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FISIOTERAPIA REUMATOLÓGICA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA 
FACULDADE DE MEDICINA – DEPARTAMENTO DE FISIOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FISIOTERAPIA REUMATOLÓGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta apostila foi elaborada pela 
professora Jennifer Granja 
Peixoto, responsável pela 
disciplina de Fisioterapia 
Reumatológica com intuito de 
oferecer aos alunos do Curso de 
Fisioterapia da Faculdade de 
Medicina da Universidade 
Federal de Juiz de Fora, 
conteúdo específico e material 
bibliográfico para servir de 
referência na busca incessante 
pelo conhecimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Juiz de Fora 
2009 
 
 
 2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Cada um que possui experiência e contato 
com o sofrimento dos outros é levado a 
desfrutar de um esquecimento transitório de si 
próprio” 
 
 Percy Bysshe Shelley (1792 – 1822) 
 
 
 
“... Mestre não é quem ensina, mas quem de 
repente aprende”. 
João Guimarães Rosa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3
 
SUMÁRIO 
 
 
 
CAPÍTULO I 
 
PRINCÍPIOS DA EXPLORAÇÃO DE UM PACIENTE COM 
ENFERMIDADE REUMÁTICA......................................................... 
4 
 
CAPÍTULO II 
 
RADIOLOGIA NAS ENFERMIDADES REUMÁTICAS................. 11 
CAPÍTULO III 
 
TECIDO CONJUNTIVO: Fisiologia e Mecânica - aplicações 
práticas.................................................................................................. 
12 
 
CAPÍTULO IV 
 
RECURSOS FISIOTERÁPICOS EM REUMATOLOGIA................ 23 
 
CAPÍTULO V 
 
SÍNDROMES DOLOROSAS REGIONAIS E SISTÊMICAS........... 48 
 
CAPÍTULO VI 
 
DOENÇAS DEGENERATIVAS......................................................... 77 
 
CAPÍTULO VII 
 
DOENÇAS SOROPOSITIVAS........................................................... 81 
 
CAPÍTULO VIII 
 
ESPONDILOARTROPATIAS SORONEGATIVAS.......................... 91 
 
CAPÍTULO IX 
 
ARTRITES MICROCRISTALINAS................................................... 96 
CAPÍTULO X 
 
DOENÇAS DO TECIDO CONJUNTIVO.......................................... 101 
CAPÍTULO XI 
 
VASCULITES SISTÊMICAS............................................................. 111 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 4
CAPÍTULO I 
 
DIAGNÓSTICO CINESIOLÓGICO FUNCIONAL 
 
 
 diagnóstico fisioterápico não é, apenas, um diagnóstico médico descritivo. 
Ele tem as suas especificidades. Apesar de alguns autores sugerirem que não 
é importante conhecer que tipo de doença um paciente possa apresentar e 
que, apenas com o conhecimento biomecânico podemos prover as necessidades do indivíduo, em 
reumatologia, dado às condições sistêmicas que porventura possa apresentar, é de suma 
importância para o fisioterapeuta que trabalha em reumatologia ter em mãos um diagnóstico 
médico preciso, que determine com clareza o fator causal do acometimento apresentado pelo 
paciente. Isto porque não é possível, em algumas doenças reumáticas, conseguir-se sucesso no 
tratamento fisioterápico se o paciente não estiver adequadamente medicado e sob orientação e 
acompanhamento médico. Em contrapartida, é fundamental que o fisioterapeuta elabore um 
diagnóstico em função do quadro clínico apresentado pelo paciente, identificando as disfunções 
apresentadas e associando-as às informações obtidas a partir da anamnese, do exame físico e 
funcional e dos exames complementares apresentados. 
Quando realizamos um diagnóstico incompleto, é claro que haverá falhas nos 
objetivos do tratamento e, conseqüentemente, o tratamento também será incompleto, havendo o 
risco de darmos alta antes de ultrapassada a última fase do processo de reabilitação. 
Além de oferecer a possibilidade de adequar melhor o tratamento às necessidades 
específicas do indivíduo, o diagnóstico cinesiológico funcional possibilita, ainda, prever o 
prognóstico potencial do indivíduo, ou seja, o tempo médio em que será necessário manter o 
tratamento e o nível de funcionalidade que se pode almejar. Adicionalmente, através do 
diagnóstico fisioterápico podemos definir as contra-indicações relacionadas e as prováveis 
comorbidades que podem vir a se instalar em cada caso individualmente. 
 
 
PRINCÍPIOS DA EXPLORAÇÃO DE UM PACIENTE COM ENFERMIDADE 
REUMÁTICA 
 
A exploração reumatológica é um exercício de anatomia aplicada, com a qual avaliamos 
o aparelho locomotor sem, no entanto, nos esquecermos que muitas patologias reumáticas afetam 
também outros sistemas. 
 
I - TERMINOLOGIA: 
 
���� Artralgia: dor de origem articular, não acompanhada necessariamente por anormalidades 
óbvias. 
���� Artropatia: anormalidade articular objetiva. 
���� Artrite: processo inflamatório articular. Toda artrite é uma artropatia, nem toda artropatia é, 
necessariamente, uma artrite. 
���� Condropatia: processo que dá lugar a uma perda de cartilagem articular. 
���� Monoartrite: artropatia/artrite que afeta uma só articulação. 
���� Oligoartrite/transtorno pauciarticular: artrite que afeta de duas a quatro articulações. 
���� Poliartrite: artrite que afeta mais de quatro articulações. 
���� Sinovite: inflamação clinicamente manifesta de uma articulação sinovial com inflamação na 
membrana sinovial e açulo de líquido. 
���� Capsulite: inflamação/alteração da cápsula articular. 
���� Tenossinovite: inflamação da bainha tendínea. 
O 
 5
���� Tendinose: processo inflamatório que acomete o tendão e que pode estar em diferentes fases, 
mas que é sempre acompanhada de necrose tecidual. 
���� Bursite: inflamação de bolsa sinovial. 
���� Entesopatia: anomalia de uma êntese - local onde estruturas fibrosas, como tendões e 
ligamentos, unem-se ao periósteo. 
���� Entesite: inflamação em uma êntese. 
���� Miopatia: transtorno/anomalia muscular. 
���� Miosite: transtorno muscular inflamatório. 
���� Subluxação: ocorre quando duas superfícies articulares estão alinhadas anormalmente, no 
entanto, mantém contado direto. 
���� Luxação: quando duas superfícies articulares estão tão desalinhadas que perdem o contato 
direto. 
���� Fotossensibilidade: desenvolvimento de exantema1 após exposição solar (raios UV). Ex.: 
pacientes com L.E.S. ou cutâneo (em 30 a 60%dos casos). 
���� Fotofobia: é o termo reservado para sensibilidade ocular à luz. 
 
II - SINTOMAS: 
 
É importante determinar: o lugar e a distribuição da alteração, o momento do início, 
os fatores desencadeantes precedentes, os fatores que acentuam ou aliviam os sintomas e as 
respostas dos sintomas às manobras especiais. 
 
II.1 - DOR: normalmente este é o motivo mais comum de queixa que leva o paciente 
a procurar ajuda. Em segundo lugar está a incapacidade funcional, seguida de 
deformidade/queixa estética. É importante solicitar ao paciente a assinalar, pôr a mão, no lugar 
onde a intensidade do fenômeno álgico é máxima e, posteriormente, em toda a região afetada. 
Isto nos permite maior acurácia na determinação da queixa do paciente evitando equívocos 
decorrentes de nomenclatura. Exemplo: "dor nos costados". 
Dor referida é quando a manifestação do fenômeno álgico se dá longe da estrutura 
que causa a mesma. É um erro de percepção ao nível do córtex sensorial devido às estruturas que 
derivam de um mesmo segmento embrionário e que compartilham de uma mesma inervação são, 
portanto, segmentares. Em geral, a dor referida se estende seguindo a distribuição segmentária, 
sem atravessar a linha média, mas nem sempre, obedecem exatamente à distribuição dos 
dermátomos conhecidos que variam de um indivíduo para outro.Normalmente, a dor referida se 
estende distalmente, desta forma, quanto mais distal é a estrutura somática lesada, mais exata 
será a localização da dor por parte do paciente, podendo-se desencadeá-la à palpação. Quanto 
mais superficial a estrutura mais precisa a sua localização e, ao contrário, estruturas profundas 
lesadas manifestam-se por dores difusas, sendo difícil precisar a origem da dor (Figura 1). 
Dor irradiada se distribui segundo o território de inervação da raiz nervosa lesada, o 
dermátomo, e pode ser desencadeada com os testes especiais (Figura 2). 
Embora a localização topográfica se produza ao nível do córtex sensorial, são células 
da região supraorbital do lóbulo frontal que se encarregam de registrar a sensação de dor e 
determinar sua intensidade, o que explica que o estado emocional do paciente possa exercer tanta 
influência sobre a “intensidade” da dor. O registro da memória da dor se dá nos lóbulos 
temporais e, a recordação desta, depende mais da duração que da intensidade. 
A dor protocinética é aquela que se acentua com o início da movimentação e 
melhora ao decorrer do mesmo, voltando a piorar com a atividade prolongada, sugerindo um 
provável problema mecânico. Já a dor pós-repouso piora com o início da movimentação implica 
em um marcado componente inflamatório. A dor noturna é um sintoma preocupante, pois se 
 
1
 Aparecimento de manchas ou pápulas (para além da mancha também há elevação da lesão) na pele. Este tipo de 
lesão pode ser única ou existirem várias e pode ocorrer apenas numa região específica do corpo (rash localizado) ou 
então espalhar-se por todo o corpo (rash disseminado ou generalizado) 
 6
trata de um reflexo de hipertensão intra-óssea e pode ser secundário a transtornos importantes, 
como a necrose avascular e o colapso ósseo de extremidades de uma articulação com dano 
severo. A dor óssea persistente diurna e noturna que independe do decúbito e de repouso ou 
atividade é típica das tumorações as quais podem ser invasões neoplásicas ou não. 
 
II.2 - RIGIDEZ: é uma sensação subjetiva de resistência ao movimento. É mais 
intensa pela manhã (pós-repouso) e após imobilização prolongada. Ao manter-se os movimentos 
normais a rigidez desaparece. A duração e a intensidade da rigidez de inatividade e da primeira 
hora da manhã refletem a gravidade da inflamação local, servindo também como parâmetro 
clínico evolutivo, já que a melhora clínica coincide com o encurtamento do período de rigidez. 
 
