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Resumo Perda de Sangue

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apresentando recorrência do sangramento em menos de 1% dos casos.
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
Principais causas de IRA
I. Causas pré-renais: Este quadro ocorre devido à redução do fluxo plasmático
renal e do ritmo de filtração glomerular.
1. Cardiovasculares: diminuição do débito cardíaco
➔ Agudas: Infarto agudo do miocárdio, trauma, arritmias, hipertensão
maligna, tamponamento
➔ Pericárdico, doenças valvulares
➔ Crônicas: miocardiopatias (isquêmicas, hipertensivas), disfunções
valvulares
2. Hipovolemia:
➔ Perdas gastrointestinais: vômitos, diarréia
➔ Perdas renais: nefropatias perdedoras de sal, uso de diuréticos, diurese
osmótica
3. Diminuição da volemia arterial efetiva:
➔ Estados hipoalbuminêmicos: síndrome nefrótica, doença hepática
avançada, desnutrição
➔ Causas físicas: peritonites, queimaduras, traumatismos
➔ Vasodilatação periférica: hipotensão arterial, choque, sepsis, síndrome
hepatorrenal
II. Causas renais: Intrínseca ou estrutural; A principal causa é a necrose tubular
aguda (NTA isquêmica e/ou tóxica).
1. Necrose tubular aguda (NTA)
➔ Isquêmica: hipovolemia, hipoperfusão renal 
➔ Tóxica: aminoglicosídeos, antifúngicos (anfotericina B), drogas
imunosupressoras (CsA, FK506),
➔ Antivirais (aciclovir), contrastes radiológicos, pigmentos (hemoglobina,
mioglobina), metais pesados, peçonhas
2. Nefrites intersticiais:
➔ Drogas: penicilinas, cefalosporinas, rifampicina, sulfonamidas, diuréticos
(furosemida, tiazídicos, clortalidona ), anti-inflamatórios não-hormonais
➔ Infecções
➔ Infiltração: linfomas, leucemias, sarcoidose
➔ Imunológica: Sjoëgren, uveíte-nefrite intersticial
3. Doenças vasculares:
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
➔ Inflamatórias (vasculites): glomerulonefrite necrotizante pauci-imune,
poliarterite nodosa,
➔ Granulomatose de Wegener, doença do soro
➔ Microangiopática: síndrome hemolítico-urêmica (SHU), púrpura
trombocitopênica trombótica (PTT), hipertensão maligna, esclerodermia
4. Glomerulopatias:
➔ Pós-infecciosa: Streptococcus, vírus, endocardite, abscessos
abdominais, shunts
➔ Glomerulonefrite membranoproliferativa
➔ GN rapidamente progressiva: lupus eritematoso sistêmico (LES),
idiopática, Goodpasture, poliarterite, granulomatose de Wegener, púrpura
de Henoch-Schönlein, SHU, esclerodermia;
III. Causas pós-renais: Secundárias a obstrução intra ou extrarrenal por cálculos,
traumas, coágulos, tumores e fibrose retroperitoneal.
1. Ureteral e pélvica:
➔ Obstrução intrínseca: coágulos, cálculos, infecções fúngica e bacteriana
➔ Obstrução extrínseca: tumores, fibrose retroperitoneal, ligadura
inadvertida de ureteres
2. Vesical:
➔ Cálculos
➔ Coágulos
➔ Hipertrofia ou neoplasia prostática
➔ Carcinoma de bexiga
➔ Neuropatia
3. Uretral:
➔ Estreitamentos
➔ Fimose
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
Problema 2
Cólica Renal
Quadro Clínico
Esta denominação é dada a um tipo especial de dor decorrente de obstrução do
trato urinário, com dilatação súbita da pelve renal ou do ureter, que se acompanha de
contrações da musculatura lisa dessas estruturas. 
Em seu início, pode haver apenas uma sensação de desconforto na região lombar
ou no flanco, irradiando-se vagamente para o quadrante inferior do abdome do mesmo
lado. Rapidamente, essa sensação de desconforto evolui para dor lancinante, de grande
intensidade, acompanhada de mal-estar geral, inquietude, sudorese, náuseas e vômitos.
