Seminário 2 - Texto: Teorias da Regulação Econômica
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Seminário 2 - Texto: Teorias da Regulação Econômica

Disciplina:Ciência Política e Teoria Geral do Estado712 materiais14.988 seguidores
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Núcleo Direito e Democ racialCEBRAP

Paulo Mattos (coord.)
" Mariana Mota Prado

Jean Paul Cabral Veiga da Rocha
Diogo R. Coutinho

Rafael Oliva
ORGANIZADORES

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Cass R. Sunstein
Susan Rose-Ackermanj.rty L. Mashaw

REGULAÇAO ECOÌ\TOMICA
E, DE,MOCRACIA

O debate norte-americano

George J. Stigler
Richard A. Posner
S. Peltzman

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slìrl lìlìo ti.
l'a Uma anzílise m:ris precisa pclde tonìâr a fornra de urrrrr anrílisc clc rcgr-t,ssrre, t.rlL.()1ì():

Ano de licenciameflto = constante
+b1@no de tamanho crítico da profissão)
+b2 @no de urbanização crítica da profissão),

onde o tamanho crítico e a urbani zação foram definidos como o tamanho médio e a
média urbanização no ano de licenciamento.
1'5 Assim os advogados, médicos e farmacêuticos, profissões relativamente grandes, em
1900, e enfermeiras, também, em 191,0. A única grande profissão a ser licenciada mais
tarde foi a de barbeiros; a única pequena profissão a ser licenciada antes foi a de em-
balsamadores.
16 A regulação de negócios em um mercado parcial, geraÌmente, produzirá também gÍan-
des elasticidades de oferta dentro de um mercado: se o preço do produto (ou serviço) é
aumentado, é muito difícil de resistir à pressão da oferta excluída. Algumas profissões
são forçadas à reciprocidade em licenciamento e à dispersão geográfica de gunho, .*
profissões licenciadas, alguém preveria, não é apreciavelmente diferente do que profis-
sões não licenciadas com igual mobilidade patronal. Muitos problemas são propostos
pela interessante análise de Arlene S. Holen in [6], pp.492-8.

'l'lr( )l(lAs l)A l{t"(,tll At, At I lr(,( )N( )l\11( ,A

Iiìr lttrtl A. I'osn(r"

Mwitas teorias têm sido desenuoluidas pard explicar o padrão obser'
uad.o da regulaÇão estatal da economia. Essas inclwem a teoria do "in-
teresse púbtico" e diuersds uersões, propostas ou por ciëntistas políti-
Cos ou por economist1s, da teoriA do " grwpo de interesse" ou teoria
da "captt4ra". Este artigo analisa essas teoriAs, argumentando que as
dtudis uersões da teorìa do interesse público e dd teorìa do grupo de
interesse formuladd por cientistas políticos são inaceitáueis. A uersão
da teoria do grupo de interesse dos economistas é discutida mais ex-
tensamente: seus pressupostos teóricos e empíricos são reuistos, e che-
gd-se à conclus'ão de que, dpesdr de promissora, essa teoria precisa de
um mdior d.esenuoluimento analítico e de nouos esquemds de inuesti-
gaÇão empírica antes que possa ser considerada uma teoria positiua" "
adequada da regulação.

,,' professor de Direito da University of Chicago e Pesquisador sênior associado ao
National Bureau of Economic Research. Recebeu o A.B. (título de bacharel em Humani-
dades) da Universidade de yale em 1959 e o LL.B. (título de bacharel em Direito) da Uni-
versidade de Harvard em1962. Sua pesquisa atual centra-se no uso da análise econômica
para explicar o comportamento do sistema jurídico'

O autor gostaria de agraclecer a Gary S. Becker, Ronald H. Coase, Paul
.W. MacA-

voy, B. peter Pashigian e George J. Stigler pelos comentários úteis a uma versão anterior.
Este p4per foi originalmente apresentado em uma conferência sobre regulação pro-

movida pelo National Bureau of Economic Research, e é parte de uma série de estudos na
área de análise econômica do direito (law and economics), conduzidos por esse Bureau
com o suporte financeiro da National Science Foundation. Não se trata de publicação ofi-
cial do Brr.nrr, dado que ainda não passou por uma revisão crítica completa, de acordo
com as noÍmas do National Bureau Publications, que inclui a aprovação pelo conselho de
administração do Bureau.