II.3 - EDEMA E DEFORMIDADE: os pacientes podem notar edema, mudança na 
coloração ou alterações do contorno ou no alinhamento de uma estrutura osteoarticular. Estas 
podem ser sensações reais ou puramente subjetivas. 
 
II.4 - DEFICIÊNCIA E INCAPACIDADE: a deficiência aparece quando uma 
estrutura não pode funcionar corretamente. Na incapacidade, essa deficiência interfere nas 
atividades diárias e na vida sociolaboral. Uma deficiência importante não tem necessariamente 
que provocar incapacidade, por exemplo: uma amputação acima do joelho não impede que o 
indivíduo trabalhe manualmente. No entanto, existem deficiências pequenas que causam 
incapacidades importantes, por exemplo: uma unha encravada em um jogador de futebol 
profissional ou uma tendinite de supra-espinhoso impedindo que o indivíduo realize sua higiene 
pessoal. 
 
II.5 - ENFERMIDADE SISTÊMICA: os transtornos inflamatórios do aparelho 
locomotor, com maior ou menor participação sistêmica, podem desencadear uma resposta aguda 
e provocar sintomas inespecíficos com repercussão sistêmica: febre, anorexia2, perda de peso, 
fadigabilidade, letargia3 e irritabilidade. 
Medicações podem, eventualmente, desencadear efeitos colaterais; um exemplo 
clássico dentro da reumatologia é a sensação de "boca seca" produzida pelo Triptanol , 
medicação utilizada no tratamento da fibromialgia. Um exemplo oposto são dores musculares 
difusas desencadeadas pela medicação utilizada no controle de dislipidemia, como a 
Provastatina e a Sinvastatina. 
 
II.6 - TRANSTORNOS/ALTERAÇÕES DO SONO: existem uma série de fatores 
que podem alterar o sono normal e provocar ansiedade e depressão, tais como: dor crônica, 
ansiedade causada pelas deformidades e morbidade da patologia além do efeitos secundários à 
utilização de alguns analgésicos e anti-inflamatórios, além de comprometimento da função 
sexual devido a artropatias importantes (do quadril e ou joelho, por exemplo). 
 
III - SINAIS : 
 
Ordem de exploração: inspeção em repouso; inspeção durante o movimento e 
palpação. 
 
III.1 - POSTURA: observe como o paciente dispõe a parte afetada. Uma articulação 
com sinovite tem hipertensão intra-articular e fica mais confortável naquela posição que produza 
menos pressão. Esta posição que em geral, é a de semiflexão, dependerá basicamente da 
configuração da cápsula articular (por exemplo, na sinovite gleno-umeral a posição antálgica é 
 
2
 Anorexia: perda ou diminuição do apetite. 
3
 Letargia: estado de morte aparente observado em histéricos, caracterizado por insensibilidade geral. O enfermo 
parece dormir. 
 7
de adução e rotação interna). Portanto, a postura e a restrição ao movimento podem sugerir o tipo 
de problema subjacente. 
 
III.2 - DEFORMIDADE: embora as deformidades possam ser observadas em 
repouso, a maioria delas são mais visíveis ao sustentar peso ou ao se utilizar a articulação. 
Muitas das deformidades combinadas recebem nomes ilustrativos, por exemplo, deformidade em 
pescoço de cisne quando há flexão de MCFs, hiperextensão da IFPs e flexão das IFDs; genu 
valgus, varus, etc. (Figura 3). 
 
III.3 - ALTERAÇÕES CUTÂNEAS: as cicatrizes superficiais ou as alterações 
epidérmicas como o eritema podem resultar de grande utilidade no diagnóstico etiológico. Um 
exemplo são as alterações cutâneas da artrite psoriásica e a perda da elasticidade e redução ou 
desaparecimento das dobras flexurais comuns na esclerodermia. 
 
III.4 - EDEMA: pode ser devido ao aumento de líquido (sinovite) ou a afecções dos 
tecidos moles, ou seja, pode ter origem intra ou extra-articular. O líquido intra-articular se 
acumula inicialmente e em maior quantidade nos pontos de menor resistência da anatomia 
capsular, produzindo um edema característico. 
Por exemplo: 
���� Nos derrames de joelho há acúmulo de líquido, primeiro, na depressão medial e, 
posteriormente, no espaço suprapatelar produzindo um edema em ferradura por cima e ao redor 
da patela. 
 
Observação: Dois testes são usuais: o teste da onda onde a palma da mão é utilizada para 
“ordenhar” um derrame potencial no compartimento medial. Logo após, uma manobra 
semelhante é realizada na superfície lateral e, quando o teste é positivo, há um “enchimento 
ondulante” do compartimento medial. Já o teste da tecla consiste na compressão anterior 
do compartimento suprapatelar, o que “força” o derrame para o espaço retropatelar, 
ficando a patela “flutuando”. 
 
���� A sinovite das articulações interfalangeanas se manifesta inicialmente em forma de edema 
póstero-lateral entre o tendão extensor e os ligamentos colaterais laterais; 
���� Os derrames gleno-umerais se acumulam na depressão triangular existente entre a clavícula e 
o deltóide, na frente do músculo peitoral; 
���� Os derrames de tornozelo se acumulam primeiramente em sua parte anterior e ântero-lateral. 
Em grandes quantidades há também o abaulamento da região posterior; 
���� No punho a sinovite é mais facilmente detectada palpando-se a superfície dorsal da 
articulação; 
���� No cotovelo o edema é bem percebido quando a articulação está em extensão total e, 
inicialmente, se acumula na prega flexural. 
���� Na coxofemoral o líquido se acumula na região inguinal. 
 
Observação:Quando se concentram pequenas quantidades de líquido em uma cavidade 
limitada, pode-se produzir o sinal de abaulamento também conhecido como sinal da onda. 
Em maiores quantidades o líquido produz o sinal de globo: ao se pressionar em um ponto, 
incham-se outras partes. 
 
III.5 - DOR À PALPAÇÃO: a localização precisa da dor à palpação é um sinal de 
grande utilidade na determinação da causa do mal que atinge o paciente. A dor ao redor de toda a 
articulação e, limitada por esta, é uma manifestação de patologia capsular/artropatia. A dor 
localizada na linha articular sugere a existência de um transtorno intracapsular, podendo ser um 
 8
sinal de sinovite ou mesmo, se localizada (como por exemplo, dor à palpação do compartimento 
tíbio-femoral ântero-medial) relacionadas às lesões de menisco medial. 
Já a dor à palpação em um ponto longe da interlinha articular sugere ser sinal de 
periartrite: tendinite, bursite ou entesopatia (Figura 4). 
 
III.6 - MÚSCULOS: a perda de massa muscular é um sinal freqüente, no entanto, 
pode ser de difícil detecção principalmente em indivíduos idosos. A sinovite produz rapidamente 
uma inibição local do reflexo tendíneo dos músculos que atuam sobre a articulação: a atrofia 
pode ser rápida (em poucos dias como ocorre nas artrites sépticas). As artropatias graves 
produzem uma ampla atrofia periarticular; a forma localizada é mais característica dos 
problemas mecânicos tendíneo-musculares. É importante buscar diferenciar a fraqueza muscular 
da fadiga generalizada que, em muitas patologias reumáticas freqüentemente fazem parte do 
quadro clínico. 
A força é mais importante que a massa muscular e pode ser mensurada pontuando-a 
de 0 a 5 de acordo com a escala de Medical Research Council: 
 
Grau Definição 
0 
1 
2 
3 
4 
5 
Não existe contração visível 
Contração visível ou palpável sem movimento 
Movimento quando se elimina a gravidade 
Movimento contra a gravidade 
Movimento contra a gravidade e com aplicação de uma carga 
Força normal (movimento contra uma carga importante) 
 
No entanto, este teste torna-se impróprio quando há dor intensa, a qual é um fator 
limitante. Para avaliação das mãos podem ser utilizados dinamômetros os quais possuem tabelas 
com valores referentes à normalidade os quais devem ser comparados àqueles obtidos durante 
exame físico. 
 
III.7 - CALOR: é um dos sinais de inflamação. Verifica-se com o dorso da mão a 
qual atua como um termômetro muito sensível que permite comparar a temperatura por cima e 
por baixo e na própria estrutura inflamada. 
 
III.8 - MOVIMENTO: deve-se mensurar, através de goniometria (aqui também a dor 
pode ser um fator limitante), a mobilidade articular ativa e passiva comparando-as entre si 
(diferenciação entre afecções articulares e periarticulares) e entre ambos os lados. Para tanto é 
necessário o conhecimento prévio da amplitude normal de movimento articular. 
As artropatias reduzem similarmente as ADM’s ativa e passiva. Se houver um 
comprometimento maior ativo que passivo é provável que se trate de um problema muscular, 
tendíneo ou motor. 
As características da dor durante o movimento têm grande importância diagnóstica. 
Dores em um só plano de movimento (esforço seletivo) são um sinal típico de lesões intra ou 
periarticulares localizadas. A dor uniforme em todos os planos de movimento deve-se mais a 
problemas mecânicos e as dores que aumentam no limite do movimento, o qual está restrito, são 
devidas à sinovite, aderências capsulares ou fibrose intra-articular. 
 
III.9 - CREPITAÇÃO: é um ruído audível e/ou palpável que se percebe durante todo 
o movimento da estrutura afetada. A crepitação fina pode ser ouvida através de um estetoscópio 
ou de palpação e acompanha a inflamação de uma bainha tendinosa, uma bolsa ou uma 
membrana sinovial. Já a crepitação grosseira pode ser ouvida à distância e habitualmente reflete 
uma lesão de cartilagem ou óssea onde há atrito. 
 9
Outros ruídos que podem ser ouvidos são os estalos tendíneos, normalmente sonoros, 
indolores freqüentes na parte superior do fêmur condição denominada de quadril estalante ou 
saltador; e os estalos articulares, comuns nas articulações dos dedos e que são devidas à 
produção e deslocamento de bolhas de gás intra-articulares. 
 
