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Linhas de Contorno Estrutural

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Fabio Vito Pentagna Paciullo LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
 
LINHAS DE CONTORNO ESTRUTURAL 
 
 
 Linhas de contorno são linhas que unem pontos de igual valor para um determinado 
parâmetro físico ou estatístico. Se o parâmetro físico for altitude, as linhas de contorno geradas 
serão curvas de nível e expressarão o relevo topográfico; se for superfície de contato, as linhas 
geradas serão linhas de strike ou direção e irá expressar o seu contorno estrutural (uma dobra, por 
exemplo); se for a espessura verdadeira, as linhas geradas serão isópacas e irão expressar as 
variações de espessura de uma determinada camada; se for a espessura aparente, as linhas geradas 
serão isócoras. 
• CURVAS DE NÍVEL (Vide item “Noções básicas de topografia”) 
• ISÓPACAS E ISÓCORAS 
 
Isópacas são linhas que unem pontos de mesma espessura verdadeira de uma camada (que é a 
distancia perpendicular entre seu topo e sua base). São usadas para mostrar profundidades de bacias 
sedimentares (Fig. 4a). Quando se utiliza a espessura vertical aparente (Fig. 4b), as linhas de 
contorno são denominadas de isócoras. 
 
 
 
(a) (b) 
 
Figura 4 – (a) Mapa de isópacas da Bacia do Paraná (sedimentos e rochas ígneas pós-ordovicianas); 
(b) espessura verdadeira (T) e espessura vertical (VT): T = VT cosα onde α = ângulo de mergulho 
verdadeiro; extraído de Bennison, M. (1990), An Introduction to Geological Structures and Maps, 
5th ed., fig. 7, pg. 8. 
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• LINHAS DE STRIKE 
 
Linhas de contorno estrutural ou linhas de strike, termo mais usado, são a expressão em mapa da 
posição espacial dos contatos entre os corpos rochosos. Por definição são linhas geradas pela 
interseção entre planos horizontais cotados e a superfície de contato ou plano estrutural 
considerado. Sendo assim, uma linha de strike é definida num mapa geológico por dois pontos ao 
longo de um contato que tenham a mesma cota (Fig. 1). A distribuição em um plano horizontal ou 
mapa de linhas de strike refletirá o contorno geométrico da estrutura a qual está inserida. Assim 
como curvas de nível, o espaçamento entre as linhas de strike depende do ângulo de mergulho do 
contato ou plano estrutural – quanto mais próximas umas das outras, maior é o seu ângulo de 
mergulho e vice-versa. 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 – Conceituação de linha de contorno estrutural ou linha de strike. A interseção de um plano 
horizontal cotato, p.ex. de cota 100 metros, com a superfície de contato (plano abcd ) origina uma 
linha de strike de mesma cota (ef). O plano horizontal abc’d’ representa o mapa de linha de strike 
da superfície de contato. A orientação das linhas em relação ao norte (magnético ou geográfico) é a 
direção (strike) do contato (no caso, E-W). As projeções ortogonais dessas linhas num plano 
horizontal geram as linhas ab, e’f’ e c’d’. O espaçamento entre elas reflete o valor do ângulo de 
mergulho α O sentido do mergulho para norte é indicado pela fato das linhas de strike decrescerem 
de cota nessa direção. 
 
CURVAS DE NÍVEL x LINHAS DE STRIKE 
 
 As relações geométricas entre curvas de nível e linhas de strike estão representadas na figura 
2. Considere um contato litológico vertical entre uma camada de arenito e outra de conglomerado. 
Os planos horizontais que definem as curvas de nível também definem as linhas de strike, ambos 
com mesma cota. Deste modo, o contato deverá aflorar na superfície do terreno nos pontos onde 
uma linha de strike interceptar uma curva de nível de mesma cota. Se a linha de strike for de cota 
mais baixa do que da curva de nível que a intercepta o contato estará abaixo da superfície do 
terreno. Se a linha de strike for de cota mais alta do que da curva de nível o contato estaria no ar, ou 
seja, foi erodido. Portanto, um contato só irá aflorar na superfície do terreno se suas linhas de 
strike interceptarem curvas de nível de cotas correspondentes. Êste é o conceito geométrico básico 
na construção de mapas geológicos: a superposição de dois mapas; um topográfico e outro de linhas 
de strike de cada contato. 
 
