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Apostila FDDJ - DS9 - 1 semestre 2013

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Atualização: 1º semestre 2013
PRIMEIRA PARTE: REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
NOÇÕES ELEMENTARES SOBRE SEGURIDADE SOCIAL
Seguridade Social – artigo 194, CF – é um conjunto integrado de ações de iniciativa 
dos Poderes Públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, 
à previdência e à assistência social.
A Constituição Federal de 1988 reuniu as três atividades da seguridade social: saúde, 
previdência social e assistência social, ganhando autonomia em relação ao Direito do 
Trabalho, sendo tratada no Capitulo “Da Ordem Social”.
Portanto, a Seguridade Social compreende as ações nas áreas da saúde, da 
assistência social e da previdência social. Essas ações são de responsabilidade dos 
Poderes Públicos (União, Estados, Distrito Federal de Municípios), que devem inserir 
recursos em suas leis orçamentárias para garantir o desenvolvimento dessas ações, 
bem como da sociedade.
Para se obter as ações da seguridade social nas áreas da saúde e da assistência 
social não é necessário contribuir para um sistema securitário. A Constituição Federal 
estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado (artigo 196, CF) e que a 
assistência social será prestada a quem dela necessitar (artigo 203, CF). Porém, para 
se obter as prestações da previdência social (benefícios e serviços) a contribuição é 
obrigatória.
Organização da Seguridade Social: Nos termos do § único do artigo 194 da CF, 
compete ao Poder Público, nos termos da lei, a organização da Seguridade Social. A 
norma que regula as ações e serviços de saúde, estabelecendo condições para a sua 
promoção, proteção e recuperação é a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. A Lei 
nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993 – Lei Orgânica da Assistência Social disciplina a 
assistência social, como direito do cidadão e dever do Estado, sendo Política de 
Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através 
de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir 
o atendimento às necessidades básicas. 
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Na área da Previdência Social temos a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 que 
dispõe sobre a organização da Seguridade Social, estabelecendo o Plano de Custeio, 
e a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 que dispõe sobre os Planos de Benefícios da 
Previdência Social. Essas duas leis previdenciárias foram regulamentadas 
respectivamente pelos Decretos nºs 356 e 357, de 07 de dezembro de 1991. O atual 
regulamento da Previdência Social é o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999.
PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL – Nos termos do parágrafo único do artigo 
194 da CF, temos que a Seguridade Social será organizada pelo Poder Público, 
baseando-se nos seguintes objetivos. Trata-se, na realidade, de princípios que regem 
a Seguridade Social, a saber:
• universalidade da cobertura e do atendimento – significa que todos devem 
estar cobertos pela proteção social e que esta deve abranger todos os riscos 
sociais (infortúnios que causam incapacidade).
• uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas 
e rurais – a Constituição Federal igualou as populações urbanas e rurais para 
fins de obtenção da proteção social.
• seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços – a 
seletividade implica que as prestações sejam fornecidas apenas a quem 
realmente necessitar, desde que se encontrem nas situações que a lei definiu, 
como por exemplo, o benefício de auxílio doença só será concedido em 
situação de incapacidade temporária. No que se refere à distributividade, o 
Poder Público se vale da Seguridade Social para distribuir renda entre a 
população, o que significa dizer que alguns beneficiários recebem todos os 
benefícios, outros não.
• irredutibilidade do valor dos benefícios – busca assegurar reajustamento, 
preservando, em caráter permanente, o seu valor real, igual poder de compra 
do benefício originalmente recebido, não podendo sofrer redução.
• equidade na forma de participação no custeio – leva em conta a capacidade de 
cada contribuinte, devendo-se cobrar mais contribuição de quem tem maior 
capacidade de pagamento para que se possa beneficiar os que não possuem 
as mesmas condições.
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• diversidade da base de financiamento – o objetivo é diminuir o risco financeiro 
do sistema protetivo. Quanto maior o número de fontes de recursos, menor 
será o risco de a seguridade social sofrer, inesperadamente, grande perda 
financeira.
• caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão 
quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos 
aposentados e do Governo nos órgãos colegiados – a administração da 
seguridade social permite a participação não só do Poder Público, mas 
também da sociedade, por isso que democrático e descentralizado, 
especialmente os trabalhadores, os empresários e os aposentados. 
• Pré-existência do custeio – nos termos do parágrafo 5º do artigo 195 da 
Constituição Federal, nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá 
ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. 
Esse princípio representa a chamada regra da contrapartida, uma vez que 
também não é permitida a criação de uma fonte de custeio se não for para 
utilização em benefício ou serviço da Seguridade Social.
 
A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – É o conjunto de leis e atos administrativos que 
disciplinam a organização e o funcionamento do sistema securitário.
O conteúdo da legislação previdenciária envolve os dispositivos constitucionais, as 
leis, os regulamentos, os decretos, as portarias, as instruções normativas, as 
resoluções, as circulares etc.
Fontes – São os modos de expressão do direito. As fontes principais ou formais do 
Direito Previdenciário são a Constituição Federal, as Leis (Ordinárias, 
Complementares e Delegadas), as Medidas Provisórias, as Súmulas do STF que 
forem aprovadas após a vigência da EC 45. As fontes secundárias são os atos 
normativos emanados do Poder Executivo (decretos, regulamentos, instruções 
normativas etc.) que se destinam a completar o texto da lei, não podendo inovar ou 
modificar o texto da norma que complementam.Os costumes, a jurisprudência, a 
doutrina e os princípios gerais de direito não são considerados fontes formais do 
Direito Previdenciário, mas sim critérios de integração da ordem jurídica, adotados 
pelo juízo quando da existência de lacunas no direito. A jurisprudência porque não se 
configura como norma obrigatória. A doutrina porque os juízes não estão obrigados a 
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observar a doutrina nas suas decisões, até porque muitas vezes a doutrina não é 
pacífica, tendo posicionamentos opostos. 
Autonomia – Para a corrente mais moderna, o Direito Previdenciário coloca-se como 
ramo do Direito Social, haja vista o avanço da proteção social abrangendo também os 
segmentos da saúde e da assistência social. Para alguns, o Direito Previdenciário 
surgiu a partir da segmentação do Direito Administrativo, uma vez que o vínculo 
jurídico se dá obrigatoriamente com o Estado. Há um posicionamento minoritário de 
que o Direito Previdenciário faz parte do Direito do Trabalho, posição essa rechaçada 
pela maioria em razão de que as normas trabalhistas, e em especial a CLT, só seriam 
criadas muito tempo depois das normas previdenciárias. Conclui-se, dessa forma, que 
o Direito Previdenciário é reconhecidamente um ramo autônomo do Direito