Observação: O que acontece quando “estalamos” os dedos? A cavidade articular é um 
espaço virtual com pressão negativa e que contém uma quantidade de líquido de espessura 
capilar, o qual é responsável por um acoplamento considerado perfeito e um baixíssimo 
índice de atrito. Quando se “estala” os dedos há uma ruptura nessa junção aderente 
através da criação de uma bolha de gás dentro da articulação, que cavita como um som de 
estalido, liberando energia em forma de calor além do som. Essa bolha de gás (que é visível 
nos raios-X) pode levar até trinta minutos para ser absorvida. Quando isso ocorre há o 
restabelecimento da aderência articular e a articulação pode ser “estalada” novamente. 
Embora não haja dados que sustentem que o ato de estalar os dedos leve à lesões intra-
articulares, o perfeito funcionamento mecânico da articulação é perdido quando há perda 
da pressão negativa, o que poderia facilitar mecanismos lesionais. Fato: é comum 
observarmos espessamento articular em pacientes que possuem esse hábito (o 
espessamento articular é um dos sinais de osteoartrite). 
 
III.10 - ESTABILIDADE: as lesões traumáticas e inflamatórias podem produzir 
instabilidade ligamentar ou capsular localizada. Observa-se, pois, uma mobilidade excessiva ao 
se forçar a articulação comparando-se com o lado oposto. 
 
III.11 - FUNÇÃO: observando-se o indivíduo em atividade, a forma com que se 
levanta, caminha ou segura um objeto, etc., somado ao conhecimento de como este realiza suas 
atividades de vida diária (o que realiza com dor, qual a intensidade desta, o que só consegue 
realizar com auxílio e aquilo que não consegue fazer) determina a gravidade da incapacidade. Os 
fatores emocionais decorrentes das limitações proporcionadas pela patologia, que depende mais 
do paciente que da própria patologia, são importantes na determinação do impacto funcional e os 
efeitos funcionais da enfermidade sobre o indivíduo. 
 
III.12 - HIPERMOBILIDADE GENERALIZADA: é um dos transtornos 
generalizados, assim como a fibromialgia, que pode passar despercebido a não ser que se pense 
especificamente nesta possibilidade. 
Acomete cerca de 10% da população a qual está nesta faixa indefinida dos limites da 
mobilidade articular normal. Embora a hipermobilidade possa ser normal, pode contribuir para a 
aparição de problemas locomotores, como tendinites e osteoartrite precoce. 
Dentro desses 10% está, também, um reduzido número de indivíduos com 
hipermobilidade secundária a alguma patologia, como por exemplo, a Síndrome de Ehlers-
Danlos. Para se avaliar uma possível hipermobilidade generalizada pode-se utilizar a pontuação 
de Beighton modificada (Figura 5). 
 
Diagnóstico de hipermobilidade generalizada 
 
1. Extensão do dedo mínimo > 90° (1 ponto para cada lado) 
2. Colocar o polegar paralelo e em contato com o antebraço (1 ponto para cada lado) 
3. Extensão do cotovelo > 10° (1 ponto para cada lado) 
4. Extensão do joelho > 10° (1 ponto para cada lado) 
5. Tocar o solo com as mãos planas e com as pernas retas 
 
����Pontuação máxima = 9 
����Hipermobilidade = 6 pontos ou mais 
 10
 
III.13 - REGISTRO DOS SINAIS DO APARELHO LOCOMOTOR: embora se 
possa registrar os dados da avaliação física sob a forma de notas, convém utilizar para este fim o 
homúnculo (diagrama esquelético), o qual é de grande ajuda uma vez que favorece a presteza 
durante a avaliação física. A forma de apresentação da artropatia (aguda, crônica ou 
reincidivante), também deve ser registrada (Figura 6). 
 
IV - ASPERTOS DA EXPLORAÇÃO GERAL:No contexto da exploração sistêmica global, pode-se prestar especial atenção à pele 
(incluindo o couro cabeludo, o umbigo, para se descartar uma psoríase oculta), as unhas, as 
mucosas (lesões assintomáticas como na Síndrome de Reiter e sintomáticas, como no Lúpus) e 
os olhos (epiesclerite 4, irite·, uveíte5 e conjuntivite6). 
A presença de nódulos tem especial importância nas patologias do aparelho 
locomotor. A maioria dos nódulos, qualquer que seja a etiologia, acomete as superfícies 
extensoras pouco protegidas (dorso das mãos, cotovelos) e em zonas de pressão (parte posterior 
do calcanhar e sacro) e têm relação com um pior prognóstico. 
 
V - ORGANIZAÇÃO DOS ACHADOS: 
 
Para que possamos estabelecer um diagnóstico correto, formular um protocolo 
adequado de tratamento e para acompanharmos a evolução clínica, faz-se necessário a 
organização da história e dos achados clínicos (Ficha de avaliação). 
 
 
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: 
 
CARRIE, M.H.; BRODY, L. T. Exercícios terapêuticos na busca da função. Guanabara 
Koogan, 2001. 
CHIARELLO, B; DRIUSSO, P; RADL, A.L.M. Fisioterapia Reumatológica. 1 ed., Manole, 
São Paulo, 2005 
CIPRIANO, J.J. Manual fotográfico de testes ortopédicos e neurológicos. 1. ed. São Paulo: 
Manole, 1999. 
CORRIGAN, B.; MAITLAND, G.D. Prática Clínica: ortopedia e reumatologia – diagnóstico e 
tratamento. São Paulo: Premier, 2000 
DAVID, C.; LLOYD, J. CASH. Reumatologia para fisioterapeutas. Premier, São Paulo, 2001 
DOHERTY, M.; Doherty, J. Reumatologia: exploracion clinica.[ S.l. ]: Wolfe Publishing 
EPSTEIN, O. et al. Exame Clínico. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. 
GOLDING, D.N. Reumatologia em medicina e reabilitação. São Paulo: Atheneu, 1999. 
Capítulo 5. 
HOPPENFED. Propedêutica ortopédica: coluna e extremidades. São Paulo: Atheneu. 
JUNQUEIRA, Lilia: Anatomia Palpatória: pelve e membros inferiores, 1ª ed., Ed. Guanabara 
Koogan, Rio de Janeiro, 2002 
LEE, D. A cintura pélvica: uma abordagem para o exame e o tratamento da região lombar, 
pélvica e do quadril. Manole, São Paulo, 2001 
MARQUES, Amélia Pasqual: Manual de Goniometria, 1ª ed., Editora Manole, São Paulo, 
1997 
 
4
 Episclerite: inflamação no tecido celular entre a esclerótica e a conjuntiva. 
5
 Uveíte: nome com que se conhece a iridociclite crônica, inflamação de todo o trato uveal (íris, corpo ciliar e 
coróides). Úvea: parte pigmentada e posterior da íris que serve para a nutrição do globo ocular. 
6
 Conjuntivite: inflamação da conjuntiva que é uma membrana delicada que forra as pálpebras e cobre a porção 
anterior do globo ocular. 
 11
PORTO, C. C. Exame clínico. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992. 
SANTOS, Ângela. Diagnóstico Clínico Postural, 2ª ed., Summus Editorial, São Paulo, 2001. 
SKARE, T. L. Reumatologia princípios e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. 
Unidade I, Cap. 5 
WEST, S.G. Segredos em reumatologia: respostas necessárias em rounds, na clínica, em 
exames orais e escritos. Porto Alegre: Artmed, 2000. p. 58 – 122. 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
RADIOLOGIA NAS ENFERMIDADES REUMÁTICAS 
 
1 – Diminuição da opacidade óssea (radiotransparência): 
Só é permissível sua visualização após perda de no mínimo 30% do cálcio contido no osso. 
Pode ser generalizado (desmineralização) ou localizado (lesão infecciosa, tumoral, traumática, 
etc.). 
 
2 – Aumento da densidade óssea (mais raro): 
Difusa: câncer secundário, intoxicação por metais pesados, sífilis, afecções congênitas. 
Localizada: reação óssea* ou processo patológico osteoblástico (tumores ósseos). 
* Reações Periosteais: quando um processo qualquer comprime o periósteo, este reage 
fabricando osso pela sua face profunda. 
 
���� Interlinha radiológica é constituída pela espessura do espaço articular e pelas espessuras das 
duas cartilagens articulares que são radiotransparentes. É, portanto, a distância que separa as 
duas lâminas ósseas subcondrais. 
���� Anquilose óssea é o desaparecimento da interlinha. 
���� Charneira cervicoccipital C1/C2: transoral (com a boca aberta). 
���� Espondilólise é o defeito (congênito?) de ossificação do istmo (principalmente em níveis 
mais inferiores). 
���� Espondilolistese é o escorregamento anterior de uma vértebra sobre a vértebra subjacente em 
virtude de uma espondilólise bilateral. Sua etiologia à partir de traumatismos é bastante discutida 
(talvez microtraumatismos em indivíduo predisposto) 
���� Retrolistese é o escorregamento posterior. 
 
���� Radiológicamente a osteoartrite se caracteriza por: 
1) Diminuição da interlinha articular (destruição da cartilagem articular é o primeiro evento e, 
devido à sinovite, inicialmente, têm-se um aumento da interlinha articular) 
2) Osteoesclerose subcondral (nas zonas de apoio – reação óssea à hiperpressão) 
3) Osteofitose marginal 
4) Geodos de hiperpressão (nas zonas de apoio) 
5) Deformidade articular 
6) Anquilose óssea 
 
���� Sindesmófitos: encontra-se, sobretudo, na coluna vertebral e trata-se de ossificação fibrosa 
periarticular – pontes ósseas (comuns nas doenças soro negativas). 
���� Disco intervertebral é um espaço radiotransparente (perfil). A altura varia segundo o nível 
considerado. Os discos menos espessos são os dorsais médios (T5 – T6); eles aumentam de 
espessura quando se afastam desse nível. 
Lombar em perfil: discos intervertebrais aumentam de espessura de cranial para caudal (salvo L5 
– S1 que é cuneiforme anterior). O disco mais espesso é o L4 – L5, que mede 1,5cm. 
 12
���� Forame de conjugação é o espaço compreendido entre o pedículo superior e o inferior: na 
cervical é estudado em oblíqua e nas regiões torácica e lombar é estudado em perfil. 
���� Na cervical os processos espinhos mais volumosos são C2 e C7. 
���� Hérnia de disco não é visualizada nos raios-X, o que se vê de frente, é uma abertura 
(pág.160, fig. II – 112) quando se faz exame dinâmico. 
 
