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06. ATOS ADMINISTRATIVOS

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demissão ad nutum), se vier o administrador a declará-lo, deverá cumpri-lo até o final.
	Para aplicar a teoria dos motivos determinantes é preciso que este motivo seja legal, verdadeiro e compatível com o resultado do ato. Se o motivo declarado for ilegal, não é preciso que seja obedecida a teoria dos motivos determinantes.
	Poder público desapropria imóvel para construir um hospital. Mas, depois resolve construir uma escola – é um instituto autorizado e chamado de TREDESTINAÇÃO. Será possível a mudança de motivo que enseja o ato desde que seja mantido o motivo de interesse público. É uma mudança de motivo legal e autorizada, não comprometendo a teoria dos motivos determinantes.
OBJETO 
Objeto é o resultado prático do ato administrativo. É o que o ato faz em si mesmo. Exemplos: dissolução de passeata tumultuosa. Objeto é a dissolução. Concessão de aposentadoria. Objeto é a concessão.
Para que cumpra as exigências legais, o objeto deverá ser lícito, possível e determinado. 
O objeto lícito para o direito administrativo é analisado sob o vértice da subordinação à lei. Não basta não estar proibido para que possa ser efetuado o ato, como ocorre no direito civil, mas deverá o objeto lícito estar previsto em lei.
Objeto possível é o objeto faticamente possível. Exemplo: falecendo o administrador, o vínculo se extingue e ele não será promovido, por ser faticamente possível.
Objeto determinado é o objeto claro e preciso. Exemplo: deve-se indicar o servidor público que será promovido; deve-se indicar determinadamente a propriedade que sofrerá a desapropriação.
25 de maio de 2009
FINALIDADE
Finalidade do ato administrativo corresponde ao ato de proteção, isto é, ao ato que culminará na satisfação de interesse do poder público. Sempre se quer proteger com a edição de um ato administrativo uma razão de interesse público.
Todo ato administrativo possui uma finalidade de interesse público. Mas, são diferentes as razões de cada ato.
	Exemplo: passeata tumultuosa.
Passeata tumultuosa
	Caso o ato administrativo seja praticado com outra finalidade, que não a voltada para o interesse público, haverá configuração do vício do desvio de finalidade. O desvio é um defeito, um vício, junto à finalidade, elemento do ato administrativo.
	O desvio de finalidade é vício ideológico, é vício subjetivo, é defeito ligado à vontade do autor do ato administrativo.
	(CESPE) Desvio de finalidade é vício no motivo e na finalidade. VERDADEIRO. Na maioria das vezes, o desvio de finalidade configura vício na finalidade, mas também vício no motivo, por estar o administrador mentindo dentro deste requisito para adequar sua fundamentação à finalidade que ele gostaria. 
É muito difícil comprovar na prática o desvio de finalidade por esta razão, pela conduta do administrador em mentir, encobrindo as reais razões da edição do ato administrativo.
	A finalidade é um elemento vinculado ou discricionário dentro dos atos administrativos? O quadro abaixo estabelece as diferenciações entre os elementos do ato administrativo:
	CRITÉRIOS
	ATO VINCULADO
	ATO DISCRICIONÁRIO
	
