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Resumo Perda de Sangue

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de Na+
(natriurese) e de um ânion que o acompanha, em geral Cl–. O NaCl no corpo é o principal
determinante do volume de fluido extracelular e a maioria das aplicações clínicas dos
diuréticos é direcionada para reduzir o volume de fluido extracelular ao reduzir o teor total
de NaCl no corpo. Um desequilíbrio prolongado entre a captação dietética de Na+ e a
perda de Na+ é incompatível com a vida. Um equilíbrio positivo global de Na+ resultaria
em uma sobrecarga de volume com edema pulmonar e um equilíbrio negativo global de
Na+ resultaria na depleção de volume e colapso cardiovascular. Embora a administração
contínua de diurético provoque um deficit global prolongado no Na+ total do corpo, o
curso do tempo da natriurese é finito porque os mecanismos compensatórios renais
equilibram a excreção de Na+ com a sua captação, um fenômeno conhecido como freio
diurético. Estes mecanismos compensatórios ou freios, incluem a ativação do sistema
nervoso simpático, ativação do eixo renina-angiotensina-aldosterona, redução da pressão
sanguínea arterial (que reduz a natriurese da pressão), hipertrofia da célula epitelial renal,
aumento da expressão do transportador do epitélio renal e talvez alterações nos
hormônios natriuréticos, como o peptídeo natriurético atrial (Ellison, 1999). 
Historicamente, a classificação dos diuréticos baseia-se em um mosaico de ideias
como o local de ação (diuréticos de alça), eficácia (diuréticos de alça), estrutura química
(diuréticos tiazídicos), semelhança de ação com outros diuréticos (diuréticos semelhantes
às tiazidas) e efeitos na excreção de K+ (diuréticos poupadores de potássio). Entretanto,
como o mecanismo de ação de cada uma das principais classes de diuréticos não está
bem compreendido, este capítulo usa um esquema de classificação baseado no
mecanismo de ação. 
Os diuréticos não alteram apenas a excreção de Na+, mas também podem
modificar o controle renal de outros cátions (p. ex., K+, H+, Ca2+, Mg2+), ânions (p. ex.,
Cl–, HCO3– e H2PO4–) e ácido úrico. Além disso, os diuréticos podem alterar a
hemodinâmica renal de forma indireta. O Quadro 25-1 fornece uma comparação dos
efeitos gerais das principais classes de diuréticos. 
Antagonistas não-Peptídicos dos Receptores de Angiotensina II
Os bloqueadores dos receptores de AngII ligam-se ao receptor AT1 com alta
afinidade e são mais de 10.000 vezes mais seletivos para o receptor AT1 do que para o
AT2. A ordem de afinidade do receptor AT1 pelos BRA é a seguinte: candesartano =
omesartano > irbesartano = eprosartano > telmisartano = valsartano = EXP 3174 (o
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metabólito ativo do losartano) > losartano. Embora a ligação dos BRAs ao receptor AT1
seja competitiva, a inibição das respostas biológicas à AngII pelos BRAs é, com
frequência, insuperável (a resposta máxima à AngII não pode ser restaurada na presença
do BRA, independentemente da concentração de AngII adicionada à preparação
experimental).
O mecanismo do antagonismo insuperável dos BRAs pode ser decorrente da
cinética de dissociação lenta dos compostos do receptor AT1; entretanto, vários outros
fatores podem contribuir, como a internalização dos receptores induzida pelos BRA e a
presença de locais de ligação alternativos no receptor AT1 para os BRA. O antagonismo
insuperável tem a vantagem teórica de bloqueio prolongado e duradouro, mesmo com
níveis elevados de ligante endógeno e em caso de omissão das doses do fármaco. Ainda
não foi estabelecido se essa vantagem representa um aumento do desempenho clínico.
