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O Saber Do Sabor  As Plantas Nossas De Cada Dia, GIL

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juntar a casca ralada do limão, o leite e a gema de ovo 
previamente batida. Amassar todos os ingredientes. Fazer os biscoitos em 
pequenos cilindros e colocar em forma untada. Apertar cada um com um garfo a 
fim de fazer um desenho. Levar ao forno médio por cerca de 30 minutos em 
forma untada. Deixar esfriar em peneira. 
 
1.A araruta, Maranta arundinacea L. (família Marantaceae), é nativa do 
Brasil. A araruta do comércio é obtida do rizoma. Os indígenas a chamavam de 
aru-aru. As maiores plantações hoje estão na ilha de São Vicente, nas Antilhas. A 
araruta produzida na Índia provém dos tubérculos de Curcuma angustifolia 
Roxb. (Zingiberaceae). Os indígenas do Brasil, usam a massa ralada antes de 
espremida para curar os efeitos das flechadas com curare. Aplicam também sobre 
picada de insetos e para diminuir a coceira causada por picadas de insetos 
venenosos. 
2.Saccharum officinarum (Gramineae) 
3.Triticum aestivum (Gramineae) 
4.Citrus aurantiifolia (Rutaceae) 
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FAMÍLIA MUSACEAE 
 
A família Musaceae, com um grande numero de gêneros, é da região tropical-
úmida, ocorrendo nas terras baixas da África Ocidental até o Pacífico na Ásia. 
Vários gêneros são muito ornamentais, como Heliconia, Ravenala e Strelitzia. 
 
TORTA DE BANANA 
A receita original é da Dona Olga, mãe da Claudia Lemos e inclui queijo de 
Minas. Esta é uma variação feita pelo Luciano Esteves do Instituto de Botânica 
de são Paulo, que foi meu orientado de mestrado e doutorado e iniciou o estudo 
de banco de esporos de pteridófitas em solo de cerrado no Brasil. Em vez de 
banana, uso, às vezes, abacaxi em calda: é o que os britânicos chamam de 
"pineapple upside-down". 
 
500g de banana-nanica1 
0,5g de canela2 
2 ovos 
300g de farinha de trigo3 
125g de maisena4 
400g de açúcar5 
480ml de leite 
240g de margarina 
8g de fermento em pó 
 Forrar uma forma funda de torta com calda de caramelo e cobrir com a 
banana cortada em fatias. Polvilhar com a canela. 
 Em batedeira misturar e bater muito bem os ovos, o açúcar e a 
margarina. Dissolver o fermento no leite e misturar (fora da batedeira); bater 
bem. Colocar sobre a banana. Assar em fogo moderado por 20 a 30 minutos. Só 
retirar da forma após o resfriamento total, virando sobre um prato. 
 
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1.A banana, Musa paradisiaca L. (família Musaceae), introduzida no Brasil 
pelos portugueses, é originária da Índia, Malásia e Filipinas (neste último país 
vem sendo cultivada há mais de 4000 anos). É a espécie tipo de todas as 
bananas em que a maturação do fruto não basta para transformar amido em 
açúcar, isto é, só é comestível sob a ação do calor, precisa ser cozida ou frita. 
No Velho Testamento é a árvore do pecado, cuja fruta tentou Eva, que depois 
da falta cobriu sua nudez com a folha da bananeira. Segundo St. Hilaire e 
Martius esta espécie também seria nativa do Brasil e os índios faziam aguardente 
dela, mas isto não é aceito por todos (a pacova que existia no Brasil é 
Heliconia). Em 1907-1909, os índios nambiquaras nunca tinham visto uma 
banana. A banana-nanica, Musa sinensis Sagot (família Musaceae) é originária 
da China e é a mais cultivada hoje. Uma das vantagens é que, por apresentar 
caule baixo, é pouco atingida pelos ventos e, portanto, pouco prejudicada. A 
Musa paradisiaca L. var. sapientum Schum., é banana-maçã, a banana-prata. A 
banana é fruto partenocárpico, sendo a parte comestível derivada do endocarpo. 
A bananeira apresenta um falso caule, que é formado pela bainha das folhas; o 
caule verdadeiro, o rizoma, é subterrâneo. Cada pseudocaule só produz frutos 
uma única vez, morrendo em seguida. O hormônio etileno é responsável pelo 
amadurecimento das bananas. A falta de sementes dos frutos é conseqüência de 
partenocarpia (sem polinização) e de esterilidade. A maioria das bananas 
cultivadas é triplóide (numero 3n de cromossomos). A primeira notícia que se 
teve na Europa desta planta foi através de Alexandre, o Grande. Foi levada da 
África para a América em 1516 já com o nome banana. No leste da África a 
banana é o principal alimento de muitos povos e é a mais popular das frutas 
aclimatadas no Brasil. 
2.Cinnamomum zeylanicum (Lauraceae) 
3.Triticum aestivum (Gramineae) 
4.Zea mays (Gramineae) 
5.Saccharum officinarum (Gramineae) 
 