 
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: 
 
MONNIER, J.P. Manual de Diagnóstico Radiológico. [ S.l. ]: Masson 
NOVELLINE, Roberta A; Fundamentos de Radiologia de Squire, 5. ed. São Paulo: Artmed, 
1997. 
TRIBASTONE, F. Tratados de exercícios corretivos aplicados à reeducação motora postural, 1 
ed. São Paulo: Manole, 2001. (Capítulo 4) 
 
 
CAPÍTULO 3 
 
TECIDO CONJUNTIVO: Fisiologia e Mecânica - aplicações práticas 
 
 
I - INTRODUÇÃO: 
 
 tecido conjuntivo representa, praticamente, 70% dos tecidos humanos. Seja 
qual for o nome que leve, tem sempre a mesma estrutura básica. Entre um 
osso e uma aponeurose, por exemplo, não há diferença fundamental. São 
diferenças apenas na distribuição dos elementos constituintes e nas substâncias fixadas pelas 
mucinas de ligação. 
 Os tecidos conjuntivos caracterizam-se por apresentarem tipos diversos de células, 
separadas por abundante material intercelular, sintetizado por elas. Banhando esse material e 
também as células há uma pequena quantidade de fluido, o líquido intersticial. O tecido 
conjuntivo apresenta uma grande capacidade de regeneração. 
Os tecidos conjuntivos variam consideravelmente tanto na forma como na função. 
Apresentam fibras colágenas, elásticas e reticulares, podendo existir mais de um tipo de fibra em 
um mesmo tecido. Desempenham as funções de sustentação, preenchimento, defesa, nutrição, 
transporte e reparação. As fibras predominantes de um mesmo tecido são as responsáveis pelas 
propriedades do mesmo. 
 
II - CLASSIFICAÇÃO: 
 
a) Tecido conjuntivo frouxo: por sua riqueza em glicosaminoglicanas, armazena 
água e eletrólitos, entre os quais predomina o sódio. Se houver acúmulo excessivo de líquido 
neste tecido, a área afetada torna-se edemaciada. Exemplo: tecido subcutâneo. 
b) Tecido conjuntivo denso: há predominância acentuada de fibras colágenas, sendo 
queas células mais numerosas são os fibroblastos. Possui certa resistência às trações em 
qualquer direção, como por exemplo, na derme. Já no tecido conjuntivo denso regular os feixes 
colágenos são orientados seguindo uma organização fixa, em resposta a trações exercidas num 
determinado sentido, como por exemplo, nos tendões musculares. 
O 
 13
c) Tecido conjuntivo de propriedades especiais: neste contexto enquadram-se os 
tecidos adiposo, elástico, reticular e mucoso. 
d) Tecido cartilaginoso. 
e) Tecido ósseo. 
 
III - COMPOSIÇÃO DO TECIDO CONJUNTIVO: 
 
É composto de três tipos de fibras e substância não fibrosa de fundo. 
 
III.1 - FIBRA COLÁGENA: é constituída por uma escleroproteína denominada 
colágeno. Sem o colágeno, o ser humano ficaria reduzido a um amontoado de células. Portanto, 
proporciona o arcabouço extracelular. O colágeno é a proteína mais abundante do corpo humano, 
representando 30% do total. 
���� O colágeno tipo I, principal constituinte da pele, tendão, osso e paredes dos vasos, 
é sintetizado pelos fibroblastos, células do músculo liso e osteoblastos. 
���� O tipo II, constituinte da cartilagem hialina, é produzido pelos condrócitos. 
 
As fibras do colágeno são muito duras, as suas duas principais propriedades físicas 
são grande força de tração e relativa inextensibilidade, ou seja, resistem à deformação por tensão 
sendo responsáveis pela força e rigidez do tecido. No entanto, a colagenase que está presente em 
muitos tipos celulares (fibroblastos, macrófagos, etc.) pode cindir o colágeno em condições 
fisiológicas tornando-o, então, susceptível de digestão por outras proteases neutras existentes no 
espaço extracelular. 
O seu metabolismo, nos tecidos normais, consiste em um equilíbrio entre biossíntese 
e degradação. São reabsorvidas durante o crescimento, remodelação, involução, inflamação e 
reparo dos tecidos. A reabsorção é iniciada por colagenases específicas que podem digerir as 
moléculas de tropocolágeno da fibra. 
O fator excitante para a secreção de colágeno é o tensionamento do tecido, mas de 
acordo com o tipo de tensionamento a secreção é diferente. Assim, alonga-se rapidamente sob 
cargas leves, de tal forma que, se a tensão for contínua e prolongada, as moléculas de colágeno 
se instalam em série. No entanto, sob tensões curtas e repetidas, as moléculas de colágeno se 
instalam em paralelo. Desta forma, o tecido se torna mais compacto, mais resistente, mas 
progressivamente menos elástico. 
Com o aumento da tensão as fibras continuam a endurecer. Resistem fortemente à 
força de deformação a qual começa a quebrar as pontes entre as moléculas e as fibrilas de 
colágeno. Quando um número substancial de pontes é quebrado, as fibras falham. 
 
 Tecidos com maior proporção de colágeno dão maior estabilidade. Ele é cinco 
vezes mais forte que a elastina. 
 
���� Alterações no colágeno que afetam a resposta sobrecarga – distensão: 
a) Efeitos da imobilização: ocorre um enfraquecimento do colágeno, diminuição na 
lubrificação e aumento nas adesões. O retorno é lento. 
b) Efeitos da inatividade (diminuição da atividade normal): ocorre uma diminuição 
no tamanho e quantidade de fibras colágenas, resultando em enfraquecimento do tecido. Ocorre 
um aumento proporcional na predominância de fibras de elastina, resultando em uma 
complacência aumentada. 
c) Efeitos da idade sobre o colágeno: diminuição da força máxima de tensão, 
diminuição no módulo elástico (rigidez aumentada) e a adaptação às sobrecargas fica mais lenta. 
Existe uma diminuição na hidratação, um aumento na tendência para síndromes por excesso de 
uso, falhas por fadiga e rupturas devido ao alongamento. 
 14
d) Efeitos dos esteróides: Em longo prazo, ocorre um efeito deletério sobre as 
propriedades mecânicas do colágeno, com uma diminuição na força de tensão. 
e) Efeitos hormonais: diversos hormônios influem no metabolismo do tecido 
conjuntivo. Como exemplo dessa influência pode-se citar o cortisol ou hidrocortisona, que 
inibem a síntese do tecido conjuntivo. 
 
III.2 - FIBRAS ELÁSTICAS: De cor amarelada tem como componente principal a 
elastina, uma escleroproteína muito mais resistente à distensão, ou seja, cedem mais facilmente 
do que o colágeno. Estas fibras cedem facilmente a trações mínimas (dão extensibilidade), 
porém, retornam facilmente as suas formas originais, tão logo cessem as forças deformantes. No 
entanto, falham abruptamente sem deformação com cargas mais altas (quando alongadas até 
150% de seu comprimento original). Os tecidos com maiores quantidades de elastina possuem 
maior flexibilidade. 
A elastina no organismo adulto se apresenta em contínuo catabolismo fisiológico, 
que é induzido pelas elastases e acelerado pela deposição de lipídeos e cálcio no tecido elástico. 
As alterações degenerativas das fibras elásticas relacionadas ao envelhecimento se iniciam por 
volta dos trinta anos (fragmentação, desgaste, calcificação = aumentando a rigidez), ficando mais 
acentuadas aos setenta. Há um progressivo desaparecimento das fibras elástica da derme 
superficial, com conseqüente aumento dos lipídios. Anormalidades de fibras elásticas são 
também encontradas na pele de jovens diabéticos. 
 
���� Elasticidade da pele: Através de sua elasticidade a pele permite os movimentos do 
corpo. Quando esta se distende além do seu ponto de equilíbrio elástico há solução de 
continuidade, havendo retração. 
A tensão da elasticidade varia de direção conforme a região do corpo e isto se deve à 
variação da direção geral das fibras colágenas e elásticas da derme. Em geral, no indivíduo 
adulto, as linhas de fenda são transversais no tronco e longitudinais nos membros, com 
modificações nas regiões articulares. A incisão cirúrgica feita ao longo ou entre as linhas de 
fenda provoca mínima dilaceração do colágeno da derme, sem retração, e a reparação é feita com 
pequena quantidade de tecido cicatricial. Se, no entanto, a incisão for realizada 
perpendicularmente as linhas de fenda há retração, dilaceração e desarranjo das fileiras de 
colágeno resultando em uma cicatriz extensa, aderida e feia devido a uma produção exagerada de 
colágeno. 
���� Comportamento mecânico do tecido não contrátil: É determinado pela proporção 
de fibras de colágeno e elastina e pela orientação estrutural das fibras. O colágeno é o elemento 
estrutural que absorve a maior parte da sobrecarga de tensão. 
a) Nos tendões, as fibras de colágeno ficam paralelas e, por esse motivo, podem 
resistir a maior carga de tensão; 
b) Na pele, elas são casuais e mais fracas para resistir à tensão; 
c) Nos ligamentos, cápsulas articulares e fáscias, as fibras de colágeno variam entre 
os dois extremos. 
 
Observação: O terapeuta precisa ter noção da característica e da “sensação” do tecido 
durante o alongamento, pois à medida que a sobrecarga é mantida, ocorre falha completa 
(ruptura). 
 
III.3 - FIBRAS RETICULÍNICAS: dão volume ao tecido. 
 
III.4 - SUBSTÂNCIA DE FUNDO: basicamente um gel contendo água 
(glicosaminoglicano), reduz a fricção entre as fibras (livre deslizamento) . 
 
 
 15
IV - CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO: 
 
Assim como todos os tecidos, o conjuntivo é formado por células conjuntivas com 
suas características e funções próprias: os blastos os quais determinam o aparecimento de vários 
tipos de tecidos. São osteoblastos nos ossos, condroblastos na cartilagem, fibroblastos no tecido 
fibroso, etc. Essas células em estrela comunicam-se entre si por seus prolongamentos 
protoplásmicos. Não têm nenhuma atividade metabólica. Sua função é apenas a secreção de duas 
proteínas de constituição: o colágeno e a elastina. Então temos: fibroblastos, macrófagos, células 
mesenquimatosas indiferenciadas, mastócitos, plasmócitos, leucócitos e célula adiposa. 
 
