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03. ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

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quanto ao mais, declarando-se a inconstitucionalidade do "caput" e dos § 1º, 2º, 4º, 5º, 6º, 7º e 8º do mesmo art. 58. 2. Isso porque a interpretação conjugada dos artigos 5°, XIII, 22, XVI, 21, XXIV, 70, parágrafo único, 149 e 175 da Constituição Federal, leva à conclusão, no sentido da indelegabilidade, a uma entidade privada, de atividade típica de Estado, que abrange até poder de polícia, de tributar e de punir, no que concerne ao exercício de atividades profissionais regulamentadas, como ocorre com os dispositivos impugnados. 3. Decisão unânime.
(ADI 1717, Relator(a):  Min. SYDNEY SANCHES, Tribunal Pleno, julgado em 07/11/2002, DJ 28-03-2003 PP-00061 EMENT VOL-02104-01 PP-00149)
Para os Conselhos de Classe, suas anuidades possuem natureza tributária (entendimento jurisprudencial) e o resultado pelo não pagamento destas enseja a possibilidade de utilização da cobrança através da lei de execução fiscal. 
Também seguem os Conselhos de Classe, como pessoas jurídicas de direito público, as regras de contabilidade pública, quando suas contas passarão pela análise do Tribunal de Contas.
Por fim, em se tratando de autarquias, em seu quadro pessoal haverá preenchimento de vagas somente através de concurso público (não é definitivo, o julgamento foi dado em liminar de mandado de segurança).
Ordem dos Advogados do Brasil
	A OAB desde seu início trilhava um caminho diferente dos demais Conselhos de Classe, em se tratando de sua natureza jurídica.
No estatuto da OAB, já há disposição de que sua anuidade não seria de natureza tributária, e por conseqüência, não cabendo sua cobrança ser efetuada através da lei de execução fiscal. Mediante o não pagamento, o ajuizamento da cobrança seria realizado através da execução comum.
Art. 46, EOAB - Compete à OAB fixar e cobrar, de seus inscritos, contribuições, preços de serviços e multas.
        
Parágrafo único. Constitui título executivo extrajudicial a certidão passada pela diretoria do Conselho competente, relativa a crédito previsto neste artigo.
Em conseqüência desta disposição legal e entendimentos jurisprudenciais, as contas da OAB escapavam da contabilidade pública e também da fiscalização do Tribunal de Contas.
O quadro de pessoal da OAB era composto de empregos, seguindo o sistema celetista. 
Ajuíza-se então, visando a incongruência do status de autarquia e as conseqüências de sua falta de elementos, a ADI 3026. Diz o Supremo nesta ADI que a OAB não faz parte da administração indireta, não sendo incluída no conceito de autarquia especial. A OAB não é apenas uma entidade que organiza a classe profissional, mas que possui uma função constitucional muito importante. É uma “categoria ímpar” das pessoas jurídicas existentes no Brasil, na expressão do Supremo.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. § 1º DO ARTIGO 79 DA LEI N. 8.906, 2ª PARTE. "SERVIDORES" DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. PRECEITO QUE POSSIBILITA A OPÇÃO PELO REGIME CELESTISTA. COMPENSAÇÃO PELA ESCOLHA DO REGIME JURÍDICO NO MOMENTO DA APOSENTADORIA. INDENIZAÇÃO. IMPOSIÇÃO DOS DITAMES INERENTES À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA E INDIRETA. CONCURSO PÚBLICO (ART. 37, II DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL). INEXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO PARA A ADMISSÃO DOS CONTRATADOS PELA OAB. AUTARQUIAS ESPECIAIS E AGÊNCIAS. CARÁTER JURÍDICO DA OAB. ENTIDADE PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO INDEPENDENTE. CATEGORIA ÍMPAR NO ELENCO DAS PERSONALIDADES JURÍDICAS EXISTENTES NO DIREITO BRASILEIRO. AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DA ENTIDADE. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A Lei n. 8.906, artigo 79, § 1º, possibilitou aos "servidores" da OAB, cujo regime outrora era estatutário, a opção pelo regime celetista. Compensação pela escolha: indenização a ser paga à época da aposentadoria. 