Psicologia    Helen Palmer   O Eneagrama # Compreendendo se A Si Mesmo E Aos Outros Em Sua Vida
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Psicologia Helen Palmer O Eneagrama # Compreendendo se A Si Mesmo E Aos Outros Em Sua Vida

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O ENEAGRAMA

Compreendendo-se a si mesmo
e aos outros em sua vida

Helen Palmer

2a edição

Edições Paulinas

 2

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Palmer, Helen

O Eneagrama: compreendendo-se a si mesmo a aos outros em sua vida / Helen Palmer;
[tradução Marisa do Nascimento Paro]. - São Paulo: Paulinas, 1993. - (Coleção avulso)

1. Auto-avaliação 2. Eneagrama 3. Personalidade 4. Personalidade - Avaliação 5.

Tipologia 1. Título.

93-1510 CDD-155.26

Índices para catálogo sistemático:
1. Eneagrama: Tipologia: Psicologia 155.26
2. Tipos de personalidade: Psicologia 155.26

Título original da obra THE ENNEAGRAM - Understanding yourself and the others in
your life © 1988 do Centro para a Investigação a Treinamento da Intuição.
Publicado por Harper San Francisco, uma divisão da HarperCollins Publishers.
Tradução
Marisa do Nascimento Paro
Revisão a preparação dos originais
José Carlos M. Barbosa

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Às centenas de pessoas que observaram o seu próprio dilema interior a que nos deram
as suas histórias.
E a Sir John Pentland pelos seus conselhos a pela sua amizade.

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Nota aos leitores

Muitos leitores acabam se esquecendo que todo livro, traduzido ou não,

passa por uma revisão antes de ser publicado. Este é o procedimento comum,
em que o revisor faz algumas alterações no texto básico, sempre com vistas ao
seu aprimoramento, tendo, na escala hierárquica, plenos poderes para tal.

Na maioria dos casos, os resultados deste trabalho são bons, mas
normalmente isto ocorre sem nenhum contato entre revisor a tradutor,
configurando-se, às vezes, casos de mudanças não tão necessárias.

No caso específico desta obra, o procedimento foi diferente. Por
iniciativa do revisor José Carlos Martins Barbosa, mantivemos contato
permanente durante todo o processo de revisão e, respeitando a minha
tradução, ele trabalhou arduamente nela, com empenho e dedicação
incomparáveis, dando à obra uma fluência e leveza dignas desta nota aos
leitores, dignas deste crédito especial a ele. Suas contribuições enriqueceram
tanto o meu próprio trabalho, que minha consciência profissional me abrigou a
revelar este fato aos leitores.

Assim, sem desmerecer meu próprio trabalho em favor do trabalho de
José Carlos, pois nem ele o fez em nenhum momento, quem terminar dizendo
que os créditos deste resultado final não pertencem só a mim, mas também a
José Carlos, pessoa com quem tanto eu, quanto a editora, tivemos o prazer de
trabalhar e a quem muito devemos o enriquecimento de uma obra já tão rica a
complexa no original.

Marisa do Nascimento Paro

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Prefácio
Nunca conheci ninguém que não fosse interessado pelo tema da personalidade,

sobretudo pela descoberta de mais coisas a respeito da própria personalidade ou do
próprio tipo. Lembro-me de que, universitário ainda, ao me especializar no estudo da
personalidade, fazia todo teste psicológico que caísse em minhas mãos, imaginando o
que cada um deles poderia me revelar a respeito de minha pessoa. A maioria dos
alunos fazia o mesmo.

Por que temos tanto interesse em saber coisas sobre nós mesmos?

Um primeiro motivo é a simples curiosidade: o modo pelo qual mentes e
sentimentos funcionam desperta o interesse. Por que vejo esta situação desta maneira
precisa? Por que sinto esta emoção quando algumas pessoas sentem outra? Por que
meu amigo, com o mesmo conhecimento sobre a situação, se exaspera enquanto eu
me deprimo? É interessante pensar nestas coisas a conversar com outras pessoas a
respeito.

