Recuperação extrajudicial e homologação
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Recuperação extrajudicial e homologação


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RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
Procedimento alternativo (extrajudicial) porque as negociações ocorrem na esfera privada.
É um acordo, o devedor chama os credores e juntos negociam. Propõe-se um plano aos credores, através de grande negociação. Não possui muita adesão, ou seja, não ocorre com muita efetividade, por ser difícil contemplar todos os credores de uma forma consensual.
Possibilidade de homologação judicial. 
Muitas vezes, a recuperação extrajudicial que tramita por via judicial, acaba sendo levada ao Judiciário. Justamente, na hipótese de terem a maioria de adesões conseguem homologar esse acordo judicialmente, para que possa surtir efeitos como se fosse uma sentença (título executivo) = tem como finalidade a garantia e segurança jurídica. 
Tentativa de solucionar a crise econômica e reorganizar a empresa para evitar a falência.
Requisitos para a concessão: art. 48, LRE (2 anos de atividade empresarial, não ter obtido a Recuperação Extrajudicial há pelo menos 5 anos, não ter sido condenado por crime falimentar etc).
São os mesmos requisitos da Recuperação Judicial. 
Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:
I \u2013 não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II \u2013 não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação judicial;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capítulo
IV \u2013 não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nesta Lei. (...)
Plano: adesão de todos ou alguns credores (art. 162).
Se todos os credores concordarem fazem um esboço como se fosse um contrato; Todavia, se não houver aderência de todos os credores, a lei impõe que haja 60% das assinaturas (adesão) e estes credores devem representar as classes de créditos dispostas no art. 83 da Lei.
Art. 162. O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano de recuperação extrajudicial, juntando sua justificativa e o documento que contenha seus termos e condições, com as assinaturas dos credores que a ele aderiram.
Art. 163. O devedor poderá, também, requerer a homologação de plano de recuperação extrajudicial que obriga a todos os credores por ele abrangidos, desde que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos.
Se houver adesão de todos os credores, a homologação do plano é meramente homologatória.
Existem dois tipo de homologação: facultativa e necessária.
É necessária quando não há adesão de todos os credores; e
Será facultativa se houver adesão de todos os credores.
Se houver adesão de credores que representem mais de 3/5 (60%) de todos os créditos de cada espécie por ele abrangidos, o devedor poderá requerer a homologação do plano, mesmo que não haja a adesão da totalidade de credores (adesão contenciosa).
Os credores que não aderirem ao plano poderão continuar executando os créditos.
 Quem pode requerer a homologação do plano de recuperação extrajudicial? O devedor (empresário individual ou sociedade empresária, art.161).
Art. 161. O devedor que preencher os requisitos do art. 48 desta Lei poderá propor e negociar com credores plano de recuperação extrajudicial. (...)
§ 2o O plano não poderá contemplar o pagamento antecipado de dívidas nem tratamento desfavorável aos credores que a ele não estejam sujeitos. 
Tratam-se dos credores que não aderiram/concordaram ao plano (acordo), significando que não há obrigatoriedade na aderência (principio fundamental \u2013 direito de não estar associado). 
ATENÇÃO: A homologação não será possível nas hipóteses abaixo.
§ 3o O devedor não poderá requerer a homologação de plano extrajudicial, se estiver pendente pedido de recuperação judicial ou se houver obtido recuperação judicial ou homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de 2 (dois) anos.
Não poderá quando já houver um pedido de recuperação judicial e faz um acordo, o qual não poderá ser homologado ou já obteve sucesso na recuperação judicial e esta cumprindo ou incrementando o plano; Além disso, quando já tinha pedido recuperação extrajudicial e conseguido homologar, vir a requerer novamente em menos de 2 anos.
 § 4o O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não acarretará suspensão de direitos, ações ou execuções, nem a impossibilidade do pedido de decretação de falência pelos credores não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial. 
Diferença em relação a recuperação judicial, que suspende as ações e execuções. Por esse motivo é que possibilita a continuidade de execução dos créditos pelos credores que não aderirem ao plano de recuperação extrajudicial. 
HOMOLOGAÇÃO 
Em regra o plano de recuperação extrajudicial não tramita por via judicial, salvo se devedor e credores desejarem homologar. Dessa forma, levam ao Judiciário seguindo as etapas: 
O devedor apresenta ao juiz o plano junto com a petição judicial.
Recebido, o juiz determina a publicação de edital, convocando os credores do devedor para que apresentem impugnações (art. 164, caput, § 2º).
Da sentença homologatória cabe apelação sem efeito suspensivo (art. 164. § 7º).
Sem efeito suspensivo, porque continuam as ações e execuções dos créditos pelos credores que não aderiram ao plano.
A petição de homologação não impede que o credor que não aderiu ao plano requeira o pedido de falência.
Art. 161. (...) § 4o O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não acarretará suspensão de direitos, ações ou execuções, nem a impossibilidade do pedido de decretação de falência pelos credores não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial.
Sentença homologatória \u2013 título executivo judicial 
Isso porque será proferia pelo Juiz, surtindo efeitos jurídicos. 
Art. 161. (...) § 6o A sentença de homologação do plano de recuperação extrajudicial constituirá título executivo judicial.
Possibilidade de o devedor fazer outros tipos de acordo com seus devedores.
Não há essa possiblidade na recuperação judicial, se esta estiver pendente. Na extrajudicial é possível, tendo em vista que ninguém é obrigado a aderir o plano.
Art. 167. O disposto neste Capítulo não implica impossibilidade de realização de outras modalidades de acordo privado entre o devedor e seus credores.
Procedimento da Homologação de Recuperação Extrajudicial
I - Juízo competente \u2013 Principal estabelecimento (art. 3º)
Art. 3º É competente para homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do Brasil.
Juiz Universal. 
II \u2013 Petição Inicial:
Assinada por advogado.
Termos e condições de cumprimento do plano e assinatura dos credores que aderiram.
Após assinaturas dos credores que aderiram, o plano será incrementado no prazo de 2 anos.
Exposição da situação patrimonial do devedor (jurídico financeira).	
Demonstrações contábeis relativas ao último exercício social.
Documentos que comprovem os poderes dos subscritores para novar o transigir sobre os créditos (endereço de cada um).
Natureza, classificação e valor de cada crédito, bem como discriminação da origem, vencimentos, com indicação dos registros contábeis de cada transação pendente.
III \u2013 Convocação por edital dos credores, para eventual objeção:
A ser veiculado no diário oficial e jornal de grande circulação.
Prazo de 30 dias para apresentar objeção (a contar da publicação).
Neste caso tratam de objeções (=razões ou argumentos opostos) ao plano.
Essas objeções, se aceitas pelo devedor permitem alterar ou modificar o plano. 
IV \u2013 Vista