IV.1 - FIBROBLASTOS: é a célula mais comum do tecido,responsável pela 
formação das fibras e do material intercelular amorfo. Sintetiza colágeno, mucopolissacarídeos e 
também fibras elásticas. A célula jovem recebe a denominação de fibroblasto, enquanto que a 
célula madura, com pequena atividade de síntese, é chamada de fibrócito; este se situa entre as 
fibras por ele produzidas, enquanto que as células jovens encontram-se em intensa atividade de 
síntese. 
Os fibroblastos são particularmente ativos durante o processo de reparação. A 
atividade fibroblástica é influenciada por vários fatores, tais como regimes dietéticos e níveis de 
hormônio esteróide. Na deficiência de vitamina C existe uma dificuldade na formação de 
colágeno. No tecido conjuntivo adulto os fibroblastos só entram em mitose quando ocorre uma 
solicitação, como no caso de lesões. 
 
IV.2 - MASTÓCITOS: Ocorrem particularmente no tecido conjuntivo frouxo e 
situam-se em torno dos vasos sangüíneos. Em seus grânulos existem três substâncias ativas: a 
heparina (anticoagulante), a histamina e serotonina (agem no processo inflamatório). 
IV.3 - PLASMÓCITOS: Sintetizam os anticorpos circulantes e são pouco numerosos 
no tecido conjuntivo normal, aparecendo em grande quantidade nas áreas onde existe inflamação 
crônica. 
IV.4 - LEUCÓCITOS: Freqüentemente encontradas no conjuntivo (migram dos 
capilares e vênulas) aumentam sua migração na existência de processos inflamatórios. 
 
V - FÁSCIA: 
 
Anatomicamente a palavra fáscia designa uma membrana de tecido conjuntivo 
fibroso de proteção; de um órgão ou de um conjunto orgânico (fascia endocárdica, fascia 
parietalis). É também empregada para designar os tecidos conjuntivos de nutrição: fascia 
superficialis, fascia própria. Entretanto, não é dessa forma que nossas modernas técnicas 
fisioterápicas a consideram. 
Outro conceito é dado pelos osteopatas que foram os primeiros a ter noção de 
globalidade. Não são fáscias como freqüentemente se diz, mas fáscia. A palavra fáscia no 
singular não representa uma entidade fisiológica, mas um conjunto membranoso, muito extenso, 
no qual tudo está ligado em continuidade. Trata-se, desta forma, de uma entidade funcional. 
Esse conjunto de tecidos que constituem uma peça única trouxe a noção de 
globalidade, sobre a qual se apoiam todas as técnicas modernas de terapia manual. Seu principal 
corolário, base de todas essas técnicas, é que o menor tensionamento, seja ativo ou passivo, 
repercute sobre o conjunto. Todas as peças anatômicas podem, dessa forma, ser consideradas 
mecanicamente solidárias entre si, em todos os campos da fisiologia. 
Funções: 
1) Fornece estrutura que liga o músculo e assegura o alinhamento adequado das fibras 
musculares, vasos sangüíneos, etc. 
2) Permite que as forças, ativamente desenvolvida pelo músculo ou passivamente imposta sobre 
o músculo, sejam transmitidas por todo o tecido de forma segura e eficaz. 
 16
3) Fornece superfícies lubrificadas que permitem que o músculo mude de forma. 
 
Resistência articular: Cápsula 47%, Músculo (fáscia) 41%, tendão 10% e pele 2%. Então, é 
preciso “desprendê-la” para se conseguir mobilidade. 
 
VI - TECIDO ÓSSEO: 
O tecido ósseo é um tecido conjuntivo bem rígido, encontrado nos ossos do esqueleto 
dos vertebrados, onde ele é o tecido mais abundante. Suas funções principais são: sustentar o 
corpo; permitir a realização de movimentos; proteger certos orgãos e realizar a produção de 
elementos celulares do sangue. É importante realçar que o osso, in natura, possui uma matriz 
protéica que perfaz respectivamente 70% do volume e 30% do peso do osso; enquanto que a 
matriz inorgânica, que é formada principalmente pelo fosfato de cálcio, corresponde apenas a 
35% do volume e 60% do peso do osso. Os complementos restantes são devidos a outros 
elementos e principalmente a água. É conceito primário da física dos materiais que a estrutura de 
subsistência de qualquer substância, produto, objeto ou do corpo humano é a responsável pela 
sua resistência e sustentação. Logo, até pelo simples conhecimento da física básica, é possível 
entender de forma direta e simples, a razão do colágeno ósseo, estrutura de sustentação de vários 
tecidos humanos, inclusive do osso, estabelecer relação direta entre sua deterioração e o risco de 
fratura. 
 
����PROPRIEDADES ELÉTRICAS DO OSSO: Os fenômenos elétricos constituem 
acompanham os processos biológicos em todos os tecidos, incluindo o osso. 
As interações eletromecânicas agem regulando a proliferação, diferenciação e função 
celulares. As fontes de energia elétrica residem intrinsecamente dentro do osso, podem resultar 
de esforço aplicado ao osso, desse modo os componentes extracelulares do osso, principalmente 
o colágeno, agem como transdutores para converter energia mecânica em elétrica. As pesquisas 
visam definir as propriedades elétricas do osso e os mecanismos pelos quais os estímulos 
elétricos influenciam os processos biológicos no osso. 
Sabemos que as fontes extrínsecas da energia elétrica podem induzir a osteogênese e 
utilizadas terapeuticamente para promover a cicatrização de fraturas. 
 Em um osso longo, quando se coloca um eletrodo de registro na epífise e outro na 
metáfise, o da metáfise é negativo, em relação ao da epífise. Quando um eletrodo metafisário é 
progressivamente afastado da epífise, a negatividade vai decrescendo, tendendo a 
eletropositividade no meio da diáfise. 
Na área negativa observa-se um fluxo sangüíneo lento, uma pO2 baixa, pH alto e 
osteogênese. Quando uma determinada área do osso é fraturada, ela se torna negativa e a 
eletronegatividade de metáfise torna-se mais acentuada. À medida que a fratura cicatriza, as 
diferenças de potencial voltam ao normal. 
O osso mecanicamente comprimido gera um potencial elétrico. As áreas de 
compressão tornam-se eletronegativas e as de tração, eletropositivas. 
Quando um osso íntegro é sujeito a uma força compressiva aplicada na direção de 
seu eixo longitudinal, o periósteo é induzido a proliferar e formar osso novo. Por outro lado, a 
aplicação de uma força de tração, na mesma direção, promove um efeito osteolítico. Observando 
um corte longitudinal, de um osso longo, como o fêmur, podemos perceber maior espessura do 
osso cortical do lado côncava do que do lado convexo. Este mecanismo também está envolvido 
no realinhamento das fraturas pela ação do próprio peso corporal. 
 
���� CARGAS MECÂNICAS SOBRE OS OSSOS 
Forças atuam sobre os ossos de maneiras diferentes. A força gravitacional e a força 
capaz de quebrar um osso durante um acidente de esqui afetam o osso diferentemente. Uma 
consideração importante é a direção na qual a força é aplicada sobre o osso. As forças podem ser 
divididas em três categorias de acordo com a direção na qual elas atuam sobre os objetos. 
 17
a) COMPRESSÃO – pode ser entendida como uma força de aperto, uma maneira 
efetiva de desidratar pétalas de flores é colocada dentro de um livro e empilhar outros livros 
sobre o primeiro. 
b) TENSÃO – é uma força de estiramento que cria tensão no objeto sobre o qual ela 
é aplicada, contrariamente da compressão. Quando uma criança senta em um balanço, seu corpo 
cria uma tensão sobre as correntes que os sustentam. Força de tensão é exercida sobre o osso 
quando os músculos inseridos nele se contraem. 
c) DESLIZAMENTO – a força de deslizamento tende a causar um deslocamento ou 
deslizamento de uma parte do objeto sobre a outra, Por exemplo, uma força atuando sobre a 
articulação do joelho paralelamente ao platô tibial é uma força de deslizamento. Durante um 
agachamento, o deslizamento na articulação do joelho é maior quando ele esta na fase final. 
 
����ESTRESSE MECÂNICO 
Outro fator que afeta o resultado da ação de força sobre os ossos do corpo humano é 
a maneira pela qual estas forças estão distribuídas pelo osso. Enquanto pressão representaa 
distribuição externa de força sobre o corpo, o estresse representa a distribuição interna da força, 
aplicada extremamente sobre o corpo. Estresse pode ser quantificado da mesma forma força-
pressão por unidade de área sobre a qual ela atua. Uma força atuando sobre uma superfície 
pequena produz mais estresse do que a mesma força atuando sobre uma superfície maior. 
Quando um impacto é aplicado ao corpo humano, a probabilidade de lesão de tecidos corporais 
esta relacionada à magnitude e direção do estresse criado pelo impacto. Estresse opressivo de 
tensão e de deslizamento indicam, especificamente, a direção do estresse. 
Pelo fato de a vértebra lombar sustentar mais peso que a vértebra torácica quando 
uma pessoa está em pé, o estresse compressivo na região lombar deveria, logicamente, ser maior. 
Entretanto, a quantidade de estresse presente não é diretamente proporcional à quantidade de 
peso suportado porque as áreas da superfície de sustentação das vértebras lombares são maiores 
que as das vértebras superiores da coluna. 
 
����TORÇÃO, INCLINAÇÃO E CARGAS COMBINADAS 
Um tipo mais complicado de carga que os ossos devem suportar é chamado de 
inclinação. Compressão e tensão isoladas são forças axiais, ou seja, elas são dirigidas ao longo 
do eixo longitudinal do osso. Quando uma força excêntrica (não-axial) é aplicada à extremidade 
do osso, ele se curva, criando um estresse compressivo em um lado do osso e um estresse de 
tensão no lado oposto. 
Torção ocorre quando um osso é contorcido ao redor do seu eixo longitudinal, 
tipicamente quando uma de suas extremidades está fixa. Fraturas de torção da tíbia não são 
incomuns em acidentes de futebol ou de esqui, nos quais o pé é mantido em uma posição fixa 
enquanto o resto do corpo sofre uma torção. 
Devido ao fato de que os ossos do corpo humano estão submetidos à força 
gravitacional, forças musculares e outras, eles geralmente recebem a ação de forças de vários 
tipos. A presença de mais de uma forma é chamada de cargas combinadas. Forma irregular e 
estrutura assimétrica do osso também contribuem para a diversificação dos estresses presentes na 
resposta de uma determinada força externa. 
 
