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Anotações de STN  - Secretaria do Tesouro Nacional - Direito UFRJ

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a saída dos produtos industrializados de estabelecimento importador, industrial, comerciante ou arrematante; 
a arrematação de produto, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão;
A proibição de confisco busca proteger o contribuinte contra a possibilidade de o ente tributante vir a tomar totalmente o seu patrimônio ou a sua renda.
O Código Tributário Nacional – CTN, instituído pela Lei n.º 5.172, de 25.10.66, corresponde à primeira codificação de Direito Tributário no Brasil e vigora desde 1º.1.67. 
3.1 – Vigência da Norma Tributária
Vigência é o atributo de validade formal da lei que a torna apta a exigir o seu cumprimento pela sociedade.
A regra geral é que a própria norma fixe o início da sua vigência. Se isso não constar no texto legal, a norma começará a vigorar 45 dias após a data de sua publicação, conforme Lei de Introdução ao Código Civil. O mais usual tem sido a publicação de normas com a expressão: "Esta(e) lei, decreto, portaria, etc. entra em vigor na data de sua publicação.".
É possível, também, que a vigência seja previamente estabelecida pelo legislador, com termo fixo, condicionamento a fato ou a acontecimento futuro, ou, ainda, com subordinação da norma a situação provisória (eficácia temporária).
Quanto à vigência no espaço, a regra geral é que a norma tenha validade no território do ente tributante que a edite (União, Estado ou Município). Para que uma legislação seja válida fora de seu território (extraterritorialidade), há necessidade de que os entes firmem tratados ou convênios ou de que assim disponham normas gerais editadas pela União.
A capacidade contributiva tem como parâmetro o patrimônio, os rendimentos e a atividade econômica do contribuinte e, não, sua disponilidade financeira.
Princípio da proibição de confisco. Somente a análise de cada caso permitirá dizer se há ou não confisco, uma vez que tributos com características diferentes comportam parâmetros diferentes. 
 Princípio da não-cumulatividade. Estabelece que o imposto (ICMS ou IPI) pago em etapas anteriores pode ser compensado no momento do cálculo do montante devido.
Princípio da imunidade recíproca. Um ente tributante não pode exigir imposto dos demais. Essa vedação não alcança as taxas e a contribuição de melhoria. 
 A uniformidade recai sobre o objeto, diferindo da isonomia que recai sobre as pessoas. Não admite diferenciação de tratamento tributário entre bens e serviços em razão de procedência ou de destino.
4 – ESPÉCIES DE TRIBUTOS
A palavra “tributo” vem do latim “tributum”. Diz respeito àquilo que, por dever, se entrega ao Estado.
Características dos tributos:
são devidos a um ente público (União, Estado ou Município);
têm fundamento jurídico no poder soberano do ente tributante;
sua finalidade é obter meios para o atendimento das necessidades financeiras do Estado.
De acordo com o Código Tributário Nacional:
"Tributo é toda prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada."
 Explicando melhor o que é tributo:
“toda prestação pecuniária compulsória” – aquilo que é obrigatório dar, pagar ao Estado;
“em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir” – o pagamento é em dinheiro ou a lei poderá admitir que ele seja feito em algo equivalente, em moeda, ou nela conversível;
“que não constitua sanção de ato ilícito” – tributo não é multa; esta, sim, constitui sanção pecuniária decorrente de ato ilícito;
“instituído em lei” – sem lei que o institua não existe tributo;
“cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada” – a cobrança deve ser realizada conforme determina a lei, não comportando discricionariedade do administrador público. 
A Constituição federal prevê três espécies de tributo:
os impostos;
as taxas;
a contribuição de melhoria.
O tributo hoje desempenha papel fundamental como instrumento de justiça social e de diminuição das diferenças econômicas entre classes. 
Para facilitar a arrecadação e o controle, no caso de produtos como cerveja, chope, refrigerantes, medicamentos, pneus, cimento, tinta, cigarros, etc., o ICMS é recolhido por substituição tributária, sendo responsável pelo recolhimento o industrial/ fabricante. A tributação não ocorre, portanto, no comércio varejista. 
Exemplos de obrigação tributária: 
obrigação principal: pagar imposto, multa e juros;
obrigação acessória: emitir nota fiscal, escriturar livros fiscais, prestar informações ao fisco. 
Energia elétrica, telefonia, TV por assinatura e transporte intermunicipal e interestadual são tributados pelo ICMS.
Tratados e convenções internacionais são atos firmados pelo Presidente da República ou pelo Ministro das Relações Exteriores. Precisam ser referendados pelo Congresso Nacional e, após ingressar no ordenamento jurídico por meio de decreto legislativo, passam a ter força de lei ordinária. Revogam ou modificam a legislação interna, devem ser observados pela legislação posterior e não podem contrariar as disposições constitucionais.
Os decretos são regulamentares, quando disciplinam determinada lei, ou autônomos, quando tratam de atos normativos da administração. Não criam obrigações não previstas em lei nem podem contrariar texto expresso de lei ou da Constituição. Não criam nem alteram tributos; somente podem regulamentar o que já estiver previsto em lei. 
Decretos regulamentam, por exemplo, obrigações acessórias, como a inscrição de contribuinte no cadastro, modelos e forma de escrituração de livros fiscais, modelos e forma de preenchimento de documentos fiscais, modelos e forma de entrega de declarações e informações para uso das repartições fiscais e outras.
Hierarquicamente inferiores a tratados e convenções, leis e decretos, as normas complementares, como portarias, resoluções, instruções normativas e outras, também tratam de tributos.
A principal função do IOF é servir de instrumento de política econômica.
O IPI é não-cumulativo; o montante devido resulta da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o imposto pago relativamente aos produtos nele entrados.
 Princípio da irretroatividade da lei. A lei não retroage, a menos que seja benigna ao contribuinte.
 Princípio da isonomia. Aparece na Constituição de 1988 como um dos cinco direitos fundamentais. Trata-se da igualdade de todos perante a lei. Esse princípio deve ser interpretado utilizando-se a lição de Aristóteles, para quem "A verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, à medida que se desigualam.". 
 Princípio da uniformidade da tributação. Proíbe tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção e preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município. A Constituição Federal permite, entretanto, que a União exerça política de incentivos fiscais para promover o equilíbrio entre as regiões do País. A Constituição refere-se apenas à União; esse princípio, todavia, aplica-se também aos demais entes tributantes. 
Princípio da capacidade contributiva. Visa à justiça fiscal e social, exigindo mais de quem tem maiores condições econômicas e aliviando os contribuintes com menor capacidade de contribuição. Em respeito a esse princípio, a legislação tributária deve utilizar alíquotas progressivamente diferenciadas e redução parcial ou total de base de cálculo.
O princípio da legalidade garante às pessoas a segurança de que somente terão de contribuir se a lei assim o estabelecer.
Princípios gerais