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3 - INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

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IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.
2.2) DESAPROPRIAÇÃO-SANÇÃO POR DESOBEDIÊNCIA DO PLANO DIRETOR
Previsão Legal do Plano Diretor: Lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade).
Previsão Constitucional: Art.182, §4º da CF
A competência para realizar esta desapropriação é restrita aos municípios e Distrito Federal.
Objeto: Imóvel urbano (o descumprimento do plano diretor – lei que disciplina o funcionamento da cidade – gera violação da função social da propriedade).
A indenização será feita em TDP (título da dívida pública), sendo resgatáveis em até 10 anos.
PROCEDIMENTO: Descumprido o Plano diretor do município, a administração irá impor medidas de forma gradual e sucessiva. Primeiro, irá determinar que o titular realize a edificação ou parcelamento do imóvel dentro de 1 ano. Transcorrido o prazo, a administração passa a realizar a cobrança de um IPTU progressivo, aumentando a alíquota em até 15% em 5 anos. Caso ele não cumpra, caberá por fim a desapropriação-sancionatória.
Art. 182, § 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento,      sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
2.3) DESAPROPRIAÇÃO-SANÇÃO POR TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS
Essa modalidade também conhecida como Desapropriação CONFISCATÓRIA ou EXPROPRIATÓRIA.
Previsão Constitucional: art. 243, CF
Previsão legal: Lei 8.257 de 1991
Nessa hipótese não há justa indenização;
Os demais bens que foram utilizados para o tráfico serão também expropriados, que serão revertidos a favor da fiscalização/repressão bem como a instituições de tratamento de usuários de drogas.
 Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias.
DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA
A desapropriação indireta é uma situação em que o Poder Público, sem conduzir o regular processo expropriatório, apossa-se ou esgota o conteúdo econômico de um bem alheio.
Desde o momento do fato gerador da desapropriação indireta até o advento da prescrição existirá, em favor do proprietário, pretensão indenizatória.
A grande maioria da doutrina não aborda a questão da pretensão possessória. Alguns doutrinadores, entretanto, defendem que, enquanto for possível a reversão, ou seja, até o momento da consumação da desapropriação indireta*, paralelamente à pretensão indenizatória garantir-se-á a pretensão possessória.
Observação: *Momento da consumação da desapropriação indireta consiste no momento a partir do qual se torna irreversível o apossamento. 
Todavia, após esse momento, aplica-se, por analogia, o artigo 35, DL 3365/41, restando tão somente a pretensão indenizatória.
DL 3365, Art. 35.  Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e danos.
A depender da situação de restrição da propriedade é cabível uma determinada medida processual:
Para ameaça ao direito de propriedade realizada pelo Estado é possível ação de interdito proibitório.
Para turbação realizada pelo Estado é cabível a ação de manutenção da posse.
Para esbulho realizado pelo Estado é cabível ação reintegração de posse.
Por fim, em havendo esbulho à propriedade com AFETAÇÃO (destinação pública ao bem) estar-se-á diante uma desapropriação indireta, cabendo ao particular apenas pleitear indenização, não podendo o particular se opor à administração pública para reintegrar sua posse. Será cabível Ação de Desapropriação Indireta.
Segundo art. 35 do DL 3365 de 1941, se ao bem já foi conferida destinação pública (incorporados à finalidade pública), não é cabível a reintegração de posse.
Requisitos para existência de desapropriação indireta:
Apossamento pelo Estado sem o devido processo administrativo.
Estado já realizou a afetação do bem.
Situação faticamente irreversível.
No que atine à desapropriação indireta, ainda é importante mencionar que esta pode originar-se tanto de condutas estatais ilícitas quanto lícitas (STJ - REsp 141192, 52905, 123080).
Se a questão do esgotamento do conteúdo econômico da propriedade chegar ao STJ, este aplicará a Súmula 07, não recebendo o recurso especial por se tratar de questão fática. O STJ apenas analisa a questão quando já se parte do pressuposto de que houve o esgotamento do conteúdo econômico da propriedade, perquirindo-se apenas se a intervenção restritiva transformar-se-á em desapropriação indireta. 
Quando a intervenção restritiva estabelecer limitações que acabem por esgotar o conteúdo econômico da propriedade, converte-se tal intervenção restritiva em desapropriação indireta.
Proferida a sentença na ação de desapropriação indireta, o valor nela definido será pago através do sistema de precatórios.
Há, no tocante a desapropriação indireta, grande discussão quanto à COMPETÊNCIA (surge em razão da discussão acerca da natureza jurídica da ação, se real ou pessoal) e a PRESCRIÇÃO da ação de desapropriação indireta.
PRAZO PRESCRICIONAL PARA AJUIZAMENTO 
Prevalece hoje o prazo de 20 anos para o ajuizamento de desapropriação (Súmula 119 STJ e julgamento da ADIN 2.260).
Histórico do prazo prescricional: O art.10 do DL 3365/41 define prazo de 5 anos. Este prazo de 5 anos foi inserido por meio da Medida Provisória 2027. Esta MP foi impugnada pela ADI 2260 e, em sede de cautelar, o STF entendeu que o prazo é de 20 anos ao invés de 5 anos, por se tratar de direito real. Após o julgamento da cautelar, sobreveio a MP 2183 alterando o DL 3365/41, tornando a ADI 2260 sem objeto, extinguindo-a sem julgamento do mérito. Daí a problemática.
De acordo com a Súmula 119, STJ, a prescrição se dá em 20 anos. A literalidade dessa Súmula teve por base uma série de precedentes existentes quando de sua edição (REsp 8488 e 30674). Esse prazo tem por base o prazo exigido para a usucapião extraordinária antes da vigência do CC/02, qual seja: 20 anos (prazo alterado pelo artigo 1238, CC). 
STJ Súmula nº 119 - 08/11/1994 - DJ 16.11.1994
Ação de Desapropriação Indireta - Prescrição
    A ação de desapropriação indireta prescreve em vinte anos.
Tendo em vista que o prazo da usucapião extraordinária foi alterado, de acordo com o Professor Rafael Mafini, o prazo prescricional deveria ser adaptado, de modo a resultar em 15 anos.
Atualmente, o STJ e STF entendem conforme a decisão cautelar na ADI 2260, entendendo ter a ação natureza real, aplicando-se o art. 95 CPC.