���� ORGANIZAÇÃO ESTRUTURAL 
A porcentagem relativa de mineralização óssea varia não apenas com a idade do 
indivíduo, mas também com a localização do osso no corpo. Alguns ossos de uma mesma pessoa 
são mais porosos que outros. Quanto mais poroso um osso, menor a proporção de fosfato e de 
carbonato de cálcio e maior a proporção de tecido ósseo não-mineralizado. O tecido ósseo foi 
classificado em duas categorias de acordo com sua porosidade. Se a porosidade é baixa – 5 a 
30% do volume do osso ocupado por tecido não-mineralizado – o tecido é chamado de osso 
cortical. Tecido ósseo com porosidade relativamente alta – 30 a mais de 90% do volume de osso 
 18
ocupado por tecido não-mineralizado – é conhecido como osso esponjoso. As maiorias dos ossos 
do corpo humanas têm camadas externas compostas de osso cortical, como tecido do osso 
esponjoso subjacente a esse osso cortical. 
A porosidade do tecido ósseo é importante porque afeta diretamente suas 
características mecânicas. Graças ao seu grande conteúdo mineral, o osso cortical é mais rígido, 
de tal forma que ele pode suportar mais estresse e menos alongamento ou deformação que o osso 
esponjoso. O osso esponjoso pode agüentar mais deformação antes de fraturar. A diáfise dos 
ossos longos contém uma grande quantidade de osso cortical. O conteúdo relativamente alto de 
osso esponjoso na vértebra contribui para sua capacidade de absorção de choques. 
As estruturas dos ossos são grandemente determinadas pelas naturezas das forças às 
quais eles estão sujeitos. A orientação trabecular, particularmente encontrada em regiões de 
grande estresse, como o colo do fêmur, resiste mais efetivamente às cargas habitualmente 
aplicadas. 
 
Observações: 
���� Efeito da inércia: 2 kg na ponta do pé implicam em 30% a mais de esforço de O2. No entanto, 
se tivermos 20 kg no tronco não aumentaremos o consumo de O2; ou seja, engordar na barriga é 
“menos ruim” que usar um sapato pesado, em termos de inércia. Isso embasa algumas 
orientações que o fisioterapeuta faz aos seus pacientes, tais como, carregar peso próximo ao 
tronco e evitar o uso de calçados demasiadamente pesados. 
���� Contração muscular: alguns grupos musculares podem exercer grandes forças (alavancas 
negativas conforme posição de trabalho) para produzir movimento ou postura. O melhor 
exemplo disso são os músculos paravertebrais. Onde, uma vez que o fulcro do movimento na 
coluna é em cima do núcleo pulposo e a musculatura se localiza posteriormente a ele, temos uma 
distância negativa para o fulcro funcionar. Assim, uma pessoa de 70 kg que sustente 20 kg à 60 
cm de distância do corpo, terá que produzir, na coluna, cerca de 400 kg com a sua musculatura, 
ou seja, a musculatura vai ter que fazer uma força de 400 kg para sustentar 20 kg à 60 cm. 
Isso embasa algumas orientações que o fisioterapeuta faz aos seus pacientes, tais 
como, carregar peso próximo ao tronco (assim faz-se menos esforço sobre o tecido ósseo da 
vértebra e tem-se menos gasto energético e sobrecarga muscular) e evitar o uso de calçados 
demasiadamente pesados. 
 
Conclui-se, desta forma, que o osso tem um aumento de qualidade com a atividade, 
com a tensão mecânica, com ação muscular e com a compressão. Uma vez que o osso se 
calcifica através da Lei de Wolf, ou seja, através de um efeito elétrico sobre o osteoblasto que 
exige carga intermitente, se um paraplégico for colocado em uma prancha ortostática não 
ocorrerá calcificação apenas em função da gravidade, visto que o osso necessita de descarga de 
peso para que isso ocorra. A qualidade do osso, desta forma, diminui por inatividade e ausência 
de forças, que pode ser ausência de força muscular ou uma ausência de força de gravidade. 
 
���� Qual a diferença entre osteopenia e osteoporose? 
Na osteopenia o osso matriz está preservado, a fibra colágena está inteira, o 
osteoblasto está normal. Entretanto, não há calcificação do tecido matricial. O osteoblasto forma 
um osso que depois será calcificado, portanto, na osteopenia todas as trabéculas estão presentes, 
entretanto, não foram calcificadas. Na osteoporose não há trabéculas. Elas começam a se perder, 
não tendo osso matriz para que o cálcio se deposite. Se o osteoblasto não fizer o osso primitivo 
para ser calcificado depois (ósteon), não adianta tomar cálcio uma vez que não há onde colocá-lo 
– o osteoblasto tem que fazer o osso previamente. 
Assim, na osteoporose temos perda do osso matriz e do osso calcificado. Entretanto, 
no exame de densitometria óssea a osteopenia assemelha-se à osteoporose, mas, na recuperação, 
isso não acontece. 
 19
Conclui-se, portanto, que o osso é parecido com concreto armado: tem o “ferro” que 
depois é “engessado”. O osteoblasto faz uma fôrma, no entanto, se não houver a guia, não há 
onde se depositar o cálcio (que vai engessar). Por este prisma, notamos que na osteoporose não 
há fôrma. Conseqüentemente, não adianta jogar cálcio (massa), pois não há onde depositá-lo. 
Precisamos do osteoblasto para fazer a fôrma. 
Osteopenia se trata com movimento. Se um indivíduo usa gesso, o osso fica 
osteopênico porque, pelo desuso, perde calcificação e não osteoblastos. Rapidamente, quando se 
impõe estresse, ele calcifica novamente. Quando o indivíduo apresenta osteoporose, uma série de 
medicações (estrógeno) tem que ser prescritas pelo médico, as quais vão estimular o osteoblasto 
a tentar refazer essas pontes. Neste caso, portanto, não adianta fazer só suplementação de cálcio. 
É preciso que o estrógeno seja administrado para que o cálcio seja aproveitado. 
A excreção de cálcio no idoso é muito grande. Portanto, se o indivíduo receber 
suplementação de cálcio que não puderser aproveitado, pode-se predispor à formação de pedras 
nos rins. Deve-se, então, mexer no mecanismo de formação do osteoblasto. 
 
Observação: Não é qualquer tipo de cálcio que é absorvido no corpo. O espinafre é bom por 
causa da grande concentração de ferro que existe nele? Não. As formas de ferro contidas 
no espinafre não são aproveitadas pelo corpo – tem ferro, mas não é em forma que o corpo 
absorva. Quando se come espinafre fica-se 24 horas sem se absorver cálcio. Além de não 
absorver o ferro, ele atrapalha a absorção do cálcio. 
Orientação que deve ser dada ao paciente: 
���� Comer verdura verde escura com exceção de espinafre. 
���� A casca de ovo é puro cálcio, mas só é absorvido quando torrado (em pó). 
Então: não é qualquer forma que é útil, é preciso saber quais são. O café e o chocolate 
também reduzem a absorção de cálcio pelo organismo e devem ser evitados por indivíduos 
com osteoporose. 
 
VII - CARTILAGEM: 
 
Avascular (nas bordas exteriores há alguns vasos, mas em pequena quantidade uma 
vez que a cartilagem é feita para ser amassada); alinfática; aneural e do tipo hialina (colágeno do 
tipo II + substância fundamental composta de proteoglicanas). Possui uma consistência 
esponjosa com “poros” muito pequenos. Seu reparo é feito por reposição fibrosa. 
 
Observação: Existem vários tipos de colágeno distribuído em todo o corpo. No cristalino, o 
que se troca quando se tem catarata é colágeno; conforme ele se organiza ele muda a 
característica, a ponto de no cristalino ser absolutamente transparente, na cartilagem ser 
translúcida, no osso ser fosca e no tendão ser branca. Uma cartilagem nova é azulada, 
quando fica velha ela adquire coloração esbranquiçada. 
 
VII.1 - FUNÇÕES: transmissão e absorção de choques. No entanto, a sua principal função é a de 
transmitir a carga e não absorvê-la visto que, em geral, ela é muito fina para absorver muita 
coisa. Assim, a cartilagem dissipa a carga por igual em toda a articulação. Além disso, mantém 
baixos níveis de atrito (propicia que os ossos se encontrem com um mínimo de atrito e um 
máximo de capacidade de transmissão de carga); é avascular e, ainda, aneural. A lesão de 
cartilagem, portanto, nunca é dolorosa. Sabendo que todos os vasos têm fibras finas 
transmissoras de sensações, a lesão de cartilagem não é dolorosa apenas porque é aneural, mas, 
sobretudo, porque é avascular. Portanto, a cartilagem não dói até desaparecer. A dor, quando 
surge, deriva do periósteo. 
As articulações que têm menor congruência são as que possuem a cartilagem mais 
espessa. Exemplo: joelho possui uma congruência pobre e uma cartilagem espessa. 
 20
Observação: Proteoglicanas vão resistir à compressão. Ficam misturadas nas fibras 
colágenas. Prendem moléculas de água – com o envelhecimento, perdem-se moléculas de 
proteoglicanas, “prendendo” menor quantidade de água (cartilagem mais ressecada, mais 
baixa - OA). 
 
VIII - CÁPSULA ARTICULAR: 
 
Compõe-se de tecido fibroso de espessura variável, onde predomina o colágeno do 
tipo I com fibras alinhadas ao longo do eixo do esforço tensional sendo, portanto, diferente da 
fáscia onde há o mesmo tecido alinhado de forma diferente. É revestida internamente pela 
membrana sinovial. Essa "membrana" é constituída de tecido fibroso vascular e células sinoviais, 
as quais formam umas fileiras descontínuas de células as quais não possuem uma aderência 
muito grande. Estas células, os sinoviócitos, são esparsos e distribuídos em uma camada muito 
fina, recobrindo internamente as cápsulas exceto os meniscos e a cartilagem. São muito 
vascularizadas, ricas em terminações sensitivas de propriocepção e de dor, além de terminações 
simpáticas. Quando há inflamação da sinóvia, como a que ocorre na artrite reumatóide, formam-
se vilosidades que invadem a cartilagem articular, o que recebe o nome de pannus. 
 
