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Anotações de STN  - Secretaria do Tesouro Nacional - Direito UFRJ

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Celebrado o convênio, cada unidade da federação decide aderir ou não a essa sistemática de tributação; aderindo, edita decreto para ratificar o convênio.
3.2 – Aplicação da Legislação Tributária
A incidência da legislação sobre os fatos concretos produz efeitos jurídicos, ou seja, direitos e obrigações para os envolvidos. A isso se chama aplicação da legislação, no caso, tributária.
Em matéria tributária, é fundamental o momento da ocorrência do fato gerador. Salvo alguma hipótese prevista no Código Tributário Nacional, uma norma tributária aplica-se a fatos geradores futuros ou que estejam pendentes.
1. ORIGEM DOS TRIBUTOS 
A origem dos tributos é muito antiga. Supõe-se que as primeiras manifestações tributárias foram voluntárias e feitas em forma de presentes aos líderes tribais por seus serviços prestados à comunidade.
Os tributos passaram a ser compulsórios quando os vencidos de guerra foram forçados a entregar a totalidade ou parte de seus bens aos vencedores. Após essa época, começou a cobrança, pelos chefes de Estado, de parte da produção dos súditos.
Na Grécia, instituiu-se o tributo administrado pelo Estado como se conhece hoje. 
Em Roma, cobrava-se imposto pela importação de mercadoria (portorium) e pelo consumo geral de qualquer bem (macellum).
Na Idade Média, os tributos eram cobrados como se fossem obrigações ou dádivas dos servos para com os seus senhores.
Na França de Luís XIV, o povo, onerado pelas constantes majorações tributárias, acabou por reagir violentamente, na Revolução Francesa (1789).
Os tributos tiveram origem com a evolução do homem, com a criação das primeiras sociedades.
Nos primórdios, o produto da arrecadação de tributos geralmente era utilizado para armar exércitos ou para promover festas.
Com a evolução das concepções de Estado, os tributos passam a ter o objetivo de propiciar o bem-estar social. 
6 – IMPORTÂNCIA DOS DOCUMENTOS FISCAIS 
A legislação prevê uma diversidade de documentos, utilizáveis conforme o tipo de operação realizada pelo contribuinte.
Os documentos fiscais com que as pessoas geralmente têm mais contato no dia-a-dia são as notas fiscais e os cupons fiscais.
Com respeito aos impostos indiretos, cujo pagamento, em última análise, recai sobre o consumidor final, os documentos fiscais que o contribuinte de direito – aquele que efetua o recolhimento do tributo, deve emitir nas operações sujeitas à incidência têm fundamental importância para o controle da arrecadação e para a apuração de valores sonegados ao Estado.
Cada imposto estabelece as espécies de documento fiscal que devem ser utilizadas pelo contribuinte, sendo que alguns impostos se servem de documentos já exigidos por outros.
A nota fiscal e o cupom fiscal não devem ser confundidos com documentos emitidos, principalmente no comércio varejista (mercados, restaurantes, bares, padarias, farmácias, comércio de material de construção e outros), com características semelhantes às dos documentos fiscais e que recebem nomes como comanda, orçamento, pedido, controle, controle interno, nota de controle, romaneio, senha, uso interno, conferência ou, simplesmente, nenhuma denominação.
Na época colonial, Portugal cobrava o “quinto” sobre as pedrarias, as “dízimas” de todos os produtos e os “direitos alfandegários” que incidiam sobre toda mercadoria importada ou exportada.
A forma mais típica de imposto no País surgiu na época das Capitanias Hereditárias, quando se iniciou a cobrança do Imposto de Consumo. Foi, entretanto, apenas com a decretação do Ato Adicional, em 12/8/1834, que se traçaram os limites e os fundamentos do Direito Tributário Nacional. Desde então, sucederam-se as disposições que criaram, alteraram e suprimiram tributos, modificando as competências tributárias.
A receita pública sempre esteve ligada aos regimes econômicos que predominaram na história da humanidade. Com o advento do capitalismo, as receitas públicas derivadas passaram a ser a principal fonte de recursos do Estado.
Por receitas derivadas entendem-se aquelas cobradas por força de lei, assim chamadas porque derivam do poder do Estado de instituir o tributo. São os tributos e as penalidades pecuniárias. 
Há ainda as receitas originárias, aquelas produzidas por bens e empresas de propriedade pública. São assim chamadas porque têm origem no patrimônio do Estado.
2. SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL
 
2.1 – Competência Tributária 
Os três níveis de governo estão autorizados pela Constituição Federal – CF a instituir e cobrar tributos. Essa autorização compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações estabelecidas na própria Constituição.
Três são as espécies tributárias previstas na Constituição Federal: impostos, taxas e contribuição de melhoria. 
A competência para instituir taxas e contribuição de melhoria é comum aos três níveis de governo. A instituição de imposto, entretanto, é privativa. Dessa forma, por exemplo, se aos Estados compete instituir e arrecadar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA, a sua omissão não autorizaria a União ou os Municípios a instituí-lo.
Taxas e contribuição de melhoria podem ser instituídas e cobradas pelos três entes políticos, desde que promovam a atuação estatal nas hipóteses a seguir:
taxas: prestação de serviço ou exercício do poder de polícia;
 b) contribuição de melhoria: realização de obra pública que beneficie propriedade imobiliária.
A diferença fundamental do ITBI, de competência municipal, em relação ao ITCMD, de competência estadual, está no fato de o ITBI incidir sobre transmissão inter vivos, por ato oneroso – compra e venda, enquanto o ITCMD incide sobre doação e transmissão causa mortis.
5.1.2 – Impostos dos Estados
Aos Estados e ao Distrito Federal cabem os seguintes impostos: 
5.1.2.1 – Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos - ITCMD
Incide sobre a transmissão de quaisquer bens ou direitos, desde que decorrentes de causa mortis ou a título gracioso (doação).
Possui as seguintes características:
fato gerador: é a transmissão por morte ou por doação de quaisquer bens ou direitos;
contribuinte: é o herdeiro ou o legatário, ou seja, quem recebe a herança ou o legado, no caso de transmissão causa mortis, e o donatário, no caso de doação;
base de cálculo: é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos;
alíquotas: variam de 2% e 4%.
5.1.2.2 – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviço de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS
Possui as seguintes características:
fato gerador: é a circulação de mercadoria (inclui minerais, combustíveis e energia elétrica), a prestação de serviços de transporte intermunicipal e interestadual e a prestação de serviços de comunicação (somente quando a comunicação for onerosa);
contribuinte: é aquele que promover a operação ou a prestação objeto de incidência do imposto;
A expressa determinação contida na CF/88 de que União, Estados, Distrito Federal e Municípios estão proibidos de instituir impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços uns dos outros é um exemplo de imunidade.
2.2 – Obrigação Tributária
Juridicamente, uma obrigação consiste no fato de que determinada pessoa (devedora) está obrigada a satisfazer outra (credora) de uma prestação correspondente a entregar alguma coisa ou a praticar certo ato ou, ainda, a se abster de certo ato ou fato (fazer ou não fazer), sob pena de sanção.
As obrigações tributárias são de duas espécies:
a obrigação principal surge com o fato gerador, diz respeito ao pagamento de tributo, penalidade pecuniária ou ambos, além dos acréscimos, e cessa com a extinção do crédito tributário; 
a obrigação