para um suplemento deste artigo, cf. George Stigler, "FÍee Riders and Collective Ac-
tion" (originalmente publicado juntamente com este artigo de Posner no The Bell Jowrnal
of Economìcs and Management Science 5 (1974), pp' 359-65)'

,,-',-N.T.: o termo "positivo(a)" é usado aqui como sinônimo de descritivo' em oposi-
ção a normativo

George J. Stigler Regulação econômica e democracia
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tlltt rlc'srtlio cctttrrtl prrrrì áì tcoria social é explicar o padrão cJa ilìter-
vc'ltç'rìo cstlttrtl tro ntercirdo

-

que podemos chamar de "regulação econô-
tttica". Quando definida de forma apropriada, a expressão se refere a to-
clos os tipos de impostos e subsídios, bem como aos controles legislativo e
rrclrninistrativo explícitos sobre taxas, ingresso no mercado, e outras Íace-
trs cla atividade econômica. Duas teorias principais da regulação econômi-
ca foram propostas. Uma é ateorra do "interesse público", um legado de
trma geração anterior de economistas para a atual geração de advogados.l
Essa teoria sustenta que a regulação é. crrada em resposta a uma demanda
clo público por correção de práticas de mercado ineficientes ou não eqüita-
tivas. Ela tem uma série de deficiências que discutiremos. A segund a é a
teoria da captuta

-

um termo pobre, mas que será empregado aqui. Com-
partilhada por uma mistura excêntrica de liberais do Estado do Bem-Estar
Social, ativistas políticos, marxistas e economistas do livre mercado, essa
teoria afirma que a regulação é formulada em resposta às demandas de gru-
prrs de interesse se digladiando para maximizar os benefícios de seus pró-
prios membros. Há diferenças cruciais entre os teóricos da captura. Argu-
tnentarei que a versão dos economistas é a mais promissora, mas também
clramarei atenção para as importantes fraquezas tanto da teoria quanto da
pesquisa empírica que supostamente a sustenta.

2. A rsonrA Do TNTERESSE puBlrco

A teoria original. Dois pressupostos parecem ter caracteúzado o pen-
siìmento sobre política econômica (não todo ele elaborado por economis-
tas) no período que compreende aproximadamente a declaração do Inters-
tate Commerce Act [Lei de Comércio Interestadual] em 1887 até a fundação
clo Journal of Law and Economics [Revista de Análise Econômica do Di-
reit<rf em 1958. Um pressuposto é que os mercados são extremamentefrâ-
geis e estão prontos para funcionar de maneira bastante ineficiente (ou não
ccliìitativa) se deixados à sua própria sorte; o outro é que a regulação go-
vcrnalrìental praticamente não tem custos. Partindo desses pressupostos,
ftri rrruito fácíI argumentar que a principal intervenção estatal na economia

-

proteção de sindicatos, regulação de serviços públicos de infra-estrutura
t' tlc tratnsporte público' poder estatal e programas de recuperação de so-

los, rtrlrsrtllo\ ;tlll trol,ts, lttt.ttç,ts ()r ill),tt tr)ll,ll\t s.tl.trio ttttltiltl(1, (' ;tlt; titt'tl.ts
rlr.irrrllorllrç;ì()

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1-rclrr r-r,til'ic:rçrì<l clc prrlprivcis c rcnrcclirivcis incficiôrrcirrs c clcsigtr,tlclatlcs rttr
fupci1;palÌìelìto do livre mercado. Atrás de cada esquema regulirtório podc-
ria ser identificada uma imperfeição de mercado, cuja existência forneceria
justificativa satisf at6na para uma regulação que se pressupõe operar de for-
ma efetiva e sem custos.

Se esta teoria da regulação estivesse correta, enconftaríary7os principal-
mente regulação imposta aos mercados altamente concentrados (onde o pe-
rigo de monopólio é maior) e aos mercados que geram externalidades posi-
tivas e negativas. Mas não é isso que encontramos. Aproximadamente quinze
anos de pesquisas teóricas e empíricas, conduzidas principalmente por eco-
nomistas, demonstraram que a regulação não está necessariamente relacio-
nada à presença de externalidades, ou ineficiências, ou estruturas monopo-
listas de mercado. Se houver algum, são poucos os estudiosos respeitáveis
do setor de aviação civil, por exemplo, que acreditam que exista alguma pe-
culiaridade intrínseca ao mercado de transporte aéreo que requeira a defi-
niçãõ
Taynara Bezerra fez um comentário
  • Olá, tem como me enviar completo via email?
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