Um segundo motivo é de ordem prática: há muito sofrimento em nossa vida. Dor
física, expectativas frustradas, uma série de aborrecimentos a atrasos de pequena
monta, gente que não nos trata devidamente a assim por diante - tudo isso nos faz
sofrer. Uma reação comum ao sofrimento é culpar as circunstâncias externas. Se
minhas costas não doessem, se o empreiteiro tivesse cumprido a tempo o combinado,
se chegar ao trabalho não demorasse tanto, se as pessoas de fato reconhecessem
meu brilho a meu charme, então eu seria feliz de verdade. No entanto, à medida que
adquirimos certo conhecimento sobre nós mesmos, aprendemos que, embora haja
eventos externos que de fato nos perturbam, nós também criamos grande parte de
nosso sofrimento desnecessariamente. Se eu não erguesse objetos pesados com as
costas curvadas, se não tivesse fixado prazos desnecessariamente tão apertados, se
saísse para o trabalho dez minutos mais cedo a fim de não ser pressionado pelo
tempo, se não ansiasse tanto pela aprovação alheia, muito sofrimento desapareceria
de minha vida. O que existe em minha personalidade que me torna impaciente a
freqüentemente me causa sofrimento num mundo que tem um cronograma próprio?
Por que meu tipo psicológico me faz superestimar a aprovação alheia, mesmo que,
racionalmente, eu saiba que isso não é tão importante assim?

As teorias psicológicas convencionais sobre a personalidade podem muitas
vezes ser úteis, dando-nos insights sobre os motivos que nos levam a agir e a sentir
da maneira que o fazemos. Com menor freqüência, nos permitem transformar algumas
panes de nosso eu, causadoras de sofrimento desnecessário. Por vários fatores,
resultados práticos são mais raros que os insights. Após a leitura de certa teoria da
personalidade, por exemplo, alguns de nossos insights poderão estar equivocados;
não teremos entendido as idéias. Além disso, todas as teorias da personalidade são
apenas parcialmente verdadeiras, de modo que algo que, no sistema, pareça
revelador ou faça sentido, talvez não se aplique à realidade, ou possa até ser um
obstáculo a uma transformação pessoal. Igualmente, aspectos de nossa
personalidade que não estejam interessados na real compreensão de nosso ser (uma
imagem inflada de nós mesmos, por exemplo) podem bloquear a aplicação eficaz de
qualquer sistema de personalidade. E, às vezes, não basta um insight intelectual:
precisamos também do insight emocional que, geralmente, só se dá tom a ajuda de
um orientador ou de um terapeuta experimentado, ou então em decorrência do choque
provocado em nossa vida por um evento de grande intensidade.

Há outra razão importante para que a maioria de nós considere as teorias da
personalidade intelectualmente interessantes, mas tenda a se desapontar tom seus

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resultados práticos. Quase todos os sistemas de personalidade amplamente
conhecidos a geralmente aceitos não vão além do ordinário da vida.

As pessoas, em sua grande maioria, procuram orientadores ou terapeutas
porque estão infelizes em não ser "normais". Têm dificuldade no relacionamento com
outros, ou se sentem mal consigo mesmas, ou têm hábitos infrutíferos, causadores de
grande sofrimento. Querem ser pessoas normais, as quais, presume-se, se relacionam
facilmente com os outros, se sentem bem consigo mesmas a não sabotam a própria
vida. A vida normal, sem dúvida, tem seus altos a baixos, mas o aconselhamento e a
terapia psicológica podem às vezes (mas estão longe de fazê-lo sempre) ajudar as
pessoas a melhorar, a "normalizar" sua vida comum.

Na década dos cinqüentas, os psicoterapeutas começaram a atender a um novo
tipo de cliente, um tipo que descrevi em meu Waking Up (Despertando) (Shambhala,
1986) como o "descontente bem-sucedido". Esse tipo de pessoa é normalmente bem-
sucedido de acordo com padrões sociais contemporâneos,