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Apostila de Imunologia

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infecção. A ativação disseminada de macrófagos pode provocar
choque e morte, justamente pelos efeitos do TNF nos vasos sanguíneos (meningite meningocócica,
dengue). A IL-12 produzida por macrófagos e células dendríticas, é importante na ativação de
células NK e células T CD4 inflamatórias, ambas produtoras de IFN-y, um potente ativador de
macrófagos, potencializando a inflamação.
Quimiocinas - A IL-8, induzida por TNF e IL-1, faz parte do grupo das quimiocinas que
podem ser considerados como importantes fatores quimiotáticos. Há 2 grupos de quimiocinas, CC e
CXC, dependendo se estes péptides possuem as primeiras 2 cisteínas vizinhas ou separadas por l
aminoácido. A IL-8 (CXC) é quimiotática para neutrófilos e células T, ativa as integrinas LFA-1 e
CR3 que aumentam a afinidade pelo ICAM-1, favorecendo a adesão, e é produzida por macrófagos
e monócitos, fibroblastos e queratinócitos. MCAF , fator quimiotático e ativador de macrófago (CC)
é responsável pela migração dos monócitos para os tecidos, onde eles se diferenciam em
macrófagos. MCAF também exerce efeito quimiotático para células T. Células T produzem a
quimiocina RANTES (CC), quimiotática para macrófagos e células T de memória, aumentando a
expressão de moléculas adesivas como VLA-4, que interage com VCAM-1 no endotélio inflamado,
facilitando sua entrada no tecido afetado.
Linfócitos inflamatórios e regulatórios - Células T CD4 TH l, quando ativada pelo Ag,
apresentado por APCs como os macrófagos, também liberam outras citocinas, como TNF-a, TNF~p
e IFN-y que por sua vez ativam os macrófagos, aumentando sua capacidade microbicida e seu
potencial inflamatório. Células T CD4 TH l participam do processo de formação dos granulomas,
que ocorre quando uni microrganismo resiste no interior dos macrófagos e a infecção se toma
crónica. O granuloma limita o espalhamento do patógeno e é formado por células T e macrófagos
ativados. Linfócitos T CD8 e células NK, além da capacidade citotóxica, também produzem IFN-y.
Os dois subtipos de células T CD4 (TH1 e TH2) produzem IL-3 e GM-CSF, que induzem a
produção de granulócitos e monócitos na medula óssea, que são mobilizados durante o processo
inflamatório.
Por outro lado, células T CD4 do tipo 2 (TH2) produzem IL-4 e IL-1O, que exercem
atividade desativadora sobre macrófagos e são portanto anti-inflamatórias. A IL-10 também é
produzida por macrófagos, que possuem, portanto, atividade auto-regulatória. Um terceiro subtipo
TH3 produz TGF-(3, outro fator anti-inflamatório. Finalmente, uma quarta subpopulação, gerada no
timo, é composta das células T CD4 regulatórias (reg), que produzem IL-10 e TGF-(3, protegem
contra doenças auto-imunes.
11- Resposta imune à infecção
A interação do sistema imune do hospedeiro com os agentes infecciosos é um dos assuntos
mais fascinantes e complexos de biologia e medicina, e demanda conhecimentos nas áreas de
imunologia e microbiologia. A eficiência da estratégia de defesa do organismo também depende do
comportamento biológico do microrganismo e de suas próprias estratégias de invasão, patogênese e
evasão ao sistema imune do hospedeiro. Microrganismos extracelulares como muitas bactérias e
vírus citopáticos que liberam suas partículas no meio extracelular, são mais eficientemente
combatidos pelo sistema imune, podendo ser eliminados totalmente em muitos casos. Bactérias
intracelulares, vírus não citopáticos e protozoários patogênicos em geral, só são eliminados
parcialmente ou apenas controlados pelo sistema imune, gerando enfermidades crónicas, nas quais
um dos componentes geradores de patologia é o próprio sistema imune destruindo células
infectadas.