IX - CAVIDADE ARTICULAR: 
 
Possui uma espessura capilar, a pressão interna é negativa colaborando com a 
acoplagem. Há um mínimo de líquido suficiente para “grudar” uma coisa na outra. Se houver um 
derrame o sistema é destruído. A articulação assume, então, a posição de semiflexão uma vez 
que, nessa posição, uma maior quantidade de líquido é acomodada sem dor. O coeficiente de 
fricção é baixíssimo, pequenas proteínas - glicoproteínas que são liberadas da cartilagem que são 
capazes de manter o sistema funcionante. Reciclagem (renovação) da cartilagem é muito baixa, 
mas por causa desse coeficiente de fricção (de coisas que são liberadas pela membrana sinovial) 
tem-se uma vida muito longa. 
 
X - LÍQUIDO SINOVIAL: 
 
Derivado do plasma no qual se adicional mucopolissacarídeos e células da membrana 
sinovial. Possui uma característica de fluxo: quando se fica parado, a cartilagem descomprime e 
suga o líquido que estava solto na articulação. À medida que é submetida a uma carga, esse 
líquido é espremido para fora sendo absorvido pela membrana sinovial que o recicla, tira as 
impurezas e joga a nutrição de volta. Quando se tira a carga de cima da articulação, a cartilagem 
suga novo líquido: esse é o sistema de alimentação da cartilagem. Quando se tem um aumento 
nesse fluxo de líquido consegue-se mais lubrificação (na rigidez matinal isso não ocorre). Na 
presença de um derrame articular perde-se a pressão negativa e tem-se uma dificuldade na 
acoplagem ocorrendo todo um desarranjo muito sério. 
 
XI - BURSAS: 
 
São sacos fechados, com pressão negativa, com um pouco de líquido dentro e com 
coeficiente de atrito baixo. Caracterizam-se por serem revestidos internamente por tecido 
sinovial, o que facilita o deslizamento. Por dentro, comportam-se como membranas sinoviais, 
por fora, como cápsulas. 
Podem ser superficiais e profundas. As profundas têm-se ao nascimento, as 
superficiais são feitas conforme a necessidade. No calcâneo, onde há grande atrito com o sapato, 
só há o aparecimento de bursas quando o bebê começa a andar e usar sapatos. Da mesma forma, 
se houver colocação de pino ou de placa no osso em locais onde haja muito movimento, há a 
formação de bursas. 
 21
XII - BAINHAS TENDÍNEAS: 
 
São consideradas formas especiais de bursas profundas, nascemos com elas. Serve 
para modificar o ponto de aplicação de força e permitir que o tendão deslize com um mínimo de 
atrito, permitindo um movimento melhor. 
 
XIII - TENDÃO: 
 
Grandes forças de tensão e uma "elasticidade" quase perfeita, uma vez que as 
pequenas cargas fazem grande alongamento. Durante a ação de grandes cargas, o tendão segura 
primeiro e não o músculo em decorrência da presença do OTG. 
Importância da inextensibilidade: a menor contração muscular pode ser transmitida 
sem perda para as articulações. 
O músculo é muito elástico, já o tendão é mais duro, portanto, cargas excessivas 
podem deformar o tendão: arrebentar o colágeno que vai se soldar – perdendo suas 
características (limite de extensibilidade 4%). 
 
XIV - LIGAMENTOS: 
 
São bandas fibrosas que restringem o movimento com trajeto osso à osso e a 
classificação dependerá do conteúdo de colágeno e de elastina (é parecido com o tendão só que 
não é ligado à músculo). Exemplo de ligamento rico em elastina é o ligamento flavo da coluna 
(ligamento que é mais amarelado tem um conteúdo de elastina maior). 
 Suas funções são: manutenção da postura sem gasto energético, estabilidade do 
movimento, coordenação de ações complexas (ligamento cruzado, quando tensionado, permite 
que o joelho deslize em uma posição e não role). 
 
Observação: A limitação passiva vai determinar uma economia de movimento. Quando um 
ligamento é exercitado ele recebe um reforço em sua êntese fica, portanto, mais firme 
naquela inserção. Um atleta, por exemplo, tem ligamentos e tendões muito mais firmes nos 
ossos do que um indivíduo não atleta. 
 
Então, são maleáveis, flexíveis a fim de dar liberdade demovimento, mas fortes, 
rígidos e inextensíveis a fim de não ceder facilmente às forças aplicadas. 
É importante que os exercícios não sejam direcionados para alongar a cápsula e os 
ligamentos que são de comprimento normal. No entanto, quando o comprimento é menor que o 
adequado, faz-se decoaptação articular para se garantir um grau desejado de frouxidão. 
 
XV - MÚSCULO: 
 
���� Fibras tipo I: são vermelhas quando preparadas para microscopia (a olho nu todas as fibras 
são vermelhas). Possuem alto conteúdo de mitocôndrias que é o depósito de energia da fibra. 
Portanto, são fibras de contração lenta e resistentes ao trabalho prolongado. 
���� Fibras do tipo II: são pardas quando coradas (a preparação é para ver o conteúdo de 
mitocôndrias, não tem mitocôndrias - não cora). Realizam trabalho anaeróbio (depende do pouco 
armazenado para trabalhar - glicólise). São fibras de contração rápida, porém fadigam-se 
rapidamente. 
A contração muscular não ocorre de um só lado, a força é gerada tanto do lado da 
origem quanto da inserção. O movimento vai ficar na dependência de qual lado está imobilizado 
(de pé, deitado, etc.) uma vez que a força é exercida dos dois lados com sentidos opostos. 
 22
Organização das fibras: músculo fusiforme é mais capaz de movimento (quando contrai encolhe 
muito) e músculo peniforme é mais capaz de força (fibras oblíquas - quando se contraem 
encolhem pouco) com menor deslocamento. 
 
Importante 
���� Os tecidos adaptam-se às forças de alongamento, aumentando sua flexibilidade. 
���� Força baixa requer mais tempo para produzir a mesma quantidade de alongamento que força 
alta. No entanto, o alongamento que permanece é maior em forças baixas. 
���� Força alta e tempo alto: tem maiores riscos de causar dor e possivelmente ruptura do tecido. 
���� Quanto maior a velocidade de alongamento, maior a freqüência de impulsos gerados nas 
fibras aferentes = resposta reflexa mais intensa. 
���� O alongamento fornece um incremento da capacidade contrátil do músculo e não 
necessariamente, um aumento na força muscular. Quanto maior o comprimento do músculo 
maior sua capacidade de produzir tensão até determinado limite. O fluxo sangüíneo diminui 
durante o alongamento e, após, ocorre uma hiperemia reativa. Há também aumento na 
velocidade de produção de proteínas. Ao contrário, no desuso, a síntese protéica diminui e há 
aumento na deposição de colágeno desalinhado. É a primeira providência para restituir a 
eficiência do desempenho muscular. Então: 
Fazer de forma lenta e gradual evitando resposta mais intensa do arco reflexo. 
2) Proporcionar um padrão rítmico de repetição regular em intensidade e freqüência o que 
favorece a adaptação e habituação do receptor. 
3) Tempo? Estudos revelam que não há diferença entre 10 e 20 segundos, pois o fuso adapta-se 
rapidamente ao alongamento quando este é realizado com segurança – este é o fator 
determinante. 
���� Alongamento estático: passivo ou auto-passivo. É importante que se tenha cuidado com o 
paciente que sente dor. Ele pode acabar realizando o exercício erroneamente. Neste caso, é mais 
vantajoso darmos preferência aos exercícios passivos. 
����Alongamento ativo: É recomendável, pois o envolvimento do comando voluntário durante a 
atividade evoca o mecanismo de controle eferente sobre a informação sensorial, incorporando 
maior controle do fuso. 
���� Alongamento dinâmico: balístico e Kabat (interpretado como um movimento funcional pelo 
SNC). 
 
Observação: É imprescindível distinguir os tecidos a serem alongados, pois de acordo com 
suas propriedades, o alongamento pode sofrer alterações que contribuirão para a obtenção 
de melhores resultados e danos mínimos. Desta forma, um protocolo que já tenha sua 
eficiência comprovada em adultos jovens não pode ser imposto a indivíduos idosos ou a 
crianças. 
 
 
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: 
 
ALTER, M. Ciência da flexibilidade, 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 1999. 
GOLDING. Reumatologia em medicina e reabilitação. São Paulo: Atheneu, 1999. Capítulo 1. 
SKARE, T. L. Reumatologia princípios e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. 
TANAKA, C, FARAH. E. Anatomia funcional das cadeias musculares. São Paulo: Ícone, 1997. 
Capítulos 6 e 7. 
TRIBASTONE, F. Tratados de exercícios corretivos aplicados à reeducação motora postural, 1 
ed. São Paulo: Manole, 2001. 
 
 
 23
CAPÍTULO 4 
 
RECURSOS FISIOTERÁPICOS EM REUMATOLOGIA 
 
 
 
ara obtermos um benefício máximo de qualquer modalidade terapêutica, 
devemos entender as necessidades específicas de cada paciente, de sua 
patologia e a resposta fisiológica à modalidade específica. 
Quando o profissional clínico toma conhecimento do modus operandi de uma 
modalidade, este profissional passa a ter a possibilidade de prever, com elevado grau de acurácia, 
como deverá ser o regime terapêutico correto para determinada lesão ou afecção, sem ter que 
depender exclusivamente da experiência prática e do que ouviu de terceiros. 
 
 
Retirado do livro STARKEY, C.; Recursos terapêuticos em fisioterapia. 1. Ed. São Paulo: Manole, 
2001. Página 12. 
P 
 24
Observação: 
A reação fisiológica natural a qualquer forma de lesão é uma resposta inflamatória aguda, 
ou inflamação, que é o processo que mobiliza os sistemas de defesa do organismo. Os efeitos 
da inflamação são necessários para o processo de cura. Entretanto, se a intensidade ou 
duração da inflamação forem excessivas, o processo se torna deletério e a inflamação 
crônica se torna, ela própria, um evento debilitador. Portanto, a inflamação só é prejudicial 
para a cura quando se desenvolve sem controle. Com o emprego dos recursos terapêuticos 
podemos influenciar a duração e a magnitude da resposta inflamatória e impedir seus 
efeitos indesejáveis. 
 
