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Capítulo 1 - Terminologia básica dos movimentos

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trapézio, levantador da escápula, rombóide e 
supra-espinhoso são identificados como participantes da rotação para cima e 
elevação da cintura escapular assim como da abdução do braço. O 
conhecimento da anatomia funcional é útil em uma variedade de situações para 
criar um programa de exercícios ou treino com pesos, avaliar o potencial de 
lesão em um movimento ou atividade esportiva, ou quando são estabelecidas 
técnicas de treinamento e atividades para atletas. A primeira coisa a considerar 
sob uma perspectiva da anatomia funcional não é a localização do músculo, 
mas o movimento produzido pelo músculo ou grupo muscular. 
Movimento Linear versus Angular 
 Ao observar o movimento humano ou um objeto sendo movido por um ser 
humano, dois tipos diferentes de movimento estão presentes. Primeiro seu 
movimento linear, geralmente chamado movimento de translação, que é o 
movimento ao longo de uma via curva ou reta. Exemplos que mostram 
somente o movimento linear na atividade são o exame da velocidade de um 
corredor velocista, a trajetória de uma bola de beisebol, o movimento da barra 
em um supino ou o movimento do pé durante um "chute sem pulo" no futebol 
americano. O enfoque dessas atividades é a direção, trajetória e velocidade do 
movimento do corpo ou objeto. A FIGURA 1-2 ilustra dois pontos focais 
diferentes para uma análise de movimento linear. 
 O centro da massa do corpo, segmento ou objeto é geralmente o ponto 
monitorado em uma análise linear (veja FIGURA 1-2). O centro da massa é o 
ponto sobre o qual a massa do objeto fica equilibrada, e representa o ponto 
onde o efeito total da gravidade age sobre o objeto. Contudo, qualquer ponto 
pode ser selecionado e avaliado em relação às características de movimentos 
lineares. Na análise de habilidade, por exemplo, é geralmente muito útil 
monitorar o movimento a partir do topo da cabeça para obter uma indicação de 
certos movimentos do tronco. Um exame da cabeça durante a corrida é um 
bom exemplo. A cabeça move-se para cima e para baixo? De um lado para 
outro? Se isso ocorre, é uma indicação que a massa central do corpo está 
movendo-se também nessas direções. A trajetória da mão ou raquete é muito 
importante em esportes de lançamento ou raquete, sendo útil monitorar 
visualmente o movimento linear da mão ou raquete por meio da execução da 
habilidade. 
 
Nota de revisor: a seguir apresenta-se a FIGURA 1-2 cuja legenda é: Exemplos 
de movimento linear. Examinar o movimento do centro de gravidade ou a 
trajetória de um objeto projetado são exemplos de como a análise do 
movimento linear é aplicada. 
 
 
[7] 
 
Em atividades do tipo corrida de velocidade, o movimento linear do corpo como 
um todo é o componente mais importante para analisar já que o objetivo da 
corrida de velocidade é mover o corpo rapidamente de um ponto para outro. 
 O segundo tipo de movimento é o movimento angular, que ocorre ao redor 
de algum ponto em que diferentes regiões do mesmo segmento corporal ou 
objeto não se movem pela mesma distância. Como está ilustrado na FIGURA 
1-3, balançar em uma barra é um movimento angular porque todo o corpo roda 
ao redor do ponto de contato com a barra. Para fazer uma volta completa, os 
pés percorrem uma distância muito maior que os braços, pois estão mais 
distantes do ponto central. É típico em biomecânica examinar as características 
de movimento linear de uma atividade e, então, fazer uma observação mais 
atenta dos movimentos angulares que criam e contribuem com o movimento 
linear. 
 Todos os movimentos lineares dos seres humanos, ou objetos movidos 
por eles, ocorrem como conseqüência de contribuições angulares. As únicas 
exceções para essa regra são os movimentos como os que ocorrem no esqui 
aéreo ou na queda livre, onde o corpo é mantido em uma posição para deixar a 
gravidade criar o movimento linearmente descendente, ou casos em que uma 
tração ou empurrão externo movem o corpo ou objeto. É importante identificar 
os movimentos angulares e a seqüência de movimentos angulares que 
constituem uma habilidade ou movimento humano, pois os movimentos 
angulares determinarão o sucesso ou falha do movimento linear. 
 
