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6 - CONVÊNIOS E CONSÓRCIOS

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O objetivo deste ajuste é alcançar interesse público.
Exemplos de pessoas administrativas: SEM estadual e EP municipal; União e autarquia; Município e Estado.
Ajuste entre pessoa administrativa e entidades particulares;
Não importa se a entidade particular é física ou jurídica.
Ex.: Município celebra ajuste com João.
CABM critica esta relação pelo fato de que entende que apenas será possível firmar convênios com entidades particulares caso estas não possuam fins lucrativos. Caso houvesse finalidade lucrativa, a entidade não objetivaria o interesse público, pois estes interesses são contrapostos.
Ajuste celebrado entre órgão pertencente a uma pessoa administrativa e entidade particular ou pessoa administrativa diversa daquela à qual pertence o órgão;
Os órgãos caracterizam-se pelo fato de não possuírem personalidade jurídica.
Ex.: convenio firmado entre secretaria da educação e entidade privada.
Convênio interorgânico.
Realizado entre órgãos públicos pertencentes à mesma pessoa administrativa.
Ex.: convênio realizado entre a SSP do Estado A e a Assembléia Legislativa deste mesmo Estado, objetivando alcançar interesse comum.
Observação: Existem autores que entendem que o convênio não pode ser celebrado por órgãos. Esses doutrinadores entendem ser nulo o convênio celebrado por órgãos do convenente. Nesse sentido, Diógenes Gasparini.
Observação 2: Não haverá convênio celebrado entre particulares.
 
CARACTERÍSTICAS DOS CONVÊNIOS
Cooperação mútua entre os partícipes:
A cooperação se dá visando interesses comuns.
Metas internas da Administração:
Serão executadas metas internas da Administração, por meio da junção de esforços.
Partícipe pode denunciar o convênio:
P: É possível a denúncia do convênio?
R: Sim, o partícipe pode denunciar o convênio, o que significa retirar-se do convênio quando quiser, sem que seja gerada qualquer conseqüência para ele (Princípio do Informalismo).
P: O que acontece se o convenente for restringido de denunciar o acordo?
R: Não é possível a inserção de cláusulas no convênio que não permitam o exercício do direito de denúncia. Eventual cláusula nesse sentido será tida como não escrita.
Fundamento: artigo 116, Lei 8666/93, parágrafo 6º: possibilidade de denunciar o convênio, mas haverá manutenção de algumas responsabilidades.
Lei 8.666, Art. 116, § 6o  Quando da conclusão, denúncia, rescisão ou extinção do convênio, acordo ou ajuste, os saldos financeiros remanescentes, inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações financeiras realizadas, serão devolvidos à entidade ou órgão repassador dos recursos, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias do evento, sob pena da imediata instauração de tomada de contas especial do responsável, providenciada pela autoridade competente do órgão ou entidade titular dos recursos. 
Possibilidade de inclusão de novos partícipes no ajuste:
Essa inclusão, contudo, depende de previsão no termo de convênio. Se não houver nenhuma disposição nesse sentido no termo de convênio deve ser entendida como proibida a participação de eventuais interessados.
Esses novos partícipes devem ter o mesmo interesse dos demais, que já se encontram no acordo.
No convênio se busca o atendimento do interesse público:
O interesse público pode ser representado por obra, serviço, etc.
Quando o convênio é celebrado com uma entidade particular, acaba por atender ao interesse particular, mas há de prevalecer o interesse público.
A formalização do convênio se dá por meio de termo de convênio:
O termo de convênio também é conhecido como convênio ou termos de cooperação.
Desnecessidade de autorização administrativa para celebrar convênio:
Por muito tempo entendeu-se ser necessária autorização legislativa para celebrar convênio, porém, o STF já controlou esta questão em várias ações diretas (ADI 342; ADI 1166) e chegou à conclusão de que não é necessária autorização legislativa para celebração destes ajustes. 
Fundamento do STF: Princípio da Independência e Harmonia entre os Poderes.
