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3 - INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

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indenização por ter havido prejuízo em virtude da servidão administrativa, o valor da indenização terá por base parte do valor da propriedade, vez que diante de servidão administrativa não há inutilização de toda propriedade.
Observação: O processamento da desapropriação é aproveitável na servidão administrativa.
No direito civil, o instituto da servidão civil é intimamente ligada a relação de dominação, ou seja, quando, entre dois imóveis, um imóvel dominante utiliza o imóvel serviente. No caso do Direito Administrativo, especificamente na servidão administrativa não há um bem dominante pelo outro, mas sim um serviço público em face do bem, sendo que o dominante é o serviço. 
Ex: Em direito civil o exemplo clássico é o imóvel encravado, sem possibilidade de saída, podendo valer-se da propriedade alheia para realizar a passagem forçada. Verifica-se que a servidão civil há uma relação de dominação de um bem sobre outro bem.
Titularidade da servidão administrativa: Hoje, pode ser titular também os delegados (concessão/permissão de serviço público a particular) em razão de lei específica ou contrato.
Características:
Representa normas concretas, buscando uma finalidade específica (prestar determinado serviço público);
Atinge proprietários determinados;
Atinge o caráter exclusivo da propriedade, tendo em vista que o Estado estará utilizando o bem juntamente com o particular;
Pode atingir bens privados bem como bens públicos (independentemente do ente federativo titular do bem).
A não utilização do bem não extingue a servidão. O decurso do tempo não gera a extinção da servidão.
Por ser direito real é necessário o registro do CRI, salvo se constituído por lei.
Formas de Constituição da Servidão Administrativa:
CONSTITUIÇÃO POR LEI: É possível que uma servidão seja constituída em razão de lei. No caso de ser constituída por lei, segundo a doutrina majoritária, não é necessário o registro.
Para a doutrina, o registro é necessário a conferir publicidade ao direito real, resguardando direitos de terceiro de boa-fé, sendo que como a lei já denota tal publicidade, de forma até mais ampla que o registro, conclui-se que a servidão constituída legalmente dispensa o registro. Assim, observa-se que a lei autoriza e constitui automática e simultaneamente a servidão administrativa.
CONSTITUIÇÃO POR ACORDO ENTRE AS PARTES: Neste caso é imprescindível o registro.
DETERMINAÇÃO JUDICIAL: É necessário também o registro.
No caso de alienação do imóvel, deve-se dar preferência ao ente que é titular da servidão. Caso ocorra a alienação a terceiro, a servidão irá acompanhar o bem independente do titular.
Direito de Indenização:
A servidão por si só não gera o direito de indenizar. Caso não haja nenhum prejuízo, não há dever de indenizar. Ocorrendo dano efetivo, terá o direito de indenização. 
Caso haja a retirada do direito de propriedade, há na verdade desapropriação (modalidade indireta).
P: Servidão para instalação de torres de alta tensão gera direito de indenização?
R: Segundo a jurisprudência, considerando que as torres de alta tensão impedem a utilização do direito de propriedade ao redor da instalação, resta configurada a desapropriação indireta, sendo devido o direito de indenização.
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA X LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA
REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA
Previsão Legal: Art. 5º, XXV, CF
Art.5º,XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
A Requisição Administrativa pode ocorrer tanto em tempo de Guerra, quanto em tempo de Paz.
Tempo máximo da requisição: a regra é de que a intervenção deve permanecer enquanto manter o perigo, sendo a requisição temporária. Cessada o perigo, deve haver a devolução do bem.
Características:
A doutrina entende que a requisição atinge o caráter exclusivo da propriedade.
A requisição per si só não gera direito de indenização, devendo haver dano para que haja o direito de indenização. 
Caso haja indenização, esta será ULTERIOR e SE HOUVER DANO EFETIVO.
Observação: Administrador requisitou camisas de uma fábrica e frangos para os desabrigados. 
Quando se tratar de bem móvel e fungível, podendo haver a devolução na mesma quantidade e qualidade, o fenômeno é requisição. Mas se tratar de bens móveis e infungíveis, não podendo ser devolvida em qualidade e quantidade, deve haver a desapropriação.
LIMITAÇÃO ADMINISTRATIVA x SERVIDÃO ADMINISTRATIVA x REQUISIÇÃO
OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA
A ocupação temporária serve à utilização temporária.
As hipóteses mais comuns de ocupação temporária são:
Imóvel não edificado vizinho a obra pública com fim de guardar materiais (art.36, decreto.lei 3365/41).
Pesquisa de minério e arqueológica.
DL 3365, Art. 36.  É permitida a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não edificados, vizinhos às obras e necessários à sua realização.
        
O expropriante prestará caução, quando exigida.
É possível a indenização, desde que comprovado o dano efetivo.
DIVERGÊNCIA DOUTRINÁRIA: Para Maria Sylvia, quando um contrato administrativo não for adimplido integralmente (previsão na lei 8.987 e lei 8.666), pode o ESTADO rescindir o contrato e retomar o serviço, podendo utilizar e ocupar os bens da contratada de forma temporária para realização do serviço (Princípio da continuidade do serviço). Para Maria Sylvia se trata de exímio exemplo de ocupação temporária, mas a maioria da doutrina não adota esse entendimento, sob o argumento de que a retomada do serviço tem natureza contratual.
Características da Ocupação temporária:
Atinge o caráter exclusivo da propriedade;
É uma hipótese de inversão temporária na propriedade;
Provado dano efetivo, haverá indenização;
TOMBAMENTO 
Trata-se de uma intervenção na propriedade que visa registrar, manter e conservar a identidade de um povo.
A previsão do tombamento encontra-se no artigo 216, parágrafo 1º, CF, sendo que sua regulamentação se dá pelo DL 25/37.
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
§ 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Tombamento é um processo administrativo que leva à imposição de obrigações de conservação, devidamente inscritas na matrícula do imóvel ou de outro registro competente, por razões históricas, culturais, artísticas etc.
O tombamento, em regra, impõe obrigações de não fazer (a conservação do bem se dá através de um não fazer). Quando o tombamento manifestar-se por intermédio de obrigação de não fazer, não há falar-se em indenização, a menos que haja projeto de construção já registrado (ou seja, terá que ser demolido).
No entanto, o ato de tombamento poderá estabelecer obrigações de conservação consistentes em obrigação de fazer (o ato de tombamento determina que o proprietário pinte a fachada de tempo em tempo, por exemplo). Nesse caso (excepcional) o ônus econômico deve ser suportado pelo Poder Público.
É possível que o Estado confira vantagens ao bem tombado (isenção de IPTU, por exemplo).
Finalidade do tombamento: resguardar o patrimônio paisagístico, histórico, cultural, arqueológicas, artístico.
O Tombamento é uma restrição parcial