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02. REGIME JURÍDICO DA ADMINISTRAÇÃO

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vem sempre atrelada a outros princípios nas decisões jurisprudenciais. 
Professora Fernanda Marinella entende ser uma pena esta falha conceitual, pois assim há diminuição em sua aplicação, mesmo em se tratando de um princípio tão essencial à atividade administrativa.
 
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
O princípio da publicidade significa dar conhecimento dos atos, da atividade administrativa ao titular do direito (povo), que é o dono do interesse público que dá fundamentação à atividade da administração.
A partir do momento em que se distribui a ciência dos atos, haverá o início da produção de seus efeitos. 
Exemplo: a publicação é condição de eficácia para o início da produção dos efeitos dos contratos administrativos.
Art. 61, lei 8666/1993
(…)
Parágrafo único.  A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial, que é condição indispensável para sua eficácia, será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura, para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data, qualquer que seja o seu valor, ainda que sem ônus, ressalvado o disposto no art. 26 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
 
	A publicidade também surte efeito quanto ao início da contagem de prazos. Como também é mecanismo de controle, de fiscalização destes atos administrativos.
	Em suma, decorrendo do princípio da publicidade alguns efeitos serão alcançados:
	A licitação na modalidade convite não tem publicidade. FALSO. Porque publicidade é diferente de publicação. Na licitação na modalidade convite não se precisa de publicação do instrumento convocatório, não se publica em diário oficial. Mas, há publicidade porque há envio de convites, há celebração do certame em sala pública, há fixação de edital na repartição da licitação nesta modalidade, etc.
	Como regra, o ADMINISTRADOR TEM O DEVER DE PUBLICAR OS ATOS. Caso descumpra esta obrigação de publicidade de seus atos, incorrerá em improbidade administrativa.
        
Art. 11, lei 8429/1992- Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
(...)
IV - negar publicidade aos atos oficiais; (...)
	E se o administrado procurar a publicidade de determinado ato e lhe foi negada? Se as informações forem sobre sua pessoa (necessidade de saber a informação ou retificá-la), deverá haver interposição de habeas data; no entanto, se forem informações relativas a outra pessoa, deverá ser impetrado o mandado de segurança.
Art. 5º, CF
(...)
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (uma das exceções ao princípio da publicidade, listadas logo abaixo); (Regulamento)
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (a obtenção de certidões também é decorrência do princípio da publicidade);
	Existem exceções ao princípio da publicidade? O tema é controverso na doutrina, mas aqui será abordada a posição majoritária. São as seguintes exceções:
Será restringida a publicidade quando for necessário o sigilo para assegurar a segurança da sociedade e do Estado (art. 5º, XXXIII, CF, recortado acima);
Quando houver comprometimento do direito à intimidade (art. 5º, X, CF).
Art. 5º, CF
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
Quando a lei entender que será necessária a restrição da publicidade em razão do interesse social (art. 5º, LX, CF).
Art. 5º, CF
LX - a lei (deixa em aberto para a lei eventualmente fazer a restrição) só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
Alguns doutrinadores questionam esta última exceção. Entendem eles que é compreensível o segredo de justiça (em razão da preservação da intimidade/interesse social) dentro dos processos do poder judiciário. Mas e em processo administrativo?
Professora Fernanda Marinella diz que em processos éticos há tramitação em sigilo (exemplo: processo no conselho regional de medicina para averiguar a culpa do médico na morte de um paciente). 
Da mesma forma em processos administrativos disciplinares, se for importante para a condução no processo, para a produção de provas essencialmente, haverá tramitação em sigilo.
        
Art. 150, lei 8112/1990 -  A Comissão (que apurará o PAD) exercerá suas atividades com independência e imparcialidade, assegurado o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da administração. 
Parágrafo único.  As reuniões e as audiências das comissões terão caráter reservado.
 
Mas, em ambos os exemplos dados acima, a decisão final dos processos deverá ser publicada.
Observação: há Projeto de Lei para que se modifique a lei de improbidade, fazendo constar a conduta do administrador que se utiliza de terceiros, no caso o povo, para fazer promoção pessoal. Exemplo de um estado no Brasil em que ele se utilizou de outdoors, dizendo que o povo o estava agradecendo pelas obras realizadas. 
Incorrerá esta prática em ofensa ao princípio da impessoalidade e não precipuamente ao princípio da publicidade. Isso porque a finalidade da publicidade foi alcançada, deu-se ciência para todos que obras foram realizadas, mas com a degradante promoção social do administrador.
PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA
O princípio da eficiência ganhou roupagem dentro do art. 37, CF como princípio expresso a partir da emenda 19/1998. 
Mas, muito antes desta emenda constitucional, havia obrigação da administração em ser eficiente, especialmente na lei 8987/1995, no art. 6º:
Art. 6º, lei 8987/1995 - Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato.
        
§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação e modicidade das tarifas. (...)
	Quando a eficiência foi introduzida no caput do art. 37, CF vários desdobramentos ocorreram junto ao regime jurídico da administração:
Estabilidade do Servidor
A estabilidade será de melhor forma estudada na aula sobre “agentes públicos”. Mas, aqui será feita uma breve introdução. 
Para que o servidor seja considerado como “estável” e venha a adquirir a estabilidade deverá primeiramente passar em um concurso e ser nomeado para o cargo efetivo.
O servidor deve preencher três anos de exercício e passar também pela avaliação de desempenho. Esta avaliação não existia até a EC 19/1998. Tem de ser aprovado nesta avaliação, se mostrando eficiente. Ultrapassada esta fase, se tornará estável.
Somente perderá esta estabilidade por algumas hipóteses taxadas em lei, e uma delas, é caso não passe nas avaliações periódicas realizadas após adquirida sua estabilidade. A avaliação periódica é mais um desdobramento do princípio da eficiência.
Antes da emenda 19, a avaliação periódica existia, mas não possuía a força de retirar do servidor sua estabilidade caso não fosse por ela aprovado (segundo a lei, na verdade ele perde o cargo e não a estabilidade).
Art. 41, CF - São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. (Redação dada pela Emenda