I - CRIOTERAPIA: 
 
I.1 - MODOS DE APLICAÇÃO: 
���� Bolsas e/ou sacos de gelo (gelo + compressão + elevação = ICE associado ao repouso RICE) 
���� Bolsas de gel: alcançam temperaturas abaixo de zero sem que haja solidificação do material. 
Portanto, podem gerar lesões por congelamento mais facilmente. 
���� Bolsas químicas 
���� Spray de vapor refrescante: consiste na aplicação de substâncias químicas com propriedades 
voláteis, o cloreto de etila (possui alto potencial inflamável) ou fluorometano que são 
vaporizados sobre a pele em um movimento de varredura em uma única direção e de forma 
ritmada. Posiciona-se o tubo a mais ou menos 60 cm da pele, percorrendo-se 10 cm em 3 
segundos. 
���� Criomassagem 
���� Criocinética: aplicações intermitentes de crioterapia e exercícios ativos. A vasodilatação 
induzida pela criocinética é maior que aquela que ocorre pelas aplicações de calor, além disso, o 
exercício retarda o desenvolvimento de aderências e ativa o sistema linfático, dado que este 
requer ação muscular para ser bombeado. 
���� Crioestiramento: aplicações intermitentes de crioterapia e exercícios de estiramento podem 
também ser associados à criocinética. 
���� Banhos de imersão (turbilhão ou recipiente qualquer): a temperatura da água fica na 
dependência dos efeitos desejados. 
 
Observação: O gelo não remove o mecanismo sensor de dor, ele remove a dor residual. A 
dor durante o exercício após a crioterapia indica que este foi muito vigoroso e que o nível 
de atividade deve ser rebaixado. 
 
I.2 - EFEITOS FISIOLÓGICOS: 
É óbvio que o efeito vai depender da modalidade escolhida, do tempo e da 
temperatura da modalidade. Além disso, uns são benéficos enquanto outros são prejudiciais 
durante as várias fases da atenção fisioterápica. Devemos avaliar sempre o custo/benefício e 
decidir sobre a necessidade ou não de aplicação deste recurso. 
����Vasoconstrição que tem como objetivo conservar o calor corporal devido ação sobre o SNC 
(via simpático), ação direta sobre os vasos e ativação do hipotálamo posterior; 
����Diminuição doFluxo Sangüíneo ���� impede lesão tissular que ocorre nas 48/72h pós-lesão por 
diminuir a permeabilidade vascular, reduzindo assim o processo inflamatório; 
���� Diminuição do metabolismo ⇔⇔⇔⇔ necessidade de O2 pela célula diminui ���� diminui a hipóxia 
secundária. A aplicação induz à isquemia, no entanto, o custo/benefício é positivo. 
���� Nos cuidados imediatos pós-lesão a crio é benéfica, pois diminui a hipóxia secundária, já em 
processo inflamatório crônico o problema não é a injúria primária, mas a resposta inflamatória 
(irritativa) crônica a qual deve ser controlada; 
 25
���� Velocidade de condução nervosa periférica tanto em fibras mielínicas grossas quanto em 
fibras mielínicas finas diminui 2,4 m/seg/°C de resfriamento ���� a percepção dolorosa e a 
contratilidade muscular diminuem; 
���� Receptores periféricos se tornam menos excitáveis; 
���� Redução dos espasmos musculares ���� a responsividade do fuso ao alongamento diminui; 
���� Efeito analgésico também através do mecanismo de comportas; 
���� Aumento da rigidez tecidual e da viscosidade do líquido sinovial, o que aumenta também a 
rigidez articular, proporciona uma relativa dificuldade à realização de exercícios ativos, mas, no 
entanto, há diminuição do processo inflamatório e conseqüentemente da dor (custo/benefício 
positivo). 
 
���� Temperatura da superfície sofre um rápido declínio, o resfriamento ocorre em poucos 
minutos diminuindo a temperatura de superfície que se estabiliza em alguns graus acima da 
temperatura da modalidade; 
���� Temperatura dos tecidos profundos: existe uma correlação direta entre as temperaturas da 
superfície e subcutânea. A reação dos tecidos subcutâneos é a mesma que a da pele, porém, em 
menor magnitude e mais gradual. Portanto, a condução de calor continua após a remoção da 
modalidade. 
���� Temperatura intra-articular: dependendo da forma de aplicação tem-se maior ou menor 
diminuição da temperatura intra-articular. Sob a forma de sacos/bolsas de gelo moído é que 
ocorre uma maior redução da temperatura e onde o fluxo sangüíneo diminui, em média, 56%. 
Quanto maior a quantidade de tecido sobre a articulação, menor será a queda de temperatura. 
���� Reaquecimento após a aplicação de frio: depende da quantidade de calor removida e da 
quantidade de calor disponível para reaquecer a área (regiões mais ou menos vascularizadas). É 
muito mais lento que o resfriamento, quanto mais profundo o tecido e quanto maior o tempo de 
exposição ao frio, mais lento será o reaquecimento. 
 
Observações: 
���� Relação tempo/temperatura: quanto maior o tempo de exposição maior, ou seja, menos 
fria deve ser a temperatura da aplicação e vice-versa. 
 
���� Paralisia nervosa: 
A crioterapia produz vasoconstrição e a bandagem elástica gera pressão: ambas produzem 
ISQUEMIA que, somadas, levam a uma LESÃO NERVOSA. O indicativo de que ocorreu 
lesão nervosa é o aparecimento de dor, que aumenta progressivamente após a retirada da 
modalidade. 
Prevenção: controle do tempo de exposição ���� não exceder uma hora e não exagerar na 
compressão. 
 
����Hiperemia reativa: vasodilatação reflexa produzida pela exposição ao frio, insuficiente, 
no entanto, para promover um aumento da temperatura a valores encontrados 
anteriormente ao resfriamento. 
���� Outra hipótese aventada por alguns autores é que a redução da demanda metabólica 
resultaria em um acúmulo de hemácias saturadas, o que seria responsável pela coloração 
avermelhada. 
 
 I.3 - CONTRA–INDICAÇÕES: 
���� Fenômeno de Raynaud é um distúrbio vascular que apresenta alterações vasoespásticas no 
fluxo sangüíneo: um episódio de constrição de pequenas artérias e arteríolas (isquemia 
transitória) nas extremidades (dedos, ponta do nariz e/ou orelhas) que resulta em uma resposta 
colorida trifásica. A cor inicial é o branco, palidez isquêmica; depois o azul, cianose congestiva 
da pele e, em seguida, vermelhidão, hiperemia reativa. A vasoconstrição pode ser grande o 
 26
bastante para levar a uma oclusão completa dos vasos; adormecimento, formigamento e 
queimação também podem ocorrer durante os ataques; 
���� Qualquer outra doença vasoespástica (livedo reticularis, acrocianose). 
 
Observação: Doença de Raynaud é uma condição que afeta predominantemente as mulheres 
jovens nas quais, uma ligeira exposição ao frio ou distúrbios emocionais, resulta em 
Fenômeno de Raynald, conhecido como Fenômeno de Raynald primário e não associado a 
outras enfermidades. 
���� O Fenômeno de Raynald secundário está associado a um conjunto de outras enfermidades 
como trauma cirúrgico ou relacionados com uma ocupação (digitar ou operar britadeiras), 
também pode resultar de lesões neurogênicas (síndrome do túnel do carpo) e enfermidade arterial 
oclusiva e de um conjunto de outras enfermidades (esclerodermia). 
���� Hipersensibilidade ao frio: Deve-se suspeitar desta condição quando há uma resposta 
emocional muito severa (choro, por exemplo) no período de dor ou quando não ocorre adaptação 
nas seções seguintes. Os sinais e sintomas são: urticária, hemoglobinúria (presença de 
hemoglobina na urina devido à formação de aglutininas e hemolisinas ao frio), púrpura 
(hemorragia na pele devido à formação de crioglogulinas - proteínas anormais no sangue que 
formam um gel em baixas temperaturas), eritema ao frio (resposta anormal e congênita 
caracterizada por vermelhidão, dor severa, espasmo muscular e suor sem urticária). 
���� Atrite da anemia falciforme; 
���� Alterações cardíacas; 
���� Comprometimento da circulação local. 
 
II - ULTRA-SOM: 
 
Energia elétrica ⇔⇔⇔⇔ energia mecânica através de material piezoelétrico (PZT: titanato 
zirconato de chumbo). 
���� A freqüência tem a haver com a profundidade: 
3MHz – índice de atenuação maior: mais superficial (1 a 1,2 cm) 
1MHz – mais profundo (3 a 4 cm no máximo, considerando o tecido muscular) 
���� Área de aplicação efetiva (ERA) é importante para se saber a intensidade instantânea e é 
sempre menor que a área geométrica do cabeçote. É dado pelo fabricante. 
Ii = P (W). ERA(cm2) 
Exemplo: I = 0,8 W x 3,5cm2 então, Ii = 2,8 W/cm2 
���� A intensidade está relacionada com a profundidade: para cada 1cm atenua a metade. Este não 
é um cálculo absolutamente correto, pois depende do tecido insonado. Utilizando-se uma 
freqüência de 1 MHz há uma atenuação de 50% da intensidade ao se atravessar 9 mm de 
músculo e 48 mm de gordura subcutânea. Para um campo de 3MHz a intensidade será reduzida à 
metade através de aproximadamente 16 mm de gordura e 3 mm de músculo. 
 
II.1 - REGIME DE PULSO: 
���� Contínuo: quando se quer grande nível energético (1 a 3 MHz); 
���� Pulsado: o aparelho recorta tempos, quanto mais se recorta, menor é a quantidade energética 
(1, 3 e 5 MHz ���� todos os US’s de 5 MHZ são necessariamente pulsados). 
 
Observação: Dizer que se está fazendo terapia com US pulsado não significa que se está 
fazendo terapia atérmica. Isto dependerá do recorte e da intensidade utilizada. 
 
II.2 - EFEITOS MECÂNICOS: 
���� Micromassagem: as vibrações causam compressão e expansão do tecido conduzindo a 
variações de pressão. As conseqüências da diferença de pressão são: 
���� Trocas entre o volume das células corporais; 
 27
���� Trocas na permeabilidade das células e membranas tissulares; 
���� Melhora do intercâmbio de produtos metabólicos. 
A micromassagem gera calor por fricção. A quantidade de calor produzida difere em 
cada tecido e depende de vários fatores (pulso, intensidade, duração, coeficiente de absorção). O 
calor é gerado principalmente em pontos de reflexão do US. 
 
II.3 - EFEITOS BIOLÓGICOS: 
Dependendo da forma de pulso a micromassagem conduz a um predomínio do efeito 
térmico ou de outros efeitos (respostas fisiológicas às ações mecânicas e térmicas). 
���� Favorece a circulação sangüínea (vasodilatação) 
���� Relaxamento muscular (devido

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