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 60, XXVI, DA LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL. ALEGADA INCOMPATIBILIDADE COM OS ARTS. 18, E 25 A 28, TODOS DA CARTA DA REPÚBLICA. Dispositivo que, ao submeter à Câmara Legislativa distrital a autorização ou aprovação de convênios, acordos ou contratos de que resultem encargos não previstos na lei orçamentária, contraria a separação de poderes, inscrita no art. 2.º da Constituição Federal. Precedentes. Ação julgada procedente.
(ADI 1166, Relator(a):  Min. ILMAR GALVÃO, Tribunal Pleno, julgado em 05/09/2002, DJ 25-10-2002 PP-00024 EMENT VOL-02088-01 PP-00111) 
Observação 1: será necessária autorização legislativa quando o convênio depender de repasse de verba orçamentária que não esteja prevista na Lei Orçamentária.
Entretanto, Diógenes Gasparini entende, com fundamento no artigo 116, parágrafo 2º, Lei 8666/93, que não é necessária nem autorização nem aprovação legislativa.
Para celebrar convênio não é necessária licitação prévia:
Este é o entendimento da doutrina, pois a idéia dos convênios é atingir um fim comum, não se relacionando com competitividade.
Nesse sentido, STF: Informativo 387.
Convênio e Dispensa de Licitação
O Tribunal absolveu deputado federal e outros denunciados pela suposta prática de crimes contra a Administração Pública (art. 89 da Lei 8.666/93, art. 1º, II e XIII do DL 201/67 c/c arts. 29, 69 e 71 do CP), consistentes na celebração de contratos - sob a denominação de convênios - entre a Companhia de Desenvolvimento de Curitiba - CIC e a FUNDACEN - Fundação Instituto Tecnológico e Industrial do Município de Araucária, sem o devido processo licitatório, e sem observar as formalidades pertinentes à dispensa, e por meio dos quais teria havido contratação indevida de pessoas, em ofensa ao inciso II do art. 37 da CF. Inicialmente, rejeitou-se, por maioria, a questão de ordem suscitada pelo Min. Marco Aurélio quanto à inviabilidade do inquérito, em razão de a apuração dos fatos se ter dado a partir de uma carta anônima. Entendeu-se que, no caso, havia outros elementos concretos a dar suporte à investigação, os quais prescindiriam da existência da carta apócrifa. Afastou-se, também, a alegação de que a denúncia seria nula por se fundar em elementos ilegaLmente colhidos pelo Ministério Público. Considerou-se que o parquet não realizara, diretamente, as investigações, eis que encaminhara à autoridade policial a denúncia anônima recebida, requerendo, na oportunidade, a abertura do inquérito penal. Asseverou-se, também, estar-se diante de inquérito civil, por se cuidar, na espécie, de dano ao erário. No mérito, concluiu-se pela atipicidade da conduta, já que configurada hipótese de convênio, sendo dispensável a licitação, uma vez que as contratantes possuem objetivos institucionais comuns, e o ajuste firmado, que trata de mútua colaboração, está de acordo com as características das partes, com a finalidade de cunho social almejada, não havendo contraposição de interesses, nem preço estipulado. Salientou-se, ainda, o fato de o ajuste ter sido celebrado com instituição a que se refere o art. 24, XIII, da Lei 8.666/93, visto que a FUNDACEN é brasileira, não tem fins lucrativos e se destina à pesquisa, ao ensino e ao desenvolvimento científico e tecnológico (Lei 8.666/93, art. 24: "É dispensável a licitação:... XIII - na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos;"). Ressaltou-se, por fim, ter sido referida instituição declarada de utilidade pública federal pelo Ministério da Justiça.
Inq 1957/PR, rel. Min. Carlos Velloso, 11.5.2005. (Inq-1957)
Observação.: CABM defende que, se o convênio for celebrado com entidade privada, deveria ser realizada licitação, a fim de garantir o Princípio da