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Resumo Perda de Sangue

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a
quantidade de água ingerida e a quantidade de sódio consumida pelo paciente, já que o
metabolismo do sódio está em balanço. Por exemplo,uma dosagem de sódio de 308 mEq
em 24 horas significa uma ingestão de 18 gramas de sódio (17 mEq de sódio = 1 grama
de sódio), ou seja, um valor bastante elevado, que contribui para a elevação da calciuria,
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conforme comentado anteriormente. Os valores de referência para as dosagens de urina
de 24 horas prestam-se não só ao diagnóstico do distúrbio metabólico, mas também ao
controle do tratamento.
Cabe ressaltar que as amostras de urina de 24 horas devem ser colhidas em
frascos com conservante ácido para cálcio, oxalato e citrato, e conservante alcalino para
ácido úrico, para evitar a precipitação dos sais. 
Todo paciente deve ser instruído a guardar os cálculos expelidos para posterior
análise; as chances de recuperação do cálculo estão aumentadas durante um episódio
de cólica ureteral ou após procedimentos urológicos como litotripsia e retirada do cálculo
por via endourológica. A análise do cálculo pode trazer subsídio adicional para definir a
anormalidade metabólica subjacente e orientar o tratamento.
Com relação aos exames de imagem, geralmente utilizamos ultra-sonografia (USG)
de rins e vias urinárias, radiografia de abdome, tomografia computadorizada helicoidal,
urografia excretora e renografia isotópica com diurético.
Quando há suspeita de obstrução urinária, a USG deve ser realizada, pois
apresenta alta sensibilidade (90%) e especificidade para o diagnóstico de hidronefrose.
Além disso, é um exame não-invasivo, de baixo custo e que pode ser repetido
frequentemente mesmo em pacientes com insuficiência renal aguda. A USG pode
determinar o tamanho e a forma dos rins, a presença de dilatação na pelve e nos cálices
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e demonstrar o afilamento do córtex em casos de hidronefrose grave. A medida do
espessamento do parênquima renal serve como um marcador indireto da duração da
obstrução. Quando a espessura do parênquima renal está reduzida, indicando obstrução
de longa duração, existem relatos de que, mesmo após um ano, pode haver recuperação
parcial da função renal após desobstrução. Combinada à radiografia de abdome simples,
a USG tem sensibilidadede78% para identificação de cálculo urinário obstrutivo.
A tomografia computadorizada (TC) é bastante utilizada, principalmente nos casos
em que a USG e a radiografia simples não identificaram o local da obstrução ou para
auxílio na programação de uma intervenção urológica. A TC tem a vantagem de detectar
uma dilatação do sistema urinário sem o uso de contraste. É muito útil em delimitar
órgãos pélvicos (bexiga e próstata), bem como para demonstrar anormalidades (distensão
ou obstrução de bexiga) secundárias ao aumento da próstata. A TC é excelente para
determinar causas intrínsecas, com sensibilidade de 100% para litíase ureteral e causas
extrínsecas de obstrução, como fibrose retroperitoneal, linfadenopatia e hematoma. Esse
exame também pode detectar patologias extra-urinárias e estabelecer causas de dor não-
urogenitais. A TC é superior na resolução e na representação dos detalhes em relação à
USG. 
A urografia intravenosa,ou pielografia intravenosa, está indicada nos casos de
suspeita de obstrução do trato urinário superior em pacientes com função renal
normal,não-alérgicos ao contraste e em mulheres não-gestantes. Esse exame pode
fornecer dados anatômicos e funcionais, particularmente do ureter, e a localização da
obstrução. Em razão da nefrotoxicidade do material utilizado para contraste,
especialmente em pacientes de alto risco, como diabéticos e renais crônicos, a urografia
intravenosa tem sido substituída por outros exames complementares como USG e TC.
Porém, pela alta capacidade de detectar o local da obstrução em uma significativa porção
de casos e de descrever a anatomia do trato urinário, a urografia ainda continua sendo
um método útil para o diagnóstico.
A renografia isotópica e com diurético apresenta 90% de sensibilidade para realizar
o diagnóstico de obstrução do trato urinário superior. É também altamente específica,
embora a dilatação da pelve renal ou de ureter decorrente de causas não-obstrutivas
possa resultar em diagnósticos falsamente positivos. Não tem utilidade na urgência, pois
demanda tempo e não faz diagnóstico etiológico. A renografia com diurético é utilizada
para diferenciar a dilatação com obstrução da dilatação sem obstrução. Após a infusão do
agente radioisótopo, é administrado um diurético de alça (furosemida). No caso de
dilatação com obstrução, após a administração do diurético a excreção urinária está
prejudicada.
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Síndrome Nefrítica
As doenças que produzem inflamação aguda em mais de 50% dos glomérulos
(glomerulonefrite difusa aguda) são aquelas que se exteriorizam de forma mais
exuberante com síndrome nefrítica, caracterizada por edema, hipertensão, hematúria e
graus variáveis de insuficiência renal, além de proteinúria pouco intensa (< 3,0 g/dia). As
formas proliferativas focais com menos de 50% de glomérulos acometidos se
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caracterizam por não apresentarem síndrome nefrítica plena, porém alguns de seus
sintomas e sinais, frequentemente apenas hematúria na ausência de edema e
hipertensão. Neste grande grupo de doenças, as causas imunológicas são as mais
comuns, como nefrite lúpica, nefropatia por IgA e glomerulonefrite difusa aguda. A sua
listagem detalhada está na Tabela I. Para o diagnóstico das glomerulopatias mais comuns
que se exteriorizam sob a forma nefrítica, alguns aspectos clínico-sorológicos são
importantes (Tabela II).
A clássica apresentação da síndrome nefrítica é vista na glomerulonefrite difusa
aguda pós-estreptocócica em crianças. Estas crianças geralmente se apresentam com
oligúria, ganho de peso e edema generalizado em poucos dias. A hematúria resulta em
urina mais marrom que vermelha, e coágulos não são vistos. A urina contém proteína,
hemácias e cilindros hemáticos. A proteinúria raramente é em valores nefróticas, e a
albumina sérica é geralmente normal. O volume circulante está aumentado com
hipertensão e, eventualmente, edema pulmonar sem evidência de doença cardíaca
primária.
O fluxo plasmático e a filtração glomerular caem em conseqüência à infiltração de
células inflamatórias e à proliferação de células residentes do glomérulo. Esses
fenômenos hemodinâmicos são agravados pela liberação na microcirculação de
substâncias vasoconstrictoras que contribuem para uma contração de mesângio
(leucotrienos, PDGF, tromboxanos, endotelinas) e que predominam sobre as
vasodilatadoras (óxido nítrico, prostaciclinas). 
Em função da queda da filtração glomerular ocorrem expansão de volume de fluído
extracelular, edema e hipertensão. Como resultado da lesão inflamatória da parede
capilar, aparecem tipicamente na urina hemácias dismorficas, leucócitos e proteinúria
subnefrótica. Hematúria macroscópica é relato frequente.
Síndrome Nefrótica
É uma síndrome clínicolaboratorial decorrente do aumento de permeabilidade Às
proteínas plasmáticas, caracterizando-se por proteinúria acima de 3,5g/1,73m2 de
superfície corpórea/dia, com consequente hipoalbuminemia e edema.
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O achado de hiperlipidemia não é obrigatório, porém é muito