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05. PODERES ADMINISTRATIVOS

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03 de abril de 2009
PODERES ADMINISTRATIVOS
CONCEITO
Os poderes administrativos ou os poderes da administração são os instrumentos, as prerrogativas que possuem o Estado para a busca do interesse público. 
São os poderes externados através de um ato administrativo. Exemplo: ato de demissão veiculando o poder disciplinar; ato de imposição de uma multa fundamentado pelo poder de polícia, entre outros.
PODERES DO ESTADO E PODERES DA ADMINISTRAÇÃO
	Importante que os poderes não sejam confundidos. São os poderes do Estado aqueles que o compõe, como o poder executivo, legislativo e o judiciário. E os poderes da administração são aqueles utilizados como instrumentos e prerrogativas para que a Administração implemente seus objetivos.
CARACTERÍSTICAS DOS PODERES ADMINISTRATIVOS
OBRIGATORIEDADE
	Este poder da administração é de exercício obrigatório, significando em PODER-DEVER do Estado. 
Celso Antonio Bandeira de Mello diz que como o dever é mais importante, a expressão deveria ser de DEVER-PODER, para dar maior ênfase a esta obrigação que possui a Administração.
IRRENUNCIABILIDADE
O administrador possui este encargo, esta obrigação de exercer o múnus público. É irrenunciável o poder administrativo porque é decorrente de uma função pública, isto é, o administrador exerce a atividade em nome do povo, não podendo renunciar a estes poderes.
O administrador de hoje não pode criar entraves para o administrador de amanhã. Se o administrador renunciar ao poder hoje, acarretará prejuízo ao exercício do administrador de amanhã. É o fundamento deste princípio que embasa também a lei de responsabilidade fiscal.
SEGUEM OS LIMITES DA LEI
Deverão seguir a COMPETÊNCIA disposta em lei, como também a NECESSIDADE e a ADEQUAÇÃO de acordo com os limites estabelecidos legalmente.
	
ENSEJAM RESPONSABILIDADE NO CASO DE ABUSO
No caso de abuso pelo excesso caberá a responsabilização dos servidores, tanto pelo abuso de sua ação como pela omissão.
São as modalidades do abuso de poder que poderão ser configuradas: excesso de poder e desvio de finalidade. 
Excesso de poder ocorre quando o administrador é o competente para atuar, mas extrapola o seu limite de poder, de competência. 
Já o desvio de finalidade demonstra um vício ideológico, subjetivo, ou seja, um defeito na vontade. O ato tem “cara de legal”, mas possui um defeito na vontade de sua constituição.
06 de maio de 2009
CLASSIFICAÇÃO DOS PODERES
PODER VINCULADO E PODER DISCRICIONÁRIO
	Há classificação da doutrina clássica quanto ao grau de liberdade dos atos entre o poder discricionário e o poder vinculado. 
Mas, a doutrina moderna critica esta classificação porque não é o poder realmente que é discricionário ou vinculado; mas sim o ato. No exercício de um mesmo poder serão encontrados atos vinculados e também atos discricionários.
Hely Lopes Meireles utiliza a classificação do poder em discricionário e vinculado. Então, é necessário o estudo destes poderes, já que sua obra constantemente aparece em provas de concurso.
Pelo poder vinculado, quando preenchidos os requisitos legais de certa situação, o administrador é obrigado a praticar o ato. Não há verificação de conveniência, oportunidade, juízo de valor ou qualquer margem de liberdade para o exercente da atividade pública.
Exemplos: concessão de aposentadoria voluntária do servidor que tem a idade de 60 anos de idade e 35 anos de contribuição, com tempo mínimo de 10 anos de efetivo exercício do serviço público e 5 anos no cargo efetivo (preenche os requisitos legais); licença para construir dada pelo poder público também é um ato vinculado, quando estão cumpridos os requisitos da engenharia; licença para dirigir desde que também cumpridos os requisitos legais, como idade, admissão na prova do CFC; etc.
Já o poder discricionário possui critérios de conveniência e oportunidade, com a oportunidade de escolha e juízo de valor realizado por parte do administrador. O exercício discricionário tem de ser praticado nos limites da lei. Toda a liberdade e o juízo de valor devem obedecer aos liames legais. Normalmente o legislador apresenta alternativas na letra da lei, haverá uma margem de manobra por parte do administrador.
Exemplos: contrato administrativo, dada a liberdade de ser pactuado, nos moldes do art. 62 da lei 8666/1993; estabelecimento da competência para cuidar dos bens do município por parte do Prefeito (a lei não informa como propriamente ele fará esta tutela, ficarão as medidas baseadas em seu juízo de valor); permissão de uso de bem público para que o cidadão possa colocar mesas na calçada em frente ao seu estabelecimento, para abrir uma banca de revista, ou para colocar uma barra na praia; autorização dada pelo poder público para uma empresa fazer o transporte de carga de grande dimensão e acima da medida, comprometendo a pavimentação das ruas e o trânsito da cidade.
Art. 62, lei 8666/1993 -  O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço (liberdade de atuação da administração para escolher qualquer destes instrumentos). (...)
 
PODER HIERÁRQUICO
Poder hierárquico é aquela prerrogativa que possui o Estado para constituir a hierarquia na sua organização. O poder público organiza seu quadro de agentes hierarquicamente. 
Para Hely Lopes Meireles, poder hierárquico significa escalonar, estruturar e hierarquizar os quadros da administração pública.
Já o doutrinador Celso Antonio Bandeira de Mello prefere a expressão poder do hierarca. Mas, esta expressão corresponde à mesma idéia do poder hierárquico.
Uma vez estabelecida a relação hierárquica, algumas conseqüências aparecem em decorrência deste poder. São eles listados abaixo:
Poder de dar ordens
	A subordinação deriva deste poder, que possui o superior hierárquico, de dar ordens para o seu subordinado.
Poder de fiscalização
O superior hierárquico poderá verificar se seu subordinado está cumprindo as suas ordens. 
Poder de revisão dos atos
Depois de dar a ordem, o superior hierárquico poderá também rever os atos, seja em recurso administrativo, seja de ofício, praticados por seus subordinados.
Poder de delegação e avocação de competências
	Delegação e avocação de competências são institutos que regulam a transferência da responsabilidade e também decorrem do poder hierárquico. Esta é a regra geral, a despeito de poder haver delegação e avocação fora do poder hierárquico.
 
Poder Disciplinar e punição
A punição é aplicada pelo superior hierárquico em decorrência do poder hierárquico quando ocorre a prática de infração funcional por parte de seu subordinado.
	Para que haja a aplicação da punição será necessário que se instaure o processo administrativo disciplinar, e que também seja garantida a defesa para o subordinado. 
A necessidade de processo administrativo se mostra como um instrumento que se contrapõe ao antigo instituto da verdade sabida. Por este antigo mecanismo, o chefe punia o seu subordinado quando presenciava a prática do ato infracional, sem se preocupar com qualquer processo. A possibilidade de punição através da verdade sabida, por ser muito arbitrário, foi extinta com o advento da CF/1988.
PODER DISCIPLINAR
Com o poder disciplinar pode-se aplicar uma sanção em razão do cometimento de uma infração funcional. 
Somente será atingido pelo poder disciplinar o sujeito que exerce uma função pública. É somente o agente público (expressão mais ampla) que poderá sofrer a incidência do poder disciplinar. 
Deverá o sujeito estar na intimidade da administração, exercitando função pública, para que atue contrariamente à administração e sofra a incidência desta espécie de poder disciplinar.