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4 - BENS PÚBLICOS

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José Cretella diferencia bem dominial de bem dominical. Para Cretella, bem dominial é sinônimo de bem público. Assim, a categoria ora estudada seria composta não pelos bens dominiais, mas sim pelos bens dominicais (Entendimento isolado).
REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS
INALIENABILIDADE DOS BENS PÚBLICOS
A inalienabilidade dos bens públicos é relativa, o que significa que, em alguns casos, é possível a alienação de bens públicos. A inalienabilidade relativa é denominada alienabilidade condicionada por alguns doutrinadores.
Bem de uso comum do povo: não podem ser alienados, uma vez afetados a destinação pública.
Bem de uso especial: não podem ser alienados, uma vez afetados a destinação pública.
Por terem destinação pública, estes bens são inalienáveis.
CC, Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Bem dominical:
CC, Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei (Ex: terras devolutas e terrenos de marinha).
Um bem doado à Administração Pública, a qual não foi lhe dada destinação pública, é considerado bem dominical (alienável). Caso seja conferida uma destinação pública ao bem (ex: instalação da prefeitura de um município), o bem se torna inalienável.
EXCEÇÃO: O artigo 225, parágrafo 5º, CF traz caso de inalienabilidade absoluta.
Art. 225, § 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
A alienação de bem público pressupõe a sua desafetação, apenas os bens dominicais não precisam ser desafetados, uma vez desprovidos de qualquer destinação pública.
Uma vez realizada a desafetação, há que se verificar se o bem é móvel ou imóvel.
NO CASO DE O BEM SER IMÓVEL:
Autorização legislativa, caso o bem imóvel pertença à Administração Direta, autarquias ou fundações
Se o bem imóvel pertencer à União, necessária será também autorização do Presidente da República (artigo 23, Lei 9636/98).
Declaração de interesse público devidamente justificado
Avaliação prévia
Licitação (na modalidade concorrência)
Nos casos de bens imóveis oriundos de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento é possível a alienação por meio de leilão.
Observação.: o artigo 17 da Lei 8666/93 elenca situações nas quais a licitação é dispensada (o administrador não possui discricionariedade).
Na ADI 927-3 o STF entendeu que o artigo 17 não é norma nacional, mas sim federal, pois, caso fosse considerada nacional, estaria invadindo a esfera de outros entes da Federação. Esta ADI deu interpretação conforme a este artigo, esclarecendo que se referem apenas a bens federais. 
NO CASO DE O BEM SER MÓVEL:
Interesse público devidamente justificado
Avaliação prévia
Licitação (não é necessária que a modalidade seja concorrência)
Os requisitos para alienar o bem público dominical estão definidos na lei 8.666/93, em seu art.17:
B.1) Art.17, inciso I da lei 8.666/93 
 Art. 17.  A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos: 
Administração direta/autarquias/fundações: 
Interesse público
Avaliação prévia
Autorização legislativa
Licitação: na modalidade leilão (móveis inservíveis, apreendidos, empenhado e demais móveis até 650 mil reais) ou concorrência (outros bens móveis ou acima deste valor)
Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista:
Avaliação prévia
Licitação: em regra, na modalidade concorrência
B.2) art.17, inciso II da lei 8666/93
 Art. 17.  A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas:
II - quando móveis, dependerá de avaliação prévia e de licitação, dispensada esta nos seguintes casos:
Interesse Público
Avaliação prévia 
Licitação modalidade leilão para bens de até 650 mil reais 
IMPENHORÁVEL
Em razão da execução contra a fazenda pública sujeitar ao regime de precatórios, bem como diante da inalienabilidade relativa do bem público (ainda que se admita a penhora do bem, não é possível sua alienação, em razão da afetação) não é admitido a penhora de bens públicos.
A impenhorabilidade abrange proibições de penhora, arresto e seqüestro.
Os bens públicos não estão sujeitos à penhora.
Os débitos oriundos de decisões judiciais são pagos, em regra, por meio dos precatórios. O regime dos precatórios está previsto no artigo 100, CF, alterado pela EC n. 62, CF.
Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 1º Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, exceto sobre aqueles referidos no § 2º deste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta) anos de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de doença grave, definidos na forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo do fixado em lei para os fins do disposto no § 3º deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à expedição de precatórios não se aplica aos pagamentos de obrigações definidas em leis como de pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de sentença judicial transitada em julgado. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser fixados, por leis próprias, valores distintos às entidades de direito público, segundo as diferentes capacidades econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do maior benefício do regime geral de previdência social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 5º É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1º de julho, fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos serão consignados diretamente ao Poder Judiciário, cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a decisão exequenda determinar o pagamento integral e autorizar, a requerimento do credor e exclusivamente para os casos de preterimento de seu direito de precedência ou de não alocação orçamentária do valor necessário à satisfação do seu débito, o sequestro da quantia respectiva. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009).
§ 7º O Presidente do Tribunal