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3 - INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

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Art. 95. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicílio ou de eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DA DESAPROPRIAÇÃO
É possível a resolução total da desapropriação na via administrativa, somente necessitando da via judicial em duas situações:
Quando o proprietário for desconhecido.
Quando não há consenso quanto ao valor.
O procedimento administrativo da desapropriação é realizado em 2 fases: Fase Declaratória e Fase Executiva.
FASE DECLARATÓRIA
O ato inicial da desapropriação é o ato de declaração do fundamento. Este ato pode ser:
Decreto expropriatório (artigo 6º)
DL 3365, Art. 6o  A declaração de utilidade pública far-se-á por decreto do Presidente da República, Governador, Interventor ou Prefeito.
Efeito do decreto expropriatório: por meio dele não há transferência de domínio, apenas declara-se e, assim, autoriza a Administração a ingressar no bem para os fins previstos no artigo 7º. 
Emitido o decreto expropriatório, há prazo decadencial a ser respeitado pela Administração (5 anos para utilidade e necessidade pública e 2 anos para interesse social - Artigos 10, DL 3365/41; 3º, Lei 4132/62 e 3º, LC 73/93). Findo este prazo, o decreto expropriatório caducará, não mais podendo surtir efeitos.
Decorrido o prazo de 5 anos, após a declaração de necessidade ou utilidade pública, a administração somente poderá declarar novamente a expropriação do bem após 1 ano (CARÊNCIA).
Decorrido o prazo de 2 anos, da declaração de existência de Interesse Social, não se pode mais declarar a desapropriação novamente.
No tocante às BENFEITORIAS, Após a declaração, as benfeitorias necessárias realizadas serão indenizadas. Já as benfeitorias úteis serão indenizadas se previamente autorizadas. 
Conteúdo do ato expropriatório:
Finalidade: destinação do bem
Fundamento legal
Identificação do bem
Sujeito passivo: Caso o proprietário seja desconhecido a desapropriação deverá ocorrer na via judicial.
Identificar recursos orçamentários
Após a declaração da desapropriação, a administração pode entrar no bem somente após a prévia indenização.
Lei expropriatória (artigo 8º)
DL 3365, Art. 8o  O Poder Legislativo poderá tomar a iniciativa da desapropriação, cumprindo, neste caso, ao Executivo, praticar os atos necessários à sua efetivação.
Trata-se de lei de efeitos concretos.
Portaria
Observação.: Desapropriação por zona (artigo 4º, DL 3365).
DL 3365, Art. 4o  A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.
05 de outubro de 2010
Após a declaração da desapropriação, a administração pode entrar no bem somente após a prévia indenização.
PRAZO DE CADUCIDADE: Após a declaração passa a contar um prazo em que o proprietário deve aguardar a indenização e tomada do bem pela administração. Este prazo de caducidade é definido segundo a motivação: Transcorrido o prazo de caducidade, a declaração fica sem efeito. 
Esse prazo se dá entre a fase declaratória e a fase executiva, onde o Poder Público indeniza o proprietário e toma posse do bem.
No tocante às benfeitorias, serão indenizadas as necessárias e as úteis, estas últimas, somente as que forem previamente autorizadas.
CF, Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis (todas) e necessárias (somente as que forem previamente autorizadas) serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União a propor a ação de desapropriação.
§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo judicial de desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
FASE EXECUTIVA
A fase executiva se dá com a indenização do antigo proprietário e entrada no bem.
EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA:
A Administração ou quem lhe faz às vezes executa o decreto expropriatório, consumando-se a desapropriação. Caso não seja aceito o valor oferecido pela Administração, esta ingressará com ação de desapropriação.
Se existir consenso entre a administração e o particular quanto ao valor, haverá a desapropriação amigável em que a desapropriação resolve na esfera administrativa. 
AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO:
Não havendo o consenso quanto ao valor, deve a administração ajuizar ação de desapropriação (VIA JUDICIAL – procedimento especial). O objeto litigioso na ação de desapropriação é a diferença entre o valor da oferta e o fixado na sentença.
Na indenização deve constar: 
valor de mercado do bem
danos emergentes e lucros cessantes
juros compensatórios + moratórios
correção monetária
Custas processuais + honorários (diferença que foi conquistado pelo valor fixado) – quando se tratar de via judicial.
Os honorários advocatícios terão por base de cálculo o valor da diferença (artigo 27, parágrafo 1º; Súmulas 141, STJ e 617, STF). Sobre o valor da diferença aplicar-se-á o percentual de 0,5 a 5%. Os honorários não poderão ultrapassar 151 mil reais (essa limitação está suspensa por ADI).
STF Súmula nº 617 - 17/10/1984 
Base de Cálculo - Honorários de Advogado - Desapropriação - Diferença entre a Oferta e a Indenização - Correção Monetária
    A base de cálculo dos honorários de advogado em desapropriação é a diferença entre a oferta e a indenização, corrigidas ambas monetariamente.
STJ Súmula nº 141 - 06/06/1995 - DJ 09.06.1995
Honorários de Advogado - Desapropriação Direta - Cálculo - Correção Monetária
    Os honorários de advogado em desapropriação direta são calculados sobre a diferença entre a indenização e a oferta, corrigidas monetariamente.
Art. 27.  O juiz indicará na sentença os fatos que motivaram o seu convencimento e deverá atender, especialmente, à estimação dos bens para efeitos fiscais; ao preço de aquisição e interesse que deles aufere o proprietário; à sua situação, estado de conservação e segurança; ao valor venal dos da mesma espécie, nos últimos cinco anos, e à valorização ou depreciação de área remanescente, pertencente ao réu. 
Parágrafo único.  Se a propriedade estiver sujeita ao imposto predial, o "quantum" da indenização não será inferior a 10, nem superior a 20 vezes o valor locativo, deduzida previamente a importância do imposto, e tendo por base esse mesmo imposto, lançado no ano anterior ao decreto de desapropriação. (Revogado pela Lei nº 2.786, de 1956)
§ 1º A sentença que fixar o valor da indenização quando êste fôr superior ao preço oferecido, condenará o desapropriante a pagar honorários de advogado, sôbre o valor da diferença. (Incluído pela Lei nº 2.786, de 1956)  
§ 1o  A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao preço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado o disposto no § 4o do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os honorários