A fagocitose de microrganismos por fagócitos, os anticorpos e suas inúmeras ações efetoras
e o sistema complemento com seu potencial lírico e inflamatório constituem as principais armas do
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sistema imune no combate às infecções provocadas por agentes infecciosos extracelulares, ou de
substâncias tóxicas liberadas por estes.
A atividade anti-viral é mediada por citocinas que interferem com a replicação virai,
denominadas interferons, enquanto no meio extracelular, anticorpos neutralizantes bloqueiam o
processo de adesão do vírus e sua intemalização pelas células. A destruição de vírus não citopáticos
depende da expressão de antígenos virais na superfície da célula em associação com moléculas do
complexo principal de histocompatibilidade (MHC) classe I, cuja presença é detectada por
receptores Ag-específicos dos linfócitos T CD8 citotóxicos. Quando a infecção virai inibe a
expressão de MHC I, as células infectadas se tomam alvo de células Natural Killer (NK).
Bactérias e protozoários intracelulares de localização intracitoplasmática também são
combatidos por células T CD8 (CTLs). Alguns agentes infecciosos, no entanto, se alojam
preferencialmente no interior de vesículas de fagócitos e sua eliminação ou controle depende de
células T CD4 capazes de liberar linfocinas que ativam os mecanismos microbicidas dos fagócitos,
particularmente a produção de óxido nítrico e de intermediários reativos do oxigénio. Portanto,
dizemos que estas categorias de patógenos intracelulares dependem de imunidade celular, enquanto
a atividade imune mediada por anticorpos é denominada de imunidade humoral.
Apesar de permitir algumas generalizações, o estudo dos mecanismos de imunidade aos
agentes infecciosos exige uma análise cuidadosa das particurlaridades inerentes a cada
microrganismo, assim como daquelas relacionados com características genéticas, individuais,
espécie-específicas de cada hospedeiro. Por razões óbvias, modelos animais são utilizados, quando
possível, no estudo da imunidade aos patógenos humanos. Neste caso, os conhecimentos obtidos
podem ou não ser utilizados no entendimento da patologia humana, mas certamente contribuem
para a compreensão do papel do sistema imune nas interações com os agentes infecciosos.
Microrganismos no meio extracelular - O contato com microrganismo ocorre através das
superfícies do organismo voltadas para o meio exterior: pele e mucosas. A integridade da pele e a
presença de uma flora microbiana competitiva são importantes barreiras à invasão microbiana. A
produção e exportação de anticorpos IgA para as mucosas previne o estabelecimento de infecções
nos tratos respiratório, gastro-intestinal e genito-urinário. Estas infecções ocorrem em indivíduos
seletivamente deficientes de IgA, uma das síndromes de imunodeficiência mais frequentes na
população humana.
O potencial patogênico de algumas bactérias como Clostridium tetani e Corynebacterium
diphteriae está relacionado à secreção de substâncias tóxicas para as células do hospedeiro, as
exotoxinas, que são impedidas de interagir com os receptores celulares ao se ligarem a anticorpos
neutralizantes. A produção de anticorpos depende de uma série de interações celulares e portanto
não é imediata. Os antígenos microbianos são intemalizados por células dendríticas que migram
para os órgãos linfóídes, onde ativam células T CD4. As células T CD4 auxiliadoras ativadas
expressam moléculas de superfície e secretam citocinas tipo 2 (IL-4,-5,-6,-10) que interagem com
receptores nas células B antígeno-específicas e promovem sua diferenciação em células secretoras
de anticorpos, os plasmócitos. A vacinação prévia com toxóides (toxinas inativadas) ou com
microrganismos atenuados ou inativados promove a síntese de anticorpos, dando uma vantagem
temporal aos indivíduos imunizados em relação ao patógeno.
Fagócitos profissionais, os neutro filós e macrófagos constituem um importante mecanismo
de defesa às infecções bacterianas. Ativados por produtos microbianos, eles são capazes de
fagocitar e destruir os microrganismos através da produção de enzimas e intermediários reativos de
oxigénio e nitrogénio, como o peróxido de hidrogénio e o óxido nítrico, respectivamente. A
atividade fagocítica e microbicida pode ser potencializada pela opsonização com anticorpos e