Os BRAs inibem potentemente e de modo seletivo a maioria dos efeitos biológicos
da AngII, incluindo:
1) Contração do músculo liso vascular induzida pela AngII,
2) Respostas pressoras rápidas,
3) Respostas pressoras lentas,
4) Sede,
5) Liberação de vasopressina,
6) Secreção de aldosterona,
7) Liberação de catecolaminas pelas glândulas suprarrenais,
8) Aumento da neurotransmissão noradrenérgica,
9) Aumento do tônus simpático,
10)Alterações da função renal e
11)Hipertrofia e hiperplasia celulares.
Os BRA reduzem a pressão arterial em animais com hipertensão vascular renal e
genética, bem como em animais transgênicos com hiperexpressão do gene da renina.
Entretanto, os BRAs exercem pouco efeito sobre a pressão arterial em animais com
hipertensão com baixos níveis de renina (p. ex., camundongos com hipertensão induzida
por NaCl e desoxicorticosterona).
 Todos os BRAs são aprovados para o tratamento da hipertensão. Além disso, o
irbesartano e o losartano são aprovados para a nefropatia diabética, o losartano está
aprovado para profilaxia do acidente vascular encefálico, e o valsartano, para pacientes
com insuficiência cardíaca e para a redução da mortalidade cardiovascular em pacientes
clinicamente estáveis com insuficiência ventricular esquerda ou disfunção ventricular
esquerda após o infarto do miocárdio. A eficácia dos BRAs na redução da pressão arterial
Sidney Ferreira de Moraes Neto - Med2020 - 2017
é comparável àquela dos inibidores da ECA e de outros anti-hipertensivos estabelecidos,
com um perfil favorável de efeitos adversos. Os BRAs também estão disponíveis em
combinações de dose fixa com hidroclorotiazida e anlodipino.
 Todos os BRAs são aprovados para o tratamento da hipertensão. Além disso, o
irbesartano e o losartano são aprovados para a nefropatia diabética, o losartano está
aprovado para profilaxia do acidente vascular encefálico, e o valsartano, para pacientes
com insuficiência cardíaca e para a redução da mortalidade cardiovascular em pacientes
clinicamente estáveis com insuficiência ventricular esquerda ou disfunção ventricular
esquerda após o infarto do miocárdio. A eficácia dos BRAs na redução da pressão arterial
é comparável àquela dos inibidores da ECA e de outros anti-hipertensivos estabelecidos,
com um perfil favorável de efeitos adversos. Os BRAs também estão disponíveis em
combinações de dose fixa com hidroclorotiazida e anlodipino.
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Litíase Renal
Litíase renal ou calculose urinária é uma das doenças mais comuns do trato
urinário, apresentando elevadas taxas de incidência, prevalência e recorrência. Sua
existência é conhecida há séculos, com relatos de cálculos renais em múmias egípcias.
Independentemente da forma clínica de apresentação da litíase renal, as
consequências podem ser graves, como nos casos de litíase associada a infecção
urinária ou de obstrução crônica do trato urinário, que pode levar à perda definitiva da
função renal e à necessidade de diálise.
Dessa forma, o tratamento moderno da litíase renal deve não só incluir a
eliminação do cálculo, quando indicada, ou o tratamento da crise de cólica renal aguda
quando o paciente procura o pronto-socorro. É obrigatória a adoção de medidas clínicas
para impedir, ou dificultar ao máximo, a recorrência do problema.
Para maior compreensão dessa doença, abordaremos aspectos epidemiológicos,
fatores de risco, mecanismos de formação de cálculos urinários e formas de apresentação
clínica, incluindo aspectos de diagnóstico e tratamento.
Epidemiologia
A incidência anual de litíase atinge cerca de 1:1.000 pessoas na população geral.
Tem pico de incidência entre 20 e 50 anos, sendo mais frequente em homens, em uma
proporção de 3:1. Estima-se que 12% dos homens e 5% das mulheres apresentarão ao
menos um episódio até os 70 anos de idade. A raça caucasoide é a mais acometida. É
mais comum de ser observada em países desenvolvidos, talvez pela maior frequência de
hábitos alimentares pouco saudáveis,