Conceito
	Quando preenchidos os requisitos legais de certa situação, o administrador é obrigado a praticar o ato. Ele é vinculado a praticar o ato. Não há verificação de conveniência, oportunidade, juízo de valor ou qualquer margem de liberdade para o exercente da atividade pública.
	No ato discricionário existe a observância dos critérios da conveniência e da oportunidade, isto é, o juízo de valor realizado por parte do administrador. O exercício discricionário tem de ser praticado nos limites da lei. Toda a liberdade e o juízo de valor devem obedecer aos liames legais. Normalmente o legislador apresenta alternativas na letra da lei, haverá uma margem de manobra por parte do administrador.
	Competência
	Vinculada
	Vinculada
	Forma
	Vinculada*
	Vinculada*
	Motivo
	Vinculado
	Discricionário
	Objeto
	Vinculado
	Discricionário
	Finalidade
	Vinculado*
	Vinculado*
Exemplo de ato vinculado: concessão de aposentadoria de servidor público, com 60 anos de idade e 35 de contribuição (motivos/requisitos) e conseqüente determinação da aposentadoria (objeto do ato de concessão da aposentadoria). Neste caso, tanto o motivo quanto o objeto são vinculados. Preenchidos os requisitos, o administrador é obrigado a conceder a aposentadoria, vinculadamente. No ato vinculado, tanto o objeto quanto o motivo deverá ser vinculado.
	Exemplo de ato discricionário: no pedido dirigido para a Prefeitura de uso de bem público, requerido pelo particular para colocar mesas na calçada de seu bar. O administrador deverá analisar se a rua é perigosa ou não (é discricionário o motivo) e o deferimento ou o indeferimento (objeto discricionário) também variará discricionariamente de acordo com a constatação do motivo. No ato discricionário, seguindo este exemplo, tanto o objeto quanto o motivo são elementos discricionários.
	Onde está a discricionariedade do ato administrativo discricionário? Está no MÉRITO DO ATO ADMINISTRATIVO; isto é, mérito é a junção dos elementos motivo e objeto. Mérito é a discricionariedade, a conveniência e a oportunidade (conveniência do administrador em praticar o ato).
	Mérito do ato administrativo é o motivo e o objeto. FALSO. Mérito é a discricionariedade do administrador, a sua liberdade, seu juízo de valor. Mas, o mérito do ato administrativo se encontra dentro do motivo e do objeto. Mas os conceitos não são coincidentes.
Não pode ser revisto pelo Poder Judiciário
MÉRITO ESTÁ DENTRO DESTES ELEMENTOS
	O poder judiciário pode rever o mérito do ato administrativo. FALSO. O Poder Judiciário poderá rever a legalidade, em sentido amplo (observância da lei e dos princípios administrativos), do ato administrativo.
	Quando o Poder Judiciário faz o controle de proporcionalidade ou de razoabilidade dentro do ato administrativo, acaba por atingir o mérito, ou seja, a liberdade do administrador. Por vias tortas, acaba fazendo o controle de mérito. Mas, tecnicamente este controle guiado pela observância dos princípios é na verdade um controle de legalidade em sentido amplo.
	
	O Poder Judiciário pode rever o motivo e o objeto do ato administrativo? Se o ato for vinculado poderá claramente fazer o controle de legalidade de seu motivo e de seu objeto; e no ato discricionário, o motivo e o objeto poderão ser controlados se forem considerados como ilegais. A discricionariedade deve obedecer aos limites da lei. Se desrespeitados estes limites legais, o Poder Judiciário poderá fazer o controle de legalidade em sentido amplo.
	*Observação: A doutrina reconhece que a regra é de que os elementos “forma” e “finalidade” devam ser vinculados tanto para atos vinculados como para atos discricionários (vide quadro acima). Mas, excepcionalmente serão considerados elementos discricionários, quando a lei instituir a discricionariedade do elemento. Exemplo: art. 62, lei 8666/1993 possui a previsão de que, quando for a modalidade de licitação convite, haverá discricionariedade, para o administrador realizar a contratação administrativa:
Art. 62, lei 8666/1993 -  O instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência e de tomada de preços, bem como nas dispensas e inexigibilidades cujos preços estejam compreendidos nos limites destas duas modalidades de licitação, e facultativo nos demais em que a Administração puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis (na modalidade de licitação convite), tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço. 
ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO
PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE
A presunção de legitimidade para o ato administrativo corresponde ao preenchimento da legalidade e da veracidade. Desta forma, o ato obedece à moral, à lei e à verdade.
Até que se prove o contrário, o ato está compatível com a moralidade, com a legalidade e com a verdade. Por este modo, a presunção é relativa, ou