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10. AGENTES PÚBLICOS (análise frente à Constituição)

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de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)
(...)
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005)
	O teto remuneratório do Desembargador é de 90,25% do valor do teto remuneratório do valor pago ao Ministro do STF. Este teto do desembargador do Tribunal de Justiça também servirá para os membros do Ministério Público, das Procuradorias e da Defensoria Pública.
	O servidor que é auxiliar administrativo, dos quadros do Ministério Público/da Defensoria/ da Procuradoria, observará qual teto remuneratório? Para eles (todo o quadro administrativo destes poderes) o teto a ser seguido é do Governador Estadual, do Poder Executivo. O teto do Desembargador serve apenas para os Promotores, Defensores e Procuradores.
	E qual é o teto para o analista do Poder Judiciário? Todos os servidores do Judiciário seguem o teto do Desembargador. O analista é efetivamente um servidor do judiciário. Qualquer servidor dos quadros do Poder Judiciário deverá seguir o teto do Desembargador. Oficial de Justiça se enquadra neste teto também.
	Magistratura Estadual discute o teto do Desembargador enquanto a Magistratura Federal segue o teto do Supremo Tribunal Federal, através da ADI 3854. O Judiciário é uno, não há como haver remuneração diferenciada. 
STF diz que a Magistratura Estadual tem razão, que não deveria haver diferenciação, mas diz que esta diferença remuneratória sempre ocorreu, desde o advento da Constituição de 1988, foi a vontade do constituinte originário. 
Decide o STF ao julgar a ADI que, enquanto Desembargador, ganhará seguindo o teto de 90,25% do valor pago ao Ministro do STF; mas, se somados outros pagamentos ou verbas remuneratórias (pagamento pela função de Magistério; pagamento por adicional de função na época de eleições; entre outros), pode o valor chegar até o teto total do Ministro do STF. 
No caso desta ADI, o Supremo faz uma interpretação conforme a Constituição, interpretando e tornando constitucional o valor de 90,25% sobre o teto do Ministro do STF, pago aos Desembargadores e demais membros da Magistratura Estadual.
EMENTA: MAGISTRATURA. Remuneração. Limite ou teto remuneratório constitucional. Fixação diferenciada para os membros da magistratura federal e estadual. Inadmissibilidade. Caráter nacional do Poder Judiciário. Distinção arbitrária. Ofensa à regra constitucional da igualdade ou isonomia. Interpretação conforme dada ao art. 37, inc. XI, e § 12, da CF. Aparência de inconstitucionalidade do art. 2º da Resolução nº 13/2006 e do art. 1º, § único, da Resolução nº 14/2006, ambas do Conselho Nacional de Justiça. Ação direta de inconstitucionalidade. Liminar deferida. Voto vencido em parte. Em sede liminar de ação direta, aparentam inconstitucionalidade normas que, editadas pelo Conselho Nacional da Magistratura, estabelecem tetos remuneratórios diferenciados para os membros da magistratura estadual e os da federal.
(ADI 3854 MC, Relator(a):  Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 28/02/2007, DJe-047 DIVULG 28-06-2007 PUBLIC 29-06-2007 DJ 29-06-2007 PP-00022 EMENT VOL-02282-04 PP-00723 RTJ VOL-00203-01 PP-00184) 
	Observação: alguns doutrinadores administrativistas dizem que o STF declarou esta norma do §12, art. 37, CF como inconstitucional. Mas, a professora Fernanda Marinela diz que isso não ocorreu. O Supremo fez interpretação conforme a Constituição somente neste caso.
	Quais são as verbas que poderão ser recebidas fora do teto remuneratório? Professora Fernanda Marinela diz que existem várias exceções e que já foram julgadas pelo STF.
Exemplo: Ministro do STF, pelo simples fato do Ministro se aposentar, ganha 20% a mais de remuneração. Começaram a cortar estes gastos, porque esta vantagem ultrapassava o teto remuneratório, e deixava os inativos ganhando mais que o teto disposto para todos os ativos. Por óbvio, os Ministros do STF aceitaram como válido este aumento de remuneração. É uma exceção de remuneração e acréscimo muito estranho, contrário ao restante do sistema, diz a professora Marinela.
Hoje, a situação é mais séria, o teto vem sendo aplicado, apesar destas exceções esdrúxulas, como a narrada acima sobre os Ministros aposentados no STF.
REGIME DE ACUMULAÇÃO DE CARGOS/ EMPREGOS PÚBLICOS
	Em regra, a acumulação de cargos e empregos públicos no ordenamento jurídico brasileiro não é permitida. Excepcionalmente ela será possível, na acumulação de dois cargos/empregos e não mais do que dois.
	Esta regra é válida para a Administração Direta ou para a Administração Indireta, incluindo as pessoas jurídicas de direito privado da Administração Indireta (art. 37, XVII, CF).
Art. 37, CF
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
	A acumulação é verificada segundo o parâmetro do funcionário, se está em atividade ou não. São as seguintes situações:
Atividade no 1º cargo/emprego + Atividade no 2º cargo/emprego
Para que esta situação seja possível para o servidor público em atividade é preciso que algumas condições sejam atendidas:
Horário das atividades precisa ser compatível;
A soma da remuneração das duas atividades não poderá ultrapassar o teto remuneratório;
Hipóteses listadas na Constituição, nas alíneas do art. 37, XVI, CF: 
Art. 37, CF
(...)
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
	Exemplo: pode o servidor acumular o cargo de professor na Universidade Estadual e também o cargo de professor na Universidade Federal.
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
	Exemplo: pode o servidor ser Juiz/ Delegado/ Médico de posto de saúde público (técnico ou científico) e professor. “Técnico ou científico” não significa dizer que o cargo é de técnico, mas sim o que importa é a formação do indivíduo que está no cargo. É a formação técnica ou científica que vale.
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)
	Exemplo: servidor pode acumular dois cargos de médico, de enfermeiro, de dentista, entre outras profissões na área da saúde, que forem regulamentadas por lei.
Inatividade no 1º cargo/emprego + Inatividade no 2º cargo/emprego
Estando na inatividade, poderá o ex-servidor receber duas aposentadorias/ proventos?