são relativos às 
coincidências de sentidos não causais andam de mãos dadas, os 
acontecimentos futuros sendo vivenciados como presente indica que em 
determinadas circunstâncias espaço e tempo seja reduzido á zero. 
O mundo da alma é igual à esfera intermediária da imaginação; 
embora a intensidade destes aspectos numinosos esteja presa ao 
mundo psíquico; os depoimentos ainda são subjetivos (sensações 
psicológicas); infelizmente não podemos chegar a nenhuma conclusão a 
respeito da existência de um mundo transcendente. O que o agonizante 
vê e aquilo que ele acredita, não pode de modo algum valer como prova 
para a objetividade ou para uma constatação absoluta dessa realidade; 
essas sensações são psicológicas, mas não são metafisicamente 
verdadeiras, permanecendo intacto o esclarecimento à cura da pessoa. 
Jung em sua obra traz vários estudos sobre a morte de caráter 
misterioso, onde há o limite de nosso conhecimento, que não 
conseguimos penetrar. Existem fatos que não se encaixam nas “leis”, e 
estes possuem uma conexão acausal. 
 
 
A VISÃO DA PSICOSSOMÁTCIA NO RESGATE DA 
ESPONTANEIDADE E NO ATINGIR OS OBJETIVOS: VIDA OU 
MORTE 
 
O processo de aquisição e enfrentamento da doença é entendido 
como a capacidade de lidar com a relação do stress; um processo 
psicofisiológico, que desencadeia respostas gerais e específicas; para 
entendermos o processo de adoecimento, precisamos entender a psique 
(mente) e a soma (corpo); e a capacidade de adaptação do organismo 
aos agentes nocivos a saúde. Mello, Filho e cols. (1992), definem Ego 
como o conjunto de elementos orgânicos e psicológicos que uma pessoa 
entende como integrantes de sua estrutura. No processo da mitose as 
células em constante mutação podem transformar-se ou estar 
vulnerável para a instalação das doenças que podem ser reconhecidas 
pelo organismo como parte integrante do Ego e permanecer em 
desenvolvimento ao invés de ser expelido normalmente; entender a 
doença como externa e evasiva pode ser considerado um mito, pois seu 
desenvolvimento tem origem e faz parte do Ego, que em seu 
desequilíbrio ocorrido pelo estressor emocional não permitiu que o 
organismo se adequasse as vicissitudes de sua realidade e não 
reconheceu a doença (vírus/bactérias/câncer,etc..) como tal e as 
integrou como parte do sistema biológico, representando a expressão de 
suas emoções. 
A MORTE NA VISÃO DE C. G. JUNG, E A IMPORTÂNCIA DE SUA 
TEORIA PARA A LEITURA SIMBÓLICA DAS DOENÇAS 
PSICOSSOMÁTICAS 
 
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As emoções são percebidas através da comunicação e o seu 
conteúdo ideológico, o indivíduo buscará através de sua percepção e 
expressão solucionar o estado que foi criado, se o processo for 
bloqueado a solução ficará prejudicada e a emoção ficará contida, então 
será manifestada indiretamente e de forma simbólica; a doença é o 
sintoma de uma emoção contida que não teve solução. Transformar 
uma situação stressante ao organismo depende exclusivamente do 
indivíduo, e da sua forma em lidar com o estímulo estressor (Ballone, e 
outros 2007). 
Às alusões vivenciadas pelo doente através dos arquétipos 
coletivos sobre a morte pode possibilitar a ampliação da consciência; a 
pessoa mediante o vislumbra mento desta visão arquetípica e através 
de sua personalidade, sendo uma unidade do todo; através da 
consciência encontra-se com o Eu absoluto no UNO, tornando os 
acontecimentos sincrônicos de corpo, psique, tempo e espaço 
consciente, podendo através deste processo viabilizar as transformações 
de suas células e em conseqüência, a sua cura. Jung afirmava que a 
doença nos leva a fatos e que a psicoterapia ao bônus da doença que é 
o: conheça-te a ti mesmo. É preciso haver consciência da 
vulnerabilidade da doença que inconscientemente instalou-se em sua 
estrutura psicorgânica, o descobrimento das diversas doenças em seu 
início pode sinalizar o nível de consciência de um indivíduo, este 
processo não acontece em pessoas em coma. 
Através da psicologia analítica entendemos como fatores internos 
o inconsciente e o consciente, que pode ou não determinar a ação sobre 
o livre arbítrio do doente em querer viver ou morrer ou ainda 
transcender através da morte física, como salienta Jung em seus 
estudos sobre a morte, acreditando no processo de mutação para o 
desenvolvimento de um novo ser. A proposta é olhar o doente e não a 
doença, os sintomas são expressões das emoções e podem ser 
utilizados para interferir na ampliação do olhar do doente de maneira 
que este busque o desbloqueio de suas emoções e conseqüentemente a 
estagnação ou eliminação da doença. A vivência do doente com os 
arquétipos coletivos sobre a morte possibilita o desenvolvimento do 
processo alquímico (transformação das células); e conseqüentemente 
pode restabelecê-lo, o irromper com o material coletivo que possui um 
significado extraordinário para o processo de cura. 
Jung acreditava que o Self precisa de uma consciência para 
entender o Ego, alma e o espírito, e é nela que se tem toda a 
possibilidade de cura e a possibilidade de atrair outras coisas e a agir no 
mundo provocando mudanças em si mesmo. E isto é resultante de 
forças da própria consciência, se está fragilizada, possibilita a abertura 
para entrar em um padrão simplificado. 
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TEORIA PARA A LEITURA SIMBÓLICA DAS DOENÇAS 
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Sendo assim, é preciso estar conectado com o todo, e este todo é 
intra e extra psíquico, onde é preciso começar com o micro e aí, você 
avança para o macro. Muito embora para manter-se vivo ou curar-se é 
preciso ter um propósito de vida, vontade que contra o destino e as 
expectativas; viver seria alcançar o maior nível de desenvolvimento 
espiritual e de conscientização. 
 
 
CONCLUSÃO 
 
As doenças remetem as pessoas a refletirem sobre a vida ou 
morte, seus paradigmas, sua rotina comum entre outras variáveis; 
quando o processo de transformação ocorre, o self consegue atuar de 
maneira que o ego recue para dar espaço para o melhor caminho como 
objetivo, o aspecto sombrio da doença desaparece, parte da sombra se 
faz luz, ampliando a consciência, fortalecendo e possibilitando sua 
relação com o self. 
Esta reflexão através da leitura psicossomática nos ensina a 
interpretar através da consciência simbólica das doenças o processo da 
individuação. De maneira singular o lidar com a realidade pode ser para 
alguns o auto-engano;