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06. ATOS ADMINISTRATIVOS

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É a retirada de um ato administrativo pelo descumprimento das condições inicialmente nele acordadas. 
Exemplo: proibição de construção de Motel dentro do Município. Se inicialmente o particular acordar com o Poder Público para construir um Hotel e posteriormente utilizar o prédio para que seja utilizado como Motel, terá sua licença cassada.
Caducidade
Caducidade é a retirada do ato administrativo pela superveniência de uma norma jurídica que é com ele incompatível. Exemplo: Prefeitura concede um local, através de uma permissão de uso de bem público, destinado à instalação de Parques e Circos. Mas, com a superveniência de um novo plano diretor da cidade, haverá impedimento para que a permissão de uso continue persistindo quando incompatível.
Contraposição
Na contraposição existem dois atos administrativos de competências diferentes e o segundo elimina os direitos do primeiro. Exemplo: ato de nomeação e um segundo ato de demissão/exoneração que elimina os efeitos do primeiro.
Diferença da contraposição com a caducidade: Na caducidade há uma lei superveniente que se torna incompatível com a existência do ato administrativo; enquanto na contraposição existem dois atos administrativos incompatíveis entre si.
Anulação
O motivo para retirar um ato administrativo pela anulação repousa em sua ilegalidade. A administração poderá rever o seu ato ilegal. Consistente no princípio da autotutela (vide súmulas 346 e 473, STF).
Súmula 346, STF - A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PODE DECLARAR A NULIDADE DOS SEUS PRÓPRIOS ATOS.
Súmula 473, STF - A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁ-LOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL.
O poder judiciário poderá anular um ato administrativo? Sim. Poderá o poder judiciário fazer um controle de legalidade em sentido amplo (analisado junto às leis e princípios) do ato administrativo.
O prazo para que a administração reveja os seus próprios atos é de 05 anos (regramento da anulação e da revogação está nos artigos 53 e seguintes da lei 9784/1999). A lei fala em prazo decadencial quanto a estes 05 anos. A jurisprudência confirma que é prazo decadencial; no entanto a doutrina discute se é realmente decadência.
Art. 54, lei 9784/1999 - O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
        
§ 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento.
        
§ 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato.
Para o poder judiciário, em prazo não há tese, para sejam revistos os atos administrativos ilegais. 
Precisa este segundo ato ser editado em obediência às regras do processo administrativo? Sim, para que seja editado este segundo ato administrativo, ainda mais quando incidem efeitos quanto aos direitos dos interessados, devem-se ser cumpridas todas as condições do ato administrativo. A formalidade do processo, quanto ao contraditório e à ampla defesa também deverá ser observada.
	Este ato administrativo de anulação produz efeitos ex nunc ou ex tunc? Geralmente os atos que anulam outros atos produzem efeitos ex tunc, retirando o ato ilegal desde a sua origem.
	Mas qual é a exceção, quando o ato de anulação produzirá efeitos ex nunc? Se o ato é para conceder algum direito (efeitos ampliativos), o efeito será ex tunc; e se o ato é para retirar algum direito e prejudicar (efeitos restritivos), o efeito será ex nunc. 	
	Existem algumas espécies de vícios possíveis dentro dos atos administrativos:
Mera irregularidade
	Se um ato administrativo válido possui um vício, sendo ele de mera irregularidade, possuindo problema com forma, será considerado ainda válido, por ser um vício/defeito de padronização.
Vício sanável
O vício será sanável quando for o ato administrativo passível de anulação e de convalidação. Isso quando o defeito for de forma ou de competência. Com a correção do ato há validação do ato.
Vício insanável
Se o vício for insanável, o ato será nulo, devendo ser retirado do ordenamento, através da anulação do ato administrativo. A anulação é um dever do administrador.
	Observação: se existem dois princípios na balança, a serem ponderados, deve-se averiguar o caso concreto. Hoje, muitas vezes a legalidade fica prejudicada em nome dos princípios da boa-fé e da segurança jurídica.
	STJ já declarou a ilegalidade, 20 anos depois, de um ato de nomeação dos servidores públicos. Decidiu-se que o ato não poderia ser anulado, porque a anulação seria mais arriscada: aplica-se a ESTABILIZAÇÃO DOS EFEITOS. É melhor manter o ato ilegal em nome da segurança jurídica. Melhor manter o ato administrativo. STF não possui posicionamento firme sobre o assunto (ver material de apoio da professora).
Revogação
O ato administrativo será retirado via revogação quando houver inconveniência que ele permaneça. Somente a administração poderá analisar a conveniência de suas decisões e de seus atos.
Jamais o poder judiciário poderá revogar ato administrativo. FALSO. Se o poder judiciário editar um ato seu administrativo, poderá ele revogá-lo quando age nesta sua função atípica.
	O poder judiciário pode revogar ato administrativo em sede de controle judicial? NÃO, neste caso, como é o judiciário revendo os atos dos outros, a revogação não é permitida para ele.
	Quanto tempo possui a administração para revogar seus atos administrativos? Não existe prazo, qualquer limite temporal para que seja feita a revogação dos atos administrativos. Mas, possui a revogação limites materiais, de conteúdo. Não se admite revogação, por exemplo: 
Ato vinculado (com todos os elementos vinculados). 
Ato que já produziu direito adquirido. 
Atos que já exauriram seus efeitos.	
	A revogação produz efeitos ex nunc. Com a mudança da conveniência, os efeitos da revogação não retroagirão para a época de edição do ato administrativo em que havia a conveniência e a oportunidade preenchida.