A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
32 pág.
10. AGENTES PÚBLICOS (análise frente à Constituição)

Pré-visualização | Página 9 de 10

algumas vezes assumia outras funções, de direção, de coordenadoria, entre outras, para não admitir a aposentadoria especial.
Foi publicada a lei 11.301/2006 para disciplinar este requisito do “magistério” englobando todas as atividades ligadas ao magistério e não somente a exercida pelo professor em sala de aula.
	Esta lei 11.301/2006 foi questionada através da ADI 3772, e posteriormente reconheceu o Supremo a constitucionalidade desta lei. Entendeu que haveria aproveitamento das funções exercidas dentro da escola, não ultrapassando este limite.
	A lei 11.301/2006 serve para os professores ligados à União; é preciso que sejam editadas leis no âmbito estadual ou no âmbito municipal.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MANEJADA CONTRA O ART. 1º DA LEI FEDERAL 11.301/2006, QUE ACRESCENTOU O § 2º AO ART. 67 DA LEI 9.394/1996. CARREIRA DE MAGISTÉRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL PARA OS EXERCENTES DE FUNÇÕES DE DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ASSESSORAMENTO PEDAGÓGICO. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 40, §4º, E 201, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE, COM INTERPRETAÇÃO CONFORME. I - A função de magistério não se circunscreve apenas ao trabalho em sala de aula, abrangendo também a preparação de aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e alunos, a coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar. II - As funções de direção, coordenação e assessoramento pedagógico integram a carreira do magistério, desde que exercidos, em estabelecimentos de ensino básico, por professores de carreira, excluídos os especialistas em educação, fazendo jus aqueles que as desempenham ao regime especial de aposentadoria estabelecido nos arts. 40, § 4º, e 201, § 1º, da Constituição Federal. III - Ação direta julgada parcialmente procedente, com interpretação conforme, nos termos supra.
(ADI 3772, Relator(a):  Min. CARLOS BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão:  Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 29/10/2008, DJe-059 DIVULG 26-03-2009 PUBLIC 27-03-2009 EMENT VOL-02354-02 PP-00268) 
Para receber o professor a aposentadoria integral nesta aposentadoria especial, deverá ele preencher os seguintes requisitos:
Homem: 55 anos de idade + 30 anos de contribuição;
Mulher: 50 anos de idade + 25 anos de contribuição.
A emenda constitucional 47/2005, além da aposentadoria especial do professor, criou outras aposentadorias especiais: a aposentadoria especial do deficiente físico e também a aposentadoria especial do servidor em atividade de risco. 
Nestes casos de aposentadoria especial, não há previsão e definição de requisitos na Constituição Federal, mas deverá ser regulamentada em lei complementar.
Este direito à aposentadoria especial, como regra de eficácia limitada que por falta de lei, foi questionada a inconstitucionalidade/omissão do legislador, através de mandados de injunção. 
No MI 721 e MI 758, o STF diz que o servidor tem direito à aposentadoria especial e não poderá deixar de exercer este direito se não há atividade do legislativo; decide então o STF neste Mandado de Injunção reconhecendo a aplicação do regime especial do trabalhador comum, a lei 8213/1991.
MANDADO DE INJUNÇÃO - NATUREZA. Conforme disposto no inciso LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, conceder-se-á mandado de injunção quando necessário ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Há ação mandamental e não simplesmente declaratória de omissão. A carga de declaração não é objeto da impetração, mas premissa da ordem a ser formalizada. MANDADO DE INJUNÇÃO - DECISÃO - BALIZAS. Tratando-se de processo subjetivo, a decisão possui eficácia considerada a relação jurídica nele revelada.
 APOSENTADORIA - TRABALHO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS - PREJUÍZO À SAÚDE DO SERVIDOR - INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR - ARTIGO 40, § 4º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Inexistente a disciplina específica da aposentadoria especial do servidor, impõe-se a adoção, via pronunciamento judicial, daquela própria aos trabalhadores em geral - artigo 57, § 1º, da Lei nº 8.213/91.
