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10. AGENTES PÚBLICOS (análise frente à Constituição)

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de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei (e também podem ser preenchidos por qualquer pessoa), destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
Agentes em contratos temporários: os agentes temporários prestam processo seletivo simplificado e ficarão apenas por período temporário trabalhando junto à Administração. O agente temporário apenas é convocado em situações excepcionais de interesse público, enquanto durar a anormalidade do período.
Art. 37, CF
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;
De quem é a competência para julgar ações de servidores estatutários e para o julgamento das ações de servidores celetistas? Decide-se esta questão da competência no julgamento da ADI 3395 no Supremo Tribunal Federal: se for servidor estatutário, sua ação irá para a Justiça Comum (Estadual ou Federal); mas, e se for o servidor celetista, quem julga a sua ação é a Justiça do Trabalho. Tudo continua como era antes da reforma do art. 114, CF.
E sobre os agentes temporários, de quem é a competência para julgar as ações que vinculam seus direitos? A briga na doutrina sempre foi acirrada sobre a especificação quanto ao vínculo que era formado entre o agente temporário e a Administração. O STF decide que o vínculo entre o agente temporário e a Administração é formado sobre um contrato trabalho, baseado em um regime especial, não sendo considera como um contrato típico regido pela da CLT. Desta forma, segue este contrato e conseqüentemente esta relação de trabalho um regime administrativo especial, porque o contrato temporário tem lei própria, tem respaldo legal. 
O STF diz que, já que se trata de um regime jurídico administrativo, seja vínculo legal ou vínculo ilegal de trabalho com a Administração, quem decidirá esta matéria é a JUSTIÇA COMUM. A decisão foi sedimentada a partir de maio deste ano de 2009. O TST em decorrência, cancela a sua OJ 205, SDI-1/TST, que determina a sua competência para julgar os contratos temporários irregulares da Administração e os servidores temporários, enviando seus processos sobre agentes temporários para a Justiça Comum, Estadual ou Federal.
Observação: Existe um projeto de súmula vinculante, tramitando no STF, que tende a mandar todos os processos celetistas, envolvendo a Administração Pública, que estão na Justiça do Trabalho, para a Justiça Comum. Vai ser uma espécie de reclamação trabalhista, seguindo as leis da CLT, e julgada pela Justiça Comum. 
Hipóteses excepcionais expressas na Constituição Federal: Ministros do STF não precisam ser aprovados por concursos públicos; assim como Ministros e Conselheiros do Tribunal de Contas da União; também as regras do “quinto constitucional” fogem à regra de provimento em cargos através de concurso público, uma vez que o sujeito presta concurso para ser membro do Ministério Público e é escolhido para integrar depois o quadro dos membros da Magistratura; entre outros casos.
Agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias: disposição do art. 198, CF.
O agente comunitário da saúde é aquele que trabalha junto ao Programa de Saúde da Família (PSF) e os agentes de combate são os que atuam junto às endemias que se proliferam no país. Com a emenda 51/2006, estes agentes deixam de ser temporários para serem considerados como servidores permanentes.
Esta questão foi de melhor forma regulamentada pela lei 11.350/2006. É bom dar uma olhada nesta lei para os concursos de procuradorias estaduais e municipais.
O “concurso público” é uma espécie de processo seletivo, rigoroso em tese, podendo ser composto de provas ou de provas e títulos. E a Constituição diz que os agentes são escolhidos em processo seletivo apenas. A lei e a Constituição não falam de processo seletivo simplificado, mas ele é o que é utilizado na prática. Os defensores desta prática dizem que se a Constituição quisesse que a escolha fosse feita através de concurso público, ela teria dito expressamente e não colocado a expressão “processo seletivo público”:
Art. 198, CF - As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:
(...)
§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde (ligados ao PSF) e agentes de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)
	Projeto “trem da alegria”: é o projeto que tramita no Congresso, mas que há muito vem esquecido, que tende a estabilizar os agentes temporários com mais de 10 anos exercendo funções na Administração Pública, tornando-os como agentes efetivos e estáveis. Este projeto foi recortado e inserido na lei 11.350/2006, aproveitando os antigos agentes temporários como agentes comunitários de saúde e os agentes de combate contra as endemias, transformando-os como agentes estáveis.
Agente de empresa pública ou de sociedade de economia mista na atividade econômica, quando depender de uma formação especializada: é o entendimento de Celso Antonio Bandeira de Mello, que na contratação de um servidor para atuar junto a estes entes governamentais de direito privado, for de máxima e graduada especialização, não será necessário que se faça concurso público para que adentre o candidato nos quadros da Administração.
SÚMULAS IMPORTANTES SOBRE CONCURSO PÚBLICO
Súmula 683, STF - O LIMITE DE IDADE PARA A INSCRIÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO SÓ SE LEGITIMA EM FACE DO ART. 7º, XXX, DA CONSTITUIÇÃO, QUANDO POSSA SER JUSTIFICADO PELA NATUREZA DAS ATRIBUIÇÕES DO CARGO A SER PREENCHIDO.
Súmula 684, STF - É INCONSTITUCIONAL O VETO NÃO MOTIVADO À PARTICIPAÇÃO DE CANDIDATO A CONCURSO PÚBLICO.
Súmula 685, STF - É INCONSTITUCIONAL TODA MODALIDADE DE PROVIMENTO QUE PROPICIE AO SERVIDOR INVESTIR-SE, SEM PRÉVIA APROVAÇÃO EM CONCURSO PÚBLICO DESTINADO AO SEU PROVIMENTO, EM CARGO QUE NÃO INTEGRA A CARREIRA NA QUAL ANTERIORMENTE INVESTIDO.
Súmula 686, STF - SÓ POR LEI SE PODE SUJEITAR A EXAME PSICOTÉCNICO A HABILITAÇÃO DE CANDIDATO A CARGO PÚBLICO.
Súmula 266, STJ - O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.
REQUISITOS PARA A REALIZAÇÃO DO CONCURSO PÚBLICO
	A jurisprudência, tanto do STJ como do STF, estabelece que os requisitos exigidos para os concursos públicos devem:
Ser requisitos de natureza compatível com o cargo ou com o emprego ofertado;
Os requisitos devem estar previstos na lei da carreira do cargo ou do emprego.
Celso Antonio Bandeira de Mello critica muito a realização do exame psicotécnico. Diz que não há como delimitar quem é mais “maluco”, quem realiza os testes ou o candidato que é obrigado a passar pelo exame psicotécnico. E também questiona esta espécie de exame por serem os critérios de verificação muito subjetivos, podendo servir como um instrumento de privilégio para alguns e detrimento para outros candidatos.
PRAZO DE VALIDADE DOS CONCURSOS PÚBLICOS
	Em regra, a validade dos concursos públicos é de até 02 anos; podendo a prorrogação ser por uma única vez e também por igual período.
Art. 37, CF
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
	A prorrogação da validade do concurso público é uma decisão discricionária do administrador; se o administrador entender que é conveniente e oportuno para a Administração a prorrogação do concurso, ele procederá deste modo. O edital tem de prever a prorrogação a ser realizada pela Administração, caso contrário ela