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Anotações de STN  - Secretaria do Tesouro Nacional - Direito UFRJ

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enfatizam os empresários, nem vem caindo como é alegado pelo governo. De fato, o que ocorre é sua má distribuição.
10 – VINCULAÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁRIAS
A Constituição Federal impede que a lei do orçamento ou qualquer outra vincule percentuais ou volume de arrecadação de impostos a qualquer órgão, fundo ou despesa, ressalvando apenas vinculações constitucionais estabelecidas, como, por exemplo, a de que a União deve aplicar nunca menos que 18% e os Estados e Municípios, nunca menos que 25% da receita com impostos, inclusive transferências recebidas em razão de impostos repartidos, na Educação.
 
11 – CONCLUSÃO
O tributo é cobrado porque ele é o custo do contrato social, da vida em sociedade. Infelizmente, muitos parecem pensar e agir como se os benefícios sociais fossem gratuitos; na verdade, os bens e serviços públicos são custeados pelos tributos pagos pelo cidadão. 
Diretamente, os tributos revertem para a sociedade em forma dos bens e serviços públicos, tais como: segurança pública, saúde, educação, justiça, sistemas de transportes, etc. 
Indiretamente, seu retorno para a vida social está nos efeitos na distribuição de renda (em tese, ao arrecadar dinheiro de quem tem para distribuir a quem não tem, os tributos potencialmente reduzem as desigualdades sociais), no incentivo ao desenvolvimento regional ou setorial, na regulação do comércio interno e externo.
O objetivo do FUNDEF é corrigir disparidades regionais e sociais, permitindo a ampliação da oferta de ensino de 1º grau e ao mesmo tempo a valorização do magistério, pois impõe que 60% de seus recursos sejam destinados ao pagamento de professores do ensino fundamental em efetivo exercício no magistério. 
9 – O FUNDEF
A Emenda Constitucional 14/96 estabeleceu outra forma de repasse referente aos recursos arrecadados com impostos, criando, no âmbito de cada Estado, um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério, conhecido pela sigla FUNDEF e composto por 15% (quinze por cento) dos recursos:
destinados ao FPE;
destinados ao FPM;
do fundo de ressarcimento às exportações (10% do IPI);
do fundo de ressarcimento pela desoneração decorrente da LC 87/96;
do ICMS que cabe aos Estados;
do ICMS que cabe aos Municípios.
O rateio do FUNDEF é feito entre o Estado e os seus Municípios, proporcionalmente ao número de alunos matriculados no ensino de 1º grau, sendo que, aos valores recebidos, deverão ser acrescidos:
pelo Estado, 15% da parte da arrecadação que lhe cabe no IPVA e 15% do que arrecadar com o ITCMD;
pelo Município, 15% do que arrecadar com os impostos municipais (ISS, Inter Vivos e IPTU) e 15% da parte que receber do IPVA.
A remuneração dos serviços públicos decorrentes de concessão (água, energia elétrica, esgoto, telefone e outros) dá-se pelo pagamento de tarifas, que não estão sujeitas às normas legais do Sistema Tributário, ou seja, não são tributos.
Decreto Legislativo é uma norma editada pelo Poder Legislativo que não é submetida à sanção do Presidente da República.
22,5% para o Fundo de Participação dos Municípios-FPM, que é distribuído aos Municípios, observados alguns critérios da legislação; essa constitui a principal fonte de arrecadação da maioria dos Municípios do Brasil;
3,0% para os programas de financiamento do setor produtivo das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.; do total que cabe ao Nordeste, 50% são destinados à região semi-árida;
IPI: 10% do produto da arrecadação desse imposto pela União é distribuído aos Estados, proporcionalmente às suas exportações de produtos industrializados, limitado a 20%, no máximo, para cada Estado; por sua vez, cada Estado entrega 25% do que recebe aos Municípios, obedecidos os critérios, de competência estadual, de repartição do ICMS. 
8.2 – Repartição Direta
IR: Aos Estados e Municípios cabe o produto da arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF) sobre os rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e fundações;
ITR: 50% do produto da arrecadação do ITR, de competência da União, cabe aos Municípios em cujo território está localizado o imóvel;
IPVA: 50% do que o Estado arrecadar com o IPVA, é repartido com o Município onde estiver licenciado o veículo;
IOF : relativamente ao IOF, de competência da União, quando o ouro for utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial, 30% do IOF incidente cabe ao Estado e 70% ao município de origem. 
A chamada “Lei Kandir” - Lei Complementar 87/96, ampliou a desoneração tributária na exportação de mercadoria e serviços para o exterior do País, provocando perdas de arrecadação para todos os Estados e, conseqüentemente, para os Municípios. Para compensar parte dessas perdas, a Lei Kandir previu critérios de ressarcimento.
O Imposto de Exportação é um tributo com finalidade regulatória, somente utilizado quando o país tem interesse em desestimular a exportação de determinado produto nacional.
O IPI é um imposto sobre o consumo, pois quem suporta o seu encargo, em última análise, é o consumidor final. 
Embora se trate de imposto de competência estadual, o produto da arrecadação do IPVA é dividido igualmente entre o Estado e o Município em cujo território o veículo é emplacado. 
Com a Constituição de 1988, o produto da arrecadação do ITR passou a ser repartido igualmente entre União e Município, permanecendo, no entanto, na competência tributária federal. As alíquotas são variáveis, em função de critérios como localização, área total da propriedade, percentual de utilização da área, e incidem sobre o valor da terra nua.
8 – REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS
O atual sistema tributário, em razão das peculiaridades dos principais impostos, concentra a arrecadação na União e nos Estados. Assim sendo, a União reparte um percentual de suas receitas com os Estados e com os Municípios e parte das receitas dos Estados são divididas com os Municípios.
A Constituição Federal prevê mecanismo para repartição das receitas. 
A repartição dá-se de forma direta ou indireta. Direta, quando um percentual de um imposto arrecadado pela União ou pelo Estado é repartido com outro ente em uma relação simples, determinada pela Constituição. Indireta, quando são formados fundos, e a repartição depende de rateios previstos na legislação.
8.1 – Repartição Indireta
ICMS: 25% do ICMS arrecadado pelos Estados pertence aos Municípios; o principal critério para distribuição é o movimento econômico do Município; 
IR e IPI: 47% do produto da arrecadação desses impostos pela União é dividido da seguinte forma:
21,5% para o Fundo de Participação dos Estados-FPE, que é dividido entre as Unidades Federadas, observando-se critérios da legislação;
Entre as muitas atividades sujeitas ao ISS, encontram-se os serviços prestados por: médicos, dentistas, psicólogos, hospitais, alfaiates, costureiros, engenheiros, arquitetos, barbeiros, cabeleireiros, esteticistas, massagistas, contadores, advogados, corretores, secretários, tradutores, fotógrafos, estabelecimentos de ensino, lavanderia, setores de cobrança, transportadoras intramunicipais, hotéis, etc.
O valor da taxa está limitado ao custo do serviço.
As taxas podem ser instituídas e cobradas por quaisquer dos entes tributantes, desde que efetuada a prestação de serviço que dá sustentação ao seu fato gerador. 
Com relação ao IPTU, a Constituição admite o uso de alíquotas progressivas com o objetivo de que a propriedade atenda à sua função social.
O Imposto de Renda descontado dos rendimentos dos servidores públicos dos Estados e dos Municípios constitui receita dessas esferas.