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Figura 2 – Contato vertical entre arenito e conglomerado e as relações geométricas entre curvas de 
nível e linhas de strike. O plano horizontal que define a curva de nível também define a linha de 
strike. O contato deverá aflorar na interseção entre as duas linhas – e, n, p, h. Unindo-se os pontos, 
obtém-se o traço do contato no relevo topográfico considerado. 
 
 Utilizando-se das conceituações de curva de nível e linha de strike, é possível (1) obter-se a 
atitude (direção e ângulo de mergulho) de um contato em qualquer mapa geológico com topografia 
incluída e, (2) avaliar como deverá ser o traçado do contato no mapa, tendo-se a atitude do contato 
medida no campo e a topografia da área em questão. 
 No caso de se ter um mapa geológico com topografia incluída, mas sem indicações de 
atitude dos contatos, é possível saber qual seria essa atitude utilizando-se do conceito de que uma 
linha de strike é definida por dois pontos de mesma cota (Figs. 1 e 2). Se do mapa geológico 
pudermos obter duas linhas de strike, consecutivas ou não, será possível determinar o ângulo de 
mergulho construindo-se entre elas o triângulo de mergulho verdadeiro. 
 
 
ATITUDE DE CONTATOS OBTIDAS A PARTIR DE MAPA GEOLÓGICO 
 
1. Ao longo de um contato, procure por dois pontos de mesma cota, ou seja, dois locais onde o 
contato é cortado pela mesma curva de nível (Fig.3). 
2. A reta que une esses dois pontos é a linha de strike (LS) de mesma cota que a curva de nível. 
Portanto, sua orientação em relação ao norte (magnético ou geográfico) é a direção (strike) do 
contato em questão. No exemplo da Fig. 3a, seria E-W. 
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3. Repita os passos em 1 e 2 para outros pontos de cotas diferentes, sempre ao longo do mesmo 
contato (CUIDADO !!! se pular para outro contato, ERRARÁ TUDO). 
4. Faça uma seção vertical perpendicular as linhas de strike, com escala vertical igual a do mapa 
geológico (Fig. 3b) e plote o traço do contato. Com um transferidor, leia o valor do ângulo de 
mergulho assim formado (Fig. 3c). 
 
 
 (a) (b) (c) 
 
Figura 3 – Atitude de um contato, obtido a partir de um mapa geológico. (a) – As LS são definidas 
unindo-se dois pontos do contato que tenham a mesma cota. (b) e (c) – A distribuição das LS 
mostra que o sentido do mergulho do contato é para sul. O ângulo de mergulho do contato é obtido 
através de uma seção vertical perpendicular as LS. Extraído da Internet, www.google.com - rule of 
V’s. 
 
PADRÕES DE AFLORAMENTO DE CAMADAS E SEUS CONTATOS 
 
Os traços dos contatos nos mapas geológicos não são meras linhas aleatórias e sim seguem 
princípios geométricos definidos, resultando em padrões de afloramento previsíveis. Assim, as 
camadas podem aflorar na posição horizontal, na vertical ou inclinadas (Figs. 5 e 6). 
 
 
Figura 5 – Padrões de afloramento de 
camadas/contatos horizontais, verticais e 
inclinados (regra dos V’s). Vide texto abaixo. 
Extraído de Ragan, D. (1973), Structural 
Geology, an introduction to geometrical 
techniques, 2nd ed., fig.3.4, pg.18. 
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