 
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FAMÍLIA ORCHIDACEAE 
 
RABANADAS 
De acordo com a minha avó Maria José, mãe de meu pai Virgílio, antigamente 
nas regiões mais pobres de Portugal, esta sobremesa era chamada de Maria 
Parida. Era considerado um alimento muito potente e assim dado às mulheres 
após o parto. 
 
 2ml de baunilha1 
 3 fatias de pão de trigo2 
 1 ovo 
 240ml de leite 
 30g de açúcar3 
 300ml de óleo de soja4 
 Misturar a baunilha no leite com 20g de açúcar. Molhar bem as fatias de 
pão (melhor pão amanhecido). Passar as fatias no ovo batido e fritar em óleo 
bem quente. Colocar em um prato e polvilhar com o resto do açúcar. 
 
1.Vanilla planifolia (Orchidaceae) 
2.Triticum aestivum (Gramineae) 
3.Saccharum officinarum (Gramineae) 
4.Glycine max (Leguminosae-Papilionoideae) 
 
 
FAMÍLIA PALMAE 
 
A família Palmae tem 212 gêneros e é tropical. 
 
QUINDIM 
 Esta receita é da Lilian Zaidan, uma bióloga-fisiologista que trabalha comigo no 
Instituto de Botânica de São Paulo e iniciou sua carreira como minha aluna 
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alguns anos atrás. No momento é quem mais entende da fisiologia da floração no 
Brasil. Para aproveitar as claras que sobram na receita do quindim, a Lilian tem 
uma receita de um pudim de claras muito gostoso: colocar 6 claras e 100g de 
açúcar num recipiente em banho-maria e deixar esquentar até que, ao colocar um 
dedo, sentir que está quente; retirar do fogo e colocar numa vasilha de batedeira; 
ligar a batedeira e deixar batendo até formar um suspiro bem firme; colocar 
raspas da casca de um limão; passar água em uma forma e colocar o suspiro; 
colocar no forno, em banho-maria até ficar dourado em cima e ao enfiar um 
palito, sair limpo. O suspiro cresce bem no forno, e depois de frio abaixa. 
Desenformar e colocar para gelar. Servir com calda de frutas. 
 1 coco1 
 12 gemas 
 3 claras 
 500g de açúcar2 
 20g de manteiga 
 Misturar bem o coco ralado com as gemas batidas e coadas. Juntar o 
açúcar e a manteiga. Deixar descansar em forma untada por umas duas horas. 
Colocar para assar em banho-maria, cerca de 90 minutos. Deixar esfriar 
completamente, gelar e desenformar. 
 
1.O coco, Cocos nucifera L. (família Palmae) parece que teve origem na 
Índia, mas não é certo. Outros dizem que vem da Colômbia. Ao Brasil foi trazido 
pelos portugueses em 1553. Da porção terminal do estipe (o ápice) extrai-se o 
palmito (o palmito encontrado no comércio é extraído de uma outra Palmae, 
Euterpe edulis Mart.; este já foi comido pelos portugueses no Brasil em 1500). 
O coqueiro é a palmeira mais importante do ponto de vista comercial. O fruto 
contém uma só semente, de testa marrom com endosperma abundante carnoso 
(carne do coco) e aquoso ( água do coco), com um embrião que fica abaixo de 
um dos "olhos" que se vê na superfície do endocarpo pétreo quando se descasca 
o coco. O epicarpo é liso (camada mais externa do fruto) e mesocarpo 
desenvolvido, branco-esponjoso quando verde e marrom fibroso quando 
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maduro, endocarpo pétreo marrom-escuro. Epicarpo - mesocarpo - endocarpo - 
semente (semente = embrião + endosperma, carnoso e aquoso). O leite de coco é 
tirado do coco espremido. 
2.Saccharum officinarum (Gramineae) 
 
 
FAMÍLIA ZINGIBERACEAE 
 
BISCOITO DE GENGIBRE 
É um biscoito crocante muito gostoso. 
 
 10g de gengibre1 ralado 
 150g de melado2 
 275g de açúcar2 
 110g de margarina 
 375g de farinha de trigo3 
 8g de bicarbonato de sódio 
 1 ovo 
 1g de sal 
 Pesar previamente uma panela leve pequena e nela pesar o melado. 
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