Nota de revisor: a seguir apresenta-se a FIGURA 1-3 cuja legenda é: Exemplos 
de movimento angular. O movimento angular do corpo, de um objeto ou 
segmento pode ocorrer ao redor de um eixo que passa por uma articulação (A), 
pelo centro de gravidade (B) ou sobre um eixo externo (C). 
 
 
[8] 
 
 Os movimentos angulares ocorrem ao redor de uma linha imaginária 
chamada eixo de rotação. O movimento angular de um segmento, como o do 
braço, ocorre sobre um eixo que atravessa a articulação. Assim, abaixar o 
corpo fazendo um agachamento total acarreta movimento angular da coxa ao 
redor da articulação do quadril, movimento angular da perna ao redor da 
articulação do joelho e movimento angular do pé ao redor da articulação do 
tornozelo. O movimento angular pode também ocorrer ao redor de um eixo que 
passa pelo centro da massa. Exemplos desse tipo de movimento angular são o 
"salto mortal" e o giro vertical da patinação artística. Finalmente, o movimento 
angular pode ocorrer ao redor de um eixo externo fixo, como balançar em uma 
barra, rodar sobre o pé durante uma corrida ou caminhada, ou balançar na 
ponta da vara no salto com vara. 
 Para dominar a análise do movimento humano, é importante a 
identificação das contribuições do movimento angular para o movimento linear 
do corpo ou objeto. Isso fica aparente em uma atividade simples como chutar 
uma bola o mais distante possível. A intenção do chute é fazer sólido contato 
entre a trajetória do pé, deslocado em alta velocidade linear e movido na 
direção correta, e uma bola de modo a mandar a bola na direção linear 
desejada. O movimento linear de interesse é o caminho real e o movimento da 
bola após deixar o solo. Para criar altas velocidades na direção certa, os 
movimentos angulares na perna com a qual se está chutando são seqüenciais 
e extraem velocidade uns dos outros, de modo que a velocidade do pé é 
determinada pela soma das velocidades individuais dos segmentos que se 
conectam. A perna que chuta move-se em uma fase preparatória e volta para 
trás por movimentos angulares da coxa, perna e pé. A perna é jogada para trás 
sob a coxa muito rapidamente à medida que a coxa começa a mover-se para 
frente para iniciar o chute. Na fase de potência do chute, a coxa move-se 
vigorosamente para frente, e rapidamente estende a perna e o pé para frente 
em velocidades angulares muito rápidas. Quando é feito o contato com a bola, 
o pé está se movendo muito rápido, porque as velocidades da coxa e da perna 
transferiram-se para o pé. Pela observação cuidadosa do movimento humano, 
a relação entre movimento angular e linear, mostrada neste exemplo do chute, 
serve como base para as técnicas usadas para corrigir ou facilitar um padrão 
de movimento ou habilidade. 
Cinemática versus Cinética 
 A análise biomecânica pode ser conduzida a partir de duas perspectivas. 
A primeira, cinemática, relaciona-se com as características do movimento, e 
examina o movimento a partir de uma perspectiva espacial e temporal sem 
referência com as forças que causam o movimento. Uma análise cinemática 
envolve a descrição do movimento para determinar qual a rapidez com que um 
objeto está se movendo, qual a altura e a distância que ele atinge. Assim, 
posição, velocidade e aceleração são componentes de interesse na análise 
cinemática. Exemplos de análise cinemática linear são o exame das 
características de projeção de um saltador em altura e o estudo do 
desempenho de nadadores de elite. Exemplos de análise cinemática angular 
são a observação da seqüência de movimentos articulares do tenista fazendo o 
saque, e o exame das velocidades e acelerações segmentares em um salto 
vertical. A FIGURA 1-4 apresenta um exemplo angular e linear