2. Não procede a alegação de que a OAB sujeita-se aos ditames impostos à Administração Pública Direta e Indireta. 3. A OAB não é uma entidade da Administração Indireta da União. A Ordem é um serviço público independente, categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. 4. A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como "autarquias especiais" para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas "agências". 5. Por não consubstanciar uma entidade da Administração Indireta, a OAB não está sujeita a controle da Administração, nem a qualquer das suas partes está vinculada. Essa não-vinculação é formal e materialmente necessária. 6. A OAB ocupa-se de atividades atinentes aos advogados, que exercem função constitucionalmente privilegiada, na medida em que são indispensáveis à administração da Justiça [artigo 133 da CB/88]. É entidade cuja finalidade é afeita a atribuições, interesses e seleção de advogados. Não há ordem de relação ou dependência entre a OAB e qualquer órgão público. 7. A Ordem dos Advogados do Brasil, cujas características são autonomia e independência, não pode ser tida como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. A OAB não está voltada exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade institucional. 8. Embora decorra de determinação legal, o regime estatutário imposto aos empregados da OAB não é compatível com a entidade, que é autônoma e independente. 9. Improcede o pedido do requerente no sentido de que se dê interpretação conforme o artigo 37, inciso II, da Constituição do Brasil ao caput do artigo 79 da Lei n. 8.906, que determina a aplicação do regime trabalhista aos servidores da OAB. 10. Incabível a exigência de concurso público para admissão dos contratados sob o regime trabalhista pela OAB. 11. Princípio da moralidade. Ética da legalidade e moralidade. Confinamento do princípio da moralidade ao âmbito da ética da legalidade, que não pode ser ultrapassada, sob pena de dissolução do próprio sistema. Desvio de poder ou de finalidade. 12. Julgo improcedente o pedido.
(ADI 3026, Relator(a):  Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2006, DJ 29-09-2006 PP-00031 EMENT VOL-02249-03 PP-00478) 
	A OAB continua tendo as prerrogativas/privilégios de uma autarquia, mas nenhuma obrigação de autarquia (inclusive no dever maior de prestar contas). 
AUTARQUIAS TERRITORIAIS
	Um Território poderá ser criado a qualquer momento no Brasil, pois há espaço na Constituição Federal para sua criação. Não é um ente político. A saída é que seja considerado como uma AUTARQUIA TERRITORIAL (pessoa jurídica de direito privado, dando sua personalidade pública).
	Não é na verdade uma autarquia. O regramento constitucional dos territórios é muito diverso do regramento das autarquias. Foi uma acomodação da doutrina.
	As autarquias possuem natureza administrativa, enquanto territórios são quase entes políticos, por suas características.
AUTARQUIAS DE REGIME ESPECIAL
	Tudo o que foi dito até agora para as autarquias em geral serão utilizadas para as autarquias de regime especial, com o apontamento de suas especificidades. Hoje são consideradas como autarquias de regime especial as AGÊNCIAS REGULADORAS. 
	Será importante a leitura da Lei 9986/2000 (lei que regulamenta as regras específicas das agências reguladoras), especialmente para o concurso de Advogado Geral da União. Também importante as normas gerais para a prova da Magistratura e das Procuradorias. 
	Este é o panorama de existência destas autarquias de regime especial, vindo depois a se tornarem as famosas agências reguladoras:
	Antes de 1995
Até 1995 esta nomenclatura existia, mesmo antes da criação destas agências reguladoras. Eram consideradas como autarquias de regime especial as universidades públicas (especialmente as federais). 
Mas, possuíam as universidades públicas federais as seguintes especificidades, diferentemente das demais autarquias:
Escolha do dirigente: o reitor das universidades públicas é escolhido por eleição e não por escolha do Chefe do Executivo (difere das demais autarquias); 
Autonomia pedagógica: para o estabelecimento