(MI 721, Relator(a):  Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 30/08/2007, DJe-152 DIVULG 29-11-2007 PUBLIC 30-11-2007 DJ 30-11-2007 PP-00029 EMENT VOL-02301-01 PP-00001 RTJ VOL-00203-01 PP-00011 RDDP n. 60, 2008, p. 134-142) 
MANDADO DE INJUNÇÃO - NATUREZA. Conforme disposto no inciso LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, conceder-se-á mandado de injunção quando necessário ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Há ação mandamental e não simplesmente declaratória de omissão. A carga de declaração não é objeto da impetração, mas premissa da ordem a ser formalizada. MANDADO DE INJUNÇÃO - DECISÃO - BALIZAS. Tratando-se de processo subjetivo, a decisão possui eficácia considerada a relação jurídica nele revelada. APOSENTADORIA - TRABALHO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS - PREJUÍZO À SAÚDE DO SERVIDOR - INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR - ARTIGO 40, § 4º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Inexistente a disciplina específica da aposentadoria especial do servidor, impõe-se a adoção, via pronunciamento judicial, daquela própria aos trabalhadores em geral - artigo 57, § 1º, da Lei nº 8.213/91.
(MI 758, Relator(a):  Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 01/07/2008, DJe-182 DIVULG 25-09-2008 PUBLIC 26-09-2008 EMENT VOL-02334-01 PP-00037 RDECTRAB v. 15, n. 174, 2009, p. 157-167) 
No art. 57 da lei 8213/1991 há a previsão e os requisitos para que se chegue à aposentadoria especial para o servidor público, enquanto o Congresso não legislar sobre a regra de aposentadoria especial para ele.
Observação: as demais emendas constitucionais não alteraram essencialmente estes requisitos para a concessão das espécies de aposentadoria. Alteraram outros critérios, mas não incidem sobre o modo de concessão da aposentadoria, até agora visto.
Na época em que tramitou a emenda constitucional 41/2003, de iniciativa do Presidente, houve a tramitação paralela da emenda constitucional 47/2005, de iniciativa do Congresso Nacional. A emenda 47 remenda os erros da emenda 41. Era pra ter saído todas as regras de uma vez, mas houve um acordo no Congresso para que saísse deste modo. Em suma:
Emenda Constitucional 41/2003
Acaba-se com a emenda constitucional 20/1998 e por conseqüência, com o princípio da integralidade.
Exemplo: servidor como técnico ganhava 1.000 reais; passa posteriormente em concurso e passa 5 anos de sua vida ganhando melhor, na mesma carreira, com 5.000 reais; posteriormente, passou em concurso, ganhando 10.000 reais no último cargo. Pelo princípio da integralidade ganhava o servidor a sua aposentadoria baseada nestes últimos 10.000 reais.
Com a edição desta emenda, passa a vigorar o princípio da média da vida laboral; somam-se as contribuições sobre a remuneração percebida por toda a carreira do servidor. 
Se por algum motivo não foi paga a contribuição, por meio de uma isenção do Governo, por exemplo, o tempo de remuneração em que a contribuição não foi paga, não será contado para este fim de percepção da média da vida laboral. Mesmo que tenha sido uma determinação/ faculdade dada pelo Governo;
Neste ato de edição da emenda constitucional 41/2003 também foi revogado o princípio da paridade. Pelo princípio da paridade, havia extensão dos benefícios e vantagens dos servidores em atividade para os servidores em inatividade. Professora Fernanda Marinela diz que é o “princípio do espelho”.
No lugar do princípio da paridade entra o princípio da preservação do valor real compra; isto é, o poder de compra do servidor inativo deve ser o mesmo do momento em que se aposentou.
O salário mínimo e o teto do regime geral de previdência social também obedecem ao princípio da preservação do valor real de compra.
Quando a emenda constitucional 41/2003 foi introduzida, o teto correspondia a 10 salários mínimos. Hoje, o salário mínimo é de 450 reais,