O paciente fica inquieto no leito ou levanta-se à procura de uma posição que lhe traga
algum alívio.
A dor da cólica renal costuma começar no ângulo costovertebral, acometer a região
lombar e flanco, irradiando-se para a fossa ilíaca e região inguinal, alcançando o testículo
e o pênis, no homem, e o grande lábio, na mulher. A dor é tipicamente em cólica, com
fases de espasmos dolorosos que podem durar vários minutos, seguindo-se de alívio,
geralmente incompleto. O desaparecimento súbito da dor, ocasionado pela resolução
natural da obstrução, é importante no diagnóstico diferencial.
Existem algumas variantes clínicas da cólica renal, conforme a altura da obstrução.
Assim, se a obstrução for na junção ureteropélvica, a dor costuma situar-se no flanco e
irradiar-se para o quadrante superior do abdome ou mesmo para a região inguinal
homolateral; já a obstrução ureterovesical ocasiona sintomas de irritação do trígono
vesical, representados por disúria, urgência e frequência, podendo sugerir cistite. Cálculo
obstruindo o final do ureter pode causar dor persistente no testículo e pênis, ou no grande
lábio vaginal, do mesmo lado, sem, entretanto, apresentar sintomas de irritação vesical.
Habitualmente causada pela eliminação de um cálculo podendo também ser
causada pela eliminação de coágulos e compressão extrínseca do ureter.
A dor é causada pelo trauma ureteral e pela dilatação da cápsula renal devido o
aumento de pressão no rim.
O quadro mais frequente é a dor lombar em cólica, irradiada para fossa ilíaca
ipsilateral e para o testículo nos homens ou grandes lábios na mulher. A dor não sofre
influência da posição, esforço físico ou alimentação. Podem existir enjoos e vômitos. A
polaciúria ocorre quando o cálculo está nas porções mais distais do ureter.
O quadro clínico muito característico auxilia no diagnóstico. Os pacientes
normalmente apresentam dor intensa em região lombar, flanco ou inguinal ipsilateral ao
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cálculo urinário de início súbito. Tipicamente a dor é em ondas associadas à
movimentação do cálculo dentro do trato urinário e associada a náuseas e vômitos.
Usualmente a dor é de grande intensidade e pode-se observar o paciente ansioso e
sudoreico sem posição para o alívio da dor.
A localização da obstrução determina a localização da dor referida pelo paciente.
Obstruções proximais determinam dor em região lombar e em flanco enquanto em
obstruções distais, próximas ao meato ureteral acarretam em dor inguinal, testicular ou
em grandes lábios. Também podem determinar sensação de urgência miccional com
aumento da frequência e disúria quando junto ao meato ureteral ou em seu trajeto
intramural na bexiga.
Devido à característica do cálculo urinário, a sua passagem pelo ureter leva a lesão
da mucosa que pode levar a presença de hematúria. Esta pode ser observada em exame
de urina ou referida pelo paciente na observação da micção.
A presença de febre, história de manipulação prévia do trato urinário, portadores de
derivações urinárias, dor de difícil controle, gestantes, imunossuprimidos ou com rim único
a avaliação deve ser mais atenciosa incluindo exames laboratoriais para excluir presença
de complicações.
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Hematúria
A quantidade de hemácias na urina para o diagnóstico de hematúria microscópica
pode variar, mas, geralmente, é requerida a presença de duas ou mais células por campo
de grande aumento na microscopia3. A hematúria macroscópica é definida pela coloração
característica (avermelhada ou marrom), acompanhada por mais de 106 hemácias /ml. A
modificação na cor não significa, necessariamente, grandes perdas sanguíneas, dado que
1ml de sangue é necessário para alterar 1 litro de urina. Por outro lado, fatores como
hemoglobinúria, mioglobinúria, porfiria, drogas e corantes utilizados em alimentos podem
também modificá-la, levando à impressão da presença de sangramento. Na Tabela 1, são
listadas as principais causas de alterações da coloração urinária. Quanto à hematúria
microscópica, pode ser classificada como persistente